Autor: Gilberto da Silva

Escrevo, às vezes com raiva, às vezes com medo, tudo que posso: notícias, histórias inventadas, poesias, resenhas, artigos em geral. Assim vou tocando em frente...

A Sociedade do Espetáculo: Debord, 50 Anos Depois

Em 2017, a principal obra de Guy Debord, A sociedade do espetáculo (SE), completou 50 anos de sua estreia no mercado editorial. A influência dos escritos debordianos, apresentados nessa primeira edição de 1967, já pôde ser percebida no ano seguinte, durante o Maio de 68. Desde então, as 221 teses, organizadas em nove capítulos, vêm servindo de base para o debate sobre a sociedade capitalista em seu ápice, a sociedade do espetáculo. Mas será que uma reflexão de cinco décadas ainda é válida para pensar a contemporaneidade? Na opinião dos autores envolvidos na obra coletiva A sociedade do espetáculo: Debord, 50 anos depois, ainda há muito para se discutir sobre a SE. Com um texto fugidio e cheio de conexões, Debord impõe uma leitura cuidadosa para que suas referências, não expressas de forma clara, possam ser apreendidas. O presente livro caracteriza-se como um esforço interpretativo e coletivo que, longe de se apresentar como definitivo, propõe-se aprofundado o suficiente para atestar a atualidade de um pensador que sempre figurou, a despeito de sua própria vontade, como vanguardista.

Pague com PagSeguro - é rápido, grátis e seguro!

No momento temos 5 exemplares

Leia a Carta da Terra para os futuros prefeitos

CARTA DA TERRA PARA OS FUTUROS PREFEITOS 2020 * {margin:0; padding:0; text-indent:0; } h1 { color: black; font-family:Calibri, sans-serif; font-style: normal; font-weight: bold; text-decoration: none; font-size: 16pt; } p { color: black; font-family:Calibri, sans-serif; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; font-size: 11pt; margin:0pt; } h2 { color: black; font-family:Calibri, sans-serif; font-style: normal; font-weight: bold; text-decoration: none; font-size: 11pt; } .a { color: #00F; font-family:Calibri, sans-serif; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: underline; font-size: 11pt; } li {display: block; } #l1 {padding-left: 0pt;counter-reset: c1 1; } #l1> li>*:first-child:before {counter-increment: c1; content: counter(c1, decimal)”. “; color: black; font-family:Calibri, sans-serif; font-style: normal; font-weight: bold; text-decoration: none; font-size: 11pt; } #l1> li:first-child>*:first-child:before {counter-increment: c1 0; } #l2 {padding-left: 0pt; } #l2> li>*:first-child:before {content: “ “; color: black; font-family:Wingdings; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; font-size: 11pt; } #l3 {padding-left: 0pt; } #l3> li>*:first-child:before {content: “ “; color: black; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; } #l4 {padding-left: 0pt; } #l4> li>*:first-child:before {content: “ “; color: black; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; } li {display: block; } #l5 {padding-left: 0pt; } #l5> li>*:first-child:before {content: “ “; color: black; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; } #l6 {padding-left: 0pt; } #l6> li>*:first-child:before {content: “ “; color: black; font-family:Wingdings; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; font-size: 12pt; }


image


CARTA DA TERRA PARA OS FUTUROS PREFEITOS



Diagrama

Descrição gerada automaticamente


A Carta da Terra é um movimento internacional, com uma história de 20 anos, e pode contribuir para o êxito do seu mandato e para uma benéfica administração local, que traga melhorias efetivas para o município.

Segundo a Constituição Brasileira de 1988, o município é o ente federativo responsável pela sua própria organização, administração e arrecadação, cabendo ao prefeito a administração dos serviços públicos municipais, o cuidado de sua população, zelando para que esses serviços sejam acessíveis de forma equânime e com qualidade.


image

A Carta da Terra é uma orientação segura de que políticos e governantes podem se valer para melhorar a vida da sua população, articulando quatro eixos: respeito e cuidado com a comunidade da vida; integridade ecológica; justiça social e econômica; democracia, não-violência e paz.


Veja como Prefeito você pode utilizar a orientação da Carta da Terra para realizar um mandato que colha resultados efetivos para a população e realize seu propósito


image

  1. Respeito e Cuidado com a Comunidade da Vida


    image

    Esse primeiro eixo é geral, trata dos compromissos com a vida, reconhecendo que todos os seres são interligados e cada forma de vida tem valor, independentemente do uso humano e afirmando a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual das pessoas. É um compromisso filosófico e também prático, que vai se refletir num conjunto de ações que expressam responsabilidade com a promoção do bem comum.


