Comunicação

Os golpes de 1964 e 2016: poder, espetáculo, simulacro

Na Revista Rumores da ECA/USP – v. 11, n. 22 (2017) foi publicado  um artigo do professor Cláudio Novaes Pinto Coelho comparando os golpes de 1964

www.revistas.usp.br/rumores.

http://www.revistas.usp.br/Rumores/article/view/133404/135989

 

Resumo

A proposta principal deste trabalho é a realização de uma análise comparativa dos golpes de 1964 e 2016 sob a perspectiva de uma reflexão a respeito das relações entre comunicação e política. Os conceitos de poder espetacular desenvolvidos por Debord são a base para a análise dos golpes. A visão de Baudrillard a respeito do processo comunicacional de simulação e de produção de simulacros também será incorporada ao trabalho, mediante apropriação crítica. O pensamento  de Florestan Fernandes sobre a sociedade brasileira, em especial sua  visão sobre a existência de uma autocracia burguesa, será utilizado para confronto entre os conceitos de Debord e de Baudrillard e as particularidades da história brasileira. Editoriais da Folha de S.Paulo  fornecerão material para a investigação dos vínculos entre a atuação da mídia e a presença do poder espetacular e do processo de simulação e  de produção de espetáculos nas conjunturas históricas de 1964 e 2016.

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As trevas vão se avolumando

Nota de repúdio à violação da autonomia universitária

A Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (Compolítica) vem a público manifestar sua solidariedade e apoio ao professor e pesquisador Luis Felipe Miguel (UnB), um dos sócios fundadores desta instituição, vice-presidente na gestão 2013-2015, diante da ameaça do Ministério da Educação (MEC) em comunicado que diz pretender encaminhar à Advocacia-Geral da União, ao Tribunal de Contas da União, à Controladoria-Geral da União e ao Ministério Público Federal solicitação de apuração de suposta improbidade administrativa face à oferta de disciplina na graduação em Ciência Política da UnB que visa a discutir o golpe de 2016 e o futuro da democracia no país. O movimento parte justamente de entidade a que compete zelar pela autonomia universitária, conforme prescreve o artigo 207 da Constituição Federal.

A comunidade acadêmica tem sido vítima frequente de arbítrios semelhantes nos últimos meses. Mesmo após o trágico episódio que envolveu o suicídio do professor Luiz Carlos Cancellier, então reitor da UFSC, prisões, conduções coercitivas e demais gestos indicativos de abuso de poder, ora orquestrados pelo Judiciário, ora pelo Executivo, têm indicado aos professores, alunos, servidores técnico-administrativos e demais membros da comunidade um exagero e um ímpeto manifesto em desqualificar o ambiente da universidade pública e das instituições de ensino superior de modo geral.

O curso proposto pelo colega da UnB, a partir da disciplina “Tópicos Especiais em Ciência Política 4”, com o tema “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil” tem os seguintes objetivos: “(1) Entender os elementos de fragilidade do sistema político brasileiro que permitiram a ruptura democrática de maio e agosto de 2016, com a deposição da presidente Dilma Rousseff; (2) Analisar o governo presidido por Michel Temer e investigar o que sua agenda de retrocesso nos direitos e restrição às liberdades diz sobre a relação entre as desigualdades sociais e o sistema político no Brasil; (3) Perscrutar os desdobramentos da crise em curso e as possibilidades de reforço da resistência popular e de restabelecimento do Estado de direito e da democracia política no Brasil.” O programa contempla bibliografia lúcida, de autores relevantes nas Ciências Humanas e Sociais do país.

Além disso, conforme o próprio pesquisador afirma, em nota posterior à divulgação do caso, “Trata-se de uma disciplina corriqueira, de interpelação da realidade à luz do conhecimento produzido nas ciências sociais, que não merece o estardalhaço artificialmente criado sobre ela”, ao que emenda “A única coisa que não é corriqueira é a situação atual do Brasil, sobre a qual a disciplina se debruçará”. Em outras palavras, a disciplina se propõe a um exercício de análise de conjuntura, uma das mais sofisticadas e intricadas vertentes teórico-epistemológicas.

