Comportamento

Aniquilar ou não o inimigo?

Tudo bem que meus maiores amigos estão numa boa praticando o UBUNTU, mas as lições de ontem e hoje nos remete a algo mais forte em política. Quando no poder, devemos ou não aniquilar o inimigo? Voltem para 2002…  Até MOISÉS não foi piedoso…

LEI 15  de O PODER de Robert Greene

ANIQUILE TOTALMENTE O INIMIGO

Todos os grandes líderes sabem que o inimigo perigoso deve ser esmagado totalmente. Se restar uma só brasa, por menor que seja, acabará se transformando em fogueira. Perde-se mais fazendo concessões do que pela total aniquilação: o inimigo se recuperará, e se vingará. Esmague-o, física e espiritualmente. A ideia é simples: Seus inimigos não gostam de você. O que eles mais querem é acabar com você. Se ao combatê-los você parar no meio do caminho, ou mesmo depois de percorrer três quartos do caminho, por misericórdia ou esperança de reconciliação, você só os tornará mais determinados, mais amargurados, e um dia eles se vingarão. Eles podem agir cordialmente por uns tempos, mas isso só porque você os derrotou. Eles não têm outra escolha a não ser aguardar. A solução: Não ter misericórdia. Esmagá-los totalmente, como eles o esmagariam. A única paz e segurança que você pode esperar dos seus inimigos é quando eles desaparecem. O princípio por trás de “esmagar o inimigo” é tão antigo quanto a Bíblia: o primeiro a colocá-lo em prática foi Moisés, que a aprendeu com o próprio Deus, que abriu o mar Vermelho para os judeus e depois deixou que as águas fluíssem novamente afogando os egípcios que vinham logo atrás, de forma a “não sobrar nem um só deles”. Moisés, quando desceu do Monte Sinai com os Dez Mandamentos e viu seu povo adorando o Bezerro de Ouro, mandou matar todos os pecadores. E pouco antes de morrer, ele contou ao seu povo, finalmente prestes a entrar na Terra Prometida, que ao derrotarem as tribos de Canaã deveriam tê-las “destruído totalmente… sem aliança e nem misericórdia”. A vitória total como meta é um dos axiomas da guerra moderna, e foi codificada como tal por Carl von Clausewitz, o ministro filósofo da guerra.

Analisando as campanhas de Napoleão, von Clausewitz escreveu, “Nós sustentamos que a aniquilação total das forças inimigas deva sempre ser a ideia predominante (…) Uma vez obtida uma grande vitória não se pode falar em descansar, em respirar (…) mas apenas de perseguir, de ir atrás do inimigo novamente, conquistar a sua capital, atacar suas reservas e tudo mais que possa dar ao seu país ajuda e conforto”. Isso porque depois da guerra vêm as negociações e a divisão de território. Se você teve apenas uma vitória parcial, vai inevitavelmente perder nas negociações o que lucrou com a guerra. A solução é simples: não dê opção aos seus inimigos. Aniquile-os e você é quem vai trinchar o território deles.

O objetivo do poder é controlar seus inimigos totalmente, fazê-los sujeitar-se ao que você deseja. Você não pode se dar ao luxo de fazer concessões. Sem outra opção, eles serão forçados a fazer o que você manda. Esta lei não se aplica apenas ao campo de batalha. Negociações são como uma víbora insidiosa que corrói a sua vitória, portanto não negocie nada com o inimigo, não lhe dê nenhuma esperança, nenhum espaço de manobra. Eles estão esmagados e ponto final. Entenda isto: na sua luta pelo poder você vai despertar rivalidades e criar inimigos. Haverá pessoas que você não conseguirá convencer, que permanecerão suas inimigas não importa o que aconteça. Mas seja qual a dor que você lhes causar, deliberadamente ou não, não leve o ódio delas para o lado pessoal.

