Crônicas

Nem só delícias encontraremos no jardim

“O Jardim das Delícias” (detalhe do “Inferno”), c 1500, óleo sobre painel Museu do Prado, Madrid

Por Gilberto da Silva
Tem gente que gosta de criar animais de estimação. Aos pequenos (em algumas ocasiões nem tanto..) dedicam um amor quase incondicional. Outras pessoas preferem adotar políticos de estimação.
Tem pessoas que gostam de cultivar flores. Preparam e cultivam enormes jardins, regam suas folhas e pés com uma militância insaciável. Outras pessoas preferem cultivar filósofos, mesmo sem nunca ter lido um capítulo de suas obras..
Uns mais afetados pelo dia a dia das decepções alheias procuram descarregar suas iras nas redes sociais. Menos mal, poderia praticar maus-tratos em algum animal, ou em algum filósofo.
Outros preferem procurar um Guia espiritual, alguém que o indicará ao reino do céu, com ou sem cobrança de pedágio. Geralmente a coisa se resume numa conta fracionária. E binária. No céu tudo é alegria e no inferno tudo é tristeza. Dê muito céu a um incauto que ele reduzirá sua fração num inferno.
O desapontamento, a decepção, ou toda forma de descrédito, uma hora chega e bate na sua porta ou no seu quintal. É possível que nesse precioso momento não encontrarás mais o político, o filósofo ou o guia espiritual de plantão.
Gosto, diz o ditado, não se discute. Mas também não é bom provar sempre.

Lágrimas revolucionárias

Por Gilberto da Silva

Ficamos a chorar isoladamente em nossos pequenos cantos, pequenos espaços, miúdas águas. Ficamos a chorar nossas lágrimas em nossos pequenos córregos e não juntamos todas estas lágrimas para torná-las um grande rio. Se juntarmos todas as lágrimas caídas isoladamente as transformaremos em um mar de revolução.
As lágrimas nos libertam. As lágrimas fluem em sentidos. Lágrimas aliviam estresse e tensão. Lágrimas limpam as tristezas e abrem espaços para as alegrias. As lágrimas rolam junto com os nossos problemas.
Desviando Paulo Freire afirmo: ninguém liberta ninguém quando chora sozinho; as lágrimas juntas se transformam em revolução.

 

Não olhai as estrelas

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Por Gilberto da Silva

É duro viver no dantesco mundo dos oportunistas. Nem as estrelas poupam. Miram o Sol todos os dias para consumir a energia solar em toda a sua potencialidade. Não perdem um lanche. Não atrasam um trem.  Cavam seus espaços na arquitetura falida dos que optam por uma vida honesta. Oportunistas são hábeis manipuladores.

Não há necessidade de ficar olhando estrelas para observar oportunistas no universo. Há uma constelação deles vagando por nossas ruas. E não são aliens.  Não há necessidade de procurar no espaço infinito. Os oportunistas estão perto dos nossos olhos, no espaço das nossas vivências. o oportunista é um tentador no sentido de ser um agente da tentação.

Falando de um tipo específico de oportunistas, Lenin em O oportunismo e a falência da II Internacional (1916), afirma que o oportunismo é primeiro um estado de espírito, depois uma tendência e numa fase final, um grupo ou camada da burocracia operária a que se juntam companheiros pequeno-burgueses: “O social-chauvinismo é o oportunismo acabado. Ele amadureceu para uma aliança aberta, frequentemente vulgar, com a burguesia e os estados-maiores. E é precisamente essa aliança que lhe dá uma grande força e o monopólio da imprensa legal e da mistificação das massas” escreveu em certo trecho.

