Jornalismo: a melhor profissão do mundo

Gabriel García Márquez

“Há uns cinquenta anos não estavam na moda escolas de jornalismo. Aprendia-se nas redações, nas oficinas, no botequim do outro lado da rua, nas noitadas de sexta-feira. O jornal todo era uma fábrica que formava e informava sem equívocos e gerava opinião num ambiente de participação no qual a moral era conservada em seu lugar.”

“Não haviam sido instituídas as reuniões de pauta, mas às cinco da tarde, sem convocação oficial, todo mundo fazia uma pausa para descansar das tensões do dia e confluía num lugar qualquer da redação para tomar café. Era uma tertúlia aberta em que se discutiam a quente os temas de cada seção e se davam os toques finais na edição do dia seguinte. Os que não aprendiam naquelas cátedras ambulantes e apaixonadas de vinte e quatro horas diárias, ou os que se aborreciam de tanto falar da mesma coisa, era porque queriam ou acreditavam ser jornalistas, mas na realidade não o eram.”

“O jornal cabia então em três grandes seções: notícias, crônicas e reportagens, e notas editoriais. A seção mais delicada e de grande prestígio era a editorial. O cargo mais desvalido era o de repórter, que tinha ao mesmo tempo a conotação de aprendiz e de ajudante de pedreiro. O tempo e a profissão mesma demonstraram que o sistema nervoso do jornalismo circula na realidade em sentido contrário. Dou fé: aos 19 anos, sendo o pior dos estudantes de direito, comecei minha carreira como redator de notas editoriais e fui subindo pouco a pouco e com muito trabalho pelos degraus das diferentes seções, até o nível máximo de repórter raso.

A prática da profissão, ela própria, impunha a necessidade de se formar uma base cultural, e o ambiente de trabalho se encarregava de incentivar essa formação. A leitura era um vício profissional. Os autodidatas costumam ser ávidos e rápidos, e os daquele tempo o fomos de sobra para seguir abrindo caminho na vida para a melhor profissão do mundo – como nós a chamávamos. Alberto Lleras Camargo, que foi sempre jornalista e duas vezes presidente da Colômbia, não tinha sequer o curso secundário.

A criação posterior de escolas de jornalismo foi uma reação escolástica contra o fato consumado de que o ofício carecia de respaldo acadêmico. Agora as escolas existem não apenas para a imprensa escrita como para todos os meios inventados e por inventar. Mas em sua expansão varreram até o nome humilde que o ofício teve desde suas origens no século XV, e que agora não é mais jornalismo, mas Ciências da Comunicação ou Comunicação Social.

O resultado não é, em geral, alentador. Os jovens que saem desiludidos das escolas, com a vida pela frente, parecem desvinculados da realidade e de seus problemas vitais, e um afã de protagonismo prima sobre a vocação e as aptidões naturais. E em especial sobre as duas condições mais importantes: a criatividade e a prática.

Em sua maioria, os formados chegam com deficiências flagrantes, têm graves problemas de gramática e ortografia, e dificuldades para uma compreensão reflexiva dos textos. Alguns se gabam de poder ler de trás para frente um documento secreto no gabinete de um ministro, de gravar diálogos fortuitos sem prevenir o interlocutor, ou de usar como notícia uma conversa que de antemão se combinara confidencial.

O mais grave é que tais atentados contra a ética obedecem a uma noção intrépida da profissão, assumida conscientemente e orgulhosamente fundada na sacralização do furo a qualquer preço e acima de tudo. Seus autores não se comovem com a premissa de que a melhor notícia nem sempre é a que se dá primeiro, mas muitas vezes a que se dá melhor. Alguns, conscientes de suas deficiências, sentem-se fraudados pela faculdade onde estudaram e não lhes treme a voz quando culpam seus professores por não lhes terem inculcado as virtudes que agora lhes são requeridas, especialmente a curiosidade pela vida.

É certo que tais críticas valem para a educação geral, pervertida pela massificação de escolas que seguem a linha viciada do informativo ao invés do formativo. Mas no caso específico do jornalismo parece que, além disso, a profissão não conseguiu evoluir com a mesma velocidade que seus instrumentos e os jornalistas se extraviaram no labirinto de uma tecnologia disparada sem controle em direção ao futuro.

