Autor: Gilberto da Silva

Escrevo, às vezes com raiva, às vezes com medo, tudo que posso: notícias, histórias inventadas, poesias, resenhas, artigos em geral. Assim vou tocando em frente...

1 de outubro – Dia Nacional do Idoso

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Como transformar a nossa relação com a natureza?

Miguel Krigsner*

Falar em meio ambiente não é algo abstrato. Se traduz no ar puro que respiramos, na água que bebemos e na fauna e flora que nos cercam. Somos dependentes desses recursos para sobrevivermos e desenvolvermos nossas atividades cotidianas e, mesmo assim, temos dificuldade para reconhecer e valorizar nosso patrimônio natural. Quando começamos a falar sobre a temática, há quase 30 anos, parecia loucura. Porém, conservar a natureza é uma causa que vale a pena – e vai continuar valendo sempre. É uma mudança essencial no presente, que torna possível o nosso futuro.

O território brasileiro abriga a maior biodiversidade do planeta, distribuída em vários biomas que preenchem de beleza os nossos 8,5 milhões de km² de extensão. É um país rico, com zonas climáticas que geram variações ecológicas adaptáveis às mais diversas espécies de seres vivos. Abrigamos florestas, planícies inundáveis, savanas, regiões semi-áridas e tropicais, além de uma exuberante costa marinha.

Reunimos 20% do total de espécies da Terra e garantir a sobrevivência desses seres não pode ser uma questão restrita à ciência. Acreditamos que a união de pesquisadores, organizações, poder público, empresas e sociedade é a essência de um trabalho dedicado à proteção da vida. É assim que devemos atuar nas áreas da saúde e da educação. Na questão ambiental não deve ser diferente.

Quando criamos reservas naturais, contribuímos com a qualidade do ar, com a diversidade de espécies e com o desenvolvimento das comunidades locais. É uma iniciativa que pode partir do setor público ou privado, desde que haja o compromisso com a conservação. Quando reavaliamos o uso de recursos naturais ou a forma como os dejetos industriais são descartados, podemos poupar matas, córregos, rios e bosques para um desenvolvimento mais sustentável.

Ao propormos e executarmos políticas públicas voltadas à proteção e à restauração ambiental, temos ferramentas para exigir a preservação de áreas naturais e embasamento legal para punir quem não o fizer. Ao incentivarmos e financiarmos pesquisas científicas, ampliamos nosso conhecimento sobre a biodiversidade, além de identificarmos formas de reverter os impactos ambientais já gerados. Quando preservamos uma área dentro de um terreno privado, damos exemplo aos nossos familiares, vizinhos e à comunidade de que a preservação da natureza é uma questão que deve ser levada a sério.

Não devemos esquecer que a proteção ambiental também é uma forma de gerar riqueza. Trabalhar com a natureza abre portas para o ecoturismo e para a produção de serviços ecossistêmicos. Se preservarmos as áreas verdes próximas a um rio, podemos assegurar uma melhor qualidade e segurança hídrica, além de obtermos a retenção de água em períodos de estiagem.

Ao conservarmos mares e oceanos, garantimos a perenidade de recursos essenciais para a economia e que também aumentam a resiliência da costa. Prezar pela sobrevivência de insetos polinizadores assegura a produção de alimentos. Considerando que o desmatamento é o principal emissor de gases de efeito estufa, ao deixarmos de arrancar árvores, colaboramos com a redução dos impactos das mudanças climáticas e do aquecimento global.

A união de diversos parceiros – e principalmente de nós cidadãos – potencializa resultados consistentes. Quando somamos forças e vontade de acontecer, vamos além. Precisamos encontrar um equilíbrio que beneficie todos os setores – agricultura, pecuária, indústria, comércio, turismo, serviços – de forma sustentável, sem gerar prejuízos para as próximas gerações. Mas, sim, garantir um futuro.

