Autor: Gilberto da Silva

Eu, Gilberto da Silva sou graduado em jornalismo pela FIAM e em sociologia pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Nasci em Assis (SP) de depois de uma rápida passagem por Paraguaçu Paulista fui para Cambará (PR) onde fiquei até o 1972. Após curta temporada em Sorocaba acabei em São Paulo em 1973. Sou mestre em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero e é lá que ainda frequento como pesquisador do grupo de pesquisa Comunicação e Sociedade do Espetáculo na linha de pesquisa A Teoria Crítica e a Comunicação na Sociedade do Espetáculo. Criei no ano 2000 o site Revista Partes (www.partes.com.br) que toco até hoje. Escrevo, às vezes com raiva, às vezes com medo tudo que posso: notícias, histórias inventadas, poesias, resenhas, artigos em geral e assim vou tocando em frente...

Cultura da imagem e sociedade do espetáculo

Cultura da imagem e sociedade do espetáculo

Ana Luiza Coiro Moraes, Cláudio Novaes Pinto Coelho (Orgs.).
São Paulo: Editora Uni, 2016, 241 p.

 

A série de livros “Comunicação na Contemporaneidade”, cuja característica é congregar parte significativa da produção intelectual desenvolvida nos grupos de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade Cásper Líbero, foi iniciada em 2010 e já reúne seis coletâneas de textos. O livro inaugural, Comunicação: diálogos, processos e teorias, foi organizado por Walter Teixeira Lima Júnior e Cláudio Novaes Coelho. Em 2012, Estudos de comunicação contemporânea: perspectivas e trajetórias teve Cláudio Novaes Coelho, Dimas Künsch e José Eugenio Menezes como organizadores. Em 2013, dois livros foram publicados. Antonio Roberto Chiachiri Filho, Edilson Cazeloto e José Eugenio Menezes organizaram Comunicação, tecnologia e cidadania e Dimas Künsch e Simonetta Persichetti organizaram Comunicação, entretenimento e imagem. Em 2015, Jornalismo e contemporaneidade: um olhar crítico foi organizado por Cláudio Coelho, Dimas Künsch e José Eugenio Menezes.

Em 2016, a série “Comunicação na Contemporaneidade” publica Cultura da imagem e sociedade do espetáculo, cujos textos foram desenvolvidos na ambiência do grupo de pesquisa Comunicação e Sociedade do Espetáculo. Surgido em 2004, como grupo de estudos para debater as ideias de Guy Debord, Comunicação e Sociedade do Espetáculo foi certificado como grupo de pesquisa pelo CNPq em 2006, e desde então vem lançando livros.

O grupo de pesquisa liderado por Cláudio Novaes Pinto Coelho traz para a presente coletânea textos do 3º Seminário Comunicação, Cultura e Sociedade do Espetáculo, promovido em outubro de 2015, com o acréscimo de outros textos, que contribuem com o livro a partir de suas interlocuções com diferentes grupos de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade Cásper Líbero.
Assim, além de textos de autoria de pesquisadores vinculados ao grupo Comunicação e Sociedade do Espetáculo – Gilberto da Silva, Alexander Maximilian Hilsenbeck Filho, Ethel Shiraishi Pereira, Guilherme Dogo, Marcelo Bechara Frange e Cláudio Novaes Pinto Coelho –; o livro conta ainda com autores cuja produção intelectual se desenvolve no grupo de pesquisa Comunicação, Diálogo e Compreensão (Dimas Künsch e Mateus Yuri Passos), no grupo de pesquisa Comunicação e Cultura Visual (Dulcilia Schroeder Buitoni) e no grupo de pesquisa Comunicação, Cultura e Visualidades (Carlos Costa e Ana Luiza Coiro Moraes).

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18 de maio – Dia Internacional dos Museus

Museu de Arte Sacra de Paraty (RJ) – museus.org

Hoje, 18 de maio, é comemorado o Dia Internacional dos Museus. Criado pelo Comitê Internacional de Museus – ICOM, o Dia Internacional de Museus é a ocasião de, a cada ano, sensibilizar o público para a importância dos museus na sociedade. A data tem como objetivo incentivar a população a criar o hábito de visitar e apreciar os espaços de arte. A celebração foi instituída em 1977, através de uma iniciativa do ICOM (Conselho Internacional de Museus), órgão que integra a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

 

ISEM-SP divulga resultados da fase piloto do Cadastro Estadual de Museus

 

Lançamento do novo sistema de gerenciamento de dados acontece dia 18/05 durante o I Encontro de Museus da Baixada Santista, no Museu Pelé, em Santos

 

A divulgação dos resultados da fase piloto do Cadastro Estadual de Museus (CEM-SP), que será realizada quinta-feira (18/05), às 9h, no Museu Pelé, em Santos (SP), marca uma nova fase para o Sistema Estadual de Museus (SISEM-SP). Após três anos de discussões e aprimoramento da metodologia e um ano de testes em museus da Baixada Santista, o CEM-SP está pronto para receber as inscrições de unidades públicas e privadas de todo o Estado, visando o fortalecimento de toda a rede. Para realizar o cadastro, que estará disponível a partir do dia 19 de junho, é necessário que a instituição acesse o site  www.sisemsp.org.br, envie o termo de adesão e preencha o instrumento de qualificação cadastral.

O CEM-SP é uma ação governamental da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, que está sendo implantada em parceria com a Organização Social ACAM Portinari e a empresa Corollarium Tecnologia. Em 2016, o cadastro teve fase piloto na região da Baixada Santista, que possui, segundo mapeamento realizado em 2009 pelo SISEM-SP, 19 museus.

O cadastro se caracteriza como fonte de informações sistematizadas sobre os museus paulistas em toda sua diversidade, constituindo-se como instrumento de planejamento para a formulação de políticas públicas para o setor. Poderão se cadastrar os equipamentos culturais caracterizados como instituições permanentes, sem fins lucrativos, que preservem e divulguem acervos culturais materiais ou imateriais em espaços abertos ao público para finalidade de estudo, pesquisa, educação e fruição, contando com quadro de pessoal para seu funcionamento.

De acordo com Davidson Kaseker, diretor do Grupo Técnico de Coordenação do SISEM-SP (GTC-SISEM-SP), a adesão ao CEM-SP é voluntária, mas a aprovação do registro estará sujeita ao atendimento de parâmetros técnicos e será realizada por ordem de inscrição. “Comemorar o Dia Internacional dos Museus com o lançamento deste trabalho, que contou com a participação voluntária de pessoas da comunidade e a colaboração de tantos especialistas em museologia, é gratificante e representa um marco na história do SISEM-SP. A metodologia desenvolvida é bastante completa e vai ser fundamental para o fortalecimento dos museus do Estado, bem como servirá de modelo para outras regiões do País”, afirma Kaseker.

 

Dia Internacional dos Museus – O SISEM-SP participa do Dia Internacional dos Museus, criado em 1977 pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM) e comemorado em 18 de maio. Anualmente, o Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) convida as instituições de todo País a fazerem parte da celebração com uma programação diferenciada na Semana Nacional de Museus. Em 2017, a 15ª edição do evento visa o debate a partir do tema “Museus e histórias controversas: dizer o indizível em museus”.

Em Santos, a celebração acontece no auditório do Museu do Pelé, das 9h às 17h40, e terá a participação dos dirigentes do SISEM-SP, além de autoridades municipais e estaduais. Os interessados em participar do evento, com vagas limitadas, devem fazer suas inscrições no local com uma hora de antecedência. Confira a programação completa das comemorações nos sites dos museus de sua cidade.

 

SISEM-SP – O Sistema Estadual de Museus de São Paulo (SISEM-SP) congrega e articula os museus do Estado de São Paulo, com o objetivo de promover a qualificação e o fortalecimento institucional em favor da preservação, pesquisa e difusão do acervo museológico paulista. Em mapeamento realizado em 2010, foram listadas 415 instituições museológicas, públicas e privadas, em 190 municípios paulistas. O SISEM-SP se estrutura em torno das premissas de parceria e responsabilidade compartilhada, em que as ações previstas para cada região são concebidas levando-se em conta o contexto, as demandas e as potencialidades locais. É coordenado pela Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo (UPPM/SEC), tendo como instância organizacional o Grupo Técnico de Coordenação do Sistema Estadual de Museus (GTC SISEM-SP). Para saber mais acesse: www.sisemsp.org.br.