Quer dizer: as empresas empenharam-se a fundo na concorrência feroz da modernização material e deixaram para depois a formação de sua infantaria e os mecanismos de participação que no passado fortaleciam o espírito profissional. As redações são laboratórios assépticos para navegantes solitários, onde parece mais fácil comunicar-se com os fenômenos siderais do que com o coração dos leitores. A desumanização é galopante.

Não é fácil aceitar que o esplendor tecnológico e a vertigem das comunicações, que tanto desejávamos em nossos tempos, tenham servido para antecipar e agravar a agonia cotidiana do horário de fechamento.

Os principiantes queixam-se de que os editores lhes concedem três horas para uma tarefa que na hora da verdade é impossível em menos de seis, que lhes encomendam material para duas colunas e na hora da verdade lhes concedem apenas meia coluna, e no pânico do fechamento ninguém tem tempo nem ânimo para lhes explicar por que, e menos ainda para lhes dizer uma palavra de consolo.

“Nem sequer nos repreendem”, diz um repórter novato ansioso por ter comunicação direta com seus chefes. Nada: o editor, que antes era um paizão sábio e compassivo, mal tem forças e tempo para sobreviver ele mesmo ao cativeiro da tecnologia.

A pressa e a restrição de espaço, creio, minimizaram a reportagem, que sempre tivemos na conta de gênero mais brilhante, mas que é também o que requer mais tempo, mais investigação, mais reflexão e um domínio certeiro da arte de escrever. É, na realidade, a reconstituição minuciosa e verídica do fato. Quer dizer: a notícia completa, tal como sucedeu na realidade, para que o leitor a conheça como se tivesse estado no local dos acontecimentos.”

“O gravador é culpado pela glorificação viciosa da entrevista. O rádio e a televisão, por sua própria natureza, converteram-na em gênero supremo, mas também a imprensa escrita parece compartilhar a ideia equivocada de que a voz da verdade não é tanto a do jornalista que viu como a do entrevistado que declarou. Para muitos redatores de jornais, a transcrição é a prova de fogo: confundem o som das palavras, tropeçam na semântica, naufragam na ortografia e morrem de enfarte com a sintaxe.

Talvez a solução seja voltar ao velho bloco de anotações, para que o jornalista vá editando com sua inteligência à medida que escuta, e restitua o gravador a sua categoria verdadeira, que é a de testemunho inquestionável. De todo modo, é um consolo supor que muitas das transgressões da ética, e outras tantas que aviltam e envergonham o jornalismo de hoje, nem sempre se devem à imoralidade, mas igualmente à falta de domínio do ofício.

Talvez a desgraça das faculdades de Comunicação Social seja ensinar muitas coisas úteis para a profissão, porém muito pouco da profissão propriamente dita. Claro que devem persistir em seus programas humanísticos, embora menos ambiciosos e peremptórios, para ajudar a constituir a base cultural que os alunos não trazem do curso secundário.

Entretanto, toda a formação deve se sustentar em três vigas mestras: a prioridade das aptidões e das vocações, a certeza de que a investigação não é uma especialidade dentro da profissão, mas que todo jornalismo deve ser investigativo por definição, e a consciência de que a ética não é uma condição ocasional, e sim que deve acompanhar sempre o jornalismo, como o zumbido acompanha o besouro.

O objetivo final deveria ser o retorno ao sistema primário de ensino em oficinas práticas formadas por pequenos grupos, com um aproveitamento crítico das experiências históricas, e em seu marco original de serviço público. Quer dizer: resgatar para a aprendizagem o espírito de tertúlia das cinco da tarde.

Um grupo de jornalistas independentes estamos tratando de fazê-lo, em Cartagena de Índias, para toda a América Latina, com um sistema de oficinas experimentais e itinerantes que leva o nome nada modesto de Fundação do Novo Jornalismo Ibero-americano. É uma experiência piloto com jornalistas novos para trabalhar em alguma especialidade – reportagem, edição, entrevistas de rádio e televisão e tantas outras – sob a direção de um veterano da profissão.”

“A mídia faria bem em apoiar essa operação de resgate. Seja em suas redações, seja com cenários construídos intencionalmente, como os simuladores aéreos que reproduzem todos os incidentes de voo, para que os estudantes aprendam a lidar com desastres antes que os encontrem de verdade atravessados em seu caminho. Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade.

Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte.”

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Razão e emoção

“A emoção de fato vem antes da racionalidade moderna, mas nunca disse que ela fosse tão importante ou menos importante, dependendo das circunstâncias. A questão é que ela vem primeiro. A emoção é, de certo modo, uma forma de racionalidade primitiva, porque permite a organizamos tomar certas decisões que são vantajosas para a sua sobrevivência.”

Antonio Damasio, neurocientista português em caderno Mais, p. 27 em 13 de agosto de 2000.

Receita de Jornalista

Cláudio Abramo

O jornalista só é bom se formado desde cedo. A juventude é a fase mais bonita da vida da gente, é quando se começa a engolir as coisas, a aprender. Rimbaud, por exemplo, produziu seus melhores poemas aos dezesseis anos e já tinha tido uma vida intensíssima – depois foi ser contrabandista de armas na Etiópia, na guerra do Melenick. Mas hoje o jovem excepcionalmente inteligente não vai perder tempo em jornal: ele vai ganhar dinheiro, jogar na Bolsa, mexer em computador.

De minha parte, comecei a aprender o Brasil muito tarde, porque minha formação foi muito internacionalista, mas não cosmopolita. Quem marcou muito como escritor foi André Malraux, que exerceu uma enorme influência na maneira como eu escrevia antigamente. No lugar de ler vários tratados de psicologia, em Shakespeare aprende-se toda a psicologia humana.

Quando vem a sensação de que se está perdendo muito das ideias que se quer colocar no papel, então é preciso trabalhar mais o idioma e exercitar a leitura. O jornalista precisa ler muito, ler literatura, porque a literatura nos põe em contato com o universo comum dos homens. E também é preciso ler poesia. O grande escritor é universal, e através dele entramos em contato com os problemas do mundo e do ser humano. Toda referência do homem é o ser humano, toda cultura, tudo diz respeito ao ser humano, e não há outra referência mais importante do que essa. E a literatura é o caminho para isso.

Talvez um dos segredos do sucesso que tive em minha carreira seja o fato de que nunca tenha lido muito jornal brasileiro. Quando era menino lia o Estado de S. Paulo; mais mocinho lia o New York Times, porque trabalhava numa companhia multinacional que recebia esse jornal e o Times de Londres. Sempre li muito jornal estrangeiro a vida inteira.

Para ser jornalista é preciso ter uma formação cultural sólida, científica ou humanística. Mas as escolas são precárias. Como dar um curso sobre algo que nem eu consigo definir direito? Trabalhei quarenta anos em jornal e acho muito difícil definir o que meia dúzia de atrevidos em Brasília definem como curso de jornalismo. Foi o que fez o patife do Gama e Silva (ministro da Justiça do governo Costa e Silva), que elaborou a lei para tirar os comunistas dos jornais.

Em seu trabalho, o repórter sempre vai ver coisas diferentes na sua essência e no seu aspecto externo. Um repórter vai fazer matérias políticas, ou vai descrever uma enchente, um desastre; vai ver o drama de uma família, tratar de um problema coletivo ou entrevistar um ministro. Por isso ele precisa ter muita flexibilidade na maneira de se exprimir, e para isso deve também ter um domínio da língua. E também é importante que saiba escolher as palavras exatas para determinadas ocasiões. Uma crônica de Rubem Braga sobre o sabiá é leve; já seus textos como correspondente de guerra são muito mais densos. Cada situação tem seu próprio pathos e é preciso transmitir aquilo para o leitor.Por isso o jornalista tem que ler muito, sempre.

É preciso ler Dante, Camões, Homero e Heródoto, Faulkner, Mark Twain. Scott Fitzgerald, Proust. André Gide só um pouquinho porque é muito deletério. E George Orwell, não pelas coisas que diz, mas pela sua inteligência, pelo uso da língua e pela maneira independente de raciocínio, embora no fundo seja muito conservador. É preciso ler os libertários americanos, Walt Whitman e Emerson, e Paul Goodman.

Dos brasileiros não sei bem. É preciso ler Florestan Fernandes. De Guimarães Rosa tenho horror; gosto dos contos, mas como romancista é muito complicado. Aquilo é charada alemã. Talvez as pessoas devam ler Guimarães, mas eu não. Prefiro Érico Veríssimo, que é um escritor menor mas está mais ligado à realidade brasileira.

