Brasil, terra de Messias…

santinho de 1960

O Brasil já teve outros Messias, entre eles, Jânio Quadros, vereador, prefeito de São Paulo, governador e presidente da república. Ele também era o Novo, a luta contra os “de partidos” Marqueteiro de si mesmo. Moralista autoritário que fez da vassoura seu símbolo

Jânio Quadros adotou como símbolo de sua campanha a vassoura. Com este símbolo ele foi eleito Presidente da República em 1960, prometendo varrer a corrupção do país.

Alegando estar sendo assediado por forças terríveis, Jânio renuncia sete meses depois de empossado.

Veja a letra do jingle:

Varre, varre,varre vassourinha!
Varre, varre a bandalheira!
Que o povo já ‘tá cansado
De sofrer dessa maneira
Jânio Quadros é a esperança desse povo abandonado!
Jânio Quadros é a certeza de um Brasil, moralizado!
Alerta, meu irmão!
Vassoura, conterrâneo!
Vamos vencer com Jânio!

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Freire e o pensar crítico

“A filosofia de Freire também tem suas raízes na teologia cristã, pela qual, aos olhos de Deus, os pobres são iguais aos ricos. Se a educação não libera a mente das pessoas para pensar criticamente, qual é o seu propósito?” Martin Carnoy, professor da Universidade de Stanford (EUA) à Folha de S. Paulo, domingo, 4 de novembro de 2018, b2.
@vitrinedogiba.com

Caatinga

A Caatinga é o bioma brasileiro de mais difícil de ser restaurado – Foto: Divulgação/SECTMA

“Caos de pedras cinzentas cavadas em desordem no chão de argila seca (…) paisagem dura, angulosa, trágica (…) visão que se estende até o infinito.” Roger Bastide, Brasil, terra de contrastes.

Livro Digital “Direitos das Pessoas com Deficiência”

A fim de fomentar os estudos e pesquisas nessa temática, foi lançado o Livro Digital “Direitos das Pessoas com Deficiência”, organizado pelos Professores  da PUC Minas André Vicente, Fernanda Diniz e pelo advogado Thiago Helton. A obra faz parte da Coleção Essencial de Direito do Curso de Direito da PUC Minas em Contagem/MG.

Além de oferecer gratuitamente, em formato acessível, conteúdos aprofundados nos mais diversos ramos do direito envolvendo a temática da pessoa com deficiência, o livro tem por objetivo homenagear o saudoso Professor Daniel Augusto dos Reis, tetraplégico, entusiasta do Direito Penal falecido em 2018.


CLIQUE AQUI PARA DOWNLOAD DO LIVRO 

Escola de Samba Acadêmicos Unidos de Frankfurt

Por Gilberto da Silva

Gilberto da Silva é jornalista e sociólogo da Prefeitura do Município de São Paulo. Graduado em Jornalismo pela FIAM e Ciências Políticas pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Mestre em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero. É editor do site Revista Partes (www.partes.com.br) e pesquisador do grupo de pesquisa Comunicação e Sociedade do Espetáculo na linha de pesquisa A Teoria Crítica e a Comunicação na Sociedade do Espetáculo organizado pela Cásper Líbero e coordenada pelo Prof. Dr. Cláudio Novaes Pinto Coelho.

Agora que a folia acabou, vou explicar para vocês como aconteceu o desfile da Escola de Samba Acadêmicos Unidos de Frankfurt, mais conhecida como Escola de Frankfurt, nas passarelas do samba pelo Brasil afora.  Os críticos, que fingem que assistem, teimam em classificá-la como uma escola melancólica, sem muita originalidade e não muito ligada a sua comunidade . Mas ouso afirmar que ela é uma explosão de alegria que na critica elenca projetos sociais e culturais que ajudam a comunidade a ir além da folia cumprindo com o seu papel de responsabilidade social.

O Enredo da escola em cada ano que sai na avenida é um misto composto de um desenvolvimento teórico baseado nas tendências filosóficas e sociais de tradicionais intelectuais de esquerda. Com base nesta tradição a cada ano um novo tema é introduzido na expectativa de dar conta das reivindicações da modernidade.  Na montagem do enredo, a Escola de Frankfurt pensa na totalidade da crítica, na sua historicidade, no desenvolvimento da crítica econômica ao capitalismo excludente. O enredo é sempre uma história com começo, meio e fim em que a originalidade e a maneira em que a história é contada vale muito.