 

Serviço:

Evento: I Encontro de Museus da Baixada Santista (divulgação dos resultados da fase piloto do Cadastro Estadual de Museus)

Data: Quinta-feira (18/05/2017)

Horário: das 9h às 17h40

Local: Auditório do Museu Pelé

Endereço: Largo Marquês de Monte Alegre s/nº – Valongo – Santos – SP

Inscrições: Gratuitas (devem feitas com uma hora de antecedência no local do evento – vagas limitadas)

Seminário resgata pensamento de intelectual brasileiro sobre desenvolvimento nacional

 

Iniciativa gratuita reúne especialistas da USP, UFRJ, UTFPR, ESPM, FIAM-FAAM e UNIP para debater visão de Álvaro Vieira Pinto; pensador define tecnologia como fruto do trabalho humano, capaz de garantir a emancipação social

 

Numa ação inédita, pesquisadores da USP, UFRJ, UTFPR, ESPM, FIAM-FAAM e Unip participam no próximo dia 18/5 (quinta-feira), das 9h às 18h, no Auditório Paulo Emílio Gomes da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, do seminário “Álvaro Vieira Pinto – a comunicação e a informação”.

 

A iniciativa, que tem entrada franca, pretende mostrar a atualidade desse intelectual brasileiro (1909-1987), cuja produção, após um período de relativo esquecimento, passou a ser revalorizada, inclusive com a publicação póstuma, em 2005, do estudo “O conceito de tecnologia”.

 

Formado em Medicina e integrante da Ação Integralista Brasileira (AIB), organização de inspiração fascista, da qual se afastou, destacou-se por sua posição nacionalista e sua atividade política e intelectual em defesa do desenvolvimento autônomo do Brasil durante o século 20.

 

Autor de obras como “Consciência e realidade nacional” e “Ciência e existência”, compreendeu o país nas condições de sua época. Foi pioneiro ao investigar conceitos e problemas relacionados à informação, cibernética e automação. Para ele, a tecnologia é resultado direto do trabalho humano e deve ser entendida dentro do contexto de emancipação social. A originalidade de suas ideias se faz presente, nos dias atuais, com contribuições para as pesquisas em comunicação e informação.

 

FORMAÇÃO PLURAL – Chamado de “mestre brasileiro” pelo educador Paulo Freire, Álvaro Vieira Pinto tinha formação também em Física, Matemática e Filosofia. Estudou na Universidade Paris Sorbonne e foi colaborador da revista “Cultura Política” (1941-1945), publicação que reuniu os mais expressivos intelectuais, tais como Mario de Andrade, Gustavo Capanema, Gilberto Freyre e Nélson Werneck Sodré.

 

Em 1955, tornou-se chefe do Departamento de Filosofia do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB). No órgão, ligado ao Ministério da Educação e Cultura, lançou a coleção “Textos de Filosofia Contemporânea do ISEB”. Em 1962, assumiu a direção executiva do instituto, quando enfrentou intensa campanha difamatória devido ao comprometimento da instituição com as reformas de base defendidas pelo governo do presidente João Goulart (1961-1964).

 

Com o golpe militar, parte para o exílio, primeiro na Iugoslávia e depois no Chile, onde trabalhou como pesquisador e professor do Centro Latino-Americano de Demografia, entidade vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU). De volta ao Brasil, traduziu para a Editora Vozes, com diferentes pseudônimos, obras de consagrados autores como Georg Lukacs, Noam Chomsky e Claude Lévy-Strauss.

 

“Álvaro Vieira Pinto foi um intelectual brasileiro, filósofo e pensador das causas nacionais. Sua obra, ainda pouco conhecida, tem um compromisso vibrante com a criação de um pensamento crítico autônomo. Obras importantes foram publicadas postumamente, sendo a mais destacada delas, na atualidade, os dois volumes de ‘O conceito de tecnologia’, no qual antecipa, de maneira magistral, temas tão caros à contemporaneidade. O seminário é uma homenagem e um convite aos jovens para tomarem contato com o pensamento de um filósofo brasileiro que tem contribuições a dar para entendermos o Brasil do século 21”, afirma a professora doutora Roseli Fígaro, do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da ECA-USP e coordenadora do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho (CPCT).

 

 

PROGRAMAÇÃO

 

9h – Abertura – Prof. Dr. Eneus Trindade (Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação/PPGCOM-ECA-USP)

 

9h30 – Mesa temática – Álvaro Vieira Pinto em contexto: vida, época e conceitos fundamentais

  • Dra. Norma Cortês (Instituto de História/IH-UFRJ)
  • Dr. Luiz Ernesto Merkle (Universidade Tecnológica Federal do Paraná/UTFPR)
  • Dra. Maria Aparecida Baccega (ESPM/USP)

 

Mediação: Profa. Dra. Cláudia Nonato (FIAM-FAAM/USP)

 

13h-14h – Almoço

 

14h – Mesa temática – Questões teórico-metodológicas para pensar Álvaro Vieira Pinto na comunicação e na informação hoje

  • Dra. Roseli Fígaro (Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho/CPCT-ECA-USP)
  • Dr. Marcos Dantas (UFRJ)
  • Dr. Rafael Grohmann (FIAM-FAAM / USP)
  • Dr. Wagner Souza Silva (ECA-USP)

 

Mediação: Prof. Dr. Fernando Pachi (Unip/USP)

 

SERVIÇO

Seminário “Álvaro Vieira Pinto – a comunicação e a informação”

Dia 18/5 (quinta-feira)

Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP)

Avenida Professor Lúcio Martins Rodrigues, 443 – Auditório Paulo Emílio

Cidade Universitária/USP

Entrada franca

Bibliotecas são locais ideais para realização de makerspaces

Programa de Educação Continuada da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo) explicará a metodologia que prioriza a prática no processo de aprendizagem.

 

As bibliotecas, como espaço de pesquisa, criatividade e inovação, são locais ideais para implementação de makerspaces, explicam as bibliotecárias maker Angela Maria Reis e Silvia Maria Rocha. Nos dias 18 de maio, às 11h30, e 23 de maio, às 17h30, as especialistas ministrarão o PEC (Programa de Educação Continuada) Bibliotecas como makerspaces: inovação, colaboração e criatividade. Para participar dos encontros, que acontecerão no campus FESPSP, é necessário inscrever-se em: http://www.fespsp.org.br/pagina/pec.
O maker movement, movimento do fazer, é uma prática com origem nos Estados Unidos que tem como proposta a fabricação ou adaptação de equipamentos com o material disponível e pelas mãos dos próprios usuários. “É uma nova metodologia, uma cultura que permeia a educação e, consequentemente, as bibliotecas na inovação e na criatividade”, explica Silvia Rocha, bibliotecária pela FESPSP e bacharel em Educação Artística pela Universidade São Judas Tadeu.
Porém, é o fator pesquisa que torna as bibliotecas ainda mais atrativas para a elaboração desta prática. “Para criarmos algo novo, precisamos saber como está o mercado, o que já existe e até mesmo os facilitadores para a criação. A biblioteca, além de contribuir com o ambiente e com o espaço, também contribui com o seu acervo e com o auxilio dos bibliotecários na pesquisa”, define Angela Reis, que trabalha com o projeto maker na Associação Alumni. “O bibliotecário é um profissional muito adequado para essa nova cultura, pois ele desenvolve, organiza e compartilha informação e conhecimento”, acrescenta Silvia.
Durante os encontros, que são gratuitos e abertos para todos os interessados, as bibliotecárias makers explicarão os conceitos e as dinâmicas dos makerspaces, do maker movement e darão dicas sobre como é possível desenvolver características makers.
Serviço
PEC – Bibliotecas como makerspaces: inovação, colaboração e criatividade.
Local: Campus FESPSP – Rua General Jardim, 522 – Vila Buarque, São Paulo – SP
Datas: 18 de maio de 2017 (às 11h30) e 23 de maio de 2017 (às 17h30).
Docentes: Angela Maria Reis e Silvia Maria Rocha.
Sobre Angela Maria Reis Silva
Bibliotecária na Associação Alumni, Centro Binacional Brasil-Estados Unidos. e menbro do Projeto Achieving 21st Century Skills, projeto desenvolvido pelo Departamento de Estado americano e o Instituto Smithsonian. Graduada em biblioteconimia e ciência da informação pela FESPSP(2010)  e Pós graduada em Gestão de Pessoas pelo Senac (2017).
Sobre Silvia Maria Alves Rocha
Silvia Maria Alves Rocha – Bibliotecária na Associação Alumni, Centro-Binacional Brasil-Estados Unidos. Membro do Projeto Achiving 21st Century Skills, projeto desenvolvido pelo Departamento de Estado americano e o Instituto Smithsonian. Graduada em Biblioteconomia e Ciência da Informação pela FESPSP (1993), em Educação Artística  pela Universidade São Judas Tadeu USJT  (1990), pós graduada em Docência no Ensino Superior pelo SENAC SP(2016).

Dia Internacional contra a Homofobia

Em 17 de maio de 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS)excluiu a questão da opção sexual da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID). Essa foi uma importante vitória para o movimento LGBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros) comemorada por pessoas e ONGs de vários países.

A data passou a ser comemorada como o Dia Internacional contra a Homofobia, instituída oficialmente no Brasil como Dia Nacional de Combate à Homofobia em 4 de junho de 2010 por decreto assinado pelo então presidente Lula às vésperas da XIV Parada do Orgulho LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros).

