Autor: Gilberto da Silva

Escrevo, às vezes com raiva, às vezes com medo, tudo que posso: notícias, histórias inventadas, poesias, resenhas, artigos em geral. Assim vou tocando em frente...

9ª CAMINHADA PELA PAZ BRISTOL E SAVÉRIO – 2018

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Dia 22 – Dia Internacional da Diversidade Biológica

A biodiversidade é fundamental para assegurar a manutenção da vida, tal como a conhecemos hoje, na Terra

Neste dia, comemora-se a adoção, a 22 de maio de 1992, do Nairobi Final Act of the Conference for the Adoption of the Agreed Text of the Convention on Biological Diversity. Inicialmente, o dia da Biodiversidade comemorava-se a 29 de dezembro, data da entrada em vigor da Convenção da Diversidade Biológica. No entanto, em dezembro de 2000, a Assembleia-geral das Nações Unidas escolheu o dia 22 de maio como Dia da Diversidade Biológica, para comemorar a adoção do texto da Convenção. Esta alteração esteve também relacionada com o facto de os Estados terem dificuldade em realizar eventos a 29 de dezembro.

DEUS é mulher!

(foto: Daryan Dornelles/Divulgação)

Uma das maiores personalidades da história da música popular brasileira, Elza Soares voltou de maneira avassaladora à cena musical no ano de 2015 com o show da turnê A Mulher do Fim do Mundo, o primeiro álbum de inéditas da artista, onde várias letras trazia críticas contra o racismo e a violência da mulher.  Agora volta à tona com o álbum “Deus É Mulher” e teve grande repercussão nas redes sociais. O nome do novo CD virou trending topic no Twitter.

A carreira da Elza Soares sempre foi pautada pela ousadia, seja pela maneira de cantar, pela atitude no palco ou pelas escolhas artísticas. Com um timbre único, o balanço e a voz que soam como um instrumento, a artista vive o seu tempo e mantém sua vanguarda.

No álbum atual há letras de protestos contra a intolerância religiosa e o projeto Escola sem Partido. As percussões são das mulheres do Ilú Obá de Min, tradicional bloco afro de Carnaval, além de flauta, quarteto de cordas, sintetizadores e guitarras.

A cacofônica e quebradiça Deus há de ser é a controversa música escrita por Pedro Luiz em que se usa o jogo de palavras e sons para definir uma suposta Deusa como ”mulher”, ”fêmea”, ”fina” e ”linda”. A música, em ritmo acelerado, vem acompanhada de percussão pulsante e sons eletrônicos.

 

confira o single Deus Há de Ser

Rinhas de Galo

Em 18 de maio de 1961, o presidente Jânio Quadros baixava decreto proibindo a rinha de galo. O decreto 50.620 proibiu as brigas de galo em todo o território nacional atividade, então, muito popular em várias regiões do Brasil.

 

Foto: Arquivo nacional

Decreto nº 50.620, de 18 de Maio de 1961

Proíbe o funcionamento das rinhas de “briga de galos” e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando das atribuições que lhe confere o art. 87, nº I, da Constituição,

CONSIDERANDO que todos os animais existentes no País são tutelados do Estado;

CONSIDERANDO que a lei proíbe e pune os maus tratos infringidos a quaisquer animais, em lugar público ou privado;

CONSIDERANDO que as lutas entre animais, estimuladas pelo homem, constituem maus tratos;

CONSIDERANDO que os centros onde se realizam as competições denominadas “brigas de galos” converteram-se em locais públicos de apostas e jogos proibidos,

Decreta:

Art. 1º Fica proibido em todo o território nacional, realizar ou promover “brigas de galo” ou quaisquer outras lutas entre animais da mesma espécie ou de espécies diferentes.

Art. 2º Fica proibido, realizar ou promover espetáculos cuja atração constitua a luta de animais de qualquer espécie.

Art. 3º As autoridades promoverão o imediato fechamento das “rinhas de galos” e de outros quaisquer locais onde se realizam espetáculos desta natureza, e cumprirão as disposições referentes à punição dos infratores, e demais medidas legais aplicáveis.

Art. 4º O presente Decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Brasília, D.F., 18 de maio de 1961; 140º da Independência e 73º da República.