Reconheça apenas que não há possibilidade de paz entre vocês dois, principalmente se você continuar no poder. Se você deixar que elas fiquem por perto, elas vão procurar se vingar, com tanta certeza quanto depois do dia vem a noite. Esperar que elas mostrem suas cartas é tolice. Seja realista: com um inimigo assim por perto, você jamais terá segurança. Aprenda com os exemplos da história, e com a sabedoria de Moisés: não faça concessões. Não é uma questão de morte, é claro, mas de exílio. Suficientemente enfraquecidos e depois banidos para sempre da sua corte, seus inimigos se tornam inofensivos. Não têm mais esperanças de se recuperar, de vir se insinuando e ferir Você. E se for impossível bani-los, pelo menos saiba que eles estão tramando contra você, e não dê atenção aos seus gestos fingidos de amizade. A sua única arma numa situação dessa é a sua própria cautela. Se não puder bani-los imediatamente, então planeje o melhor momento para agir.

O INVERSO

Raramente se deve ignorar esta lei, mas acontece que às vezes é melhor deixar que os seus inimigos se destruam, se isso for possível, do que fazê-los sofrer nas suas mãos. Na guerra, por exemplo, um bom general sabe que atacando um exército encurralado seus soldados lutarão com muito mais entusiasmo. Por isso, às vezes é melhor lhes deixar uma saída de emergência, uma escapatória. Recuando eles se desgastam, e a retirada os deixa mais desmoralizados do que qualquer derrota nas mãos desse general no campo de batalha. Se você tem alguém com a corda no pescoço, então — mas só se você tiver certeza de não haver chances de recuperação — é melhor deixar que ele se enforque. Que ele mesmo seja o agente da sua própria destruição. O resultado será o mesmo, e você não se sentirá tão mal. Finalmente, ao esmagar um inimigo às vezes você o irrita tanto que ele passa anos a fio tramando uma vingança. O Tratado de Versalhes teve esse efeito sobre os alemães. Há quem diga que a longo prazo é melhor mostrar uma certa demência. O problema é que a sua demência implica um outro risco — ela pode encorajar o inimigo, que ainda guarda rancor, mas agora tem mais espaço para agir. Quase sempre é mais sensato esmagar o inimigo. Se anos depois ele quiser se vingar, não baixe a guarda, simplesmente esmague-o de novo. Pois é preciso notar que os homens devem ser afagados ou então aniquilados; eles se vingarão de pequenas ofensas, mas não poderão fazer o mesmo nas grandes ofensas; quando ofendemos um homem, portanto, devemos fazê-lo de modo a não ter de temer a sua vingança. Nicolau Maquiavel, 1469-1527

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Tirania, tiranias, tirânicos

SONETO LXV
Se a morte predomina na bravura
Do bronze, pedra, terra e imenso mar,
Pode sobreviver a formosura,
Tendo da flor a força a devastar?
Como pode o aroma do verão
Deter o forte assédio destes dias,
Se portas de aço e duras rochas não
Podem vencer do Tempo a tirania?
Onde ocultar – meditação atroz –
O ouro que o Tempo quer em sua arca?
Que mão pode deter seu pé veloz,
Ou que beleza o Tempo não demarca?
Nenhuma! A menos que este meu amor
Em negra tinta guarde o seu fulgor.

Sendo diversos os modos de alcançar o poder, a forma de reinar é sempre idêntica.

         Os eleitos procedem como quem doma touros; os conquistadores como quem se assenhoreia de uma presa a que têm direito; os sucessores como quem lida com escravos naturais.

         Se acaso hoje nascesse um povo completamente novo, que não estivesse acostumado à sujeição nem soubesse o que é a liberdade, que ignorasse tudo sobre uma e outra coisa, incluindo os nomes, e se lhe fosse dado a escolher entre o ser sujeito ou o viver a liberdade, qual seria a escolha desse povo?

         Não custa a responder que prefeririam obedecer à razão em vez de servirem a um homem; a não ser que se tratasse dos israelitas, os quais, sem ninguém os obrigar e sem necessidade, elegeram um tirano [I Samuel, capítulo 8]; mas nunca leio a história de tal povo sem uma grande decepção e alguma fúria, tanta que quase me alegro por lhe terem acontecido tantas desgraças.