Umapaz realiza o II Encontro de Líderes Políticos e Sri Prem Baba

A mensagem de Prem Baba aos seres viventes são como as sementes de uma revolução social que tem como base o silêncio. A transformação começa no interior de cada um e se expande naturalmente para alcançar o todo das sociedades.

 

 

Na sexta-feira (12), a Universidade do Meio Ambiente e Cultura de Paz (UMAPAZ), será sede do II Encontro de Líderes Políticos e Sri Prem Baba. O encontro, organizado pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, através da  UMAPAZ e em parceria com o Laboratório de Inovação, Empreendedorismo e Sustentabilidade  da FGV, tem o objetivo de conectar os participantes com seus valores e propósitos de vida, inspirados no trabalho de Prem Baba.

Por meio de uma reflexão sobre a atuação política, será possível debater a importância da existência de uma política focada no ser humano e na sustentabilidade.

Sri Prem Baba é um líder humanitário brasileiro e mestre espiritual de uma antiga linhagem indiana. Seu trabalho é construir pontes entre o ocidente e o oriente, entre a ciência e a espiritualidade, unindo saberes com o propósito de restabelecer e elevar valores humanos, espirituais e sociais. Ele está à frente do Awaken Love, um movimento global que busca despertar a consciência amorosa em todos os setores da sociedade, por meio de diversos projetos e iniciativas baseados em seis valores centrais: honestidade, responsabilidade, gentileza, dedicação, serviço e beleza.

Na política, Prem Baba defende a importância de ancorarmos uma consciência política nas pessoas, de forma que todos os envolvidos estejam verdadeiramente cientes e comprometidos com o seu papel na sociedade para viabilizarmos a transformação necessária por um mundo melhor.

Serviço:

II Encontro de Líderes Políticos e Sri Prem Baba

Local: UMAPAZ

Endereço: Av. Quarto Centenário, 1268 – Portão 7A – Parque Ibirapuera

Horário: 19h

Data: 12 de maio

Inscrições por e-mail: ademar.bueno@fgv.br

 

 

A crise do masculino

Participe do laboratório de pesquisa artística sobre o tema “A crise do masculino”.

O laboratório visa a criação de um espaço de pesquisa artística em torno da temática “A crise do Masculino”. O objetivo é aproximar os participantes a um processo de criação colaborativo, no qual poderão, por meio de provocações teóricas e práticas, compartilhar e exprimir suas visões acerca do tema, assim como descobrir, através da expressão artística da linguagem teatral, possíveis desdobramentos para esses pontos de vista.

Os encontros serão realizados em um novo espaço cultural, a “Casa Palco”, no bairro do Bixiga.

-Encontro aberto gratuito: 08/05/2017 às 19h30

-Início em 22 de maio 2017 (segunda-feira)

-Encontro aberto ao público com  Maria Rita Kehl, dia 17/06/2017 às 16h

Mais informações:

Facebook:          https://goo.gl/wRicis

Inscrição:           https://goo.gl/LnmqP6

Dalva, a Diva

Em 5 de maio de 1917 nascia Vicentina de Paula Oliveira, conhecida como Dalva de Oliveira, cantora brasileira que se estivesse nascido nos EUA seria uma Rainha da Música reverenciada por todos. Segundo a revista Rolling Stone, Dalva de Oliveira foi considerada uma das maiores vozes da música brasileira de todos os tempos.

Dalva de Oliveira nasceu em Rio Claro, no interior de São Paulo, tinha uma extensão de sua voz, que ia do contralto ao soprano, marcou época como intérprete e uma das grandes estrelas dos anos 40 e 50.

Casou-se com Herivelto Martins, com quem fez dupla e o casal teve dois filhos, o cantor Pery Ribeiro e o produtor de programas televisivos da TV Globo, Ubiratã. Gravaram o primeiro disco (1937) na RCA Victor, com as músicas Itaguaí e Ceci e Peri, razão do nome do seu primeiro filho, o futuro cantor Pery Ribeiro. Transferiram-se para a Rádio Tupi e para a gravadora Odeon.

Um casamento atribulado que acaba em 1947. Em 1949casa-se com o argentino Tito Clement e foram morar em Buenos Aires. Retornou ao Brasil (1950), separou-se (1963) de Clement e depois casou-se com Manuel Carpinteiro. Sofreu um grave acidente automobilístico (1965), sendo obrigada a abandonar a carreira por alguns anos. Retornou ao mundo da música em 1970, lançando um dos grandes sucessos do ano e também seu último: Bandeira branca, marcha-rancho de Max Nunes e Laércio Alves.

Morreu em 31 de agosto de 1972, no Rio de Janeiro.

IV Festival de Finos Filmes no MIS

 

O MIS integra a programação do IV Festival de Finos Filmes, que anualmente seleciona e exibe curtas-metragens em diversos espaços culturais na cidade de São Paulo. As sessões acontecem nos dias 6, 7 e 8 de maio, no Auditório MIS. O ingresso é gratuito, com retirada 1h antes da sessão na Recepção MIS.

No sábado, dia 6, às 16h30, acontece sessão com quatro curtas nacionais seguida pelo debate Cinema e Política. Com presença de Fernando Haddad, Maria Rita Kehl e Cláudio Couto, a conversa abordará pontos apresentados nos filmes exibidos, que giram em torno de diretos humanos.

Dos mais de 200 realizadores que inscreveram os seus trabalhos para esta edição do evento, dezesseis participarão da seleção oficial da mostra. Uma novidade para este ano é o Panorama do Cinema Português. Além do enfoque nacional, o IV Festival de Finos Filmes trará, em parceria com a Agência da Curta-Metragem, entidade portuguesa, uma seleção de Portugal, país cuja produção recente tem conquistado espaço em grandes festivais a cada ano, como Cannes e Berlim. “Precisamos pensar em novos modelos de produção e distribuição de curtas-metragens. Algumas experiências portuguesas têm sido valiosas nesse sentido e, sem dúvida, podem servir de inspiração”, completa Felipe Poroger, idealizador e curador do Festival.

Programação

6 de maio, sábado
16h30 | Programa I
Duração: 60 min.
Exibição de quatro curtas-metragens nacionais, incluindo Estacionamento, de William Biagioli, que faz sua estreia em São Paulo depois ter sido vencedor, em 2016, da categoria Melhor Curta-Metragem no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro.
O delírio é a redenção dos aflitos (21’), de Fellipe Fernandes
Fotograma (9’), de Luís Henrique Leal e Caio Zatti
Restos (15’), de Renato Gaiarsa
Estacionamento (15’), de William Biagioli
Após a sessão haverá debate sobre Cinema e Política, com participação do ex-prefeito Fernando Haddad, a psicanalista Maria Rita Kehl e o cientista político Cláudio Couto.

19h | Programa II
Duração: 71 min.
Estado itinerante (25’), de Ana Carolina Soares
Maria Cachoeira (11’), de Pedro Carcereri
Córrego Grande, 13 (14’), de Carol Covre
Não me prometa nada (21’), de Eva Randolph

7 de maio, domingo
18h30 | Programa III
Duração: 60 min.
Exibição de quatro curtas-metragens nacionais, incluindoA moça que dançou com o diabo, de João Paulo Maria, selecionado e laureado na competição de Cannes em 2016.
Lúcida (16’), de Fábio Rodrigo
Obra autorizada (16’), de Iago Ribeiro
Iluminadas (13’), de Gabi Saegesser
A moça que dançou com o diabo (15’), de João Paulo Maria

8 de maio, segunda
19h | Portugal em Foco I: curtas premiados
Duração: 50 min
Exibição de premiados curtas-metragens portugueses, dentre eles Cidade Pequena, de Diogo Costa Amarante, ganhador do Urso de Ouro na última edição do Festival de Berlim.
A Brief History Of Princess X (7’), de Gabriel Abrantes
Penúmbria (8’), de Eduardo Brito
A glória de fazer cinema em Portugal (16’), de Manuel Mozos
Cidade pequena (19’), de Diogo Costa Amarante

20h30 | Programa IV
Duração: 75 min.
Melhor fase da vida (18’), de Rodrigo Lavorato
Noite púrpura (18’), de Caroline Biagi
Balada dos mortos (22’), de Lucas Sá
Postergados (17’), de Carolina Markowicz

Curadoria
A direção do Festival segue a cargo do cineasta Felipe Arrojo Poroger. Seu último filme, Aqueles anos em dezembro, concorre ao Grande Prêmio de Cinema Brasileiro, depois de sido exibido em festivais como É Tudo Verdade, Gramado e Mar del Plata e ganhado como, dentre outros prêmios, Melhor Filme na última Semana Paulista do Curta-Metragem. Na curadoria estará acompanhado de Bruno Carboni, montador de longas-metragens como Castanha de Davi Pretto (selecionado para 64ª Berlinale – Forum), Beira-mar de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon (selecionado para 65ª Berlinale – Forum) e Rifle de Davi Pretto (Melhor Filme Júri da Crítica no 49º Festival de Brasília e selecionado para 67ª Berlinale – Forum), além de diretor do curta O teto sobre nós que estreou no 68º Locarno Film Festival – Leopards of Tomorrow International Competition.