Egoísta, o oportunista não dá espaço para você.  Ele sempre vai dar um jeitinho para te chamar de trouxa. Onde encontrar um oportunista? Procure quem pratica caixa dois, quem realiza subornos de fiscais, quem comete sonegação fiscal, quem fura filas, quem compra ou vende produtos sem nota fiscal, quem comete fraudes contábeis, quem te induz  a erro, quem pratica formação de cartéis, quem comete plágio, quem realiza superfaturamentos, quem explora o trabalho infantil, quem contrata funcionários sem carteira assinada, quem costuma se apropriar do trabalho alheio, quem comete assédio moral e assédio sexual, quem manipula seus amigos ou funcionários, ou quem pratica danos ao meio ambiente, quem está sempre dando um jeitinho, entre outros tantos exemplos.

Os oportunistas estão sempre à espreita para golpes e contragolpes, portanto, não fique parado olhando estrelas…

Serenamente sentado na praça

img_3317Por Gilberto da Silva

Vou ficar por aqui, num canto de praça, esperando o ano acabar. Sentado no banco da praça olhando os pássaros. Como paulistano que sou poderia ver tiririzinho-do-mato, ferreirinho-de-cara-canela, beija-flor-preto, tesoura-de-fronte-violeta, beija-flor-roxo. Ah! tucano-de-bico-verde e bico preto verei com certeza.

Na espera de meus braços abertos, com generosidade e paciência, abraçarei amigos e amigas que não se furtam a um afeto caloroso. Revisarei meus toscos textos, meus enroscos, meus desgostos, minha falsa modéstia.  De posse de meu caderno de anotações – com traços firmes e de cor forte – riscarei os nomes indesejáveis, primeiramente este, depois aquele etc. Olharei na agenda de telefones do celular e deletarei contatos inoportunos e incluirei outros poucos.

Na virada para o ano seguinte, vestirei todas as cores possíveis e gritarei para todos que nenhuma cor é pior ou melhor que a outra.  Do armário de roupas velhas e novas usarei as disponíveis sem distinção de modelo, corte, marca ou tecelagem.  Olhando com meus olhos – já em processo de envelhecimento – para o jardim ao meu redor esperarei por imagens de uma sociedade mais democrática e menos preconceituosa. Mirando o jardim exercitarei o prazer do olfato e sentirei o cheiro das flores, das dálias, das orquídeas, das rosas: das mais simples para as mais complexas. Tentarei extrair o aroma das coisas mais simples.

Na hora dos fogos de artifícios fecharei os ouvidos em respeito aos meus sentidos e a dos outros animais. Beberei uma água simples, comerei um bolo de fubá e tentarei respirar profundamente por alguns instantes. Se existir uma pequena farra, por que não farrear?

Na entrada do ano seguinte chamarei para sentar ao meu lado amigos de verdade, gente boa para prosa alegre ou nem tanto. Que tragam um bom livro, uma boa conversa, um café ou mesmo um bom etílico para momentos comemorativos.  Que venham os amigos velhos e os mais novos. Tentarei num esforço hercúleo não pedir nada em troca a não ser que eu esteja num processo de caducidade.  Mas quem – sem corrupção- não gosta de uma agradinho. Uma bala, um chocolate, um sorriso verdadeiro? Que tudo seja de coração e sem rancor.

Já no ano seguinte, no sereno das manhãs seremos serenos. Seremos?

Ditadura do palavreado

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Por Gilberto da Silva

Senta um pouco ai nesse banquinho de madeira que lá vem um texto. Textão, texto, textinho, testículo, pouco importa. Importa o conteúdo! Prefiro a veracidade das vozes ouvidas seja dentro ou fora do lugar da fala. Empatia e respeito é pra todos. Que Ubuntu é esse onde uns podem falar mais do que outros? Que ubuntu é esse que uns “merecem” ser mais ouvidos do que outros. Se é preguiça em outrem ler o que você escreve, relegue, mas não negue que algo pode estar errado. Mas além da fala precisamos, em alguns momentos, da escuta, do ouvir, do ler, do COMpreender.