Aconselharia aos jovens jornalistas conversar com pessoas como Luiz Carlos Prestes, Oscar Niemeyer, Fábio Penteado, Paulo Mendes da Rocha, Darcy Ribeiro. Há um pouco tempo, Darcy me descreveu como imaginava que os franceses, todos huguenotes, chegaram ao Rio de Janeiro: sujos, pois nunca tomavam banho, todos cheios de feridas, olhos inflamados e a Bíblia na mão. As indiazinhas bonitas e limpas na praia – tomavam banho a toda hora – e do outro lado aquela gente fedida, suja, bárbara, atrasada. É preciso destruir o mito de que tudo o que a civilização traz é bom; ela também trouxe o lixo. (…)

É preciso se preocupar com os fatos históricos. Assim como os jovens, também não vivi o Império romano e nem ouvi o discurso de Marco Antônio; não vi as conquistas de Genghis Khan ou as manobras de Shaka. Não vi nada disso mas sei que existiram. O fato é que grande parte do nosso conhecimento é adquirido com as leituras. Mas saber distinguir uma figueira de um carvalho, ou saber que a rede elétrica em São Paulo é aérea e não subterrânea como em Londres ou Paris, são coisas que não se aprendem nos livros.

O jornalista deve ter uma formação cultural sólida e tem que saber muito bem algumas coisas. Ele deve saber história, saber como funciona seu país, a máquina do país, as relações na sociedade. A menos que uma escola de comunicações ofereça um curso de história completo, é preciso ter conhecimentos elementares, que teoricamente deveriam ser aprendidos no ginásio. O jornalista tem ainda que conhecer bem a língua, para saber manejá-la com a proficiência necessária. Como um curso de jornalismo vai dar tudo isso?

Os cursos dão muitas coisas que, no fundo, são apenas noções. Por isso, o jornalista ficou com a fama de ser um especialista em generalidades. A meu ver o curso de jornalismo deveria ser um curso de pós-graduação. O ideal seria ter nas redações economistas, sociólogos ou médicos que, além do curso específico, tivessem uma pós-graduação em jornalismo e aprendessem como contar as coisas e escrever com clareza. (…)

Publicado no livro A Regra do Jogo, da Cia das Letras

Uma foto para Refletir

PR – PRISÃO/TRANFERÊNCIA/SÉRGIO CABRAL – POLÍTICA – O ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, chega ao Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba (PR), na manhã desta sexta-feira, 19, para realizar exame de corpo de delito. Ele foi transferido ontem, 18, da Cadeia Pública José Frederico Marques, no bairro de Benfica, no Rio. Cabral será levado para o Complexo Médico-Penal em Pinhais, na região metropolitana da capital paranaense. O complexo é uma penitenciária de regime fechado e com finalidades médicas e abriga vários presos da Operação Lava Jato, como o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, o ex-vice-presidente da Câmara, André Vargas, e o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. 19/01/2018 – Foto: GIULIANO GOMES/PR PRESS/PAGOS

Vladimir Ilyich Ulyanov

Vladimir Ilyich Lenin (1870 – 1924), Russian revolutionary, making a speech in Moscow. Original Publication: People Disc – HG0194 (Photo by Keystone/Getty Images)

 

Em 21 de janeiro de 1924 morria Vladimir Ilyich Ulyanov, mais conhecido pelo pseudônimo #Lênin, um revolucionário comunista, político e teórico político russo que serviu como chefe de governo da República Russa de 1917 a 1918. Em Nós que éramos/somos todos vermelhos colocamos uma pequena homenagem a este grande líder.

Receita de farofa salgada para ceia de Natal

Ingredientes:
1 colher de manteiga sem sal
100g de bacon em cubinhos
½ cebola ralada
100g calabresa em cubinhos
3 xícaras de farinha de milho
1 xícara de farinha de mandioca
1 xícara de couve cortada fininha
4 ovos

Modo de preparo:
Em uma panela refogar bem o bacon e a calabresa. Adicionar a cebola e deixar murchar, adicionar os ovos e mexer até que esteja bem cozido, acrescentar as farinhas aos poucos e ir mexendo. Finalizar com a couve e a manteiga (temperatura ambiente), mexer por um minuto e servir.

