Autor: Gilberto da Silva

Escrevo, às vezes com raiva, às vezes com medo, tudo que posso: notícias, histórias inventadas, poesias, resenhas, artigos em geral. Assim vou tocando em frente...

Falsa acusação: Uma história verdadeira

Vencedores do Pulitzer, jornalistas acompanham as investigações de caso de estupro em livro que vai virar série da Netflix.

Um livro eletrizante, importante e perturbador, Falsa acusação é baseado numa história real e num artigo vencedor do Prêmio Pulitzer de jornalismo investigativo. A partir dos arquivos da investigação policial e de entrevistas com os envolvidos, os jornalistas T. Christian Miller e Ken Armstrong apresentam uma história cheia de reviravoltas, dúvidas, estigmas, mentiras e, acima de tudo, um profundo desejo de justiça, fazendo também uma análise da maneira ultrajante como as mulheres são tratadas quando denunciam casos de violência sexual. Narrado em ritmo de thriller, Falsa acusação está sendo adaptado pela Netflix na série Unbelievable, prevista para estrear em 2019.

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Relatório Direitos Humanos no Brasil lança 19ª edição em SP

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A 19ª edição do livro Direitos Humanos no Brasil será lançada no dia 05 de dezembro, às 18h, no Sesc Bom Retiro, em São Paulo. São 32 artigos de 22 autoras e 19 autores que aprofundam análises e apresentam dados sobre diferentes áreas de atuação relacionadas aos direitos humanos.

A edição de 2018 analisa como está a aplicação da Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Constituição Federal, no marco de 70 anos da primeira e 30 da segunda. Terra, trabalho, justiça, saúde, educação e encarceramento são alguns dos grandes temas abordados nesta publicação, sob a ótica dos Direitos Humanos. O livro traz também artigos relacionados aos povos indígenas, quilombolas, mulheres e mulheres negras, populações encarceradas e LGBTI, jovens e imigrantes. 

Direitos Humanos no Brasil é publicado anualmente pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos desde 2000, em parceria com dezenas de organizações sociais de vários setores e regiões do Brasil. 

Na cerimônia serão homenageados Marielle Franco e Pe. José Amaro Lopes de Souza, por suas trajetórias de luta na defesa dos direitos humanos e por representarem símbolos de resistência. A programação do lançamento inclui apresentação cultural de “As Despejadas”.

Lançamento do livro Direitos Humanos no Brasil 2016
Quando: 05 de dezembro de 2018 às 18h 

Local: SESC Bom Retiro – Alameda Nothmann, 185 – Bom Retiro

Entrada franca

Dias de Resistência

Dias de Resistência

Título Original: Chosen

País: Reino Unido

Sinopse: Depois que a guerra e a doença lhe tiraram tudo, resta a Sonson cumprir a promessa de proteger sua família. Para isso, ele terá que resgatar uma jovem capturada pelos nazistas e o plano é ousado!

Direção: Jasmin Dizdar

Estrelando: Harvey Keitel , Luke Mably , Ana Ularu , Tomasz Aleksander , Freddie Fuller , Sam Churchill , Luke Jerdy , Julian Shatkin

Seminário propõe reflexão sobre Proteção Ambiental e Tombamento

Com o tema “Prática e Reflexões: Proteção Ambiental no Município de São Paulo e Tombamento”, a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) realiza, no dia 30 de novembro (sexta), um seminário destinado a discutir tanto a proteção ambiental, quanto o tombamento, temas de grande relevância na cidade de São Paulo. O evento será realizado no campus Vergueiro da Uninove, das 9h às 18h, reunindo especialistas nas matérias. A iniciativa é capitaneada pelos Departamentos de Planejamento Ambiental (DEPLAN) e de Parques e Áreas Verdes (DEPAVE) da SVMA.

O assunto, embora de grande relevância, é conhecido por sua rigidez, pois esbarra não só em questões administrativas ou burocráticas, como também é visto como obstáculo ao desenvolvimento das atividades econômicas. Assim, o desafio que se coloca no âmbito das políticas públicas é: como proteger o patrimônio cultural e natural para as futuras gerações diante dos interesses dos agentes intervenientes no espaço urbano?
O objetivo é discutir amplamente a proteção ambiental e o tombamento, refletindo principalmente sobre como adequar as práticas do poder público e as remodelar, para construir novas perspectivas de proteção do patrimônio cultural e natural no território do Município de São Paulo. Os organizadores propõem um diálogo cuja linguagem articulada, envolvendo as três esferas de governo, possa rever o quadro. O mesmo engajamento motivou a realização do seminário, a fim de contribuir com a nova estrutura de governança urbana do século XXI. As inscrições podem ser feitas neste link.