Importa a verdade escrita, lida, ouvida e repassada, ou melhor contemporaneamente falando, compartilhada. Que neurose é essa de “lá vem textão…”???! Delírios de uma sociedade de excesso de informação? Que esquizofrenia, que incapacidade de ter paciência, de ter leniência, de ter saco…  Essa tendência de não ter mais o aporte do real é lastimável. Vivemos numa superfície, baumaniana (Zygmunt Bauman), líquida, imperfeita, surreal. Vivemos numa sociedade bancária onde a cobrança é mais importante do que a poupança.

Para além de semânticas, semiótica. Filosofias, sociologias, psicologias e economias não funcionam sem dialogia. No mais é ditadura. Ditadura do palavreado…

Não é uma questão de mi-mi-mi ou de nhem nhem nhem. A vida não se resume em 140 caracteres, ou no limite da sua linha do tempo virtual.

E assim, “malandramente”, vamos seguindo entre ironias: libidinosas ou não, entre gozos e impotências, entre narcisos e neuroses.

No banco de jardim
No banco de jardim,
o tempo se desfaz
e resta entre ruídos
a corola de paz.

No banco de jardim,
a sombra se adelgaça
e entre besouro e concha
de segredo, o anjo passa.

No banco de jardim,
o cosmo se resume
em serena parábola,
impressentido lume.

(Carlos Drummond de Andrade)

 

Nau da insensatez

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Por Gilberto da Silva

Na nau da insensatez, os viajantes não sabem a diferença entre revolucionário, conservador, reacionário, esquerda, direita, liberalismo, estatismo, ironia, metáfora etc. Não sabem, não buscam saber e nutrem ódio a quem sabe. O que se faz na rapidez de um supersônico é a criminalização, o julgamento apressado e condenatório, sem direito a uma defesa digna. O linchamento se faz em todos os instantes.

Dentro da nau não há busca por soluções de conflitos ideológicos, não há debate fraterno ou cordial que tente navegar pela forma do consenso ou mesmo pelo antagonismo dialético na busca de soluções ou de aspiração ao espírito da solidariedade.

Tais argumentações não significam o abandono de posições intelectuais e políticas. O contraditório deve ser debatido dentro de um ambiente sadio e não ancorado por um pensamento doentio. Trabalha-se, hoje, pelo gueto, pela exclusão, pelo Thânatos sem o Eros…

Na nau da odiosidade o outro é sempre ameaça permanente. É regressividade, animalismo, canalização do mal sendo usada sem distinção. Na pressa condenatório todo comentário é eivado de maldade de preconceitos; rifa-se o diálogo, a partilha, a compaixão e a colaboração. A ética, nesse caso, só é boa se for para o benefício do Eu.

Como fazer para parar a nau?

Um outro lugar é possível

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Por Gilberto da Silva

Primeiramente Fora Temer: mas podemos sair disso tudo! Não podemos cair nessa loucura desses homens loucos. Esses doidos estão nos chamando pra guerra. Quero outra utopia, outros desejos, outras realizações. Muita coisa pode acontecer. Como podemos viver sem saber o amanhã?

Pegue suas coisas, garota bacana, vamos pra rua, não faça como meu pai caído na cama de tanto trabalhar e ter uma aposentadoria pífia. Trabalhou demais, tal como um escravo. Hoje só fila: fila do INSS, fila de hospital público, fila para pegar remédio…

Dá-me um beijo, uma pequena carícia. Nós ainda temos tempo para fugir, outro lugar! A guerra aqui é uma loucura. Podemos desejar as carícias de uma vida nova, novas inquietações, novos fazeres. Não podemos perder nossos sonhos.

Olhe para os cabelos do meu pai e veja como posso ficar, olhe os garotos nas ocupações e tudo pode mudar.  Vamos realizar a possibilidade: o que podemos desejar na velhice?