JÂNIO QUADROS
Oscar Pedroso Horta

 

Este texto não substitui o original publicado no Diário Oficial da União – Seção 1 de 18/05/1961

 

Publicação:

  • Diário Oficial da União – Seção 1 – 18/5/1961, Página 4549 (Publicação Original)
  • Coleção de Leis do Brasil – 1961, Página 216 Vol. 4 (Publicação Original)

Sergio Sampaio, o cantor que botou o bloco na rua

Sérgio Moraes Sampaio (Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo, 13 de abril de 1947 — Rio de Janeiro, 15 de maio de 1994)

Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua

“Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou”

 

Polícia, bandido, cachorro, dentista

“Eu tenho medo de polícia, de bandido, de cachorro e de dentista
Porque polícia quando chega vai batendo em quem não tem nada com issoPorque bandido quase sempre quando atira não acerta no que mira
Porque cachorro quando ataca pode às vezes atacar o seu amigo”

Roda Morta (reflexões de um executivo)

“Eu sei que quando acordo eu visto a cara falsa e infame
como a tara do mais vil dentre os mortais
E morro quando adentro o gabinete
Onde o sócio o e o alcaguete não me deixam nunca em paz”

Maiúsculo

“Como é maiúsculo
O artista e a sua canção
Relação entre Deus e o músculo
Que faz poderosa a sua criação”

Velho Bandido

Eu que sou filho de um pai teimoso
Descobri maravilhado que sou mentiroso
Sou feio, desidratado e infiel, bolinha de papel
Que nunca vou ser réu dormindo

E descobri como um velho bandido
Que já tudo está perdido neste céu de zinco
Eu que só tenho essa cabeça grande
Penso pouco, falo muito e sigo pr’adiante
Descobri que a velha arca já furou
Que não desembarcou
Dançou na transação dormindo
E como eu fui o tal velho bandido
Vou ficar matando rato pra comer
Dançando rock pra viver
Fazendo samba pra vender… sorrindo

Quem é do Amor

 

Quem é do amor não engana,
Ama mesmo a duras penas
Por isso não são pequenas,
As doces vezes do amor.
Quem é do amor é mais quente,
Viaja contra a corrente

Tem sangue de aguardente
Nas doces veias do amor.Quem é do amor tem um nome,
De raoni da floresta
Ruschi do espírito santo
Da medicina da selva.
Quem é do amor é mais simples,
Tem uma cara de nuvem
E não permite que sujem,
O verde da sua relva.

Quem é do amor somos nós,
Consolo dos idiotas
Chave de se abrir as portas,
Dupla que se satisfaz.
Que amor assim é pros vivos,
Pros rituais, pros sentidos
Não é para ser escrito,
Não é para os livros, que se faz.

Dia do Enfermeiro

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Em 1938, Getúlio Vargas, assinou o decreto nº 2.956, que instituía o “Dia do Enfermeiro”, a ser celebrado a 12 de maio, devendo nesta data ser prestadas homenagens especiais à memória de Ana Neri, em todos os hospitais e escolas de enfermagem do País. Ana Justina Ferreira Neri foi a pioneira brasileira da enfermagem. No Brasil, os primeiros enfermeiros foram os padres jesuítas que atuaram nas Santas Casas de Misericórdia, desde 1540.

Jair Rodrigues

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O cantor Jair Rodrigues morreu na manhã do dia 8 de maio, aos 75 anos, em Cotia, no interior de São Paulo, onde ele morava.

Jair nasceu em Igarapava (SP), no dia 6 de fevereiro de 1939 e foi criado em Nova Europa, também interior paulista. Começou sua carreira nos anos 1950 e conquistou sucesso nos anos 1960, em programas de calouros. Em 1965, Elis Regina e Jair Rodrigues fizeram muito sucesso no programa O Fino da Bossa,na TV Record.

Jair Rodrigues é pai de Jair de Oliveira e Luciana Mello, que também seguiram carreira musical.

Maio, 68: um fenômeno 50 anos depois

O mês de maio de 1968 representou o auge de um momento histórico de intensas transformações políticas, culturais e comportamentais que marcaram a segunda metade do século 20. Uma onda de protestos estudantis e operários contra o conservadorismo da época culminou na maior greve geral da Europa.

A França é o país onde, mais do que em qualquer outro lugar, as lutas de classe
foram sempre levadas à decisão final, e onde, por conseguinte, as formas políticas
mutáveis nas quais se processam estas lutas e nas quais se condensam seus
resultados tomam os contornos mais nítidos (ENGELS, F. Prefácio para a terceira edição alemã de O 18 brumário de Luís Bonaparte. In: MARX, K. Manuscritos econômico- filosóficos e outros textos escolhidos. São Paulo:Abril Cultural, 1974. p.327-328. (Os pensadores). 1974, p.333).

