Cultura

Manoel de Barros

Em 13 de novembro de 2014 morria o poeta Manoel de Barros. Manoel Wenceslau Leite de Barros foi um poeta brasileiro do século XX, pertencente, cronologicamente à Geração de 45, mas formalmente ao pós-Modernismo brasileiro, se situando mais próximo das vanguardas europeias do início do século e da Poesia Pau-Brasil e da Antropofagia de Oswald de Andrade

Manoel de Barros foi um poeta da espontaneidade, do primitivismo dos versos reais, das canções sobre a natureza.

Entre muitos prêmios e homenagens, destaca-se o “Prêmio Jabuti” que recebeu duas vezes com as obras: O guardador de águas (1989) e O fazedor de amanhecer (2002).

Bruno Capinan lança o álbum “Real” no mês da Consciência Negra

Um homem negro e nu, num espelho d’agua dum azul piscina. Submerso no silêncio oco das horas. Longe do mundo fabricado das fake news e suspenso pela mão da memória. “Real”, meu quarto disco de estúdio, poderia se encaixar como disco de um baiano-canadense inquieto, que não contente em ser influenciado pela história da música brasileira, quis trilhar novos caminhos para além mar.

Depois de focar nas minhas raízes afro-baianas em “Divina Graça”, senti o desejo de mergulhar no Brasil de agora, deixando visível o que considero ser o elo central com meu país de origem: a música. Posso afirmar que “Real” é meu trabalho mais confiante. Isso ficou evidente no primeiro dia de gravação, quando juntamente com os músicos e nossos instrumentos, me vi inteiramente dedicado ao imaginário da canção.

Refletindo sobre a invenção do real, escolhi a canção “Equívoco” como abre-alas. A desconstrução do homem equivocado fez-se necessária para chegar ao disco como um todo. “Equívoco” foi escrita em Itacaré na Bahia, com os pés no mar, em alta madrugada mirando as estrelas, e foi umas das primeiras dessa lavra. Em meio a barragens rompendo, museus em chamas, presidentes eleitos com reforço de algoritmos e a sensação de vulnerabilidade coletiva, quis propor uma dança à beira do precipício.

Se as distâncias oceânicas se estreitaram, foi com distanciamento que pude compor muitas das canções. Mudei de Toronto pra São Paulo em 2017, por conta da agenda de shows no Brasil, e fui ao Japão para duas turnês com o compositor Jun Miyake, com quem escrevi e gravei para o disco dele. Nos países que passei, em camarins e quartos de hotel, em silêncio, brotou o desejo de fazer um disco pop/mpbsista.

Gravado em Toronto, cidade que me acolheu há quase 17 anos, e com gravações adicionais em Montreal, Rio e Lisboa, “Real” teve o auxílio de músicos brasileiros e canadenses. Meu amigo e parceiro Bem Gil, que também participou do “Divina Graça”, gravou guitarra, flauta e pela primeira vez pilotou a bateria. Juntaram-se a nós Ubunto, Thomas Harres, João Leão, Ricardo Dias Gomes, Mãeana, Lan Lanh, Rubel, Basia Bulat, Zaynab Wilson, Mariel González, Tanya Charles, Bijan Sepanji, Alyssa Delbaere-Sawchuck e Graham Campbell.

Produzido por mim e Mark Lawson, “Real” foi mixado em analógico, em sessões regadas a chá e risos. Gravamos e mixamos 14 músicas. Canções minhas e algumas parcerias. Com Philippe Cohen Solal escrevi “Momento”, com Ubunto “Real Agora” e “Tropa”, Domenico Lancellotti enviou da Índia a letra de “Pessoa” e com Bem Gil escrevi “Love’s Will” já em estúdio. O poema “O Pajem” escrito pelo Português Mário de Sá-Carneiro em 1915, durante a Primeira Guerra, foi musicado na minha adolescência, ainda na Bahia.