* Miguel Krigsner é fundador e presidente do Conselho Curador da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

Dia do Rádio

No dia 25 de setembro, data do nascimento de Roquette-Pinto, considerado o “Pai do Rádio Brasileiro”, comemoramos o Dia do Rádio.

Repórter Esso

https://vitrinedogiba.com/2018/11/14/reporter-esso/

https://vitrinedogiba.com/2018/11/06/radionovela-uma-historia-no-ar/

Em entrevista inédita, Adorno conta detalhes da parceria com os Beatles

Entrevista inédita de Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno ao editor da Partes, Gilberto da Silva

Numa tarde cinzenta, em uma sala apertada do  Instituto para Pesquisa Social (Institut für Sozialforschung) na Senckenberganlage 26, 60325 Frankfurt am Main, Alemanha, conseguimos entrevistar o mestre do marxismo ocidental, Adorno. Na ocasião, ele falou sobre sua experiência em trabalhar como compositor das músicas do The Beatles, grupo que revolucionou o cenário musical nos anos 60, e que levou ao delírio milhares de jovens em todo o planeta.  A revolução musical quase se concretizou com a revolução social ocorrida durante as manifestações de 1968 em todo o mundo.

Esta entrevista foi realizada um pouco antes da morte do pensador alemão (6 de agosto de 1969), logo em seguida The Beatles se afastariam, e em 1970 terminaram definitivamente com o grupo. John Lennon continuou mantendo contato com os frankfurtianos principalmente com Marcuse.

Virginiano, assim como este simples operário das letras, o velho Teddie foi muito amável e respondeu todas as perguntas.

Pergunta: Qual motivo levou um pensador alemão em sua maturidade a compor para um grupo de jovens saído da periferia de Liverpool, na Inglaterra?
Resposta: As longas conversas com Alban Berg foram intuídoras e reveladoras da capacidade da música e de sua penetração social. Refleti que a juventude devia ser o foco das minhas análises dialéticas e que poderíamos dar um novo fôlego aos trabalhos desenvolvidos no p âmbito do Instituto para Pesquisa Social (Institut für Sozialforschung) –IPS.

Pergunta: Quanto efetivamente ouve este encontro, se é que ouve, entre o senhor e os jovens de Liverpool?
Resposta: Em 1960, quando da visita dos meninos em Hamburgo fui até lá. Lembro que foi no dia 17 de agosto. Bairro St. Pauli. Os meninos ainda eram desconhecidos e estavam ali no meio de prostitutas e marinheiros, em shows de strip tease. Foi uma atração inevitável.  Tomamos chá com torradas e com marmelada. Os meninos gostaram muito do local, tanto que o Sutcliffi apaixonou-se por uma bela alemã, a Alice Kircherr e depois acabou ficando com ela. Pena que ele morreu muito cedo.

Pergunta: Por que Lucy in the sky with Diamonds?
Resposta: A juventude tem que perceber que as questões do consumo e da superficialidade do capitalismo atrapalha o desenvolvimento da livre reflexão e contribui para a alienação.

Pergunta: Quais fatores ou condições contribuíram para a confecção de Imagine?
Resposta: Foi um movimento de retribuição ao pensamento de Ernst Bloch, principalmente às ideias preconizadas em O Principio Esperança, queríamos passar um pouco de utopia para a juventude de que é possível continuar sonhando, mesmo na prática da crítica negativa.

You may say I’m a dreamer
But I’m not the only one
I hope some day you’ll join us
And the world will live as one

(nota do entrevistador: Adorno cantarolou este trecho com um certo sorriso maroto)

Pergunta: Você chegou a ter alguma influência nos filmes dos The Beatles?
Resposta: Confesso que cinema não é muito a minha praia, portanto, relutei, mas fui vencido. Não queria que entrássemos de cara num produto tão forte da Indústria Cultural que é o gênero cinematográfico que demanda um uso muito grande de tecnologia superior a utilizada na indústria fonográfica. Corríamos um risco, dessa forma sugeri, por exemplo, que Yellow Submarine fosse uma animação, na perspectiva de causar um distanciamento necessário.