Tempo de Preparo: 20 minutos

Rendimento: 600g

Fonte: Divino Fogão – www.divinofogao.com.br

Não persista na tolice

tolice

“Alguns insistem no erro e, porque começaram a errar, parece-lhes
perseverança seguir assim. No fundo, reconhecem seu erro, mas junto aos
outros o defendem; se quando começaram com a tolice eram vistos como
imprudentes, ao continuarem, são confirmados como tolos. Nem a promessa
irrefletida nem a decisão equivocada devem nos obrigar ao erro. Algumas
pessoas insistem na burrice inicial e prosseguem com a sua inépcia. Querem
ser tolos fiéis”. A arte da sabedoria Mundana por Baltasar Gracián.

Por que está chegando o Natal

natal

Meu amigo Celso já enviou o CD com músicas natalinas cantadas pela Simone. Ainda não recebi nenhum cartão. A TV já anuncia na sessão da tarde filmes antigos sobre o tema (já estou esperando o Esqueceram de Mim). A cidade já está mais iluminada (deveria ser o ano todo). Não recebi décimo terceiro ainda mas já comprei o presente do amigo secreto. Já estou ficando entendiado. Meu amigo chato do Whatzapp já está enviando lindas mamis noel. Já tenho dívidas até o próximo Natal. Os motoristas estão cada dia mais loucos nas vias e eu ia esquecendo um sinal vermelho. Por que vermelho é Natal. Já estou ficando preparado para assistir ações boazinhas de muita gente que não foi bonzinho durante o ano. Mas um outro amigo já prometeu pagar o que me deve no próximo ano: eu sei que isso é um mantra mal escrito. É tempo dos homens de bem. Os que não são do bem somem e reaparecem no dia 2 de janeiro. Daqui a pouco é Natal e tem (terá?) peru, ceia, presente, árvore exótica e música natalina da Simone…

Barbosa, a Justiça que nunca chegou

 

Por Gilberto da Silva

Maior goleiro dos anos 1940 e titular da seleção brasileira por um longo período, Barbosa tinha tudo para ser glorificado e eternizado como um dos maiores goleiros da história do futebol brasileiro, não fora um fatídico acidente na tarde de 16 de julho de 1950 ao ser responsabilizado pelo gol do uruguaio Ghiggia, aos 34min da etapa final, selando o 2 a 1 para a equipe celeste. No final, já que não contavam com este resultado, os organizadores “esqueceram” de entregar o trofeu para o time campeão; após pequena confusão, Jules Rimet entregou a taça para o capitão uruguaio Obdulio Varela. A cruz da derrota quem carregou para sempre foi Barbosa.

Mas quem foi Barbosa? Moacyr Barbosa nasceu em 27 de março de 1921, em Campinas, e morreu em 07 de abril de 2000, aos 79 anos em Praia Grande, litoral do estado de São Paulo. No Cemitério Morada da Planície estão seus restos mortais onde descansa ao lado da cunhada e da esposa.

Após o fracasso no Maracanã, Barbosa foi morar em Ramos, no subúrbio do Rio de Janeiro, morava na Rua João Romarez. A maioria dos amigos o abandonou. Voltou atuar uma vez, três anos mais tarde pela seleção brasileira contra o Equador, no Peru. Em 1960 deixou o Vasco da Gama e encerrou sua carreira aos 42 anos atuando pelo Campo Grande (Rio)(onde teve uma pequena passagem como treinador), e se tornou funcionário do Maracanã (Suderj).

Barbosa muito moço veio trabalhar em São Paulo em um laboratório farmacêutico com o nome de LPB, e lá defendeu a equipe do laboratório se destacando como goleiro, “o CAY que detinha grande equipes de futebol na época, possuía alguns olheiros garimpando a várzea a procura de talentos, e assim Barbosa foi convidado a treinar no CAY, em pouco tempo destacou-se pela sua grande performance no gol, e em um amistoso contra o Taubaté, ele defendeu nesta partida 3 pênaltis. Logo em seguida foi contratado como goleiro profissional pelo então presidente Carlos Jafet, ardoroso Ypiranguista que investia muito no futebol profissional do CAY. Barbosa ficou pouco mais de 2 anos, e foi contratado pelo Vasco da Gama em 1948, e lá seguiu sua trajetória sendo convocado como titular na Copa de 50. No CAY, jogou com grandes jogadores tais como Silas, Bibe, Liminha e Reinaldo Zamai”, relata com exclusividade para nossa reportagem, Roberto Nappi, ex-meiocampista do Corinthians e dirigente do CAY – Clube Atlético Ypiranga.