De acordo com o regulamento praticado com a maioria das organizações de carnavais, a Comissão de Frente deve ter no mínimo 10 e um máximo de 15 componentes. Diante da história da nossa escola desfilam: Adorno, Walter Benjamin, Herbert Marcuse, Erich Fromm, Habermas, Neunann, Kircheimer., Horkheimer, Friedrich Pollock, Leo Lowental entre outros. Os jurados consideram aspectos como criatividade, coordenação e sintonia na exibição, bem como o figurino e indumentária apresentada pelos integrantes da ala. Na nossa escola sobressaem alguns personagens tais como Adorno, Horkheimer e Benjamin. Mas temos outros mestres na arte da coreografia com seus movimentos sincronizados.

No quesito Porta Bandeira e Mestre Sala a elegância e o respeito ao estandarte deve ser levando em consideração. Mira Komarovski russa e residente nos USA foi uma das pioneiras das questões de gênero e, portanto, nossa porta bandeira. É um caso raro de mulher na escola, mas os frankfurteanos prometem adequação aos novos tempos de empoderamento feminino em carnavais futuros. Max Horkheimer é o nosso mestre sala capaz de ir de um enredo a outro sempre com estilo, sempre com movimentos próprios do bailado, como os meneios, mesuras, meia-voltas.  A escola está selecionando sua Segunda Porta Bandeira e Mestre Sala…

Nossa Bateria é comandada pelo Mestre Adorno. Rígido no compasso, nosso mestre está sempre ditando o ritmo e a consistência do samba. Mestre Adorno cuida de seus ritmistas com muita dureza e trabalho para que estes não saiam da sintonia. Sempre pensando em melhorar seus instrumentos, mestre Adorno procura libertar o pensamento da escola das ortodoxias cegantes do capitalismo, pois o “mal está nas relações que condenam o homem à impotência e à apatia”. Quem desafinar tá fora! A rainha da bateria ainda não foi escolhida.

Em Harmonia, -um dos quesitos mais complicados do Carnaval, a Escola de Frankfurt trabalha no sentido de que o entrosamento entre seus membr0s – sempre tão geniosos – não atrapalhem os demais quesitos da escola.  Quem atravessar o samba tá ferrado! Aqui, Mestre Benjamin não deixa a aura cair.

O Samba Enredo da Escola de Frankfurt é sempre escolhido de forma a proporcionar uma ideia clara da história a ser contada. O tema deste ano foi Não fui eu e nem Ele Não: a dialética do esclarecimento diante da atrofia da racionalidade. Durante os anos de existência da escola tivemos maravilhosos samba enredos, tais como:  A Eclipse da Razão, nem orixás, nem mangás na terra do progresso desenfreado; Sobre o problema da verdade: samba no pé nas origens da fakenews; Teoria Crítica de volta ao passado, a cultura brasileira diante do homem unidimensional; Minima Moralia, os aforismo remanescentes da cultura de massas tupiniquim; e entre demais: A teoria critica na época do renascimento.

No quesito Fantasias, nosso mestre Fromm – o mais rico herdeiro de Freud – cuida com amor e carinho da confecção e do acabamento das roupas que retratam a realidade do nosso enredo, do amor, do ódio, da individualidade e do narcisismo. Mestre Fromm trata de todos os detalhes para que no item Fantasias, a escola saia perfeita. Mas membros da escola em nota de divergência alegam que Fromm está aos poucos abandonado os princípios da comunidade. Sua saída da agremiação é uma questão de tempo. A Velha Guarda está sempre de olho!

Em Alegorias e Adereços, Marcuse entra na guerra com tudo, mostrando sua capacidade performática ajudando a contar uma história que não se resume a apenas obedecer a uma ordem estabelecida. O protesto social deve ser retratado de forma a não perder a sua racionalidade. A provocação e a contestação deve existir de forma que a escola não seja engolida pela tecnologia.

Os componentes da Escola de Frankfurt dançam de acordo com o ritmo da bateria e do samba? Humberto Eco e Luckács tratam de desmentir e de afirmar o contrário. Seria a escola uma entidade apocalíptica?