Discurso Sobre a Servidão Voluntária

Etienne de La Boétie

 

Ipsis verbis

Gilberto da Silva

Tem dias que eu acordo pensando que a vida poderia ser mais fácil. Poderia. Para que simplificar, se o charme do pensamento ocidental é complexar! Mas há infinitas variações: de humor, de caráter, de pensamento, de formação etc.. Tem dias que levanto lendo resumos de trabalhos acadêmicos, por exemplo, e fico a pensar que sou uma infinita pessoa de inteligência abaixo da mediana, quase reduzida a um pequeno sujeito irregular. Ler resumos de trabalhos acadêmicos, pode, no meu caso, causar problemas não apenas mentais, mas também de ordem estomacal.

Vejamos: os trabalhos – em sua  maioria – para agradar uma seleta clientela que circulam em torno da Távola Redonda, apresentam verbos nunca antes usados nas falas e conversas de botequins, ou mesmo nas boas casas de leitores comuns. São, na realidade, complexas feituras para distribuição teórica em frequências reduzidas que primam não pela quantidade e sim pela qualidade no padrão conceitual em que ele deseja se destacar. Em sua maioria, tais trabalhos reforçam que o “objetivo” e, então, a coisa, a matéria deixa de ser objectum (no sentido escolástico) e vira uma simples metafísica no sentido kantiano das realidades suprassensíveis. Eu leio, releio, trileio e dou rodeios em todas as sintéticas linhas. Leio um, leio outro, idem ou id.

São textos muito bonitos, barrocos, renascentistas, pós-modernos, estruturalistas, discursivos e nada compreensivos (pelo menos para o cidadão mediano como eu…).

Após minuciosas leituras em eterno método cíclico desses resumos, eu fico com síndrome do pânico, com “gastura” no estômago e dor de cabeça. Sinto-me alijado do processo. Um ser qualquer sem sabedoria. Sinto-me um sujeito em franco processo de regressão linear múltipla. Se não consegui entender nem o resumo, imagine a totalidade do texto, do artigo, do trabalho!

O Louco do Tarot e o tempo cíclico

O Louco do Tarot e o tempo cíclico

Gilberto da Silva

 

Se o homem persistisse em sua loucura, tornar-se- ia sábio.
William Blake

 

O Louco do Tarot é a última carta dos Arcanos Maiores. É, simultaneamente, a carta número 22 e a 0. É como um eterno retorno, o ir e o vir. Um ciclo, um terminar e um recomeçar. Um novo caminho. Uma nova mudança que vai acontecer. O tempo do eterno retorno. O tempo cíclico sem a falsidade do tempo real.

O 22 é o Fim: a conquista do Mundo. O 0 é o “nada”. O Zero ou o NADA é uma criação do homem do século XII.

Na condição de LOUCO, tudo vai depender da evolução espiritual e humana do sujeito. Aqui está inserida as possibilidades: as inconstâncias da vida, a descoberta do novo, a incertezas sobre o que pode ou não pode acontecer em nossas vidas. O EU interior está em ebulição.

Estar em Louco é estar na propensão para uma aventura, para sonhos não realizados, preparados com a mala e mochila para novas viagens. Louco para a liberdade, para descobrimento ou desabrochar de sentimentos.

Estar no módulo Louco é estar preparado para problemas e estar atentos à negligência. Tudo porque o Louco está pronto para novas experiências sem olhar para suas consequências. A irresponsabilidade pode estar ali: pronta para prosperar.

O Louco pode ser o idiota, o rebelde, o insensato, o revolucionário ou alienado. Ou simplesmente um sábio…

 

Balada do Louco

Arnaldo Baptista e Rita Lee

Dizem que sou louco por pensar assim
Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mais louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz

Se eles são bonitos, sou Alain Delon
Se eles são famosos, sou Napoleão

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu

Se eles têm três carros, eu posso voar
Se eles rezam muito, eu já estou no céu (no ar)

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu

Sim, sou muito louco, não vou me curar
Já não sou o único que encontrou a paz

Mas louco é quem me diz
E não é feliz. Eu sou feliz.