Neste espelho d’agua que me vejo refletido, estou submerso e nu. Talvez tenha sido o reflexo que ansiou a canção. Talvez o medo de ser dominado por algoritmos e engolido pela epidemia da solidão das redes sociais. Vi o mundo ruir do “outro lado da Bahia”, superei a dor correndo “louco em direção ao mar” e me banhei num “rio de águas escaldantes” para aqui oferecer o meu eu forte e impetuoso diante das armadilhas dessa vida “Real” ou a da invenção, deixando assim registrado: “já sabemos a verdade”. 

Em 21 de outubro de 1984 morria o cineasta francês François Truffaut

François Truffaut ficou famoso na história do cinema por, ao lado de nomes como Jean-Luc Godard, Eric Rohmer e Claude Chabrol, fundar o movimento cinematográfico Nouvelle Vague (a “Nova Onda”), que trouxe uma nova experiência para o cinema

Em 21 de outubro de 1984 morria o cineasta francês François Truffaut – um dos fundadores do movimento cinematográfico conhecido como Nouvelle Vague e um dos maiores ícones da história do cinema do século XX.
Alguns Filmes do diretor:

Jules e Jim – Uma Mulher para Dois (1962): triângulo amoroso imaginado por Truffaut traz Jeanne Moreau como a instável emocionalmente Catherine. Ela era a base da felicidade e da tristeza de Jules e Jim.

A Noite Americana (1973): vencedor de melhor filme estrangeiro de 1973, traz uma discussão sobre o processo de produção de um filme. A personagem feminina mais uma vez é parte crucial da narrativa.

Fahrenheit 451 (1966): único filme de Truffaut falado em inglês e mostra um mundo onde os livros são proibido, ideia que por si só já seria assustadora. Ver meu artigo sobre Fahrenheit 451

Teatro, moda e cultura no V Seminário Comunicação, Cultura e Sociedade do Espetáculo

No dia 18 de outubro de 2019 atuei como moderador de uma mesa durante o V Seminário Comunicação, Cultura e Sociedade do Espetáculo evento organizado pelo grupo de pesquisa em Comunicação e Sociedade do Espetáculo do PPGCOM (Programa de Pós Graduação em Comunicação) da Faculdade Cásper Líbero. O grupo é liderado pelo professor doutor Cláudio Novaes Pinto Coelho.

A proposta do evento é refletir sobre a produção cultural na contemporaneidade, procurar compreender como esta produção está vinculada a processos comunicacionais que se concretizam em produtos midiáticos, que podem ou não estar integrados à dinâmica da sociedade capitalista do espetáculo, que articula produção e consumo de mercadorias e produção e consumo de imagens. Uma pergunta se coloca neste instante: Práticas de resistência a essa dinâmica são possíveis? Por outro lado, a contemporaneidade também nos coloca, tendo em vista o crescimento em escala mundial de governos repressivos, o desafio de refletir sobre as possibilidades de resistência diante das diferentes formas de exercício da opressão.

A mesa que mediei foi muito boa, com belas apresentações e contribuições para esta debate.

Giulia Garcia e o TEMPO Y ESPETÁCULO: poética e processos comunicacionais no Teatro Oficina, uma aula sobre a resistência do Teatro Oficina Uzyna Uzona e reflexões sobre as montagens de Roda Viva em 1968, 2018 e 2019. A Giulia está terminado o curso de jornalismo na Cásper Libero e é uma menina com futuro brilhante!
Em Polifonias no teatro popular: reflexões sobre a peça “Bom Retiro, Meu Amor” do TUOV, Mei Hua Soares, doutora e atriz, contou um pouco sobre o processo criativo do TUOV ( Teatro Popular União e Olho Vivo ) durante a elaboração da peça Bom Retiro Meu Amor: Ópera-Samba, Mei Hua Soares foi e é uma garota sensacional! Muito aprendi.

Em Cogitando sobre uma arte crítica: pensamento crítico em gesto, meu colega de grupo Antonio Duran mostrou o processo criativo do grupo Teatro da Vertigem, da qual é dramaturgo e a partir das reflexões entendermos um pouco mais sobre os processos de criação teatral. Antonio como sempre contundente, não dá para passar num debate com ele sem levar alguma experiência da prática teatral para casa.