A nota emitida pelo Ministério da Educação enxerga como “ataque às instituições brasileiras”, uma proposta de discussão e debate em alto nível sobre a realidade social no país após 2016.

Esta Associação reafirma seu compromisso com a defesa da autonomia universitária e estimula iniciativas que busquem aprofundar a análise do atual cenário político e midiático brasileiro.

Atenciosamente,

Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (COMPOLÍTICA)

Jornalismo: a melhor profissão do mundo

Gabriel García Márquez

“Há uns cinquenta anos não estavam na moda escolas de jornalismo. Aprendia-se nas redações, nas oficinas, no botequim do outro lado da rua, nas noitadas de sexta-feira. O jornal todo era uma fábrica que formava e informava sem equívocos e gerava opinião num ambiente de participação no qual a moral era conservada em seu lugar.”

“Não haviam sido instituídas as reuniões de pauta, mas às cinco da tarde, sem convocação oficial, todo mundo fazia uma pausa para descansar das tensões do dia e confluía num lugar qualquer da redação para tomar café. Era uma tertúlia aberta em que se discutiam a quente os temas de cada seção e se davam os toques finais na edição do dia seguinte. Os que não aprendiam naquelas cátedras ambulantes e apaixonadas de vinte e quatro horas diárias, ou os que se aborreciam de tanto falar da mesma coisa, era porque queriam ou acreditavam ser jornalistas, mas na realidade não o eram.”

“O jornal cabia então em três grandes seções: notícias, crônicas e reportagens, e notas editoriais. A seção mais delicada e de grande prestígio era a editorial. O cargo mais desvalido era o de repórter, que tinha ao mesmo tempo a conotação de aprendiz e de ajudante de pedreiro. O tempo e a profissão mesma demonstraram que o sistema nervoso do jornalismo circula na realidade em sentido contrário. Dou fé: aos 19 anos, sendo o pior dos estudantes de direito, comecei minha carreira como redator de notas editoriais e fui subindo pouco a pouco e com muito trabalho pelos degraus das diferentes seções, até o nível máximo de repórter raso.

A prática da profissão, ela própria, impunha a necessidade de se formar uma base cultural, e o ambiente de trabalho se encarregava de incentivar essa formação. A leitura era um vício profissional. Os autodidatas costumam ser ávidos e rápidos, e os daquele tempo o fomos de sobra para seguir abrindo caminho na vida para a melhor profissão do mundo – como nós a chamávamos. Alberto Lleras Camargo, que foi sempre jornalista e duas vezes presidente da Colômbia, não tinha sequer o curso secundário.

A criação posterior de escolas de jornalismo foi uma reação escolástica contra o fato consumado de que o ofício carecia de respaldo acadêmico. Agora as escolas existem não apenas para a imprensa escrita como para todos os meios inventados e por inventar. Mas em sua expansão varreram até o nome humilde que o ofício teve desde suas origens no século XV, e que agora não é mais jornalismo, mas Ciências da Comunicação ou Comunicação Social.

O resultado não é, em geral, alentador. Os jovens que saem desiludidos das escolas, com a vida pela frente, parecem desvinculados da realidade e de seus problemas vitais, e um afã de protagonismo prima sobre a vocação e as aptidões naturais. E em especial sobre as duas condições mais importantes: a criatividade e a prática.

Em sua maioria, os formados chegam com deficiências flagrantes, têm graves problemas de gramática e ortografia, e dificuldades para uma compreensão reflexiva dos textos. Alguns se gabam de poder ler de trás para frente um documento secreto no gabinete de um ministro, de gravar diálogos fortuitos sem prevenir o interlocutor, ou de usar como notícia uma conversa que de antemão se combinara confidencial.

O mais grave é que tais atentados contra a ética obedecem a uma noção intrépida da profissão, assumida conscientemente e orgulhosamente fundada na sacralização do furo a qualquer preço e acima de tudo. Seus autores não se comovem com a premissa de que a melhor notícia nem sempre é a que se dá primeiro, mas muitas vezes a que se dá melhor. Alguns, conscientes de suas deficiências, sentem-se fraudados pela faculdade onde estudaram e não lhes treme a voz quando culpam seus professores por não lhes terem inculcado as virtudes que agora lhes são requeridas, especialmente a curiosidade pela vida.