 

Quem é o CAY

Após sua aposentadoria a vida de Barbosa começou a ficar mais difícil e necessitou da ajuda dos amigos e dos clubes que atuou. Nappi, ex-presidente do CAY declara que, na verdade, quem sempre ajudou o ex-goleiro foi o CAY, e não o Vasco da Gama e que o calvário de Barbosa começou quando a cunhada e a esposa morreram e ele ficou sem lugar para morar.

 

Homenagem

Uma homenagem com o intuito de arrecadar fundos para auxiliar Barbosa foi gestada em São Paulo. “Com a colaboração e auxilio de algumas pessoas de Praia Grande conseguimos manter Barbosa em um apartamento alugado, e a partir daí me ocorreu a ideia de fazer algo melhor por ele, graças a Agnaldo Timóteo, fervoroso fã de Barbosa, pude explicar a ele nossa intenção em fazer show no CAY em homenagem a ele. A renda seria destinada para comprar um apartamento em nome da associação de atletas profissionais, e no caso de falecimento de Barbosa seria destinado a outro atleta em dificuldade. Arrecadamos aproximadamente R$ 12.000,00 (doze mil reais) que foram depositados na conta do Barbosa no banco Itaú, e ficamos na promessa de realizar outro show, para arrecadar todo numerário para compra do imóvel!, declara Nappi.

Roberto Nappi

Nessa mesma época, Nappi e alguns amigos organizaram a realização de uma partida de futebol entre veteranos da seleção Paulista e amigos de Barbosa, tudo isto foi registrado pela TV Cultura que deu ampla cobertura ao evento, e que proporcionou uma grande alegria a Barbosa. Tentaram organizar um segundo show com Agnaldo Timóteo, mas Barbosa faleceu logo em seguida interrompendo a empreitada.

A dor irreparável
Responsabilizado pela derrota e condenado pela opinião pública, poucos estenderam as mãos para ajuda-lo. “Conheci pessoalmente Barbosa em 1990, naquela ocasião o CAY inaugurou uma arquibancada no campo de futebol, e convidou vários atletas para a solenidade, como eu era vice-presidente do clube fui incumbido de assessorar Barbosa, que chegou na sexta-feira. Fizemos grande recepção a ele. O evento de inauguração estava previsto para o sábado, houve uma afinidade muito grande entre nós e a partir daí grande amizade, pois nos comunicava-nos semanalmente, já que Barbosa havia vendido loja de artigos de pesca e enfrentando grande dificuldade, e estava vivendo da aposentadoria paga pela Suderj, empresa que administrava o Maracanã. Barbosa estava muito desgostoso com dirigentes do Vasco da Gama”, Nappi não se cansa de dar detalhes sobre a vida de Barbosa e do martírio vivido pelo craque.

O sonho de Barbosa era ser enterrado ao lado de sua esposa Dona Clotilde, “fato este que foi respeitado e ele foi enterrado no cemitério de Praia Grande ao lado da esposa. Dois anos atrás estive tentando exumá-lo e trazê-lo para São Paulo, e em decorrência disto deram a Barbosa uma campa definitiva, justificando ser uma atração turística” disse Nappi.

Barbosa sobreviveu galhardamente lutando contra o preconceito e superando as adversidades após o grande desastre do Maracanã, pois conseguiu “mesmo depois da Copa de 50 ser campeão de vários títulos disputado pelo Vasco da Gama, clube que ele defendeu por 20 anos, sendo exemplo de atleta pela sua postura simpática, cativante e sempre amigável, principalmente para os jogadores iniciantes na carreira, enfim embora com o estigma de perdedor da copa, ele conseguiu ajudar muitos colegas de profissão em busca do sucesso. Barbosa foi um símbolo para o futebol brasileiro.” conclui Roberto Nappi.