Grandes nomes
O evento terá início com palestra inaugural realizada pelo geógrafo Danilo Celso Pereira, com o tema Patrimônio Natural: da construção à incompreensão do tema. A mesa 1 da manhã será voltada para o assunto Preservação e Conservação da Cobertura Vegetal no território do Município de São Paulo, com mediação do Prof. Dr. Marcos Silveira Buckeridge, pesquisador do Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP). Serão debatedores Priscilla Martins Cerqueira (SVMA-DEPAVE), Ricardo José Francischetti Garcia (SVMA-Herbário), Sueli Furlan (FFLCH-USP) e Paulo Cesar Garcez Marins (Museu Paulista e PPGFAU-USP).

Na parte da tarde, o tema da mesa 2 Parques Públicos Municipais Tombados e os Espaços de Preservação, tendo como mediador o arquiteto Matheus de Vasconcelos Casimiro (FAU-Mackenzie). Debatem com ele a prof. Dra. Anna Beatriz Ayroza Galvão (Escola da Cidade e FAU-UFBA), a arquiteta Carolina Dal Bem Padua (Superintendência do IPHAN-SP), a arquiteta Érica H. Borges Fioretti (Secretaria de Estado da Cultura – UPPH) e o arquiteto Walter Pires (SMC-DPH). A mesa 3, mediada por Matheus de Vasconcelos Casimiro, dará foco no tema Patrimônio Cultural e Natural: Novas Perspectivas para Proteção e Atuação, tendo como debatedores Valter Caldana (LPP e FAU-Mackenzie), Silvia Helena Zanirato (EACH-USP), e representante do Ministério Público.

Programação
8h30 – Credenciamento 
9h – Abertura com representantes da SVMA e SMC
9h30 – Palestra Inaugural com o geógrafo Danilo Celso Pereira: “Patrimônio Natural: da construção à incompreensão do tema”
10h às 10h15 – Intervalo
10h15 – MESA 1 
Tema central: Preservação e Conservação da Cobertura Vegetal no território do Município de São Paulo
Mediador: Professor e Pesquisador do Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da USP (Prof. Dr. Marcos Silveira Buckeridge) 
Debatedor 1: Gestão do Patrimônio Ambiental “Arbóreo” no Município de São Paulo – Eng.ª Agrônoma Priscilla Martins Cerqueira (SVMA-DEPAVE) 
Debatedor 2: Remanescentes da Mata Atlântica – Biol. Ricardo José Francischetti Garcia (SVMA-DEPAVE) 
Debatedor 3: Patrimônio Natural, Biodiversidade e Proteção da Paisagem – Prof. Dra. Sueli Furlan (Departamento de Geografia da FFLCH-USP) 
Debatedor 4: Preservar a Historicidade da Arborização Paulistana – Prof. Dr. Paulo Cesar Garcez Marins (Museu Paulista e PPGFAU-USP) 
11h15 às 12h – Debate 
12h às 13h30 – Intervalo para almoço

13h30 às 14h30 – MESA 2 
Tema central: Parques Públicos Municipais Tombados e os Espaços de Preservação
Mediador: Arq. Matheus de Vasconcelos Casimiro (Mestre pela FAU-Mackenzie) 
Debatedor 1: IPHAN: Áreas Verdes Tombadas no Município de São Paulo – Arq. Carolina Dal Ben Padua (Superintendência do IPHAN-SP)
Debatedor 2: Parques e bairros jardins (Pacaembu) tombados pelo CONDEPHAAT / Áreas Envoltórias e Preservação da Vegetação – Arq. Érica H. Borges Fioretti (SEC-UPPH);
Debatedor 3: Tombamento de Parques e Áreas Naturais: a ação do DPH e do CONPRESP em São Paulo – Arq. Walter Pires (SMC-DPH);
Debatedor 4: Escritórios Públicos de Gestão Compartilhada: experiência de preservação em Salvador e São Paulo – Prof. Dra. Anna Beatriz Ayrosa Galvão (Escola da Cidade e FAU-UFBA)
14h30 às 15h30 – Debate 
15h30 às 16h – Coffee Break