  2. Integridade ecológica


    Um Prefeito, junto com a Câmara, outros poderes e, sobretudo, com a população do seu município pode fazer muito para proteger e restaurar os sistemas ecológicos do território do município, a biodiversidade e os processos naturais que sustentam a vida, como:


    Imagem digital fictícia de personagem de desenho animado

Descrição gerada automaticamente

    • Utilizar na arborização urbana apenas espécies nativas, plantando nas ruas, praças e parques e incentivar a população a participar desse processo, pois onde tem árvore tem saúde, tem água.

    • Proteger e ampliar espaços de florestas, bosques, reservas e parques, bem como criar mais espaços verdes e parques lineares ao longo dos rios para manter a biodiversidade, as plantas e animais que existem no território do município, porque eles

      fazem parte do sistema que sustenta a vida.


      image

      • Cuidar, especialmente, da proteção de espécies e ecossistemas em risco, o que inclui projetos que previnam a caça e a pesca predatórias e do esclarecimento da população sobre costumes locais que podem prejudicar a vida das espécies.

      • Orientar e fiscalizar o manejo do uso da água, do solo, de produtos florestais e da vida aquática no território do município, bem como articular com os municípios do entorno, modos de proteger a sanidade dos ecossistemas.

      • Fiscalizar a extração e uso de recursos não renováveis como minerais e combustíveis fósseis e atuar em parceria com outros poderes, de forma a prevenir danos ambientais.

      • Cuidar com especial cuidado da limpeza urbana, eliminando lixões, orientando a população, instituindo ou aprimorando a coleta seletiva, promovendo a compostagem de resíduos orgânicos

      • Fiscalizar e não permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas no âmbito do município.

      • Promover na própria administração municipal o exemplo de redução, reutilização e reciclagem de materiais utilizados, bem como o uso eficiente de energia.

      • Cuidar da frota de veículos e controlar a emissão de gases de efeito estufa, visando reduzir a poluição do ar e proteger a saúde da população

      • Utilizar água de reuso na limpeza urbana e incentivar o cuidado com a água no município

      • Estimular o uso de energias renováveis, solar e eólica, promovendo incentivos para empresas e munícipes.

      • Apoiar a cooperação científica e técnica relacionada à sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.

      • Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, estejam disponíveis ao domínio público.

      • Observar se as decisões tomadas se orientam pelas consequências humanas globais, cumulativas, de longo termo, indiretas e de longa distância.


  3. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA


    Um Prefeito, junto com a Câmara, outros poderes e, sobretudo, e parceria com a população do seu município pode fazer muito pela justiça social e econômica no âmbito do município, ainda que tenha dependência de recursos de outras esferas de governo, como:


    image

    Imagem digital fictícia de personagem de desenho animado

Descrição gerada automaticamente

    • Contribuir para erradicar a pobreza extrema no município, identificando as famílias nessa situação e inserindo-as em programas sociais emancipatórios.

    • Garantir o direito a água potável em todos os distritos do município

    • Inserir famílias sem teto em programas de habitação popular ou locação social

    • Agir no sentido de ampliar as condições de saneamento de modo articulado com outras esferas de governo.

    • Garantir acesso a educação básica para todos no município.

    • Oferecer oportunidades de desenvolvimento para as diferentes faixas etárias da população.

    • Garantir acesso equânime a saúde básica, vacinação e, em articulação com outras esferas de governo, o acesso a assistência médico hospitalar e outros níveis de complexidade

    • Articular com outras esferas de governo, empresariado local, organizações não-governamentais e outros atores sociais a ampliação das oportunidades de trabalho remunerado para os cidadãos do município

    • Realizar a fiscalização dos estabelecimentos e ambientes de trabalho, no que couber a esfera municipal, de modo a garantir boas condições para o trabalhador e a prevenir eventuais danos aos consumidores e ao meio ambiente

    • Dar o exemplo e promover, em todos os serviços municipais, o respeito à igualdade e a equidade de gênero, a participação ativa das mulheres e o respeito a todas as pessoas, sem preconceito ou discriminação de cor, gênero, idade, orientação sexual, religião, idioma, origem nacional, étnica ou social.