 

 

Barbosa, Roberto Nappi e Aguinaldo Timóteo no dia da homenagem no CAY

Para Roberto Nappi, Barbosa teve como importância para o futebol brasileiro, como um atleta que galhardamente soube superar o grande desastre do Maracanã Barbosa teve como importância para o futebol brasileiro,como um atleta que galhardamente soube superar o grande desastre do Maracanã, pois conseguiu mesmo depois da copa de 50 ser campeão de vários títulos disputado pelo Vasco da gama clube que ele defendeu por 20 anos, sendo exemplo de atleta pela sua postura simpática, cativante e sempre amigável, principalmente para os Jogadores iniciantes na carreira de jogador, enfim embora com o estigma de perdedor da copa, ele conseguiu ajudar muitos colegas de profissão em busca Do  sucesso, enfim Barbosa foi um símbolo para o futebol brasileiro.

Barbosa que originariamente nasceu em Campinas, muito moço veio trabalhar em S.Paulo em um laboratório farmacêutico com o nome de LPB, e lá defendeu a equipe do laboratório se destacando como goleiro, o CAY que detinha grande equipes de futebol na época, possuía alguns olheiros garimpando a várzea a procura de talentos , e assim Barbosa foi convidado a treinar no CAY, em pouco tempo destacou-se pela

Sua grande performance no gol, e em um amistoso contra o Taubaté, ele defendeu nesta partida 3 pênaltis, e logo em seguida foi contratado como goleiro profissional pelo então presidente  Carlos Jafet, ardoroso Ypiranguista que investia muito no futebol profissional do CAY, Barbosa ficou pouco mais de 2 anos, e foi contratado pelo Vasco da Gama em 1948, e lá seguiu sua trajetória sendo convocado como titular na copa de 50. No CAY jogou com grandes jogadores tais como Silas , Bibe, Liminha e Reinaldo Zamai.

Conheci pessoalmente Barbosa em  1990, pois naquela ocasião  o CAY inaugurou uma arquibancada no campo de futebol, e convidou vários atletas par tal solenidade, como eu era vice-presidente do clube fui imcubido  de assessorar Barbosa que chegou  na sexta-feira, onde fizemos grande recepção a ele, e o evento de inauguração estava previsto para o sábado, houve uma afinidade muito grande entre nós e a partir daí grande amizade, pois nos comunicava-nos  semanalmente, já que Barbosa havia vendido loja de artigos de pesca e enfrentando grande dificuldade, pois vivia de aposentadoria pela Suderg empresa que administra o Maracanã , muito desgostoso inclusive com dirigentes do Vasco da Gama, houve oportunidade de vir morar na Praia grande em apto de sobrinho, onde passou a morar com sua cunhada e esposa Dna,.Clotilde (irmã de Sapólio e Sapolinho) dupla de zaga do CAY., e ai passamos a conviver mais com Barbosa dando apoio necessário a ele , entretanto em prazo curto de tempo faleceram cunhada e esposa, deixando Barbosa sem ter onde morar, graças colaboração e auxilio de algumas pessoas de Praia Grande conseguimos manter Barbosa em um apto. alugado, e a partir daí me ocorreu a ideia de fazer algo melhor por ele, graças a Agnaldo Timóteo  fervoroso fan de Barbosa , pude explicar a ele nossa intenção em fazer show no CAY em homenagem a ele e a renda seria destinada a compra de um apto em nome de associação de atletas profissionais, e no caso de falecimento de Barbosa seria destinado a outro atleta em dificuldade.Fato este que ocorreu onde arrecadamos aproximadamente R$ 12.000,00 (dose mil reais) que foram depositados na conta do Barbosa no banco Itaú, e na promessa de outro show, para arrecadarmos todo numerário para compra de tal apto., nesta mesma época fizemos uma partida de futebol entre veteranos da seleção Paulista e amigos de Barbosa, tudo isto registrado pela Tv. Cultura que deu ampla cobertura ao evento, o que trouxe grande alegria a Barbosa, e novamente o recolou na mídia, entretanto  não conseguimos realizar este segundo show com Agnaldo Timóteo, pois tivemos a morte do grande ídolo Barbosa, cujo sonho era ser enterrado ao lado de sua esposa Dna. Clotilde, fato este que foi respeitado e ele foi enterrado no cemitério de Praia Grande ao  lado da esposa. Há dois anos estive tentando exumá-lo e trazê-lo  para S.Paulo,, e em decorrência disto deram a Barbosa uma campa definitiva, justificando ser uma atração turística, e assim Barbosa será nosso craque eternamente.