Notas

Escola de Samba Acadêmicos Unidos de Frankfurt

Por Gilberto da Silva

Gilberto da Silva é jornalista e sociólogo da Prefeitura do Município de São Paulo. Graduado em Jornalismo pela FIAM e Ciências Políticas pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Mestre em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero. É editor do site Revista Partes (www.partes.com.br) e pesquisador do grupo de pesquisa Comunicação e Sociedade do Espetáculo na linha de pesquisa A Teoria Crítica e a Comunicação na Sociedade do Espetáculo organizado pela Cásper Líbero e coordenada pelo Prof. Dr. Cláudio Novaes Pinto Coelho.

Agora que a folia acabou, vou explicar para vocês como aconteceu o desfile da Escola de Samba Acadêmicos Unidos de Frankfurt, mais conhecida como Escola de Frankfurt, nas passarelas do samba pelo Brasil afora.  Os críticos, que fingem que assistem, teimam em classificá-la como uma escola melancólica, sem muita originalidade e não muito ligada a sua comunidade . Mas ouso afirmar que ela é uma explosão de alegria, que na critica elenca projetos sociais e culturais que ajudam a comunidade a ir além da folia, cumprindo com o seu papel de responsabilidade social.

O Enredo da escola em cada ano que sai na avenida é um misto composto de um desenvolvimento teórico baseado nas tendências filosóficas e sociais de tradicionais intelectuais de esquerda. Com base nesta tradição a cada ano um novo tema é introduzido na expectativa de dar conta das reivindicações da modernidade.  Na montagem do enredo, a Escola de Frankfurt pensa na totalidade da crítica, na sua historicidade, no desenvolvimento da crítica econômica ao capitalismo excludente. O enredo é sempre uma história com começo, meio e fim em que a originalidade e a maneira em que a história é contada vale muito.

De acordo com o regulamento praticado com a maioria das organizações de carnavais, a Comissão de Frente deve ter no mínimo 10 e um máximo de 15 componentes. Diante da história da nossa escola desfilam: Adorno, Walter Benjamin, Herbert Marcuse, Erich Fromm, Habermas, Neunann, Kircheimer., Horkheimer, Friedrich Pollock, Leo Lowental entre outros. Os jurados consideram aspectos como criatividade, coordenação e sintonia na exibição, bem como o figurino e indumentária apresentada pelos integrantes da ala. Na nossa escola sobressaem alguns personagens tais como Adorno, Horkheimer e Benjamin. Mas temos outros mestres na arte da coreografia com seus movimentos sincronizados.

No quesito Porta Bandeira e Mestre Sala a elegância e o respeito ao estandarte deve ser levando em consideração. Mira Komarovski russa e residente nos USA foi uma das pioneiras das questões de gênero e, portanto, nossa porta bandeira. É um caso raro de mulher na escola, mas os frankfurteanos prometem adequação aos novos tempos de empoderamento feminino em carnavais futuros. Max Horkheimer é o nosso mestre sala capaz de ir de um enredo a outro sempre com estilo, sempre com movimentos próprios do bailado, como os meneios, mesuras, meia-voltas.  A escola está selecionando sua Segunda Porta Bandeira e Mestre Sala…

Nossa Bateria é comandada pelo Mestre Adorno. Rígido no compasso, nosso mestre está sempre ditando o ritmo e a consistência do samba. Mestre Adorno cuida de seus ritmistas com muita dureza e trabalho para que estes não saiam da sintonia. Sempre pensando em melhorar seus instrumentos, mestre Adorno procura libertar o pensamento da escola das ortodoxias cegantes do capitalismo, pois o “mal está nas relações que condenam o homem à impotência e à apatia”. Quem desafinar tá fora! A rainha da bateria ainda não foi escolhida.

Em Harmonia, -um dos quesitos mais complicados do Carnaval, a Escola de Frankfurt trabalha no sentido de que o entrosamento entre seus membr0s – sempre tão geniosos – não atrapalhem os demais quesitos da escola.  Quem atravessar o samba tá ferrado! Aqui, Mestre Benjamin não deixa a aura cair.

O Samba Enredo da Escola de Frankfurt é sempre escolhido de forma a proporcionar uma ideia clara da história a ser contada. O tema deste ano foi Não fui eu e nem Ele Não: a dialética do esclarecimento diante da atrofia da racionalidade. Durante os anos de existência da escola tivemos maravilhosos samba enredos, tais como:  A Eclipse da Razão, nem orixás, nem mangás na terra do progresso desenfreado; Sobre o problema da verdade: samba no pé nas origens da fakenews; Teoria Crítica de volta ao passado, a cultura brasileira diante do homem unidimensional; Minima Moralia, os aforismo remanescentes da cultura de massas tupiniquim; e entre demais: A teoria critica na época do renascimento.