O programa completo do IV Festival de Finos será divulgada nas redes sociais do evento (facebook.com/finosfilmes). Mais informações sobre a Finos Filmes, empresa produtora do evento, podem ser encontradas em http://www.finosfilmes.com.br

Carta de Pero Vaz de Caminha

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Carta de Pero Vaz de Caminha

Senhor,

posto que o Capitão-mor desta Vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a notícia do achamento desta Vossa terra nova, que se agora nesta navegação achou, não deixarei de também dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda que — para o bem contar e falar — o saiba pior que todos fazer!

Todavia tome Vossa Alteza minha ignorância por boa vontade, a qual bem certo creia que, para aformosentar nem afear, aqui não há de pôr mais do que aquilo que vi e me pareceu.

Da marinhagem e das singraduras do caminho não darei aqui conta a Vossa Alteza — porque o não saberei fazer — e os pilotos devem ter este cuidado.

E portanto, Senhor, do que hei de falar começo:

E digo quê:

A partida de Belém foi — como Vossa Alteza sabe, segunda-feira 9 de março. E sábado, 14 do dito mês, entre as 8 e 9 horas, nos achamos entre as Canárias, mais perto da Grande Canária. E ali andamos todo aquele dia em calma, à vista delas, obra de três a quatro léguas. E domingo, 22 do dito mês, às dez horas mais ou menos, houvemos vista das ilhas de Cabo Verde, a saber da ilha de São Nicolau, segundo o dito de Pero Escolar, piloto.

Na noite seguinte à segunda-feira amanheceu, se perdeu da frota Vasco de Ataíde com a sua nau, sem haver tempo forte ou contrário para poder ser !

Fez o capitão suas diligências para o achar, em umas e outras partes. Mas… não apareceu mais!

E assim seguimos nosso caminho, por este mar de longo, até que terça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram 21 dias de abril, topamos alguns sinais de terra, estando da dita Ilha — segundo os pilotos diziam, obra de 660 ou 670 léguas — os quais eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho, e assim mesmo outras a que dão o nome de rabo-de-asno. E quarta-feira seguinte, pela manhã, topamos aves a que chamam furabuchos.

Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão pôs o nome de O Monte Pascoal e à terra A Terra de Vera Cruz!

Mandou lançar o prumo. Acharam vinte e cinco braças. E ao sol-posto umas seis léguas da terra, lançamos ancoras, em dezenove braças — ancoragem limpa. Ali ficamo-nos toda aquela noite. E quinta-feira, pela manhã, fizemos vela e seguimos em direitura à terra, indo os navios pequenos diante — por dezessete, dezesseis, quinze, catorze, doze, nove braças — até meia légua da terra, onde todos lançamos ancoras, em frente da boca de um rio. E chegaríamos a esta ancoragem às dez horas, pouco mais ou menos.

E dali avistamos homens que andavam pela praia, uns sete ou oito, segundo disseram os navios pequenos que chegaram primeiro.

Então lançamos fora os batéis e esquifes. E logo vieram todos os capitães das naus a esta nau do Capitão-mor. E ali falaram. E o Capitão mandou em terra a Nicolau Coelho para ver aquele rio. E tanto que ele começou a ir-se para lá, acudiram pela praia homens aos dois e aos três, de maneira que, quando o batel chegou à boca do rio, já lá estavam dezoito ou vinte.

Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Traziam arcos nas mãos, e suas setas. Vinham todos rijamente em direção ao batel. E Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os depuseram. Mas não pôde deles haver fala nem entendimento que aproveitasse, por o mar quebrar na costa. Somente arremessou-lhe um barrete vermelho e uma carapuça de linho que levava na cabeça, e um sombreiro preto. E um deles lhe arremessou um sombreiro de penas de ave, compridas, com uma copazinha de penas vermelhas e pardas, como de papagaio. E outro lhe deu um ramal grande de continhas brancas, miúdas que querem parecer de aljôfar, as quais peças creio que o Capitão manda a Vossa Alteza. E com isto se volveu às naus por ser tarde e não poder haver deles mais fala, por causa do mar.

À noite seguinte ventou tanto sueste com chuvaceiros que fez caçar as naus. E especialmente a Capitanisol-postoa. E sexta pela manhã, às oito horas, pouco mais ou menos, por conselho dos pilotos, mandou o Capitão levantar ancoras e fazer vela. E fomos de longo da costa, com os batéis e esquifes amarrados na popa, em direção norte, para ver se achávamos alguma abrigada e bom pouso, onde nós ficássemos, para tomar água e lenha. Não por nos já minguar, mas por nos prevenirmos aqui. E quando fizemos vela estariam já na praia assentados perto do rio obra de sessenta ou setenta homens que se haviam juntado ali aos poucos. Fomos ao longo, e mandou o Capitão aos navios pequenos que fossem mais chegados à terra e, se achassem pouso seguro para as naus, que amainassem.

E velejando nós pela costa, na distância de dez léguas do sítio onde tínhamos levantado ferro, acharam os ditos navios pequenos um recife com um porto dentro, muito bom e muito seguro, com uma mui larga entrada. E meteram-se dentro e amainaram. E as naus foram-se chegando, atrás deles. E um pouco antes de sol-posto amainaram também, talvez a uma légua do recife, e ancoraram a onze braças.

E estando Afonso Lopez, nosso piloto, em um daqueles navios pequenos, foi, por mandado do Capitão, por ser homem vivo e destro para isso, meter-se logo no esquife a sondar o porto dentro. E tomou dois daqueles homens da terra que estavam numa almadia: mancebos e de bons corpos. Um deles trazia um arco, e seis ou sete setas. E na praia andavam muitos com seus arcos e setas; mas não os aproveitou. Logo, já de noite, levou-os à Capitaina, onde foram recebidos com muito prazer e festa.

A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Nem fazem mais caso de encobrir ou deixa de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara. Acerca disso são de grande inocência. Ambos traziam o beiço de baixo furado e metido nele um osso verdadeiro, de comprimento de uma mão travessa, e da grossura de um fuso de algodão, agudo na ponta como um furador. Metem-nos pela parte de dentro do beiço; e a parte que lhes fica entre o beiço e os dentes é feita a modo de roque de xadrez. E trazem-no ali encaixado de sorte que não os magoa, nem lhes põe estorvo no falar, nem no comer e beber.

Os cabelos deles são corredios. E andavam tosquiados, de tosquia alta antes do que sobre-pente, de boa grandeza, rapados todavia por cima das orelhas. E um deles trazia por baixo da solapa, de fonte a fonte, na parte detrás, uma espécie de cabeleira, de penas de ave amarela, que seria do comprimento de um coto, mui basta e mui cerrada, que lhe cobria o toutiço e as orelhas. E andava pegada aos cabelos, pena por pena, com uma confeição branda como, de maneira tal que a cabeleira era mui redonda e mui basta, e mui igual, e não fazia míngua mais lavagem para a levantar.

O Capitão, quando eles vieram, estava sentado em uma cadeira, aos pés uma alcatifa por estrado; e bem vestido, com um colar de ouro, mui grande, ao pescoço. E Sancho de Tovar, e Simão de Miranda, e Nicolau Coelho, e Aires Corrêa, e nós outros que aqui na nau com ele íamos, sentados no chão, nessa alcatifa. Acenderam-se tochas. E eles entraram. Mas nem sinal de cortesia fizeram, nem de falar ao Capitão; nem a alguém. Todavia um deles fitou o colar do Capitão, e começou a fazer acenos com a mão em direção à terra, e depois para o colar, como se quisesse dizer-nos que havia ouro na terra. E também olhou para um castiçal de prata e assim mesmo acenava para a terra e novamente para o castiçal, como se lá também houvesse prata!

Mostraram-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo; tomaram-no logo na mão e acenaram para a terra, como se os houvesse ali.

Mostraram-lhes um carneiro; não fizeram caso dele.

Mostraram-lhes uma galinha; quase tiveram medo dela, e não lhe queriam pôr a mão. Depois lhe pegaram, mas como espantados.

Deram-lhes ali de comer: pão e peixe cozido, confeitos, fartéis, mel, figos passados. Não quiseram comer daquilo quase nada; e se provavam alguma coisa, logo a lançavam fora.

Trouxeram-lhes vinho em uma taça; mal lhe puseram a boca; não gostaram dele nada, nem quiseram mais.

Trouxeram-lhes água em uma albarrada, provaram cada um o seu bochecho, mas não beberam; apenas lavaram as bocas e lançaram-na fora.

Viu um deles umas contas de rosário, brancas; fez sinal que lhas dessem, e folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço; e depois tirou-as e meteu-as em volta do braço, e acenava para a terra e novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se dariam ouro por aquilo.