A Escola de Frankfurt passa – enquanto as escolas de origens marxistas culturais puderem desfilar -pelo público com um curso regular, quer queira ou não seus críticos e algozes. A escola tem momentos em que para por muito tempo (vazio cultural) e depois corre para compensar (ascensão dos movimentos culturais). Nesta hora, alguns destaques extras são convidados a desfilar sua crítica no espetáculo, como críticos iguais a Debord. Estes destaques ajudam compensar alguns vazios deixados na avenida. Existem “buracos” entre as alas ou elas se misturam? Esses são alguns pontos observados pelos julgadores de Evolução. Inúmeros são os intelectuais a cuidarem deste quesito. Para não deixar vazios, fatídicos buracos que podem afetar a reputação da escola, sua diretoria tem investido em formação e em muito estudo da dinâmica do carnaval.

A escola nem bem terminou o carnaval deste ano já está preparando seu novo enredo para o próximo ano. Aqui o fechamento do universo do samba não acaba!

Publicado originalmente na Revista Partes:

http://www.partes.com.br/2019/03/10/escola-de-samba-academicos-unidos-de-frankfurt/

Escola de Samba Acadêmicos Unidos de Frankfurt

Por Gilberto da Silva

Gilberto da Silva é jornalista e sociólogo da Prefeitura do Município de São Paulo. Graduado em Jornalismo pela FIAM e Ciências Políticas pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Mestre em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero. É editor do site Revista Partes (www.partes.com.br) e pesquisador do grupo de pesquisa Comunicação e Sociedade do Espetáculo na linha de pesquisa A Teoria Crítica e a Comunicação na Sociedade do Espetáculo organizado pela Cásper Líbero e coordenada pelo Prof. Dr. Cláudio Novaes Pinto Coelho.

Agora que a folia acabou, vou explicar para vocês como aconteceu o desfile da Escola de Samba Acadêmicos Unidos de Frankfurt, mais conhecida como Escola de Frankfurt, nas passarelas do samba pelo Brasil afora.  Os críticos, que fingem que assistem, teimam em classificá-la como uma escola melancólica, sem muita originalidade e não muito ligada a sua comunidade . Mas ouso afirmar que ela é uma explosão de alegria, que na critica elenca projetos sociais e culturais que ajudam a comunidade a ir além da folia, cumprindo com o seu papel de responsabilidade social.

O Enredo da escola em cada ano que sai na avenida é um misto composto de um desenvolvimento teórico baseado nas tendências filosóficas e sociais de tradicionais intelectuais de esquerda. Com base nesta tradição a cada ano um novo tema é introduzido na expectativa de dar conta das reivindicações da modernidade.  Na montagem do enredo, a Escola de Frankfurt pensa na totalidade da crítica, na sua historicidade, no desenvolvimento da crítica econômica ao capitalismo excludente. O enredo é sempre uma história com começo, meio e fim em que a originalidade e a maneira em que a história é contada vale muito.

De acordo com o regulamento praticado com a maioria das organizações de carnavais, a Comissão de Frente deve ter no mínimo 10 e um máximo de 15 componentes. Diante da história da nossa escola desfilam: Adorno, Walter Benjamin, Herbert Marcuse, Erich Fromm, Habermas, Neunann, Kircheimer., Horkheimer, Friedrich Pollock, Leo Lowental entre outros. Os jurados consideram aspectos como criatividade, coordenação e sintonia na exibição, bem como o figurino e indumentária apresentada pelos integrantes da ala. Na nossa escola sobressaem alguns personagens tais como Adorno, Horkheimer e Benjamin. Mas temos outros mestres na arte da coreografia com seus movimentos sincronizados.

No quesito Porta Bandeira e Mestre Sala a elegância e o respeito ao estandarte deve ser levando em consideração. Mira Komarovski russa e residente nos USA foi uma das pioneiras das questões de gênero e, portanto, nossa porta bandeira. É um caso raro de mulher na escola, mas os frankfurteanos prometem adequação aos novos tempos de empoderamento feminino em carnavais futuros. Max Horkheimer é o nosso mestre sala capaz de ir de um enredo a outro sempre com estilo, sempre com movimentos próprios do bailado, como os meneios, mesuras, meia-voltas.  A escola está selecionando sua Segunda Porta Bandeira e Mestre Sala…

Nossa Bateria é comandada pelo Mestre Adorno. Rígido no compasso, nosso mestre está sempre ditando o ritmo e a consistência do samba. Mestre Adorno cuida de seus ritmistas com muita dureza e trabalho para que estes não saiam da sintonia. Sempre pensando em melhorar seus instrumentos, mestre Adorno procura libertar o pensamento da escola das ortodoxias cegantes do capitalismo, pois o “mal está nas relações que condenam o homem à impotência e à apatia”. Quem desafinar tá fora! A rainha da bateria ainda não foi escolhida.