No quesito Fantasias, nosso mestre Fromm – o mais rico herdeiro de Freud – cuida com amor e carinho da confecção e do acabamento das roupas que retratam a realidade do nosso enredo, do amor, do ódio, da individualidade e do narcisismo. Mestre Fromm trata de todos os detalhes para que no item Fantasias, a escola saia perfeita. Mas membros da escola em nota de divergência alegam que Fromm está aos poucos abandonado os princípios da comunidade. Sua saída da agremiação é uma questão de tempo. A Velha Guarda está sempre de olho!

Em Alegorias e Adereços, Marcuse entra na guerra com tudo, mostrando sua capacidade performática ajudando a contar uma história que não se resume a apenas obedecer a uma ordem estabelecida. O protesto social deve ser retratado de forma a não perder a sua racionalidade. A provocação e a contestação deve existir de forma que a escola não seja engolida pela tecnologia.

Os componentes da Escola de Frankfurt dançam de acordo com o ritmo da bateria e do samba? Humberto Eco e Luckács tratam de desmentir e de afirmar o contrário. Seria a escola uma entidade apocalíptica?

A Escola de Frankfurt passa – enquanto as escolas de origens marxistas culturais puderem desfilar -pelo público com um curso regular, quer queira ou não seus críticos e algozes. A escola tem momentos em que para por muito tempo (vazio cultural) e depois corre para compensar (ascensão dos movimentos culturais). Nesta hora, alguns destaques extras são convidados a desfilar sua crítica no espetáculo, como críticos iguais a Debord. Estes destaques ajudam compensar alguns vazios deixados na avenida. Existem “buracos” entre as alas ou elas se misturam? Esses são alguns pontos observados pelos julgadores de Evolução. Inúmeros são os intelectuais a cuidarem deste quesito. Para não deixar vazios, fatídicos buracos que podem afetar a reputação da escola, sua diretoria tem investido em formação e em muito estudo da dinâmica do carnaval.

A escola nem bem terminou o carnaval deste ano já está preparando seu novo enredo para o próximo ano. Aqui o fechamento do universo do samba não acaba!

Anúncios

Dia dos Santos Reis

Vitrine do Giba

diadereis

O “Dia de Reis”, ou “Dia dos Santos Reis”, comemorado em 6 de janeiro, tem origem na tradição católica que lembra o dia que Jesus Cristo, recém-nascido, recebeu a visita de três Reis Magos: Belchior, Gaspar e Baltazar, que vieram do oriente, guiados por uma estrela.

O Dia dos Santos Reis Magos, mais conhecido como Folia de Reis, é uma festa religiosa de origem portuguesa, que chegou ao Brasil no século XVIII. Segundo a Bíblia, tendo Jesus nascido em Belém, no tempo do Rei Herodes, os magos do Oriente seguiram uma estrela e foram adorá-lo.
Ignora-se a proveniência dos Reis Magos, mas se supõe que fossem três pessoas por conta dos presentes ofertados ao menino Jesus: ouro, incenso e mirra, que, respectivamente, simbolizavam a realeza, a divindade e a imortalidade do novo Rei.

Segundo a tradição, um era negro (africano), outro branco (europeu) e o terceiro moreno (assírio ou persa)…

Ver o post original 31 mais palavras

Dia da Consciência Negra celebra ZUMBI

O dia da Consciência negra, comemorado em 20 de novembro, foi pensado para homenagear a figura de Zumbi dos Palmares, um dos últimos líderes do Quilombo dos Palmares e que foi assassinado em 1695. Zumbi tornou-se uma referência da resistência negra ao escravismo e na luta pela liberdade.

Esta data foi escolhida porque marca o dia que tropas de “paulistas”, leais a Coroa portuguesa, conseguiram assassinar o principal líder político e militar do Quilombo dos Palmares – Zumbi.

O líder do Quilombo dos Palmares, no final do século XV, era Ganga Zumba, tio de Zumbi. Em 1678, o governador da Capitania de Pernambuco ofereceu um acordo de paz a Ganga Zumba, que aceitou, mas nem todos concordaram. Aconteceu, então, uma rebelião, liderada por Zumbi, que governou o grupo por 15 anos. Foram necessárias 18 expedições do governo português, liderados por bandeirantes, para erradicar Palmares.