Isto tomávamos nós nesse sentido, por assim o desejarmos! Mas se ele queria dizer que levaria as contas e mais o colar, isto não queríamos nós entender, por que lho não havíamos de dar! E depois tornou as contas a quem lhas dera. E então estiraram-se de costas na alcatifa, a dormir sem procurarem maneiras de encobrir suas vergonhas, as quais não eram fanadas; e as cabeleiras delas estavam bem rapadas e feitas.

O Capitão mandou pôr por baixo da cabeça de cada um seu coxim; e o da cabeleira esforçava-se por não a estragar. E deitaram um manto por cima deles; e consentindo, aconchegaram-se e adormeceram.

Sábado pela manhã mandou o Capitão fazer vela, fomos demandar a entrada, a qual era mui larga e tinha seis a sete braças de fundo. E entraram todas as naus dentro, e ancoraram em cinco ou seis braças — ancoradouro que é tão grande e tão formoso de dentro, e tão seguro que podem ficar nele mais de duzentos navios e naus. E tanto que as naus foram distribuídas e ancoradas, vieram os capitães todos a esta nau do Capitão-mor. E daqui mandou o Capitão que Nicolau Coelho e Bartolomeu Dias fossem em terra e levassem aqueles dois homens, e os deixassem ir com seu arco e setas, aos quais mandou dar a cada um uma camisa nova e uma carapuça vermelha e um rosário de contas brancas de osso, que foram levando nos braços, e um cascavel e uma campainha. E mandou com eles, para lá ficar, um mancebo degredado, criado de dom João Telo, de nome Afonso Ribeiro, para lá andar com eles e saber de seu viver e maneiras. E a mim mandou que fosse com Nicolau Coelho. Fomos assim de frecha direitos à praia. Ali acudiram logo perto de duzentos homens, todos nus, com arcos e setas nas mãos. Aqueles que nós levamos acenaram-lhes que se afastassem e depusessem os arcos. E eles os depuseram. Mas não se afastaram muito. E mal tinham pousado seus arcos quando saíram os que nós levávamos, e o mancebo degredado com eles. E saídos não pararam mais; nem esperavam um pelo outro, mas antes corriam a quem mais correria. E passaram um rio que aí corre, de água doce, de muita água que lhes dava pela braga. E muitos outros com eles. E foram assim correndo para além do rio entre umas moitas de palmeiras onde estavam outros. E ali pararam. E naquilo tinha ido o degredado com um homem que, logo ao sair do batel, o agasalhou e levou até lá. Mas logo o tornaram a nós. E com ele vieram os outros que nós leváramos, os quais vinham já nus e sem carapuças.

E então se começaram de chegar muitos; e entravam pela beira do mar para os batéis, até que mais não podiam. E traziam cabaças d’água, e tomavam alguns barris que nós levávamos e enchiam-nos de água e traziam-nos aos batéis. Não que eles de todo chegassem a bordo do batel. Mas junto a ele, lançavam-nos da mão. E nós tomávamo-los. E pediam que lhes dessem alguma coisa.

Levava Nicolau Coelho cascavéis e manilhas. E a uns dava um cascavel, e a outros uma manilha, de maneira que com aquela encarna quase que nos queriam dar a mão. Davam-nos daqueles arcos e setas em troca de sombreiros e carapuças de linho, e de qualquer coisa que a gente lhes queria dar.

Dali se partiram os outros, dois mancebos, que não os vimos mais.

Dos que ali andavam, muitos — quase a maior parte –traziam aqueles bicos de osso nos beiços.

E alguns, que andavam sem eles, traziam os beiços furados e nos buracos traziam uns espelhos de pau, que pareciam espelhos de borracha. E alguns deles traziam três daqueles bicos, a saber um no meio, e os dois nos cabos.

E andavam lá outros, quartejados de cores, a saber metade deles da sua própria cor, e metade de tintura preta, um tanto azulada; e outros quartejados d’escaques.

Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem novinhas e gentis, com cabelos muito pretos e compridos pelas costas; e suas vergonhas, tão altas e tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as nós muito bem olharmos, não se envergonhavam.

Ali por então não houve mais fala ou entendimento com eles, por a barbaria deles ser tamanha que se não entendia nem ouvia ninguém. Acenamos-lhes que se fossem. E assim o fizeram e passaram-se para além do rio. E saíram três ou quatro homens nossos dos batéis, e encheram não sei quantos barris d’água que nós levávamos. E tornamo-nos às naus. E quando assim vínhamos, acenaram-nos que voltássemos. Voltamos, e eles mandaram o degredado e não quiseram que ficasse lá com eles, o qual levava uma bacia pequena e duas ou três carapuças vermelhas para lá as dar ao senhor, se o lá houvesse. Não trataram de lhe tirar coisa alguma, antes mandaram-no com tudo. Mas então Bartolomeu Dias o fez outra vez tornar, que lhe desse aquilo. E ele tornou e deu aquilo, em vista de nós, a aquele que o da primeira agasalhara. E então veio-se, e nós levamo-lo.

Esse que o agasalhou era já de idade, e andava por galanteria, cheio de penas, pegadas pelo corpo, que parecia seteado como São Sebastião. Outros traziam carapuças de penas amarelas; e outros, de vermelhas; e outros de verdes. E uma daquelas moças era toda tingida de baixo a cima, daquela tintura e certo era tão bem feita e tão redonda, e sua vergonha tão graciosa que a muitas mulheres de nossa terra, vendo-lhe tais feições envergonhara, por não terem as suas como ela. Nenhum deles era fanado, mas todos assim como nós.

E com isto nos tornamos, e eles foram-se.

À tarde saiu o Capitão-mor em seu batel com todos nós outros capitães das naus em seus batéis a folgar pela baía, perto da praia. Mas ninguém saiu em terra, por o Capitão o não querer, apesar de ninguém estar nela. Apenas saiu — ele com todos nós — em um ilhéu grande que está na baía, o qual, aquando baixamar, fica mui vazio. Com tudo está de todas as partes cercado de água, de sorte que ninguém lá pode ir, a não ser de barco ou a nado. Ali folgou ele, e todos nós, bem uma hora e meia. E pescaram lá, andando alguns marinheiros com um chinchorro; e mataram peixe miúdo, não muito. E depois volvemo-nos às naus, já bem noite.

Ao domingo de Pascoela pela manhã, determinou o Capitão ir ouvir missa e sermão naquele ilhéu. E mandou a todos os capitães que se arranjassem nos batéis e fossem com ele. E assim foi feito. Mandou armar um pavilhão naquele ilhéu, e dentro levantar um altar mui bem arranjado. E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual disse o padre frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes que todos assistiram, a qual missa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção.

Ali estava com o Capitão a bandeira de Cristo, com que saíra de Belém, a qual esteve sempre bem alta, da parte do Evangelho.

Acabada a missa, desvestiu-se o padre e subiu a uma cadeira alta; e nós todos lançados por essa areia. E pregou uma solene e proveitosa pregação, da história evangélica; e no fim tratou da nossa vida, e do achamento desta terra, referindo-se à Cruz, sob cuja obediência viemos, que veio muito a propósito, e fez muita devoção.

Enquanto assistimos à missa e ao sermão, estaria na praia outra tanta gente, pouco mais ou menos, como a de ontem, com seus arcos e setas, e andava folgando. E olhando-nos, sentaram. E depois de acabada a missa, quando nós sentados atendíamos a pregação, levantaram-se muitos deles e tangeram corno ou buzina e começaram a saltar e dançar um pedaço. E alguns deles se metiam em almadias — duas ou três que lá tinham — as quais não são feitas como as que eu vi; apenas são três traves, atadas juntas. E ali se metiam quatro ou cinco, ou esses que queriam, não se afastando quase nada da terra, só até onde podiam tomar pé.

Acabada a pregação encaminhou-se o Capitão, com todos nós, para os batéis, com nossa bandeira alta. Embarcamos e fomos indo todos em direção à terra para passarmos ao longo por onde eles estavam, indo na dianteira, por ordem do Capitão, Bartolomeu Dias em seu esquife, com um pau de uma almadia que lhes o mar levara, para o entregar a eles. E nós todos trás dele, a distância de um tiro de pedra.

Como viram o esquife de Bartolomeu Dias, chegaram-se logo todos à água, metendo-se nela até onde mais podiam. Acenaram-lhes que pousassem os arcos e muitos deles os iam logo pôr em terra; e outros não os punham.

Andava lá um que falava muito aos outros, que se afastassem. Mas não já que a mim me parecesse que lhe tinham respeito ou medo. Este que os assim andava afastando trazia seu arco e setas. Estava tinto de tintura vermelha pelos peitos e costas e pelos quadris, coxas e pernas até baixo, mas os vazios com a barriga e estômago eram de sua própria cor. E a tintura era tão vermelha que a água lha não comia nem desfazia. Antes, quando saía da água, era mais vermelho. Saiu um homem do esquife de Bartolomeu Dias e andava no meio deles, sem implicarem nada com ele, e muito menos ainda pensavam em fazer-lhe mal. Apenas lhe davam cabaças d’água; e acenavam aos do esquife que saíssem em terra. Com isto se volveu Bartolomeu Dias ao Capitão. E viemo-nos às naus, a comer, tangendo trombetas e gaitas, sem os mais constranger. E eles tornaram-se a sentar na praia, e assim por então ficaram.