16h às 16h45 – MESA 3
Tema central: Patrimônio Cultural e Natural: Novas Perspectivas para Proteção e Atuação 
Mediador – Arq. Matheus de Vasconcelos Casimiro 
Debatedor 1: Os Instrumentos de Proteção Legal e suas contribuições – Representante do Ministério Público de São Paulo
Debatedor 2: Ativismo Social e o Patrimônio Cultural e Natural – Prof. Dra. Silvia Helena Zanirato (EACH-USP)
Debatedor 3: Proteção Ambiental e Bens Tombados: Perspectivas Urbanísticas e Políticas Públicas – Prof. Dr. Valter Caldana (LPP e FAU-Mackenzie)
16h45 às 17h15 – Debate 
17h15 – Encaminhamentos finais 
17h45 – Encerramento

SERVIÇO
Seminário Prática e Reflexões: Proteção Ambiental no Município de São Paulo e Tombamento
Data: 30/11/2018
Horário: das 8h30 às 18h
Local: Uninove – Campus Vergueiro – Rua Vergueiro, 235 – 1º andar – auditório
Inscriçõesaqui
 

Eça de Queiroz

Nascia em 25 de novembro de 1845, José Maria de Eça de Queirós, em Póvoa do Varzim, cidade localizada no norte de Portugal.

Era filho do brasileiro José Maria Teixeira de Queiroz e da portuguesa Carolina Augusta Pereira de Eça.

Principais obras de Eça de Queiroz

– A Cidade e as Serras

– A Ilustre Casa de Ramires

– A Relíquia

– A Tragédia da Rua das Flores

– As Farpas

– Contos e Prosas Bárbaras

– O Crime do Padre Amaro

– O Mandarim (conto)

– O Mistério da Estrada de Sintra

– O Primo Basílio

– Os Maias

– Uma Campanha Alegre

– Últimas páginas

Debord no Enem

O pensador Guy Debord foi tema do Enem (questão 85). O que evidencia a contemporaneidade do pensamentos do autor francês. Quem quiser saber mais deve ler A Sociedade do Espetáculo ( á venda nas livrarias e sites) e também se aprofundar mais com Debord, 50 anos depois

Socorro: é pra lá que eu vou…

Verão na cidade de Socorro (SP) conta com atividades para toda a família

 Destino reúne turismo de aventura, ecológico, rural e histórico

Hotel fazenda ecológico na cidade de Socorro

 Não faltam opções de atividades ao ar livre para aproveitar o verão na estância turística de Socorro, localizada a 110 km de Campinas e 132 km de São Paulo, na Serra da Mantiqueira. Mesmo sendo conhecida como a “Cidade da Aventura”, turistas de todas as idades e de todos os estilos – não só os fãs de adrenalina – têm entretenimento garantido pela região.

 Os mais aventureiros podem optar por praticar rafting no Rio do Peixe, boia cross, stand up paddle,canoagem, rapel, escaladas, arvorismo, mountain bike e down hill, fazertrekking em trilhas, grutas e cachoeiras, andar a cavalo em paisagens espetaculares, descer em tirolesas, realizar passeios ecológicos de bote,caving na Caverna do Quebra Corpo e visitar a Gruta do Anjo. Crianças e adultos ainda podem explorar a natureza de Socorro em passeios de pedalinho, triciclo,charrete e bicicleta. É também na cidade que fica localizada uma das mais longas tirolesas do Brasil, com um quilômetro de extensão, cortando os estados de São Paulo e Minas Gerais.

 Já para diversão em família,pode-se optar por passar um dia no Centro de Lazer Pitauá, que além de possuir playground infantil, oferece passeios a cavalo e pescaria esportiva, em um espaço rodeado por mais de 19 hectares de natureza. O restaurante do local, que conta com um menu que preserva as raízes do interior, com pratos típicos da região socorrense, completa a experiência.