É certo que tais críticas valem para a educação geral, pervertida pela massificação de escolas que seguem a linha viciada do informativo ao invés do formativo. Mas no caso específico do jornalismo parece que, além disso, a profissão não conseguiu evoluir com a mesma velocidade que seus instrumentos e os jornalistas se extraviaram no labirinto de uma tecnologia disparada sem controle em direção ao futuro.

Quer dizer: as empresas empenharam-se a fundo na concorrência feroz da modernização material e deixaram para depois a formação de sua infantaria e os mecanismos de participação que no passado fortaleciam o espírito profissional. As redações são laboratórios assépticos para navegantes solitários, onde parece mais fácil comunicar-se com os fenômenos siderais do que com o coração dos leitores. A desumanização é galopante.

Não é fácil aceitar que o esplendor tecnológico e a vertigem das comunicações, que tanto desejávamos em nossos tempos, tenham servido para antecipar e agravar a agonia cotidiana do horário de fechamento.

Os principiantes queixam-se de que os editores lhes concedem três horas para uma tarefa que na hora da verdade é impossível em menos de seis, que lhes encomendam material para duas colunas e na hora da verdade lhes concedem apenas meia coluna, e no pânico do fechamento ninguém tem tempo nem ânimo para lhes explicar por que, e menos ainda para lhes dizer uma palavra de consolo.

“Nem sequer nos repreendem”, diz um repórter novato ansioso por ter comunicação direta com seus chefes. Nada: o editor, que antes era um paizão sábio e compassivo, mal tem forças e tempo para sobreviver ele mesmo ao cativeiro da tecnologia.

A pressa e a restrição de espaço, creio, minimizaram a reportagem, que sempre tivemos na conta de gênero mais brilhante, mas que é também o que requer mais tempo, mais investigação, mais reflexão e um domínio certeiro da arte de escrever. É, na realidade, a reconstituição minuciosa e verídica do fato. Quer dizer: a notícia completa, tal como sucedeu na realidade, para que o leitor a conheça como se tivesse estado no local dos acontecimentos.”

“O gravador é culpado pela glorificação viciosa da entrevista. O rádio e a televisão, por sua própria natureza, converteram-na em gênero supremo, mas também a imprensa escrita parece compartilhar a ideia equivocada de que a voz da verdade não é tanto a do jornalista que viu como a do entrevistado que declarou. Para muitos redatores de jornais, a transcrição é a prova de fogo: confundem o som das palavras, tropeçam na semântica, naufragam na ortografia e morrem de enfarte com a sintaxe.

Talvez a solução seja voltar ao velho bloco de anotações, para que o jornalista vá editando com sua inteligência à medida que escuta, e restitua o gravador a sua categoria verdadeira, que é a de testemunho inquestionável. De todo modo, é um consolo supor que muitas das transgressões da ética, e outras tantas que aviltam e envergonham o jornalismo de hoje, nem sempre se devem à imoralidade, mas igualmente à falta de domínio do ofício.

Talvez a desgraça das faculdades de Comunicação Social seja ensinar muitas coisas úteis para a profissão, porém muito pouco da profissão propriamente dita. Claro que devem persistir em seus programas humanísticos, embora menos ambiciosos e peremptórios, para ajudar a constituir a base cultural que os alunos não trazem do curso secundário.

Entretanto, toda a formação deve se sustentar em três vigas mestras: a prioridade das aptidões e das vocações, a certeza de que a investigação não é uma especialidade dentro da profissão, mas que todo jornalismo deve ser investigativo por definição, e a consciência de que a ética não é uma condição ocasional, e sim que deve acompanhar sempre o jornalismo, como o zumbido acompanha o besouro.

O objetivo final deveria ser o retorno ao sistema primário de ensino em oficinas práticas formadas por pequenos grupos, com um aproveitamento crítico das experiências históricas, e em seu marco original de serviço público. Quer dizer: resgatar para a aprendizagem o espírito de tertúlia das cinco da tarde.