Eis que, Entre flores e vaga-lumes: um recorte da cultura e da resistência em Pasolini, Ethel Pereira Shiraishi leva-nos ao mundo do enigmático e contundente cineasta e homem de cultura italiano. Nossa sempre boa anfitriã ( eventos e Relações Públicas), Ethel Pereira, sempre trazendo poesia onde não há esperança.


Em Arte, história e mídia: o que comunicam as releituras de O Quarto Estado, Fabiola Ballarati Chechetto, que nós carinhosamente a chamamos de Nina refletimos sobre sobre o quadro O Quarto Estado de Giuseppe Pellizza da Volpedo e suas diversas apropriações e ressignificações. O Novecento presente. Itália viva! Descobri na apresentação a referência do final do filme Novecento (1976) de Bernardo Bertolucci que marcou minha juventude!

E por último, a Moda como Cultura e Forma de Comunicação, na rápida, porém magnífica exposição sobre a moda como parte integrante de uma cultura e como forma de comunicação. Rafaella Piragini Fernandes, estudante de Relações Públicas na Faculdade Cásper Líbero traçou um breve percurso histórico cujo enfoque é justamente a moda em seu vínculo como questões mais amplas.. Ah! Madame Channel…

Noam Chomsky

Hoje, 7 de dezembro,é dia do aniversário de Noam Chomsky. O pensador filósofo, linguista, cientista político e acadêmico Noam Chomsky completa 90 anos. Nasceu em 1928 na Filadélfia,Estados Unidos; Chomsky, recebeu o título de PhD em linguística na Universidade da Pensilvânia em 1955, na mesma época em que entrou para o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

PRINCIPAIS TRABALHOS NA ÁREA DA LINGÜÍSTICA

Aspectos da Teoria da Sintaxe, Armênio Amado, Portugal, 1995

O Conhecimento da Língua: Sua Natureza, Origem e Uso, Caminho, Portugal, 1994

O Programa Minimalista, Caminho, Portugal, 1999

ALGUNS TÍTULOS PUBLICADOS NO BRASIL DA ÁREA DA CRÍTICA CIAL E POLÍTICA

Novas e Velhas Ordens Mundiais, Scitta, São Paulo, 1996

Segredos, Mentiras e Democracia, Editora Universidade de Brasília, Brasília, 1997

O Que o Tio Sam Realmente Quer, Editora Universidade de Brasília, Brasília, 1999

A Minoria Próspera e a Multidão Inquieta, Editora da Universidade de Brasília, Brasília, 1997

O Lucro ou as Pessoas? Neoliberalismo e Ordem Global, Bertrand Brasil, Rio de Janeiro, 2002

Banhos de Sangue, Noam Chomsky e Edward Herman, Difel, São Paulo, 1976

A Sociedade Global – Educação, Mercado e Democracia, Noam Chomsky e Heinz Dieterich, Editora da FURB, Blumenau, 1999

Propaganda e Consciência Popular, Noam Chomsky e David Barsamian, EDUSC, São Paulo, 2003

SOBRE CHOMSKY

O Instinto da Linguagem: Como a Mente Cria a Linguagem, Steven Pinker, Martins Fontes, São Paulo, 2002

Noam Chomsky: A Life of Dissent, Robert F. Barsky, MIT Press, Estados Unidos, 1997

Dias de Resistência

Dias de Resistência

Título Original: Chosen

País: Reino Unido

Sinopse: Depois que a guerra e a doença lhe tiraram tudo, resta a Sonson cumprir a promessa de proteger sua família. Para isso, ele terá que resgatar uma jovem capturada pelos nazistas e o plano é ousado!

Direção: Jasmin Dizdar

Estrelando: Harvey Keitel , Luke Mably , Ana Ularu , Tomasz Aleksander , Freddie Fuller , Sam Churchill , Luke Jerdy , Julian Shatkin

Marcelo D´Salete – A história negra em quadrinhos

No próximo dia 20/11 o Museu Afro Brasil inaugura a expo “Marcelo D´Salete – A história negra em quadrinhos”.