 A melhor opção para quem deseja conhecer diferentes pontos turísticos da cidade em um só dia é escolher um dos roteiros da empresa de turismo receptivo Reis Turismo. Todos os passeio ssão realizados em um Caminhão Safari, que oferece conforto e segurança para todos os passageiros. São experiências históricas, rurais, culturais e ecológicas. Dentre os passeios estão um city tour com paradas na antiga estação ferroviária, em casarões do fim do século XVIII e na Igreja Matriz, uma degustação de queijos, pães caseiros e doces, com opção de andar a cavalo,visitação à cachaçaria orgânica Alambique, onde é explicado o processo de produção da cachaça, com degustação de produtos, ida ao Mirante do Cristo, com vista panorâmica espetacular de Socorro, e um dia em uma fazenda para conhecer sobre o processo de cultivo do café e provar um verdadeiro café da tarde caipira.

Mais informações sobre a cidade podem ser obtidas em www.socorro.tur.br.

Sobre médicos cubanos

A qualidade do médico que se forma em Cuba é inquestionável

Desqualificar o pessoal de saúde cubano faz parte da campanha do presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, para fazer implodir o programa Mais Médicos; um argumento insólito pela sua falsidade

Autor: Yeilén Delgado Calvo | internet@granma.cu

novembro 22, 2018 08:11:18

Estudantes da escola cubana de Medicina. Photo: Internet

«As mulheres e homens que estudam Medicina em Cuba não o fazem, como é usual no resto do mundo, focalizados em curar doenças, mas sim em preservar a saúde da pessoa, a família, a comunidade e até do meio ambiente; e por isso onde quer que eles chegarem, ganham o respeito das pessoas, devido ao seu humanismo».

Assim foi enfatizado pelo doutor Jorge González Pérez, diretor nacional de Docência do Ministério da Saúde Pública (Minsap), durante a primeira emissão do programa especial Mais do que Médicos, da televisão cubana, transmitido na noite da quarta-feira, 21 de novembro.

O reconhecido especialista acrescentou que o impacto das missões médicas no exterior é devido, precisamente, a essa visão diferente do atendimento que tem como centro a prevenção e não ancorado no hospitalar; que permite descobrir problemas mais gerais dos locais, como, por exemplo, que seja a qualidade da água a que esteja afetando os habitantes.

González Pérez lembrou que essa perspectiva responde à concepção de Fidel sobre a Medicina; a mesma que garantiu a existência de uma rede de universidades acessíveis aos jovens de toda a geografia nacional, com o mesmo programa de ensino, iguais exames finais e rigor.

TRADIÇÃO DE QUASE TRÊS SÉCULOS

«Os estudantes aqui obtêm durante seis anos, além da preparação teórica, uma forte ligação prática», explicou nesse espaço televisivo, o doutor Luis Alberto Pichs García, reitor da Universidade das Ciências Médicas de Havana.

O trabalho em condições reais desde o início da carreira é para o doutor Pichs uma garantia, sobre a base de 290 anos de tradição de ensino médico. «Todo o Sistema Nacional de Saúde é um âmbito de formação. Somente na capital estão associados ao trabalho educativo 54 hospitais, 82 policlínicas, 17 centros de pesquisas e todas as unidades do atendimento primário; e há mais de 12.600 estudantes», comentou o reitor.

Disse também que o aumento da matrícula está relacionado com o desenvolvimento dos centros de estudo – não um só como existia ao triunfo da Revolução – mas ainda que todos tenham o direito e a oportunidade de optar por Medicina, solo 70% daqueles que aspira consegue ficar. Devem aprovar os exames de ingresso, e os territórios estabelecem sua demanda de recursos humanos. E depois requer de muito sacrifício manter-se. A maioria solicita a carreira como sua primeira e segunda opção.

Que se faz no mundo e não em Cuba, é uma pergunta que, referiu o doutor González Pérez, fazem frequentemente no Minsap, para garantir os altos padrões da saúde doméstica. De tal forma, nos últimos anos foram introduzidas 44 tecnologias que antes deviam ser utilizadas no exterior, como algumas associadas a padecimentos cardiovasculares ou ao procedimento de fecundação in vitro; e são convocados os melhores peritos internacionais para capacitar o pessoal quando resulta necessário.

Esse modo de agir, onde se combinam pesquisa e sacrifício, em um cenário de cruento bloqueio econômico, tal e como descreveu o perito, constitui outro dos pilares pelos que Cuba tem médicos do primeiro mundo vestidos de sensibilidade.