 

 

LOUCO
Composição: Wilson Batista e Henrique de Almeida

Louco, pelas ruas ele andava

O coitado chorava

Transformou-se até num vagabundo

Louco, para ele a vida não valia nada

Para ele a mulher amada

Era seu mundo

Louco, pelas ruas ele andava

O coitado chorava

Transformou-se até num vagabundo

Louco, para ele a vida não valia nada

Para ele a mulher amada

Era seu mundo

Conselhos eu lhe dei

Para ele se esquecer

Aquele falso amor

Ele se convenceu

Que ela nunca mereceu

Nem reparou

Sua grande dor

Que louco! Louco, pelas ruas ele andava

O coitado chorava

Transformou-se até num vagabundo

Louco, para ele a vida não valia nada

Para ele a mulher amada

Era seu mundo

Conselhos eu lhe dei

Para ele se esquecer

Aquele falso amor

Ele se convenceu

Que ela nunca mereceu

Nem reparou

Sua grande dor

Que louco!

O Amor entre o racional e o irracional

Segundo o biólogo Marc Bekoff, da Universidade do Colorado, nos EUA, os cachorros podem ser tão racionais que fazem planos para o futuro . Foto crédito Gilberto da Silva

Revendo meus arquivos encontro a correspondência de um amigo sobre a questões sobre Ética, Moral e o Amor, não posso deixar de registrar aqui, preservando sua identidade, que mesmo que esta missiva tenha sido trocada há vários anos passados ela continua atual

 

 

Caro amigo Gilberto

Há algum tempo atrás, nós estávamos escrevendo – através da internet (e-mail) as chamadas “provocações”. Em uma dessas provocações intituladas “As ideias fora de lugar” eu falei de um conceito utilizado – o AMOR, onde você Giba disse que fora do amor não existe ética – eu disse naquela ocasião que sempre entendi o seguinte: “o que nos diferencia de outras espécies é a Razão!! – Acredito então que o que permeia e nos faz éticos é também a racionalidade, dessa forma, diria “fora da racionalidade não existe ética”. Pois bem, acho que devo admitir que eu estava totalmente errado. Primeiramente porque o Amor não é somente emocional – o amor também pode ser fruto da razão (mas isso é uma discussão muito filosófica para as nossas reflexões futuras)  – o que cabe neste momento é admitir um erro – pois uma vez que eu queria discutir a partir de um tema “As ideias fora de lugar” como posso afirmar que fora da racionalidade (que pode representar uma ideia no lugar) não existe ética. Os acontecimentos recentes (envolvendo o PT e sua direção em denúncias de corrupção) também contribuíram para eu entender que é necessário muito mais que a razão para nos manter éticos – talvez seja necessário mesmo – o AMOR, a Emoção, a Vergonha, a Pureza e tantos outros sentimentos ou reações humanas.

Eu estou escrevendo um artigo sobre Ética e Moral também abordando racionalidade e irracionalidade – por isso estou – teclando para você – é uma forma também de ordenar as ideias. Existe um filósofo (francês) Gilles G. Granger que escreveu um livro com o título: O irracional – que me influenciou bastante também – segundo ele existe algumas posturas que devemos ter perante o irracional – entre outras – fala que preciso utilizá-lo como recurso – na qual as regras são deliberadamente violadas ou abandonadas em busca de resultados novos ou inesperados – o que significa dizer que deixar de lado o racional pode ser um meio de renovar e prolongar o ato criador.

Penso que faltou isso ao partido no governo – e não a defesa corrente que todos dizem – “se não for assim – não se governa”.

Abraços

J.

 

PS: 1)Em O irracional, o filosofo francês procura considerar o sentido e a função do irracional em algumas obras humanas, mais especificamente na ciência. Segundo ele, a irracionalidade aparece quando a produção da obra se situa ou se desenvolve contra ou fora do quadro original, que eventualmente se tornou demasiado restrito ou esterilizado. Para Granger, o cientista, sobretudo o matemático, pode ter três posturas perante o irracional: a primeira seria encarar o irracional como obstáculo, que nada mais e do que o ponto de partida para o cientista reconquistar a racionalidade a partir do encontro com a irracionalidade. A segunda, classificada como recurso, manifesta-se na criação artística e tem a função de renovar e prolongar o ato criador. A ultima, denominada renuncia, e a verdadeira recusa do racional. Nesse caso, o produtor da obra renega o sistema originário de enquadramento do seu pensamento e da livre curso a sua fantasia.