Um grupo de jornalistas independentes estamos tratando de fazê-lo, em Cartagena de Índias, para toda a América Latina, com um sistema de oficinas experimentais e itinerantes que leva o nome nada modesto de Fundação do Novo Jornalismo Ibero-americano. É uma experiência piloto com jornalistas novos para trabalhar em alguma especialidade – reportagem, edição, entrevistas de rádio e televisão e tantas outras – sob a direção de um veterano da profissão.”

“A mídia faria bem em apoiar essa operação de resgate. Seja em suas redações, seja com cenários construídos intencionalmente, como os simuladores aéreos que reproduzem todos os incidentes de voo, para que os estudantes aprendam a lidar com desastres antes que os encontrem de verdade atravessados em seu caminho. Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade.

Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte.”

Expediente de uma publicação

Uma das coisas que mais gosto de fazer ao receber um jornal ou uma revista e até mesmo os livros é olhar o expediente. Lugar de informação da obra. Lugar de reconhecimento intelectual, de consideração aos direitos autorais que a cada dia que passa é raridade nas publicações. Tem sindicatos de trabalhadores que adoram não publicar o expediente, não reconhecendo o trabalho  dos profissionais que ali labutaram.

Entre outros, é no expediente que encontro pessoas, personalidades que estão, que foram, que passaram e que de uma maneira ou outra emprestaram seu nome a aquela obra. Local onde podemos encontrar o nome da publicação, a editora,  o endereço da Redação, telefones, e-mail, nome do Diretor, nome do editor-responsável, nome do editor-assistente, nome dos repórteres e dos colaboradores, consultoria jurídica,distribuição, nome da gráfica onde a obra foi impressa, entre outras informações que reportam à essência da obra. 

O expediente é a fotografia – a selfie – do momento da publicação. Diria, a alma momentânea que se eterniza. É uma preciosidade para os historiadores que poderão em estudos posteriores analisar a obra dentro do seu contexto histórico, com amis precisão e mais dados analíticos.

O expediente, por vários motivos, estão sumindo. Falta de espaço ou falta de criatividade para transformar o expediente em uma nova atração jornalística ou comunicacional, ou por outros motivos que poderíamos numa longa lista elencar.

Mas nessa época da liquidificação da comunicação, os expedientes estão desaparecendo. Uma pena.

 

Maio de 97 e hoje na República

Maio de 97.  A revista  REPÚBLICA cujo diretor de redação à época era o Wagner Carelli e o editor Luiz Felipe d’Ávila publica uma capa com o ex-presidente Collor de Mello (vide foto). Ca Capa/Reportagem intitulada: Para o Forte, Tudo. Para o Fraco, a lei.  O autor da reportagem: Reinaldo Azevedo. Lendo, vasculho atualidades…

Eu tenho a revista original, impressa, mas quem tiver curiosidade basta acessar : http://revrepublica.com.br/edicao/7/58

Negri e Hardt são tema de reflexão na FESPSP

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Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) oferece curso de extensão sobre povo, Estado e território.