Cásper Líbero recebe evento Natura Diálogos com Alain de Botton

No dia 22 de novembro, acontece a última palestra do tema “#OMundo+Bonito”, do “Natura Diálogos”. A edição será no Teatro Cásper Líbero, em São Paulo, e vai trazer o fundador da The School of Life, Alain de Botton, para debater formas de melhorar o mundo por meio do amor.A #OMundo+Bonito é uma série de palestras em universidades, que a Natura promove com o intuito de falar sobre como a empatia, sustentabilidade, diversidade e amor podem transformar o mundo.Alain é fundador e CEO da The School of Life, instituição que se dedica a desenvolver inteligência emocional e explorar as questões fundamentais da vida em torno de temas como trabalho, família, cultura e autoconhecimento. O suíço também escreve sobre amor, viagens, arquitetura e literatura. Alguns de seus livros, como “O Curso do Amor”, são best-sellers em 30 países. As inscrições para o evento são gratuitas e feitas pelo link https://www.sympla.com.br/natura-dialogos-apresenta-alain-de-botton-em-mundobonito-com-amor__400847.  

Crédito: Vitor Zocarato

ServiçoNatura Diálogos – O mundo mais bonito com amorLocal: Teatro Cásper Líbero – Av. Paulista, 900Data: 22 de novembro de 2018Horário: 9h30 às 12hValor: Gratuito

Editora Positivo lança obra inédita de Carlos Dala Stella

A Editora Positivo acaba de lançar um livro inédito do poeta e artista plástico Carlos Dala Stella: “A arte muda da fuga”. Os 108 poemas reunidos na obra foram manuscritos nos cadernos de ateliê de Dala Stella. Uma seleção criteriosa foi feita por Marta Morais da Costa, doutora em literatura pela USP, a partir de um conjunto com aproximadamente duas mil páginas de textos, desenhos, recortes e colagens. As imagens do livro são pistas sobre o processo criativo do autor, que escreve e desenha cotidianamente em seus cadernos ilustrados há 39 anos.

No posfácio da obra, Marta explica que a maior dificuldade foi conter a riqueza da obra do poeta em apenas um livro. “Como selecionar, entre a riqueza de obras artísticas do Louvre, apenas uma? Como selecionar, entre as aves do Pantanal, apenas uma? Como, diante do Universo, afirmar a existência de apenas um planeta habitado? A tarefa de fazer nascer ‘A arte muda da fuga’ pertencia a difíceis – e impossíveis – seleções”, descreve a organizadora.

A saída, segundo ela, foi solicitar ao poeta a escolha da produção recente que, segundo ele, representasse melhor sua poesia do presente. “Eram dezenas e dezenas de textos, com temas, motivos e extensão variados, a pedir tinta, impressão, luz do dia. Em sua autonomia e feliz liberdade, proclamavam, no entanto, elementos comuns, parentescos, liames e conjuntos”, conta Marta. “Em busca dos fios a se entrelaçar, a se combinar e enovelar, fui pouco a pouco descobrindo meadas comuns, matizes de cores predominantes, possíveis agrupamentos. Nasceram assim as categorias de amarração dos poemas pré-selecionados pelo autor e novamente selecionados por mim. O volume ganhou sua primeira forma, que a editora aperfeiçoou e enriqueceu, imprimindo-lhe ritmo e visualidade”, afirma.

De acordo com a editora de literatura da Positivo, Cristiane Mateus, responsável pela edição do livro, a obra é publicada com uma tiragem inicial de três mil exemplares e outra, ainda sem quantidade definida, já está prevista para 2019. “A edição do livro durou pouco mais de um ano e começou com uma visita ao ateliê do autor. A ideia agora é fazer circular de verdade a escrita desse artista singular e de múltiplas habilidades, já que seus dois primeiros livros de poemas tiveram uma tiragem bastante restrita – o que é muito comum quando falamos em livros de poemas no Brasil”, afirma.

As imagens

Nos vazados e nas aberturas das imagens, o artista revela uma multiplicação de planos: camadas sucessivas em que continente e conteúdo se alternam e se contrapõem. “É uma poesia em que a imagem, aparentemente plana, aos poucos se abre em recortes e vazados por onde o leitor (também um espectador) é atraído para camadas profundas das palavras, dos ritmos e da poderosa visualidade que sedimenta sua obra”, revela a organizadora. Os desenhos a nanquim do ateliê, que aparecem na abertura e no encerramento, também são de autoria de Dala Stella e foram feitos especialmente para este livro.