 

We Gotta Get Out of This Place (The Animals)

de B. Mann – C. Weel
In this dirty old part of the city
Where the sun refuse to shine
People tell me there ain’t no use in trying
Now my girl you’re so young and pretty
And one thing I know is true
You’ll be dead before your time is due
I know
Watch my daddy in bed and tired
Watch his hair been turning gray
He’s been working and slaving his life away
Oh yes, I know it
He’s been working so hard
I’ve been working too babe
Every night and day
Yeah yeah yeah yeah
We gotta get out of this place
If its the last thing we ever do
We gotta get out of this place
‘Cause girl, there’s a better life
For me and you
Now my girl you’re so young and pretty
And one thing I know is true, yeah
You’ll be dead before your time is due
I know it
Watch my daddy in bed and tired
Watch his hair been turning gray
He’s been working and slaving his life away
I know
He’s been working so hard
I’ve been working too babe
Every day baby
Yeah yeah yeah yeah
We gotta get out of this place
If its the last thing we ever do
We gotta get out of this place
Girl, there’s a better life
For me and you
Somewhere baby
Somehow I know it baby
We gotta get out of this place
If its the last thing we ever do
We gotta get out of this place
Girl, there’s a better life for me and you
Believe me baby
I know it baby
You know it too

Eleições e dor de cotovelo

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Por Gilberto da Silva

 

Toda eleição é a mesma ladainha. O Zé Esquerda acusa o Zé Meio Esquerda de falta de união e vai logo arrotando: tem que unir o pão como o fermento para dar o alimento! Juntos somos fortes, na eleição e na direção: “tamu juntos…”  Todos se julgam vítimas das conspirações, mas no primeiro beijo logo esquecem das desavenças.

Toda eleição é sempre a mesma coisa. A Maria Direita roga praga na Dircinha Coxinha que diz que com aquela camisola amarela não sai mais nas manifestações. Temos que unir nosso amarelo para combater os vermelhos!!!! Maria arrogante, Dircinha ignorante. Doces lembranças de Nelson Rodrigues!

 

Millor escreveu certa vez:

Político é um sujeito que convence todo mundo a fazer uma coisa da qual ele não tem a menor convicção.

 

Mas acredito que Millor não estava totalmente certo pois o político tem a total convicção do que está fazendo.

Uns fedem, outros cheiram, outros inodoros.

É na eleição que a traição sai da cama e vai para a urna. Eleições, Ilusões, assim dirão alguns.

É na eleição que a inveja mostra seu verdadeiro vestido: a inveja veste “santinho”.

Há pouco espaço para os retos e os que teimam em seguir certinho. Mas tem espaço…. temos raras exceções.

E o ciúmes então…

 

Em eleições cabe um repertório do Lupicínio Rodrigues:

Vingança: ” O remorso talvez seja a causa do seu desespero/Você deve estar bem consciente do que praticou…”

Felicidade: “e é por isso que eu gosto lá de fora/porque sei que a falsidade não vigora”

Traição ?: “Se acaso você chegasse/No meu chatô encontrasse/aquela mulher/que você gostou”

Claro, temos aqueles que pedem: VOLTA!!. “Vem viver outra vez ao meu lado”. Mas para isso é preciso Ter Nervos de Aço: “eu não sei se o que eu trago no peito/ é ciúmes, despeito, amizade ou horror.”

Ou seja, em eleições temos também muita dor de cotovelo! Portanto, sempre é bom ficar com um olho aberto…..

Sobre pérolas e ostras

poemadobetnopradoPor Gilberto da Silva

Filosofia e poesia caminham sempre juntas. Ao abrir um livro que comprei em um sebo – no qual já sou um contumaz freguês – encontrei logo entre a capa e primeira página um recorte de jornal – sem identificação – de um poema do filósofo Bento Prado Jr.  Bento Prado de Almeida Ferraz Júnior, conhecido como Bento Prado, ou Prado Jr., foi professor de Filosofia na Universidade de São Paulo, posteriormente na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e que ao morrer com 69 anos, era professor titular de filosofia na Universidade Federal de São Carlos.

“E, no entanto, sempre resta

no seio da calma um núcleo de delírio.”

Cassado pelo regime militar, ele foi desligado da USP em 29 de abril de 1969 por um Decreto Presidencial, que também aposentou precocemente 23 docentes daquela instituição, dentre eles Caio Prado Júnior, Octavio Ianni e Fernando Henrique Cardoso. Exilou-se em Paris até 1974.