Introduzir os alunos na obra dos autores Antonio Negri e David Hardt é a proposta do curso de extensão O Império e a Multidão – Uma reflexão a partir de Negri e Hardt, da FESPSP, que aborda os principais conceitos dos autores sobre império, multidão, subjetividade e o comum.
O curso será desenvolvido a partir do conceito de povo, estado e território desenvolvido por Thomas Hobbes, em O Leviatã, e a partir desta perspectiva serão abordados os conceitos trabalhados por Negri e Hardt sobre a nova ordem mundial. “Abordamos a perspectiva sobre as subjetividades produzidas por este contexto de capitalismo contemporâneo. Além de abordar o conceito de comum, que é debatido no último livro dos autores e a sua relação com os conceitos de império e multidão”, explica o professor Thiago da Silva Prada.
As aulas são voltadas a pesquisadores, alunos de graduação e pós-graduação, especialmente bacharéis em Ciências Sociais, Pedagogia, Biblioteconomia, Ciências da Informação, História, Geografia, Jornalismo, Letras, Artes, Filosofia, Comunicação, Psicologia, Educação e Serviço Social. Voltado, também, a professores das diversas áreas de saber e níveis de ensino.
Mais informações pelo telefone 3123-7800 ou 3123-7823 ou pelo e-mail extensao@fespsp.org.br.
Serviço
Curso de Extensão: O Império e a Multidão – Uma reflexão a partir de Negri e Hardt 
Local: Campus FESPSP – Rua General Jardim, 522 – Vila Buarque, São Paulo – SP
Período: 11 de março a 01 de abril de 2017.
Horário: Sábados, das 9h às 13h.
Carga Horária: 16 horas
Docentes: Prof. Me. Thiago da Silva Prada e Profa. Patricia Cucio Guisordi
Sobre Prof. Me. Thiago da Silva Prada
Possui graduação em Psicologia pela Universidade São Marcos (2008). Especialização em Filosofia Contemporânea e História pela UMESP (2010). Especialização em Sócio-Psicologia pela FESPSP (2011). Mestre em Ciências Sociais pela PUC-SP (2015). Escritor e poeta, publicou dois livros de poesia: Os Céus de Van Gogh (2014) e Da Noite Sem Fim – poéticas sobre tristezas e assombros (2015). Texto retirado da plataforma Lattes em 02/03/2017.
Sobre Profa. Patricia Cucio Guisordi
Mestranda em Ciências Sociais pela PUC-SP e pesquisadora da área de mobilização política na Internet. Patricia atua como consultora na área social com foco em mobilização, participação e articulação de redes. Seus últimos trabalhos estão relacionados a compreensão das dinâmicas sociais e seus impactos na realidade. Atuou como facilitadora e mobilizadora em iniciativas para o investimento social nas áreas de meio ambiente, esporte, direitos humanos e juventude. Texto retirado da plataforma Lattes em 02/03/2017.

Dia da Língua Portuguesa

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Comemora-se neste 10 de junho nos países lusófonos, em homenagem ao poeta Luís Vaz de Camões, autor de “Os Lusíadas”, o Dia da Língua Portuguesa.

“Os Lusíadas” é considerado o maior poema épico da Língua Portuguesa. É composta por dez cantos, 1.102  estrofes e 8.816 versos que seguem um rígido esquema de rima para contar detalhes da viagem de Vasco da Gama por “mares nunca dantes navegados”. Não à toa, Camões é tido como uma das maiores figuras da literatura lusófona. Mas aventurar-se pelo poema não é privilégio de grandes autores. Se o olhar e os ouvidos estão atentos aos ambientes, às histórias, às pessoas e à sonoridade das palavras, construir um texto com métrica, rima e ritmo é uma questão de prática.

 

O poema épico é constituído por dez cantos; cada canto possui um número variável de estrofes de oito versos (oitava), sendo cada verso composto por dez sílabas (decassilábico). A rima é cruzada nos seis primeiros versos e emparelhada nos dois últimos (ab ab ab cc).Na sua estrutura interna, o Poema revela-se claramente uma epopeia clássica, ao dividir-se em quatro partes: proposição (apresentação do assunto), invocação (o poeta invoca as ninfas do Tejo e pede-lhes inspiração para escrever o Poema), dedicatória (o poeta dedica a obra a D. Sebastião) e narração (parte em que é feita a narrativa da viagem, já em meio da acção – in medias res – e a narrativa histórica).

Em todo o poema estão visíveis as influências recebidas da Antiguidade greco-romana (sobretudo da Eneida de Virgílio), embora Camões tenha sabido impor um cunho original que fez d’Os Lusíadas uma das obras literárias mais conhecidas em todo o mundo.

  http://cvc.instituto-camoes.pt/historiasdivertidas/manuscritomist/lusiadas.html

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A arte da conversação

Sabe daquela angústia momentos antes de uma palestra, de um encontro, de uma reunião? Daquelas dúvidas imensas que tomam nossa cabeça antes de falar com uma pessoa de um nível hierárquico superior ao seu? Como se comportar, como falar o que você quer falar? São dúvidas que muitos comunicadores e especialistas em relações humanas sempre estão a dar suas opiniões. Mas neste momento em que um conhecido está próximo ao papa Francisco, pronto para falar de seu projeto para o Brasil, pensei nas palavras do mestre escritor e padre jesuíta espanhol Baltasar Grácian y Morales , autor de A Arte da Prudência ou Oráculo Manual e Arte de Prudência:

 