    • Respeitar e promover o respeito povos indígenas, quilombolas e populações tradicionais que habitem o território do município e garantir o acesso dessas populações aos serviços públicos municipais.

    • Prover oportunidades de desenvolvimento aos jovens e contribuir para que se habilitem para cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.

    • Proteger e restaurar lugares notáveis, de significado cultural e espiritual.


      image

  4. DEMOCRACIA, NÃO-VIOLÊNCIA E PAZ


Um Prefeito, junto com a Câmara, outros poderes e, sobretudo, e parceria com a população do seu município pode fazer muito pela DEMOCRACIA, NÃO-VIOLÊNCIA E PAZ no âmbito do município, como:

  • Fortalecer e apoiar as instituições democráticas e a participação dos cidadãos nas decisões que afetam a sua vida e o local onde habitam.

  • Governar de modo transparente e prestar contas no exercício do governo das decisões e políticas municipais bem como propiciar seu acompanhamento.

  • Comunicar, de modo simples e claro, as decisões municipais e seus resultados.

  • Instituir canais e valorizar iniciativas de participação da população nas políticas e decisões municipais

    image

    • Dar exemplo na gestão municipal e defender o direito de todas as pessoas de receber informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que podem afetá-las ou nos quais tivessem interesse.

    • Apoiar sociedades, conselhos e movimentos locais e regionais e garantir sua voz na tomada de decisões de assuntos municipais.

    • Proteger, no que lhe couber, os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de assembleia pacífica, de associação e de oposição ou discordância.

  • Eliminar a corrupção em todas as áreas e serviços públicos sob sua gestão

  • Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus próprios ambientes e designar responsabilidades ambientais a nível governamental onde possam ser cumpridas mais efetivamente.

  • Integrar na educação formal e aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável.

  • Contribuir, no âmbito do município e junto aos meios de comunicação, a informação e a conscientização da população para os desafios sociais e ecológicos


    image

  • Promover no município o respeito e a consideração com todos os seres vivos e coibir crueldades aos animais domésticos e selvagens

  • Esclarecer a população e promover a proteção de animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento externo, prolongado o evitável.

  • Capacitar os serviços e os servidores públicos para agir na proteção às pessoas, prevenir violências, inclusive a doméstica e para o encaminhamento do atendimento pronto e respeitoso a todos.

  • Contribuir, no município, com a resolução pacífica de conflitos ambientais e outras disputas, instituindo casas de mediação, com servidores preparados e acesso a população.

  • Promover, no município, uma cultura de respeito a todos, de não violência e paz.


Leia a Carta da Terra na integra e descubra outras maneiras de fazer uma excelente administração.


Lembre-se que o seu êxito será maior se articular políticas e ações nos quatro eixos propostos pela Carta da Terra, pois a realidade não é simples e as mudanças requerem esforços articulados na área ecológica e social, com democracia e paz.

Em PDF clique aqui

A Carta da Terra para os futuros prefeitos

Café da Manhã – Bate papo com Rose Marie Inojosa

Neste domingo, 18/10, as 10h30 vamos conversar com pesquisadora e pedagoga Rose Marie Inojosa sobre a Carta da Terra para os futuros prefeitos. Rose Marie Inojosa é conselheira da Aliança pela Infância; consultora em planejamento e gestão; participou da implantação da UMAPAZ – Universidade aberta do Meio Ambiente e Cultura de Paz uma unidade da Prefeitura de São Paulo, Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, cujo objetivo é contribuir para a formação de cidadãos em sustentabilidade, com uma perspectiva transdisciplinar. É mestre em Comunicação e doutora em Saúde Pública.