Bolsonaro, Mais Médicos e um déjà vu

Por mais de uma década, o Programa Parole, criado em 2006 por George W. Bush, incentivou o pessoal de saúde cubano que colabora em países terceiros a abandonar suas missões e emigrar para os Estados Unidos

Autor: Lisandra Fariñas Acosta | lisandra@granma.cu

novembro 21, 2018 08:11:57

O presidente cubano Díaz-Canel relembrou no Twitter os 20 anos da Escola Latino-americana de Medicina (ELAM); uma obra de amor que formou milhares de médicos; entre eles, brasileiros, a quem a Associação Médica os impede de passar no exame de revalidação do título e o acesso aos empregos.

O presidente cubano Díaz-Canel relembrou no Twitter os 20 anos da Escola Latino-americana de Medicina elam; uma obra de amor que formou milhares de médicos; entre eles, brasileiros, a quem a Associação Médica os impede de passar no exame de revalidação do título e no acesso aos empregos.

Ano de 2013. No Brasil, a presidenta Dilma Rousseff promoveu programas como o Mais Médicos, que previa a presença de médicos brasileiros e estrangeiros para atuar em áreas pobres e isoladas daquele país, iniciativa que incluiu milhares de profissionais de saúde cubanos. Na Venezuela, o então candidato anti-Chávez, Henrique Capriles, fazia flutuar seu discurso entre as ameaças a Havana, «pois não financiaria um modelo político», nem «doaria petróleo», e a oferta «desinteressada» de nacionalizar os milhares de médicos que estavam em solo bolivariano. Eu os convidaria, declarou Capriles, «para serem cidadãos de um país onde há democracia».

Se até agora você parece ter visto este script repetido em outros momentos, saiba que está certo. O que o presidente Jair Bolsonaro acaba de fazer dinamitando o Programa Mais Médicos, e com ele a garantia de acesso à saúde de qualidade para milhões de brasileiros, recorda, pelo menos, muitos outros ataques da direita regional à colaboração internacional cubana.

O presidente eleito do gigante sul-americano chama o governo cubano de «ditadura», enquanto não poupa louvores na defesa da ditadura militar brasileira entre 1964-1985, que ainda tem na memória do país não apenas desaparecimentos forçados e assassinatos, mas a repressão de qualquer tipo de oposição política. Maus presságios para o Brasil, se seu novo presidente não entender a dimensão exata do que é um regime ditatorial.

E o déjà vu ocorre quando afirma que «oferecerá asilo político aos milhares de médicos cubanos que não desejam retornar ao seu país».

Não surpreende que estimular a deserção dos médicos seja o pano de fundo de sua posição, num contexto em que a força de trabalho qualificada é o maior potencial da Ilha maior das Antilhas, e onde os médicos cubanos ou aqueles treinados em Cuba de outros os países promovem uma imagem positiva do país, enquanto desenvolvem formas de cooperação Sul-Sul.

Essa linha de sabotagem tem uma forte referência, além disso, no Programa de Parole para Profissionais Médicos Cubanos, um esquema migratório do Governo dos Estados Unidos que vigorou até 17 de janeiro do ano passado; quando, após um ano de negociações, e encorajado pelo início da normalização das relações diplomáticas entre Havana e Washington, foi assinado um acordo entre os dois países com o objetivo de garantir uma migração regular, segura e ordenada, que além do Parole, bania a política de pés secos-pés molhados. Esta foi uma das últimas ações tomadas pelo presidente Barack Obama.

Por mais de uma década, o programa Parole …, criado em 2006 por George W. Bush, estimulou o pessoal de saúde cubano que colaborou em terceiros países a abandonar suas missões e emigrar para os Estados Unidos, uma prática repreensível que afetava não somente Cuba, mas, portanto, os programas de saúde dos países onde eles estavam trabalhando.

A FÓRMULA DE BOLSONARO É, ENTÃO, VELHA E CONHECIDA

«A intenção era clara: prejudicar a cooperação de Cuba com outros países, reduzir a entrada de dinheiro na forma de pagamentos por esses programas e drenar os médicos e outros profissionais da área médica do país», diz o professor titular do Centro de Estudos Hemisféricos e dos Estados Unidos da Universidade de Havana, Ernesto Domínguez López, em seu artigo ‘Migração, fuga de cérebros e relações internacionais. O caso dos Estados Unidos e Cuba’.