Neste ilhéu, onde fomos ouvir missa e sermão, espraia muito a água e descobre muita areia e muito cascalho. Enquanto lá estávamos foram alguns buscar marisco e não no acharam. Mas acharam alguns camarões grossos e curtos, entre os quais vinha um muito grande e muito grosso; que em nenhum tempo o vi tamanho. Também acharam cascas de berbigões e de amêijoas, mas não toparam com nenhuma peça inteira.. E depois de termos comido vieram logo todos os capitães a esta nau, por ordem do Capitão-mor, com os quais ele se aportou; e eu na companhia. E perguntou a todos se nos parecia bem mandar a nova do achamento desta terra a Vossa Alteza pelo navio dos mantimentos, para a melhor mandar descobrir e saber dela mais do que nós podíamos saber, por irmos na nossa viagem.

E entre muitas falas que sobre o caso se fizeram foi dito, por todos ou a maior parte, que seria muito bem. E nisto concordaram. E logo que a resolução foi tomada, perguntou mais, se seria bem tomar aqui por força um par destes homens para os mandar a Vossa Alteza, deixando aqui em lugar deles outros dois destes degredados.

E concordaram em que não era necessário tomar por força homens, porque costume era dos que assim à força levavam para alguma parte dizerem que há de tudo quanto lhes perguntam; e que melhor e muito melhor informação da terra dariam dois homens desses degredados que aqui deixássemos do que eles dariam se os levassem por ser gente que ninguém entende. Nem eles cedo aprenderiam a falar para o saberem tão bem dizer que muito melhor estoutros o não digam quando cá Vossa Alteza mandar.

E que portanto não cuidássemos de aqui por força tomar ninguém, nem fazer escândalo; mas sim, para os de todo amansar e apaziguar, unicamente de deixar aqui os dois degredados quando daqui partíssemos.

E assim ficou determinado por parecer melhor a todos.

Acabado isto, disse o Capitão que fôssemos nos batéis em terra. E ver-se-ia bem, quejando era o rio. Mas também para folgarmos.

Fomos todos nos batéis em terra, armados; e a bandeira conosco. Eles andavam ali na praia, à boca do rio, para onde nós íamos; e, antes que chegássemos, pelo ensino que dantes tinham, puseram todos os arcos, e acenaram que saíssemos. Mas, tanto que os batéis puseram as proas em terra, passaram-se logo todos além do rio, o qual não é mais ancho que um jogo de mancal. E tanto que desembarcamos, alguns dos nossos passaram logo o rio, e meteram-se entre eles. E alguns aguardavam; e outros se afastavam. Com tudo, a coisa era de maneira que todos andavam misturados. Eles davam desses arcos com suas setas por sombreiros e carapuças de linho, e por qualquer coisa que lhes davam. Passaram além tantos dos nossos e andaram assim misturados com eles, que eles se esquivavam, e afastavam-se; e iam alguns para cima, onde outros estavam. E então o Capitão fez que o tomassem ao colo dois homens e passou o rio, e fez tornar a todos. A gente que ali estava não seria mais que aquela do costume. Mas logo que o Capitão chamou todos para trás, alguns se chegaram a ele, não por o reconhecerem por Senhor, mas porque a gente, nossa, já passava para aquém do rio. Ali falavam e traziam muitos arcos e continhas, daquelas já ditas, e resgatavam-nas por qualquer coisa, de tal maneira que os nossos levavam dali para as naus muitos arcos, e setas e contas.

E então tornou-se o Capitão para aquém do rio. E logo acudiram muitos à beira dele.

Ali veríeis galantes, pintados de preto e vermelho, e quartejados, assim pelos corpos como pelas pernas, que, certo, assim pareciam bem. Também andavam entre eles quatro ou cinco mulheres, novas, que assim nuas, não pareciam mal. Entre elas andava uma, com uma coxa, do joelho até o quadril e a nádega, toda tingida daquela tintura preta; e todo o resto da sua cor natural. Outra trazia ambos os joelhos com as curvas assim tintas, e também os colos dos pés; e suas vergonhas tão nuas, e com tanta inocência assim descobertas, que não havia nisso desvergonha nenhuma.

Também andava lá outra mulher, nova, com um menino ou menina, atado com um pano aos peitos, de modo que não se lhe viam senão as perninhas. Mas nas pernas da mãe, e no resto, não havia pano algum.

Em seguida o Capitão foi subindo ao longo do rio, que corre rente à praia. E ali esperou por um velho que trazia na mão uma pá de almadia. Falou, enquanto o Capitão estava com ele, na presença de todos nós; mas ninguém o entendia, nem ele a nós, por mais coisas que a gente lhe perguntava com respeito a ouro, porque desejávamos saber se o havia na terra.

Trazia este velho o beiço tão furado que lhe cabia pelo buraco um grosso dedo polegar. E trazia metido no buraco uma pedra verde, de nenhum valor, que fechava por fora aquele buraco. E o Capitão lha fez tirar. E ele não sei que diabo falava e ia com ela para a boca do Capitão para lha meter. Estivemos rindo um pouco e dizendo chalaças sobre isso. E então enfadou-se o Capitão, e deixou-o. E um dos nossos deu-lhe pela pedra um sombreiro velho; não por ela valer alguma coisa, mas para amostra.. E depois houve-a o Capitão, creio, para mandar com as outras coisas a Vossa Alteza.

Andamos por aí vendo o ribeiro, o qual é de muita água e muito boa. Ao longo dele há muitas palmeiras, não muito altas; e muito bons palmitos. Colhemos e comemos muitos deles.

Depois tornou-se o Capitão para baixo para a boca do rio, onde tínhamos desembarcado.

E além do rio andavam muitos deles dançando e folgando, uns diante os outros, sem se tomarem pelas mãos. E faziam-no bem. Passou-se então para a outra banda do rio Diogo Dias, que fora almoxarife de Sacavém, o qual é homem gracioso e de prazer. E levou consigo um gaiteiro nosso com sua gaita. E meteu-se a dançar com eles, tomando-os pelas mãos; e eles folgavam e riam e andavam com ele muito bem ao som da gaita. Depois de dançarem fez ali muitas voltas ligeiras, andando no chão, e salto real, de que se eles espantavam e riam e folgavam muito. E conquanto com aquilo os segurou e afagou muito, tomavam logo uma esquiveza como de animais monteses, e foram-se para cima.

E então passou o rio o Capitão com todos nós, e fomos pela praia, de longo, ao passo que os batéis iam rentes à terra. E chegamos a uma grande lagoa de água doce que está perto da praia, porque toda aquela ribeira do mar é apaulada por cima e sai a água por muitos lugares.

E depois de passarmos o rio, foram uns sete ou oito deles meter-se entre os marinheiros que se recolhiam aos batéis. E levaram dali um tubarão que Bartolomeu Dias matou. E levavam-lho; e lançou-o na praia.

Bastará que até aqui, como quer que se lhes em alguma parte amansassem, logo de uma mão para outra se esquivavam, como pardais do cevadouro. Ninguém não lhes ousa falar de rijo para não se esquivarem mais. E tudo se passa como eles querem — para os bem amansarmos !

Ao velho com quem o Capitão havia falado, deu-lhe uma carapuça vermelha. E com toda a conversa que com ele houve, e com a carapuça que lhe deu tanto que se despediu e começou a passar o rio, foi-se logo recatando. E não quis mais tornar do rio para aquém. Os outros dois o Capitão teve nas naus, aos quais deu o que já ficou dito, nunca mais aqui apareceram — fatos de que deduzo que é gente bestial e de pouco saber, e por isso tão esquiva. Mas apesar de tudo isso andam bem curados, e muito limpos. E naquilo ainda mais me convenço que são como aves, ou alimárias montesinhas, as quais o ar faz melhores penas e melhor cabelo que às mansas, porque os seus corpos são tão limpos e tão gordos e tão formosos que não pode ser mais! E isto me faz presumir que não tem casas nem moradias em que se recolham; e o ar em que se criam os faz tais. Nós pelo menos não vimos até agora nenhumas casas, nem coisa que se pareça com elas.

Mandou o Capitão aquele degredado, Afonso Ribeiro, que se fosse outra vez com eles. E foi; e andou lá um bom pedaço, mas a tarde regressou, que o fizeram eles vir: e não o quiseram lá consentir. E deram-lhe arcos e setas; e não lhe tomaram nada do seu. Antes, disse ele, que lhe tomara um deles umas continhas amarelas que levava e fugia com elas, e ele se queixou e os outros foram logo após ele, e lhas tomaram e tornaram-lhas a dar; e então mandaram-no vir. Disse que não vira lá entre eles senão umas choupaninhas de rama verde e de feteiras muito grandes, como as de Entre-Douro-e-Minho. E assim nos tornamos às naus, já quase noite, a dormir.