Pergunta: Tem noticia se está tudo bem, em termos de relacionamento, entre os Beatles?Resposta: Manter um grupo unido é muito difícil, pergunte isso para o jovem francês Guy Debord… Não dá para manter a unidade sempre.  Nós, no âmbito do IPS tivemos e temos muitos problemas de relacionamento.
É necessário que haja rompimentos, rupturas para seguirmos na resistência.

É sempre bom lembrar um trecho de Strawberry Fields Forever (Adorno canta em trecho da canção):

No one I think is in my tree
I mean, it must be high or low
That is, you can’t, you know, tune in
But it’s all right
That is, I think it’s not too bad

Pergunta: Qual a sua relação com George Martin?Resposta: Como sempre muito boa. Ele ouve minhas sugestões e acaba acatando muita coisa. O amor pela experimentação nos une.

Pergunta; E a Ioko Ono?Resposta: Eu nunca entre na vida privada de nenhum deles, cada um tem sua relação, só cuido de que no campo da produção musical eles estejam bem. A Ioko parece ser uma boa menina.

Pergunta: Quais são os seus parceiros favoritos em composição?
Resposta: Para cada produção há um parceiro ideal. Em Revolver optei por parceiros mais contundes questionadores.  Gostei da sinergia com Eric Hobsbawm
 para escrever Taxman que é uma critica contundente a taxação do imposto progressivo no reino Unido. Tomorrow Never Knows tem uma forte inspiração nos escritos e na biografia do Walter Benjamin. Revolver é um álbum que considero revolucionário. Mas reafirmo que é um exagero atribuir a minha pessoa a autoria de todas as composições dos The Beatles. Marcuse, Horkheimer, Pollock, Fromm, Löwental e até o menino Habermas contribuem, cada um à sua maneira, para as composições, inclusive os que já se foram, como Benjamin. Revolver, por exemplo, é dialética do ponto de vista do movimento de rotação e uma homenagem ao conceito de história de Benjamin, aquele movimento dialético de voltar ao passado e dele recolher as cinzas para construir o futuro.

Pergunta; E o álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967)?
Resposta: A capa de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967) foi um trabalho do jovem francês Debord inspirado em suas ideias de détournement dos situacionistas. É um álbum que prima pelo trabalho coletivo. Ali tem umas pitadas psicodélicas do Horkheimer. É um álbum que resolvemos realizar algo mais experimentalista.

Pergunta; Quem hoje representa mais o seu pensamento musical?
Resposta: Difícil eleger. Há muito preconceito ao movimento do marxismo cultural que é muito criticado pelos fascistas. São seres patológicos, personalidades autoritárias.

Pergunta: Os seus amigos de Liverpool estão bem?
Resposta: Manter um grupo unido com a fama e o assédio da imprensa e de fãs é muito difícil. São personalidades diferentes, comportamentos diferentes, creio que sempre acontece desgaste nas relações. Não é nada fácil manter um nível de qualidade que demanda muita entrega e dedicação. Mas há muita esperança. O grupo pode continuar em pleno desenvolvimento artístico.

Pergunta: Qual é planejamento futuro? Pretende ainda continuar compondo para os meninos?
Resposta: Estou ficando velho demais para continuar este processo artístico. Não tenho o mesmo pique de dez anos atrás para tanta dedicação.

Pergunta: Alguma mensagem para os brasileiros.
Resposta: Amo muito o Brasil. Só peço que tenham mais cuidado ao eleger um filósofo de estimação, alguns são simplesmente astrólogos que preparam a fábrica de sonhos para idiotas aplaudirem…

Palestra no CEDEM aborda movimentos de libertação africanos – Notícias – Unesp – Centro de Documentação e Memória da UNESP – Reitoria

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— Ler em www.cedem.unesp.br/