Para o pesquisador, os anos de aplicação de ambas as políticas fizeram deles dois dos componentes mais importantes da política migratória dos Estados Unidos em relação a Cuba, mas vai além. «Quando localizamos este caso dentro do quadro muito mais amplo da política geral de imigração dos Estados Unidos, observamos que atrair estrangeiros instruídos para preencher as lacunas na força de trabalho dos EUA tem sido uma política tradicional, refletida na existência do visto H1B. Sob esse guarda-chuva, cientistas, engenheiros, médicos, foram trabalhar em instituições e empresas na América do Norte, ajudando a manter sua posição privilegiada em todo o mundo. Tornou-se um marco para a economia dos EUA e as universidades norte-americanas», explica o pesquisador no texto acima referido.

Domínguez López relata que existem estudos que mostram que os países mais ricos implementaram efetivamente políticas para absorver imigrantes qualificados, embora a pesquisa sobre o assunto ainda seja insuficiente. «A área que recebeu a atenção mais permanente é a drenagem de profissionais médicos de países pobres. Esta é uma questão particularmente sensível, devido às suas implicações éticas e práticas. De fato, a disponibilidade e a qualidade dos cuidados de saúde têm um grande impacto nos indicadores essenciais de saúde, que são considerados pelos estudiosos proeminentes como uma fonte fundamental de desigualdade entre os países».

«Em seu estado atual, a fuga de cérebros não pode ser completamente explicada a partir de uma análise global, que considera desigualdades estruturais, redes migratórias, políticas mundiais, especialmente as assimetrias na distribuição de poder, e mesmo a hegemonia da mídia ocidental e cultural. São indústrias que criam imagens, percepções e aspirações, distorcendo as interações sociais de diferentes tipos», diz Domínguez López.

Segundo o pesquisador, o argumento em favor dessa afirmação é baseado em uma ideia fundamental: a fuga de cérebros, como parte dos fluxos migratórios globais, é possível devido aos níveis de desigualdade entre e dentro dos países, como mostram vários estudos. Essas desigualdades não são acidentais, mas componentes estruturais da ordem mundial moderna, entendida como a hierarquia global de distribuição de poder, riqueza e desenvolvimento, que tem sido o resultado da evolução global, segundo enfatiza em seu artigo.

Sob essa lógica, qualquer tentativa de remover e enfraquecer um dos recursos mais valiosos do país: seus profissionais, não é fortuito nem acaso isolado.

Faz parte de um «claro sinal de harmonia com a política externa dos EUA», e isso não é afirmado por Cuba, mas sim pelos aplausos públicos que há poucos dias deu a subsecretária do Estado dos EUA para os Assuntos do Hemisfério Ocidental, Kimberly Breier, à posição do futuro governante brasileiro, diante do qual Cuba decidiu não continuar com a participação de médicos cubanos no programa Mais Médicos nesse país.

NO CONTEXTO

1. A Lei do Programa Mais Médicos é clara sobre como os títulos dos médicos são credenciados e o papel desempenhado pela Organização Pan-Americana da Saúde, o Ministério da Saúde Pública e as universidades cubanas de ciências médicas em sua acreditação. Os colaboradores cubanos tiveram que passar por exames prévios antes de viajar para o Brasil e exames periódicos durante sua estada, conduzidos pelo Ministério da Saúde do Brasil.

2. As ofertas de revalidação de títulos são enganosas, porque a Associação Médica se opõe a isso: no Brasil existem milhares de médicos graduados cujos cursos não foram revalidados. De cada cem médicos que fazem o exame, apenas oito são aprovados. Essa é a maneira de manter o mercado de saúde privado regulado para garantir sua enorme renda: menos médicos e mais dinheiro; daí a oposição desde o início ao Programa Mais Médicos.

3. Médicos cubanos prestam serviços em lugares para os quais médicos ou profissionais brasileiros e de outros países não querem ir. Eles assumem os perigos por causa de sua vocação para salvar vidas. Eles estão em lugares de maior risco, em comunidades de extrema pobreza, em favelas e bairros violentos onde até a polícia não pode entrar. Eles estão nos 34 distritos especiais indígenas e em 700 municípios que nunca conheceram um médico antes, ao longo da história do Brasil. Até hoje o povo e o governo os protegeram, mas essa proteção será retirada pelo novo governo