Dia Mundial do Migrante e do Refugiado 2020

Confira como foi o Café da Manhã do Domingo, 27/09, às 10h30, na Vitrine do Giba. Uma oportunidade para conhecermos mais um pouco da belíssima campanha “Em fuga” que as Irmãs Missionárias Scalabrinianas estão realizando por ocasião do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado 2020 proposto pelo Pontifício Conselho para os Migrantes e Itinerantes, do Vaticano, com o propósito de chamar a atenção para as causas e as consequências dos deslocamentos internos.
Nilo Ribeiro Junior possui doutorado em Filosofia pela Universidade Católica Portuguesa, Braga, Portugal (2014); Pós-Doutorado em Filosofia pela Universidade Católica Portuguesa, Braga, Portugal (2010). Professor do Quadro do Departamento de Filosofia da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia. Professor do Quadro do PPG de Mestrado em Filosofia e Teologia da FAJE. Atua na área da Ética e Filosofia contemporânea principalmente nos seguintes temas: fenomenologia, alteridade, ética, responsabilidade, corporeidade em Emmanuel Lévinas, Merleau-Ponty, Michel Henry, Jean-Luc Nancy, Gabriel Marcel, Jean-Luc Marion. Atual coordenador do GT-Lévinas pela ANPOF – Associação Nacional dos Programas de Pósgraduação de Filosofia. Presidente do CEBEL: Centro Brasileiro de Estudos Levinasianos; Dirigente do Grupo de Pesquisa: Levinas e Alteridades e Líder do Grupo de Pesquisa: Fenomenologia e geneaologia do corpo.
Leda Aparecida dos Reis é formada em Pedagogia com especialização em Administração. É professora de ensino religioso; coordenadora pedagógica; comunicadora do Programa Com a Mãe Aparecida Radio Aparecida. Secretaria Executiva da Fundacion de Atención al Migrante – Bogotá e Coordinacion Nacional Niñez y Juventudes- Misión Scakabrinians – Ecuador. É diretora executiva da Misión Scalabriniana – Ecyador.

A Saúde Mental em questão

saúdemental #setembroamarelo #cabeçadobrasileiro O Café da Manhã do dia 20/09, Domingo, 19h30 terá como tema: É possível ser “normal” na realidade contemporanêa? A Saúde Mental em questão.

Com a presença de Nancy Nuyen, psicanalista filiada ao Instituto Latino Americano de Psicanálise Contemporânea, jornalista aposentada, phd em Comunicação Social, pesquisadora e doutora pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Drausio Vicente Camarnado Junior, Psicólogo; Mestre em Psicologia Social e Doutor em Ciências; Psicólogo do Sistema Único de Saúde – SUS – e professor universitário. Maria Aparecida Francisquini é formada pela Faculdade Dom Bosco (atual FUNREI). Trabalhou por 12 anos em Hospital Psiquiátrico. Implantou o primeiro CAPS em Lavras, Minas Gerais. Trabalhou durante 32 anos em serviço público CRAS, Posto de Saúde, PSF. Tem 37 anos de atendimento clínico em consultório.

Café da Manhã com Thais Godinho – Vida Organizada

O café da manhã da Vitrine do Giba no Domingo, 13/09, as 10h30 é com a mestre em comunicação, blogueira, publicitária e escritora dos livros Vida Organizada e Trabalho Organizado, Thais Godinho. Thais Godinho é Mestre em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero. Participa dos Grupos de Pesquisa de Teorias e Processos da Comunicação e Comunicação e Política na Sociedade do Espetáculo. Formada em Publicidade & Propaganda, com especialização em Gestão da Comunicação em Mídias Digitais. Dedica-se ao estudo de temas relacionados à comunicação, midiatização, cultura do trabalho, tecnologia, empreendedorismo e produtividade. #vidaorganizada #thaisgodinho #entrevistas #vitrinedogiba

Giro da Vitrine #girodavitrine06

Confira como foi o programa desta quinta, 10/09, a partir das 10h30 Tivemos a presença especial da Doutora e Professora de Jornalismo da Universidade de Sorocaba (UNISO) Mara Rovida que falou do seu livro: Jornalismo das Periferias – o diálogo social solidário nas bordas urbanas e mais: Fotografias da semana e debate com Cuca Jorge; #tbtdasemana; #agendadasemana; Cultura POP com Homero Massuto falando sobre a plataforma de vídeos de ficção científica #DUST; #Futebol com Yasmin Dias; Direito Imobiliário com o Dr. Daniel Ramos; Culinária; Artesanato com o depoimento da nossa artista Jaqueline Novaes sobre o tema do mês sobre prevenção ao suicídio e o quadro com a psicóloga Denise Santos -Saúde Mental, nesse programa focado na questão do #suicidio.

Eu grito ébano /O couro que me cobre a carne”/ Questões da negritude

“Eu grito ébano /O couro que me cobre a carne… Questões da negritude “Live do dia 30/08, as 10h30 minutos é para discutir a questão do racismo. Homens e mulheres negras para bater um papo sobre o assunto, no espírito do programa aos domingos: #racismo, #negritude, #desigualdades, valorização, construção de identidade etc..

