Dia: 2 de novembro de 2014

A Comunicação, por ela mesma

Fragmento da capa de O Rosto e a Máquina

Por Gilberto da Silva

A PAULUS lança O rosto e a máquina: O fenômeno da comunicação visto pelos ângulos humano, medial e tecnológico, de Ciro Marcondes Filho que busca formatar uma Teoria da Comunicação livre dos “vícios” da Sociologia, da Filosofia, da Antropologia ou da Ciência Política. Assim como vários estudiosos da área, Ciro que  professor da USP, deseja uma Nova Teoria da Comunicação feita e discutida no ‘campo’ próprio da Ciência – um saber específico, uma área de conhecimento específica – e não nas chamadas Ciências Aplicadas.

Segundo Ciro, “nas antigas formas, ao se estudar a comunicação, fazia-se sociologia, ciência política, estudos antropológicos, todos eles muito importantes e necessários, mas não comunicação propriamente dita”. Este rótulo  é usado nas escolas internacionais como a de Chicago, Birmingham, de Frankfurt, de Toronto, de Moscou. Para o autor este rótulo reproduz chavões e abordagens equivocadas. “Nossa proposta é revolucionária neste sentido: ela trabalha na constituição de um campo de saber específico, de uma área do conhecimento própria”, completa.

Ciro Marcondes Filho é pesquisador de conceito 1A do CNPq, criador do Princípio da Razão Durante, a base da Nova Teoria da Comunicação, que propõe um saber específico e original para a área de Comunicação, assim como um procedimento de pesquisa próprio, o metáporo.

Nesta obra o ponto de partida é a afirmativa que a velha disciplina Teoria da Comunicação trabalha com rótulo antigo, obsoleta e não em sintonia com a nova Era Digital. O livro O rosto e a máquina: O fenômeno da comunicação visto pelos ângulos humano, medial e tecnológico é o volume I da Nova Teoria da Comunicação e nele o autor introduz conceitos, simples, para leigos definindo o que é a comunicação humana, a comunicação de massa e internet realiza um retorna às teorias clássicas da comunicação e seus pensadores.

Diante do trajeto histórico o autor nos apresenta Barthes (aquele que ocupou-se com os signos, os sistemas de oposições e as funções simbólicas), Derrida (o homem da descontrução e do desmonte das estruturas tradicionais) , Foucault (o arqueólogo do pensar de forma diferente), o pós-estruturalista Deleuze, Adorno, Benjamin, Habermas (e todos os componentes da chamada Escola de Frankfurt e críticos da Indústria Cultural), Maturana (autopoiese – sistema autônomo fechado, autorreferente e que se constrói a si mesmo), Luhmann (de quem Ciro traduziu A Realidade dos Meios de Comunicação pela PAULUS), Husserl e Kamper entre outros.

Independente de cerrar fileiras na crença e que a comunicação é uma teoria própria ou se ela é “luhmanniamente” improvável a comunicação, algo indispensável, ou seja, sem ela qualquer ser humano não poderia, nem conseguia relacionar-se e até mesmo viver, a leitura da obra em questão torna-se um valioso portal para quem estuda ou se interessa pelos estudos de comunicação.

O Livro:

Título: O rosto e a máquina – O fenômeno da comunicação visto pelos ângulos humano, medial e tecnológico – Nova Teoria da Comunicação – Vol. 1
Autor: Ciro Marcondes Filho
Coleção: Comunicação
Acabamento: Costurado
Formato: 13,5 cm x 21 cm
Páginas: 184
Área de Interesse: Comunicação.

 

Publicado originalmente em Revista Partes. http://www.partes.com.br/2013/08/07/a-comunicacao-por-ela-mesma/

 

A Flor da Obsessão

jardim-de-margaridas

Por Gilberto da Silva

Quem a vê chegando ao trabalho – toda tímida – olhar cabisbaixo e sorriso escasso não pode imaginar o que a garota carrega em sua mente.

Quem há vê pelos corredores a andar séria, elegante, só pode pensar numa mulher pudica, quase santa, não sagrada. Mas profana, mundana, que contarei aqui, com sua permissão, um pouco da sua história.

Minhas amigas oriundas do feminismo que me perdoem. Minhas colegas corolas oriundas de um purismo estéril relevem… O objetivo aqui é não deixar para trás uma pequena história.

Ela tinha uma estranha obsessão: olhar para as partes baixas dos homens nos coletivos. Sentada, a moça focava na faixa preferencial do olhar: fixo, medidor, seletivo – “pequeno… médio… grande”!!!

Assim, não pense numa Dama do Lotação, produto característico do saudoso Nelson Rodrigues. Uma dubiedade? Mas nem puta, nem santa; nossa moça é apenas mulher com seus desejos e seus pecados.

Meus colegas machos desculpem, mas o que eu vou relatar nessas curtas linhas é fruto da observação antropológica que realizei com uma colega. Mas uma antropologia de gabinete, nada de pesquisa de campo, ou coisa parecida.  Nada de sacanagem espúrias, condenáveis do tipo que presenciamos diariamente no nosso transporte coletivo.

Tímida, raras vezes arriscava um olhar acima da linha do equador. Rápida no pensamento imediatamente ia definindo sua presa: “bom nos baixos, bonito nos altos” e assim realizava a sua classificação seletiva. Ela adorava sentar no banco próximo à lateral. Aqui a aproximação era quase inevitável.

Seus horizontes e suas visões.  Em determinados momentos sentia um misto de prazer e ódio. Queria mais, sentia-se atraída pelo inusitado. Nada se sustentava ou contentava a sua curiosidade pela observação do sexo oposto. Carnal, sonhava.

Imaginativa, criava cenas e cenários de alcova. Sentindo-se pecadora, rezava. Clamava perdão por pensamentos tão fora de seus padrões religiosos.

A Flor permanece em sua mobilidade, sei que ainda perambula por vias e coletivos em busca de seu monte sagrado….

 

Publicado originalmente em Revista Partes: http://www.partes.com.br/2014/09/23/a-flor-da-obsessao/