 

 

Endereço e telefone:

Av. Pedro Álvares Cabral Portão 10
Parque Ibirapuera CEP: 04094 050
São Paulo/SP – Brasil – Acesso pelo portão 03
Fone: 55 11 3320 8900

Horário de funcionamento:

De terça-feira a domingo, das 10hs às 17hs,
com permanência até às 18hs. 

Ingresso:

Ingresso: R$ 6,00 – Meia Entrada: R$ 3,00
Gratuidade aos sábados 

Massa folhada ao trabalho….

Iniciar o dia com a Massa Folhada – blog de papel do Maúcio! Poeta, cartunista, professor para tempos difíceis.  Eu qual o massiano não para pra pensar nem corro, nem ando pensando (pode doer). Você pode receber em casa a Massa Folhada, basta entrar em contato com o maucio@uol.com.br

Quer saber mais, confira meu depoimento sobre a Massa Folhada (clique aqui)

Lançamento de “Eu algum na multidão de motocicletas verdes agonizantes” com samba no Rio

A luta, a resistência às sombras se faz por nossos corpos e também por nosso canto, nossa arte na rua. No dia 10 de novembro, sábado, o Terreiro de Breque estará de volta ao Morro da Conceição, no aconchego especial do Bar do Geraldinho, na zona portuária do Rio de Janeiro, para mais uma roda do Samba da Banda da Conceição. O repertório é sempre especial, ainda mais em tempos de resistência política e cultural. E dessa vez há um atrativo para lá de especial: trata-se do segundo lançamento da nova obra literária do fundador, cantor e compositor do Terreiro de Breque, Zeh Gustavo: “Eu algum na multidão de motocicletas verdes agonizantes” (Editora Viés). O livro tem apresentação de Alberto Mussa e texto de orelha de Godofredo de Oliveira Neto.

Vai ser assim: as partir das 16h e durante todo o evento, tarde/noite de autógrafos e conversas entre biritas, com o autor. A partir das 18h, o couro come com uma roda de samba com um repertório para lá de especial: samba de breque, sincopado, terreiro, ijexá, samba de roda… O evento é uma realização da Banda da Conceição, em parceria com o Terreiro de Breque, e acontece mensalmente. Já o livro de Zeh Gustavo foi vencedor do Prêmio Lima Barreto de Contos, da Academia Carioca de Letras, em 2014, e teve diversos de seus textos premiados em outros concursos e publicados em antologias.

Sobre o livro
“Eu algum na multidão de motocicletas verdes agonizantes” é uma coletânea livre de contos em que o eu narrativo se revela, em geral, o personagem principal. Esse narrador-ator conduz a leitura, com sua fala corrosivamente poética e mordaz, por périplos e situações fictícias que beiram uma super-realidade ou, em algumas tramas, mesmo a banalidade do real. O que acontece se conforma em pano de fundo, um meio-margem para a configuração/atuação de um(a) sujeito(a) não obediente, descaricato(a), protuberante nos seus contornos pouco definidos. Mas que ri – mais do que chora. A vida, trajada de farsa, nesses contos, está para jogo depois que não interessa mais salvá-la, tampouco muni-la dos objetivos tangíveis e concretos do dito mundo produtivo, ora rebaixado à coisa pouca que os personagens usam somente como roupas gastas de vestir seus destinos – e desatinos.

Sobre o autor
Zeh Gustavo é músico e escritor. Canta no grupo de samba Terreiro de Breque e no bloco de carnaval Cordão do Prata Preta. Na literatura, publicou, entre outros títulos, os livros de poesia “Pedagogia do suprimido” (Verve, 2013; Autografia, 2015), “A perspectiva do quase” (Arte Paubrasil, 2008) e Idade do zero (Escrituras, 2005). Participou ainda de antologias como “O meu lugar” (Mórula, 2015), “Rio de Janeiro: alguns de seus gênios e muitos delírios” (Autografia, 2015) e “Porremas” (Mórula, 2018). É um dos organizadores do FIM (Fim de Semana do Livro no Porto).