Presenças de : Charles Borges, Coordenador da Casa de Cultura Chico Science, no Ipiranga, São Paulo. Cleuder de Paula, Coordenador de projetos na Subprefeitura Ipiranga; Levi Pedro Souto, trabalhador da construção civil/gesseiro. Vila Velha – ES Dayse Rodrigues, pedagoga, Projeto Ubuntu Oficial. Recife – PE Fernanda Santos, professora de educação básica em Santa Maria – RS Moderador: Gilberto da Silva, sociólogo e jornalista.

O ensinamento de Agostinho ao homem contemporâneo

Para Todos os efeitos (para crítica e contra crítica) é importante conhecer a obra de Santo Agostinho, um célebre filósofo e teólogo da Igreja Católica. #santoagostinho #santoagostinhodehipona #bispodehipona

Com ele se aprende a introspecção interior e a busca de Deus através da razão e da fé. Mas Santo Agostinho, que a Igreja lembra hoje, também ensina a ler a história à luz da Providência. O novo Prior da Província agostiniana da Itália afirma: “Agostinho fala muito ao homem de hoje”. Carta do Prelado Geral a todos os Agostinianos

Tiziana Campisi – Vatican News

Os Padres da Igreja são justamente chamados os santos que, com a força da fé, a profundidade e a riqueza de seus ensinamentos, regeneraram e fizeram crescer a Igreja nos primeiros séculos”, assim escreveu João Paulo II na Carta Apostólica Patres Ecclesiae. E entre os Padres da Igreja está Santo Agostinho, Bispo de Hipona, que com seu ministério pastoral e suas obras contribuiu enormemente para o desenvolvimento da doutrina cristã.

Santo Agostinho pastor

Se com sua experiência de vida o prelado africano nos ensina a percorrer o caminho da interioridade para encontrar Deus e compreender Sua Palavra com fé e razão, através de seus escritos responde também às grandes perguntas do homem sobre a existência, sobre o bem e o mal, sobre a história. Há muitas homilias nas quais Agostinho aborda temas atuais, adverte seus fiéis sobre costumes pagãos, ajuda-os a ler a realidade à luz do Evangelho. Como pastor, durante 35 anos, ele conduziu sua diocese na ortodoxia cristã e, cabendo-lhe a episcopalis audientiae, deve resolver as disputas civis que os cidadãos de Hipona lhe submetem como árbitro de disputas, o que o aproximou ainda mais de seu povo. Tudo isso o levou a lidar com problemas concretos e a lidar com heresias e questões teológicas, enquanto seus sermões apaixonavam tanto os fiéis que ficavam horas ouvindo-o falar.

Entre 413 e 426, quando já tinha idade madura, Agostinho escreveu A Cidade de Deus, oferecendo uma leitura da história através das lentes da fé católica. Nos 22 livros que a compõem, o mundo é descrito como o fruto da “cidade terrestre”, marcada pelo pecado e amor próprio do homem, e da “cidade celeste”, o lugar da Graça e do amor de Deus. Mas, para o bispo de Hipona, em todas as civilizações há homens que pertencem a uma ou a outra. Além disso, vendo a Providência como um guia para toda a história, cada acontecimento e cada evento pessoal é iluminado por um significado. A Cidade de Deus de Agostinho é uma reflexão filosófica, teológica e política. Padre Giustino Casciano, Prior Provincial da Província Agostiniana da Itália, explica o que podemos recuperar nos dias de hoje desta obra:

Padre Casciano: “A Cidade de Deus” foi escrita por Agostinho quando Roma caiu nas mãos dos Godos. Este evento que marcou época abalou o povo, as consciências de então, e deu origem à acusação contra os cristãos de que eles eram a causa da ruína da cidade de Roma, da cidade eterna. Escrevendo “A Cidade de Deus”, Agostinho quer responder precisamente a estas acusações. E ele diz que não é por causa do cristianismo que Roma se tornou fraca e caiu nas mãos dos bárbaros, mas é por causa da corrupção moral, da corrupção dos costumes, que Roma perdeu seu esplendor e sua grandeza.   Tornou-se frágil por causa do homem, que seguiu mais paixões do que sua própria inteligência, o próprio destino eterno. Penso que é interessante refletir sobre a situação atual no mundo, sobre o fato de que estamos passando por esta crise da epidemia global que afetou todos os povos. A reflexão de Agostinho pode ser muito interessante para se ter uma visão da história do mundo, onde o cristianismo pode dar tanta luz, onde a fé cristã pode oferecer tantas saídas.