148. Possuir arte da conversação.
É o que revela ser uma pessoa verdadeira. Nenhuma atividade humana exige mais atenção por ser a mais comum. É aqui que ganhamos ou perdemos.
Requer siso escrever uma carta, que é a conversa refletida e escrita, e ainda mais conversar, pois a discrição é logo posta à prova. Os entendidos tomam pulso da alma baseados na linguagem, e baseado nisso um sábio disse: “Fale, e será conhecido”. Para alguns, a arte da conversação está em falar sem arte, deixando-a cair livremente, como a roupa. A ideia talvez seja válida quanto à conversa entre amigos. Mas, nos círculos mais elevados, a conversação deve ser mais formal, revelando a excelente substância da pessoa. Para que a conversa seja bem aceita, tem de se adaptar ao caráter e inteligência dos interlocutores. Não banque o censor de palavras- pois será tomado como um pedante gramático-, e muito menos o fiscal das opiniões- o que fará que seja evitado pelos demais, impedindo-o de se comunicar. Na conversa, a discrição é mais importante que a eloquência.

Ciclo de debates: O Urbanismo das Ruas em Rede

cartaz - Ciclo sobre Urbanismo

Encontro aberto sobre o Situacionismo e o Ciclo de Debates: O Urbanismo das Ruas em Rede.

 

Quando e onde:

– Encontro aberto sobre o Situacionismo: 18/11 (quarta-feira) às 19h30 na Faculdade de Filosofia – USP – sala 104A

– Ciclo de Debates: O Urbanismo das Ruas em Rede: 23/11 (segunda-feira). Mesa 3: às 17h; Mesa 4: às 19h30 no auditório da FAU – USP (Rua do Lago, 876)

 

A organização está sendo feita pelo Grupo de Estudos em Estética Contemporânea, ligado ao departamento de Filosofia-USP.

 

 

Ciclo de debates:  O Urbanismo das Ruas em Rede

Cidade Universitária USP – FAU- auditório   (Rua do lago, 876) – inscrições no local

Dias 03/11 e 23/11 – 17h00 às 21h30

 

O evento parte do diagnóstico segundo o qual forças sociais vindas das ruas têm desempenhado papel importante na agenda urbana nos últimos anos. Por meio de um diálogo, da sistematização de experiências e da ampliação dos repertórios de ação, o ciclo de debates visa compreender as possibilidades e desafios de cada uma destas forças a partir, sobretudo, de suas próprias vozes e agenciamentos.

 

Mesa 3  –  segunda-feira 23/11 –  17h00-19h00:      Vida urbana e urbanismos bottom up

Luiz Recaman – FAU USP

Paolo Colosso – FFLCH USP

Mediação: Leandro Medrano – FAU USP

 

 

Mesa 4 –  segunda-feira 23/11 19h30 – 21h30: Diversidades, ampliação do espaço público e o papel da juventude

Beatriz Lourenço – Movimento Negro

Nathalia O. Araújo – Levante Popular da Juventude

Mediação: Jéssica Omena – FFLCH US

A falta que Bundas nos faz

bundascapaHoje acordei com a Bundas na memória. Baixou uma baita saudades de Bundas. Das Bundas lidas e relidas, das Bundas passadas e repassadas. Das sempre boas Bundas! Quem tinhas Bundas não via Caras…

As Bundas vieram e se foram num pequeno fluxo de tempo. As Bundas eram de bom tamanho, ideal para ótimas risadas e gargalhadas, nem muito grande, nem muito pequena, eram páginas de Bundas em palmos medidas.
A revista hebdomadária teve vida curta, mas foi suficiente para encher nossos olhos de boas bundas e caras de bundas por todo o país.
No meio de Bundas encontrávamos Ziraldo, Jaguar, Millor, Veríssimo, Chico e Paulo Caruso, Miguel Paiva, Angeli, Jô Soares, Aroeira e tantos outros mestres na arte de bundar com alegria, e bundar com inteligência. Bundar com satisfação e gozação…

 

Mas Bundas caiu, digamos, saiu das bancas muito rápido deixando seus leitores inconsoláveis. Bundas faz falta! Se o Pasquim já foi e já voltou, quem sabe um dia a Bundas volta. Que volte ruidosa, cheirosa, espalhafatosa e gostosa como todas Bundas…