Segunda-feira, depois de comer, saímos todos em terra a tomar água. Ali vieram então muitos; mas não tantos como as outras vezes. E traziam já muito poucos arcos. E estiveram um pouco afastados de nós; mas depois pouco a pouco misturaram-se conosco; e abraçavam-nos e folgavam; mas alguns deles se esquivavam logo. Ali davam alguns arcos por folhas de papel e por alguma carapucinha velha e por qualquer coisa. E de tal maneira se passou a coisa que bem vinte ou trinta pessoas das nossas se foram com eles para onde outros muitos deles estavam com moças e mulheres. E trouxeram de lá muitos arcos e barretes de penas de aves, uns verdes, outros amarelos, dos quais creio que o Capitão há de mandar uma amostra a Vossa Alteza.

E segundo diziam esses que lá tinham ido, brincaram com eles. Neste dia os vimos mais de perto e mais à nossa vontade, por andarmos quase todos misturados: uns andavam quartejados daquelas tinturas, outros de metades, outros de tanta feição como em pano de ras, e todos com os beiços furados, muitos com os ossos neles, e bastantes sem ossos. Alguns traziam uns ouriços verdes, de árvores, que na cor queriam parecer de castanheiras, embora fossem muito mais pequenos. E estavam cheios de uns grãos vermelhos, pequeninos que, esmagando-se entre os dedos, se desfaziam na tinta muito vermelha de que andavam tingidos. E quanto mais se molhavam, tanto mais vermelhos ficavam.

Todos andam rapados até por cima das orelhas; assim mesmo de sobrancelhas e pestanas.

Trazem todos as testas, de fonte a fonte, tintas de tintura preta, que parece uma fita preta da largura de dois dedos.

E o Capitão mandou aquele degredado Afonso Ribeiro e a outros dois degredados que fossem meter-se entre eles; e assim mesmo a Diogo Dias, por ser homem alegre, com que eles folgavam. E aos degredados ordenou que ficassem lá esta noite.

Foram-se lá todos; e andaram entre eles. E segundo depois diziam, foram bem uma légua e meia a uma povoação, em que haveria nove ou dez casas, as quais diziam que eram tão compridas, cada uma, como esta nau capitaina. E eram de madeira, e das ilhargas de tábuas, e cobertas de palha, de razoável altura; e todas de um só espaço, sem repartição alguma, tinham de dentro muitos esteios; e de esteio a esteio uma rede atada com cabos em cada esteio, altas, em que dormiam. E de baixo, para se aquentarem, faziam seus fogos. E tinha cada casa duas portas pequenas, uma numa extremidade, e outra na oposta. E diziam que em cada casa se recolhiam trinta ou quarenta pessoas, e que assim os encontraram; e que lhes deram de comer dos alimentos que tinham, a saber muito inhame, e outras sementes que na terra dá, que eles comem. E como se fazia tarde fizeram-nos logo todos tornar; e não quiseram que lá ficasse nenhum. E ainda, segundo diziam, queriam vir com eles. Resgataram lá por cascavéis e outras coisinhas de pouco valor, que levavam, papagaios vermelhos, muito grandes e formosos, e dois verdes pequeninos, e carapuças de penas verdes, e um pano de penas de muitas cores, espécie de tecido assaz belo, segundo Vossa Alteza todas estas coisas verá, porque o Capitão vô-las há de mandar, segundo ele disse. E com isto vieram; e nós tornamo-nos às naus.

Terça-feira, depois de comer, fomos em terra, fazer lenha, e para lavar roupa. Estavam na praia, quando chegamos, uns sessenta ou setenta, sem arcos e sem nada. Tanto que chegamos, vieram logo para nós, sem se esquivarem. E depois acudiram muitos, que seriam bem duzentos, todos sem arcos. E misturaram-se todos tanto conosco que uns nos ajudavam a acarretar lenha e metê-las nos batéis. E lutavam com os nossos, e tomavam com prazer. E enquanto fazíamos a lenha, construíam dois carpinteiros uma grande cruz de um pau que se ontem para isso cortara. Muitos deles vinham ali estar com os carpinteiros. E creio que o faziam mais para verem a ferramenta de ferro com que a faziam do que para verem a cruz, porque eles não tem coisa que de ferro seja, e cortam sua madeira e paus com pedras feitas como cunhas, metidas em um pau entre duas talas, mui bem atadas e por tal maneira que andam fortes, porque lhas viram lá. Era já a conversação deles conosco tanta que quase nos estorvavam no que havíamos de fazer.

E o Capitão mandou a dois degredados e a Diogo Dias que fossem lá à aldeia e que de modo algum viessem a dormir às naus, ainda que os mandassem embora. E assim se foram.

Enquanto andávamos nessa mata a cortar lenha, atravessavam alguns papagaios essas árvores; verdes uns, e pardos, outros, grandes e pequenos, de sorte que me parece que haverá muitos nesta terra. Todavia os que vi não seriam mais que nove ou dez, quando muito. Outras aves não vimos então, a não ser algumas pombas-seixeiras, e pareceram-me maiores bastante do que as de Portugal. Vários diziam que viram rolas, mas eu não as vi. Todavia segundo os arvoredos são mui muitos e grandes, e de infinitas espécies, não duvido que por esse sertão haja muitas aves!

E cerca da noite nós volvemos para as naus com nossa lenha.

Eu creio, Senhor, que não dei ainda conta aqui a Vossa Alteza do feitio de seus arcos e setas. Os arcos são pretos e compridos, e as setas compridas; e os ferros delas são canas aparadas, conforme Vossa Alteza verá alguns que creio que o Capitão a Ela há de enviar.

Quarta-feira não fomos em terra, porque o Capitão andou todo o dia no navio dos mantimentos a despejá-lo e fazer levar às naus isso que cada um podia levar. Eles acudiram à praia, muitos, segundo das naus vimos. Seriam perto de trezentos, segundo Sancho de Tovar que para lá foi. Diogo Dias e Afonso Ribeiro, o degredado, aos quais o Capitão ontem ordenara que de toda maneira lá dormissem, tinham voltado já de noite, por eles não quererem que lá ficassem. E traziam papagaios verdes; e outras aves pretas, quase como pegas, com a diferença de terem o bico branco e rabos curtos. E quando Sancho de Tovar recolheu à nau, queriam vir com ele, alguns; mas ele não admitiu senão dois mancebos, bem dispostos e homens de prol. Mandou pensar e curá-los mui bem essa noite. E comeram toda a ração que lhes deram, e mandou dar-lhes cama de lençóis, segundo ele disse. E dormiram e folgaram aquela noite. E não houve mais este dia que para escrever seja.

Quinta-feira, derradeiro de abril, comemos logo, quase pela manhã, e fomos em terra por mais lenha e água. E em querendo o Capitão sair desta nau, chegou Sancho de Tovar com seus dois hóspedes. E por ele ainda não ter comido, puseram-lhe toalhas, e veio-lhe comida. E comeu. Os hóspedes, sentaram-no cada um em sua cadeira. E de tudo quanto lhes deram, comeram mui bem, especialmente lacão cozido frio, e arroz. Não lhes deram vinho por Sancho de Tovar dizer que o não bebiam bem.

Acabado o comer, metemo-nos todos no batel, e eles conosco. Deu um grumete a um deles uma armadura grande de porco montês, bem revolta. E logo que a tomou meteu-a no beiço; e porque se lhe não queria segurar, deram-lhe uma pouca de cera vermelha. E ele ajeitou-lhe seu adereço da parte de trás de sorte que segurasse, e meteu-a no beiço, assim revolta para cima; e ia tão contente com ela, como se tivesse uma grande jóia. E tanto que saímos em terra, foi-se logo com ela. E não tornou a aparecer lá.

Andariam na praia, quando saímos, oito ou dez deles; e de aí a pouco começaram a vir. E parece-me que viriam este dia a praia quatrocentos ou quatrocentos e cinqüenta. Alguns deles traziam arcos e setas; e deram tudo em troca de carapuças e por qualquer coisa que lhes davam. Comiam conosco do que lhes dávamos, e alguns deles bebiam vinho, ao passo que outros o não podiam beber. Mas quer-me parecer que, se os acostumarem, o hão de beber de boa vontade! Andavam todos tão bem dispostos e tão bem feitos e galantes com suas pinturas que agradavam. Acarretavam dessa lenha quanta podiam, com mil boas vontades, e levavam-na aos batéis. E estavam já mais mansos e seguros entre nós do que nós estávamos entre eles.