 

Cafés, bistrôs, oficinas, aulas, fábricas, lares, esquinas dos bulevares: Paris se
transformou em um grande seminário público. Os franceses descobriram que há
anos não dirigiam a palavra uns aos outros, e que tinham muito a se dizer. Sem
televisão e sem gasolina, sem rádio e sem revistas ilustradas, deram-se conta
de que as “diversões” os tinham, realmente, distraídos de todo contato humano
real. Durante um mês, ninguém tomou conhecimento das gestações da princesa
Grace ou dos amores de Johny Halliday, ninguém se sentiu impelido pelos apelos
publicitários para trocar de carro, relógio ou de marca de cigarros. Em lugar das
“diversões” da sociedade de consumo, renasceu de maneira maravilhosa a arte de
as pessoas se reunirem para escutar e falar e reivindicar a liberdade de interrogar
e duvidar.
Os contatos se multiplicaram, iniciaram-se, restabeleceram-se. Houve uma
revolta – tão importante quanto às barricadas estudantis ou a greve dos
operários – contra a calma, o silêncio, a satisfação, a tristeza (FUENTES, C. Em 68: Paris,
Praga e México. Rio de Janeiro: Rocco, 2008., p.21-22).

No dia 3 de maio, os estudantes de Nanterre, cujo campus foi fechado, investem na Universidade de Sorbonne. Na foto, Daniel Cohn-Bendit (um dos líderes) num momento de relaxamento no pátio.

1968 foi um apogeu de uma trajetória de contestação aos valores, tabus e
preconceitos existentes. A herança de lutas utópicas desse tempo está presente nos
costumes mais liberais dos nossos dias, nas relações sociais mais generosas, na
visão solidária do mundo, no humanismo que sobrevive em meio à aspereza do
mercado e na aspiração à liberdade, uma conquista cada vez mais acalentada.
A história segue seu curso. Não haverá, possivelmente, outro ano tão rico em
combatividade e idealismos quanto 1968. Serve de alento, no entanto, imaginar que
sempre se poderá buscar na memória desse tempo a semente do não- conformismo
e do sonho de um mundo melhor (ZAPPA, R.; SOTO, E. Eles só queriam mudar o mundo. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2008., p.290).

Um grande geógrafo brasileiro

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Milton Santos nasceu em Brotas de Macaúbas, na Bahia, em 3 de maio de 1926. Foi alfabetizado pelos pais, professores primários e aos 13 anos aprendeu a falar francês. Aos 13 anos, Milton dava aulas de matemática no ginásio em que estudava, aos 15 começou a lecionar Geografia e, aos 18, prestou vestibular para Direito em Salvador. Formado em Direito, não deixou de se interessar pela Geografia. Concluiu seu doutorado em 1958 na Universidade de Strasburgo, na França e ao regressar ao Brasil, criou o Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais, mantendo intercâmbio com os mestres franceses. Após seu doutorado, teve presença marcante na vida acadêmica, em atividades jornalísticas e políticas de Salvador e em 1960, foi nomeado subchefe do Gabinete Civil do presidente Jânio Quadros.

Milton Santos foi consultor da ONU, da OIT, da OEA e da Unesco. Por causa de sua posição política, foi perseguido e preso durante a ditadura militar, passando dois meses num quartel de Salvador. Libertado, partiu para a o exílio, permanecendo 13 anos fora do Brasil, lecionando nas principais universidades francesas, no Canadá, nos Estados Unidos e América Latina. Sua obra “O espaço dividido”, publicada em 1979, é hoje considerado um clássico mundial, onde apresenta uma teoria sobre o desenvolvimento urbano nos países subdesenvolvidos. Suas idéias de globalização, desenvolvidas antes que este conceito se popularizasse, advertia para a possibilidade de gerar o fim da cultura, da produção original do conhecimento – conceitos depois desenvolvidos por outros autores. Em Por uma Outra Globalização, livro escrito por Milton Santos dois anos antes de morrer, apresenta uma abordagem crítica sobre o processo perverso de globalização atual na lógica do capital, apresentado como um pensamento único. Segundo ele, esse processo, da forma como está configurado, transforma o consumo em ideologia de vida, fazendo de cidadãos meros consumidores, massificando e padronizando a cultura e concentrando a riqueza nas mãos de poucos. Milton Santos recebeu o Prêmio Vautrin Lud, em 1994, considerado o Nobel da Geografia, foi membro da Comissão de Justiça e Paz do estado de São Paulo, onde faleceu em 24 de junho de 2001