Como Agostinho se dirigiria ao mundo hoje?

Padre Casciano: Devo dizer que Agostino fala muito ao homem de hoje. O homem contemporâneo se sente muito próximo a ele; ele está a mais de 1600 anos de distância, mas sua linguagem, seu modo de ser e de se colocar, o tornam muito, muito atual. Acredito que Agostinho falaria, acima de tudo, em nível antropológico, falaria ao coração das pessoas, à sua necessidade de felicidade, de segurança. Creio que seria realmente interessante ouvi-lo falar ou escrever na sociedade de hoje. E é nossa tarefa, como agostinianos, torná-lo vivo e atual na nossa sociedade.

Como o senhor vê o futuro das comunidade agostinianas na Itália?

Padre Casciano: Certamente é um futuro com muitas dificuldades, devido sobretudo à falta de vocações, por isso a urgência mais importante é aproximar os jovens, caminhar junto com os jovens, anunciar Jesus às novas gerações e pedir com incessante oração o dom de ter novas e santas vocações para a vida consagrada e para o ministério ordenado. Não gostaríamos de fechar conventos, gostaríamos, com a ajuda de Deus, de abrir novas realidades; mas isto, é claro, só pode ser feito através de novas vocações, sem esquecer que caminhamos juntos com as famílias, junto com os leigos. Somos um só com os leigos e as famílias agostinianas que vivem em nossos contextos. As dificuldades da Igreja são nossas dificuldades.

Há uma frase, um pensamento, de Agostinho que, em sua opinião, pode ser um pouco o lema da província agostiniana italiana para os próximos anos?

Padre Casciano: Posso pensar em várias frases, é claro. Uma se trata da razão e da fé: “Creia para poder compreender e compreenda para poder crer”. Acredito que seja importante para nós unirmos cada vez mais todas as capacidades da ciência, tecnologia, inteligência humana, porém, uni-las à fé. Somente se formos capazes de ter estas duas asas, engenhosidade humana e fé em Deus, poderemos realmente voar. Se uma dessas duas asas estiver faltando, há o risco de ficarmos no chão e não sermos capazes de nos levantar. Também gosto muito da frase sobre a Graça de Deus. Unir a liberdade humana e a Graça de Deus, portanto fazer tudo o que for possível com suas forças, mas acima de tudo confiar-se à Graça de Deus com a oração. Creio que Agostinho seja capaz de sempre unir sempre estas realidades entre si; ele é o médico da Graça, mas é também o médico da liberdade.

A carta do Prior Geral da Ordem de Santo Agostinho

O Prior Geral da Ordem de Santo Agostinho, Padre Alejandro Moral, por ocasião da solenidade que todos os agostinianos celebram hoje, escreveu uma carta para convidar os religiosos a viverem com um só coração e uma só alma prostrados a Deus. “Vamos permanecer (…) fortemente unidos. Demos testemunho da comunhão entre nós e a Cabeça, que é Cristo – pode-se ler na carta – Ele nos ajudará a ler e interpretar a realidade e as necessidades de nossos irmãos. Unidos e em comunhão com Cristo, podemos confiar na segurança da superação das situações difíceis que teremos de viver”.

Unidos e orientados para o bem comum diante da pandemia

Recordando a emergência do coronavírus que todos os continentes estão vivendo, Padre Moral acrescenta: “A celebração da solenidade de nosso Padre Santo Agostinho também está envolvida na emergência sanitária que vivemos. Por esta razão, as Santas Missas e outras celebrações terão uma participação reduzida na maioria dos lugares, ou mesmo em outros não poderão sequer ser celebradas publicamente”. Por fim, o Prior Geral da Ordem de Santo Agostinho nos exorta a dirigir nossas mentes e nossos corações para o essencial do carisma agostiniano. “Busquemos o bem comum, a comunhão com nossos irmãos”, conclui o Prior, “trabalhando em nossa interioridade e relacionamento com Deus, oferecendo um testemunho de fraternidade e solidariedade com as pessoas afetadas pelos problemas causados pela pandemia”.