A natureza

A presença da natureza, representada na obra por uma pluralidade de elementos simples – aves, árvores, chuva, sol, estrelas, grão de areia –, poderia beirar o bucólico, caso não fosse ampliada em dimensões cósmicas ou em estados de alma. O poeta constata com espanto as manifestações da natureza: voejam pararus, urubus, sabiás, pintassilgos; a lesma se arrasta sobre o mármore, a libélula esplende em vitral e a aranha tece, como o tempo. “São pequenos animais a significar enigmas da vida e da arte”, define Marta.


A subjetividade e o silêncio

A poesia de Dala Stella produzida neste estágio de sua obra artística incorpora uma visão madura aos questionamentos sobre a subjetividade, uma das linhas mestras temáticas de sua escrita. Há uma aceitação tranquila da singularidade entre os mortais e uma inquirição constante da individualidade em face do universo.


Segundo Marta, essa busca dos sentidos do mundo e do tempo, esse indagar os vazios e os silêncios como repositórios de respostas e de beleza acabam por conferir à poesia de Carlos Dala Stella a marca indelével de uma poética de inquirição, de comunhão estelar, de denúncia dos desacertos do homem em sociedade, de incompletudes pessoais e sociais. “Constrói, à semelhança de Bach, uma arte como fuga, isto é, uma composição polifônica no contraponto de conjuntos temáticos”, define a organizadora.

O silêncio, presente em diversos versos do poeta, é também o título da poesia que encerra a obra. Para Dala Stella, “A arte muda da fuga” chama a atenção pela polifonia de percepções e materialidades verbais de que é feito cada poema. “Um poema não é uma linha reta entre o que o poeta sente, ou pensa, e a expressão desse sentimento ou dessa ideia. É no percurso da escrita que o sentimento de mundo se dá, num espelhamento interno e externo sem o qual a vida resultaria num simples artefato de palavra, desprovido da animação que lhe é tão cara. Um poema é um pequeno percurso de linguagem onde a vida, misteriosa e engenhosamente, se dá. A linha reta, em poesia, é sempre curva”, diz o poeta.

a arte muda da fuga

o silêncio sempre foi

meu maior interlocutor

qualquer coisa que eu diga

um monossílabo que engula

ele ouve e sopesa

por mais que eu grite

para dentro e sufoque

um substantivo, ele me acolhe côncavo e atento

mesmo que eu sopre pérolas inaudíveis, ele recupera a concha nunca o silêncio me foi indiferente, cada vez mais interfiro na trama

de seus fios transparentes

quem sabe dessa parceria

um dia não surja

a arte muda da fuga

silêncio

o bom de pensar é que depois vem o silêncio

não o silêncio absoluto da morte

mas esse silêncio – relativo –

cheio de vida

que de repente faz todo sentido

Sobre Carlos Dala Stella

Carlos Dala Stella nasceu em 1961, no bairro de Santa Felicidade, em Curitiba. É poeta, artista plástico e também contista. Formado em Letras pela Universidade Federal do Paraná, dedica-se ao desenho desde a década de 80, quando expôs na Itália. Publicou os livros “O caçador de vaga-lumes” (poemas, 1998), “Riachuelo, 266” (contos e crônicas, 2000), “Bicicletas de Montreal” (fotografia e outras artesvisuais,2002) e “Ogatosemnome” (poemas, 2007). Foi finalista do Prêmio Jabuti em 2012 na categoria Ilustração com o livro “Quer Jogar?” (livro ilustrado, 2011). Nas artes, o autor transita por murais de cimento e vidro, telas, retratos a lápis, nanquim e esculturas em papel, mas é nos cadernos de ateliê que cotidianamente escreve e desenha.

Sobre Marta Morais da Costa

Marta Morais da Costa é crítica literária, escritora e professora. É doutora em literatura pela USP. Nasceu em Ouro – Santa Catarina, em 1945. É graduada em Letras pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e tem Mestrado e Doutorado em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo. Professora desde 1965, lecionou no Colégio Estadual do Paraná, entre outras escolas. É professora da UFPR e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Sempre considerou o estudo uma forma prazerosa de viver, o que veio a se estender ao ensino, em sua atividade no magistério. O interesse pelo teatro e pela literatura, principalmente vistos pelo olhar crítico, a fez produzir textos por encomenda ou por interesse pessoal.

Sobre a Obra

A arte muda da fuga é uma seleção criteriosa de 108 poemas de Carlos Dala Stella, feita por Marta Morais da Costa, doutora em literatura, a partir de um conjunto com aproximadamente duas mil páginas de textos, desenhos, recortes e colagens do ateliê do poeta e artista plástico. As imagens do livro são pistas sobre o processo criativo do autor, que escreve e desenha cotidianamente em seus cadernos ilustrados há 39 anos. 160 páginas. Preço sugerido: R$ 43,90.