“No tremor das mãos, o gesto reprimido

procura o seu perdido itinerário.”

Bento era um especialista em autores franceses e a propósito o livro que eu comprei é A Questão de Método – de Jean-Paul Sartre (edição de 1966 – Difel) com tradução – do próprio Bento Prado Júnior e uma orelha escrita também por Bento!

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Um certo trecho de Questão de Método diz o seguinte:

Os acontecimentos políticos levaram-nos a utilizar como uma espécie de grade, mais cômoda do que verídica, o esquema de “luta de classes”: mas foi necessária toda a história sangrenta desse meio século para levar-nos a apreender sua realidade e para situar-nos em uma sociedade dilacerada. Foi a guerra que fez explodir os enquadramentos envelhecidos de nosso pensamento. A guerra, a Ocupação, a Resistência, os anos seguintes. Desejávamos lutar ao lado da classe operária, compreendíamos, enfim, que o concreto é história e a ação é dialética. Tínhamos renegado o realismo pluralista por tê-lo reencontrado entre os fascistas e descobríamos o mundo.”

Chegou a hora desse reencontro com o mundo!

 

 

A esquerda é sempre a outra

Pablo Picasso. La Suppliante. 1937. Oil on canvas. Gouache and China ink on wood. Musée Picasso, Paris, France.

Pablo Picasso. La Suppliante. 1937. Oil on canvas. Gouache and China ink on wood. Musée Picasso, Paris, France.

Por Gilberto da Silva

O sujeito nas redes sociais se coloca como crítico da Esquerda. Escreve laudas de protestos ao que passou, ilustra com exemplos o que quer criticar: inúmeros às vezes… Cadê a ética da esquerda? proliferando questões provocativas em suas postagens. A Esquerda é isso; a Esquerda é aquilo… Todos capitulados pelo capital e pela corrupção!!

Nas rodas de conversa, entre uma provocação e uma piadinha, sempre sai com um bem ensaiado: quando é que a esquerda vai mudar o seu discurso? Pergunta sempre acompanhada de um sorriso amarelo no rosto. Lista em suas retóricas uma série de erros: os anarquistas erraram, os stalinistas eram assassinos, os “trotiquistas” sonhadores, os petistas corruptos etc e tal, etc e tal.  Soma-se a ele inúmeros lambertismo, morenismo, lulismo, clericalismo, revisionismo, cubanismo, chavismo, ilusionismos…

Vai dai que você já deve estar associando o sujeito em questão como mais um “coxinha” amarelado pelo tempo; ou, na melhor das hipóteses, um belo seguidor de Mises. Ou um desses garotinhos que estão loucos para aparecer na foto oficial do Temer. Mas, muito pelo contrário, esse sujeito questionador se classifica de Esquerda. Mas a esquerda não o representa. Até aqui poderíamos achar que este é um belo exemplar da contribuição ao desenvolvimento das novas forças culturais e políticas  que estão florescendo por todo o universo.

Para ele a Esquerda é como uma rio onde ele fixa seus olhos nas águas correntes. É algo que passa, fugidia, intangível…  O Outro sempre é o culpado, aquele que errou e tem que pagar por todos os seus pecados. Como já cantarolou Caetano Veloso: “É que Narciso acha feio o que não é espelho/ E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho.”

Ah! Beleza!, ele também é de esquerda e critica a esquerda… Mas é dialético? É propositivo? Contribuí para a mudança de paradigmas? Sonhas o sonho de uma nova Utopia? Ou é mais um parasita social? O que ele faz para mudar “as condições objetivas da história”? Ele me pergunta: a esquerda ainda tem salvação? Eu respondo perguntando: você é de esquerda? Ele vaticinaretruca que sim. Eu lhe respondo: Você ainda acha necessária a defesa da Esquerda? Ele responde: não. Eu lhe digo: então morra! A Esquerda Morreu. Viva a Esquerda!