Foi o Capitão com alguns de nós um pedaço por este arvoredo até um ribeiro grande, e de muita água, que ao nosso parecer é o mesmo que vem ter à praia, em que nós tomamos água. Ali descansamos um pedaço, bebendo e folgando, ao longo dele, entre esse arvoredo que é tanto e tamanho e tão basto e de tanta qualidade de folhagem que não se pode calcular. Há lá muitas palmeiras, de que colhemos muitos e bons palmitos.

Ao sairmos do batel, disse o Capitão que seria bom irmos em direitura à cruz que estava encostada a uma árvore, junto ao rio, a fim de ser colocada amanhã, sexta-feira, e que nos puséssemos todos de joelhos e a beijássemos para eles verem o acatamento que lhe tínhamos. E assim fizemos. E a esses dez ou doze que lá estavam, acenaram-lhes que fizessem o mesmo; e logo foram todos beijá-la.

Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa, seriam logo cristãos, visto que não têm nem entendem crença alguma, segundo as aparências. E portanto se os degredados que aqui hão de ficar aprenderem bem a sua fala e os entenderem, não duvido que eles, segundo a santa tenção de Vossa Alteza, se farão cristãos e hão de crer na nossa santa fé, à qual praza a Nosso Senhor que os traga, porque certamente esta gente é boa e de bela simplicidade. E imprimir-se-á facilmente neles qualquer cunho que lhe quiserem dar, uma vez que Nosso Senhor lhes deu bons corpos e bons rostos, como a homens bons. E o Ele nos para aqui trazer creio que não foi sem causa. E portanto Vossa Alteza, pois tanto deseja acrescentar a santa fé católica, deve cuidar da salvação deles. E prazerá a Deus que com pouco trabalho seja assim!

Eles não lavram nem criam. Nem há aqui boi ou vaca, cabra, ovelha ou galinha, ou qualquer outro animal que esteja acostumado ao viver do homem. E não comem senão deste inhame, de que aqui há muito, e dessas sementes e frutos que a terra e as árvores de si deitam. E com isto andam tais e tão rijos e tão nédios que o não somos nós tanto, com quanto trigo e legumes comemos.

Nesse dia, enquanto ali andavam, dançaram e bailaram sempre com os nossos, ao som de um tamboril nosso, como se fossem mais amigos nossos do que nós seus. Se lhes a gente acenava, se queriam vir às naus, aprontavam-se logo para isso, de modo tal, que se os convidáramos a todos, todos vieram. Porém não levamos esta noite às naus senão quatro ou cinco; a saber, o Capitão-mor, dois; e Simão de Miranda, um que já trazia por pajem; e Aires Gomes a outro, pajem também. Os que o Capitão trazia, era um deles um dos seus hóspedes que lhe haviam trazido a primeira vez quando aqui chegamos — o qual veio hoje aqui vestido na sua camisa, e com ele um seu irmão; e foram esta noite mui bem agasalhados tanto de comida como de cama, de colchões e lençóis, para os mais amansar.

E hoje que é sexta-feira, primeiro dia de maio, pela manhã, saímos em terra com nossa bandeira; e fomos desembarcar acima do rio, contra o sul onde nos pareceu que seria melhor arvorar a cruz, para melhor ser vista. E ali marcou o Capitão o sítio onde haviam de fazer a cova para a fincar. E enquanto a iam abrindo, ele com todos nós outros fomos pela cruz, rio abaixo onde ela estava. E com os religiosos e sacerdotes que cantavam, à frente, fomos trazendo-a dali, a modo de procissão. Eram já aí quantidade deles, uns setenta ou oitenta; e quando nos assim viram chegar, alguns se foram meter debaixo dela, ajudar-nos. Passamos o rio, ao longo da praia; e fomos colocá-la onde havia de ficar, que será obra de dois tiros de besta do rio. Andando-se ali nisto, viriam bem cento cinqüenta, ou mais. Plantada a cruz, com as armas e a divisa de Vossa Alteza, que primeiro lhe haviam pregado, armaram altar ao pé dela. Ali disse missa o padre frei Henrique, a qual foi cantada e oficiada por esses já ditos. Ali estiveram conosco, a ela, perto de cinqüenta ou sessenta deles, assentados todos de joelho assim como nós. E quando se veio ao Evangelho, que nos erguemos todos em pé, com as mãos levantadas, eles se levantaram conosco, e alçaram as mãos, estando assim até se chegar ao fim; e então tornaram-se a assentar, como nós. E quando levantaram a Deus, que nos pusemos de joelhos, eles se puseram assim como nós estávamos, com as mãos levantadas, e em tal maneira sossegados que certifico a Vossa Alteza que nos fez muita devoção.

Estiveram assim conosco até acabada a comunhão; e depois da comunhão, comungaram esses religiosos e sacerdotes; e o Capitão com alguns de nós outros.. E alguns deles, por o Sol ser grande, levantaram-se enquanto estávamos comungando, e outros estiveram e ficaram. Um deles, homem de cinqüenta ou cinqüenta e cinco anos, se conservou ali com aqueles que ficaram. Esse, enquanto assim estávamos, juntava aqueles que ali tinham ficado, e ainda chamava outros. E andando assim entre eles, falando-lhes, acenou com o dedo para o altar, e depois mostrou com o dedo para o céu, como se lhes dissesse alguma coisa de bem; e nós assim o tomamos!

Acabada a missa, tirou o padre a vestimenta de cima, e ficou na alva; e assim se subiu, junto ao altar, em uma cadeira; e ali nos pregou o Evangelho e dos Apóstolos cujo é o dia, tratando no fim da pregação desse vosso prosseguimento tão santo e virtuoso, que nos causou mais devoção.

Esses que estiveram sempre à pregação estavam assim como nós olhando para ele. E aquele que digo, chamava alguns, que viessem ali. Alguns vinham e outros iam-se; e acabada a pregação, trazia Nicolau Coelho muitas cruzes de estanho com crucifixos, que lhe ficaram ainda da outra vinda. E houveram por bem que lançassem a cada um sua ao pescoço. Por essa causa se assentou o padre frei Henrique ao pé da cruz; e ali lançava a sua a todos — um a um — ao pescoço, atada em um fio, fazendo-lha primeiro beijar e levantar as mãos. Vinham a isso muitos; e lançavam-nas todas, que seriam obra de quarenta ou cinqüenta. E isto acabado — era já bem uma hora depois do meio dia — viemos às naus a comer, onde o Capitão trouxe consigo aquele mesmo que fez aos outros aquele gesto para o altar e para o céu, (e um seu irmão com ele). A aquele fez muita honra e deu-lhe uma camisa mourisca; e ao outro uma camisa destoutras.

E segundo o que a mim e a todos pareceu, esta gente, não lhes falece outra coisa para ser toda cristã, do que entenderem-nos, porque assim tomavam aquilo que nos viam fazer como nós mesmos; por onde pareceu a todos que nenhuma idolatria nem adoração têm. E bem creio que, se Vossa Alteza aqui mandar quem entre eles mais devagar ande, que todos serão tornados e convertidos ao desejo de Vossa Alteza. E por isso, se alguém vier, não deixe logo de vir clérigo para os batizar; porque já então terão mais conhecimentos de nossa fé, pelos dois degredados que aqui entre eles ficam, os quais hoje também comungaram.

Entre todos estes que hoje vieram não veio mais que uma mulher, moça, a qual esteve sempre à missa, à qual deram um pano com que se cobrisse; e puseram-lho em volta dela. Todavia, ao sentar-se, não se lembrava de o estender muito para se cobrir. Assim, Senhor, a inocência desta gente é tal que a de Adão não seria maior — com respeito ao pudor.

Ora veja Vossa Alteza quem em tal inocência vive se se convertera, ou não, se lhe ensinarem o que pertence à sua salvação.

Acabado isto, fomos perante eles beijar a cruz. E despedimo-nos e fomos comer.

Creio, Senhor, que, com estes dois degredados que aqui ficam, ficarão mais dois grumetes, que esta noite se saíram em terra, desta nau, no esquife, fugidos, os quais não vieram mais. E cremos que ficarão aqui porque de manhã, prazendo a Deus fazemos nossa partida daqui.

Esta terra, Senhor, parece-me que, da ponta que mais contra o sul vimos, até à outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas de costa. Traz ao longo do mar em algumas partes grandes barreiras, umas vermelhas, e outras brancas; e a terra de cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta é toda praia… muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande; porque a estender olhos, não podíamos ver senão terra e arvoredos — terra que nos parecia muito extensa.

Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como os de Entre-Douro-e-Minho, porque neste tempo d’agora assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem!

Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. E que não houvesse mais do que ter Vossa Alteza aqui esta pousada para essa navegação de Calicute bastava. Quanto mais, disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa fé!

E desta maneira dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta Vossa terra vi. E se a um pouco alonguei, Ela me perdoe. Porque o desejo que tinha de Vos tudo dizer, mo fez pôr assim pelo miúdo.

E pois que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro — o que d’Ela receberei em muita mercê.

Beijo as mãos de Vossa Alteza.

Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500.
Pero Vaz de Caminha.