Em Harmonia, -um dos quesitos mais complicados do Carnaval, a Escola de Frankfurt trabalha no sentido de que o entrosamento entre seus membr0s – sempre tão geniosos – não atrapalhem os demais quesitos da escola.  Quem atravessar o samba tá ferrado! Aqui, Mestre Benjamin não deixa a aura cair.

O Samba Enredo da Escola de Frankfurt é sempre escolhido de forma a proporcionar uma ideia clara da história a ser contada. O tema deste ano foi Não fui eu e nem Ele Não: a dialética do esclarecimento diante da atrofia da racionalidade. Durante os anos de existência da escola tivemos maravilhosos samba enredos, tais como:  A Eclipse da Razão, nem orixás, nem mangás na terra do progresso desenfreado; Sobre o problema da verdade: samba no pé nas origens da fakenews; Teoria Crítica de volta ao passado, a cultura brasileira diante do homem unidimensional; Minima Moralia, os aforismo remanescentes da cultura de massas tupiniquim; e entre demais: A teoria critica na época do renascimento.

No quesito Fantasias, nosso mestre Fromm – o mais rico herdeiro de Freud – cuida com amor e carinho da confecção e do acabamento das roupas que retratam a realidade do nosso enredo, do amor, do ódio, da individualidade e do narcisismo. Mestre Fromm trata de todos os detalhes para que no item Fantasias, a escola saia perfeita. Mas membros da escola em nota de divergência alegam que Fromm está aos poucos abandonado os princípios da comunidade. Sua saída da agremiação é uma questão de tempo. A Velha Guarda está sempre de olho!

Em Alegorias e Adereços, Marcuse entra na guerra com tudo, mostrando sua capacidade performática ajudando a contar uma história que não se resume a apenas obedecer a uma ordem estabelecida. O protesto social deve ser retratado de forma a não perder a sua racionalidade. A provocação e a contestação deve existir de forma que a escola não seja engolida pela tecnologia.

Os componentes da Escola de Frankfurt dançam de acordo com o ritmo da bateria e do samba? Humberto Eco e Luckács tratam de desmentir e de afirmar o contrário. Seria a escola uma entidade apocalíptica?

A Escola de Frankfurt passa – enquanto as escolas de origens marxistas culturais puderem desfilar -pelo público com um curso regular, quer queira ou não seus críticos e algozes. A escola tem momentos em que para por muito tempo (vazio cultural) e depois corre para compensar (ascensão dos movimentos culturais). Nesta hora, alguns destaques extras são convidados a desfilar sua crítica no espetáculo, como críticos iguais a Debord. Estes destaques ajudam compensar alguns vazios deixados na avenida. Existem “buracos” entre as alas ou elas se misturam? Esses são alguns pontos observados pelos julgadores de Evolução. Inúmeros são os intelectuais a cuidarem deste quesito. Para não deixar vazios, fatídicos buracos que podem afetar a reputação da escola, sua diretoria tem investido em formação e em muito estudo da dinâmica do carnaval.

A escola nem bem terminou o carnaval deste ano já está preparando seu novo enredo para o próximo ano. Aqui o fechamento do universo do samba não acaba!

A Chegada da família Real

Desembarcava, no dia 22 de janeiro de 1808, em Salvador (BA), a Família Real, depois de uma viagem que ocorreu em condições insalubres e durou 54 dias até Salvador (BA).

Na capital baiana os membros da Família Real foram recebidos com festas e ali permaneceram por mais de um mês.

“A mesma Bahia que trezentos anos antes tinha visto a chegada da esquadra de Cabral, agora testemunhava um acontecimento que haveria de mudar para sempre, e de forma profunda, a vida dos brasileiros. Com a chegada da corte à Bahia de Todos os Santos começava o último ato do Brasil colônia e o primeiro do Brasil independente.” GOMES, Laurentino. 1808. São paulo, Planeta, 2007.

Chegada da família Real