2) Muito do conceito de AMOR que utilizei nas ditas provocações trocadas entre nós foi extraída dos pensamento de Humberto Maturana.

3) As provocações ocorreram antes do advento da “Lava Jato”.

4) Entre tantas leituras vale apena ler O Erro de Descartes, Emoção, Razão e Cérebro humano, livro de 1994, escrito pelo neurologista António Damásio.

Então, o que eu tenho?

Gilberto da Silva

Nesse mundo que se liquida, que se decompõe, sem alma, sem fé, sem consciência, precisamos recuperar nosso corpo, nossa liberdade, nossa alma, nossa consciência. Tenhamos alma, liberdade, amor e nosso corpo: para falar e cantar o que é nosso.

“Na natureza, as mudanças, seja qual for sua infinita diversidade, mostram um ciclo que sempre se repete: nada de novo sob o sol, e nesse sentido o jogo polimorfo das formas naturais não é isento de monotonia. Só se produz novidades nas mudanças que ocorrem no domínio espiritual.” Hegel

Mas não só a espiritual. É preciso lidar com as novas formas da materialidade, do real concreto, vivido. Somos mais que meros partidos, frações ou pedaços espalhados pelo chão. Somos Raízes, Esperanças, e Vontade. É possível, sim, sair  do estado de melancolia e desespero!

A consciência da liberdade parte da reflexão sobre a tirania.

 

Ain’t Got No / I Got Life

Ain’t got no home, ain’t got no shoes
Ain’t got no money, ain’t got no class
Ain’t got no skirts, ain’t got no sweaters
Ain’t got no perfume, ain’t got no love
Ain’t got no faith

Ain’t got no culture
Ain’t got no mother, ain’t got no father
Ain’t got no brother, ain’t got no children
Ain’t got no aunts, ain’t got no uncles
Ain’t got no love, ain’t got no mind

Ain’t got no country, ain’t got no schooling
Ain’t got no friends, ain’t got no nothing
Ain’t got no water, ain’t got no air
Ain’t got no smokes, ain’t got no chicken
Ain’t got no

Ain’t got no water
Ain’t got no love
Ain’t got no air
Ain’t got no God
Ain’t got no wine
Ain’t got no money
Ain’t got no faith
Ain’t got no God
Ain’t got no love

Then what have I got
Why am I alive anyway?
Yeah, hell
What have I got
Nobody can take away

I got my hair, got my head
Got my brains, got my ears
Got my eyes, got my nose
Got my mouth
I got my
I got myself

I got my arms, got my hands
Got my fingers, got my legs
Got my feet, got my toes
Got my liver
Got my blood

I’ve got life
I’ve got lives

I’ve got headaches, and toothaches
And bad times too like you

I got my hair, got my head
Got my brains, got my ears
Got my eyes, got my nose
Got my mouth
I got my smile

I got my tongue, got my chin
Got my neck, got my boobs
Got my heart, got my soul
Got my back
I got my sex

I got my arms, got my hands
Got my fingers, got my legs
Got my feet, got my toes
Got my liver
Got my blood

I’ve got life
I’ve got my freedom
Ohhh
I’ve got life!

Eu Não Tenho / Eu Tenho Vida

Não tenho casa, não tenho sapatos
Não tenho dinheiro, não tenho classe
Não tenho saias, não tenho casacos
Não tenho perfume, não tenho amor
Não tenho fé

Não tenho cultura
Não tenho mãe, não tenho pai
Não tenho irmão, não tenho filhos
Não tenho tias, não tenho tios
Não tenho amor, não tenho ideia

Não tenho país, não tenho escolaridade
Não tenho amigos, não tenho nada
Não tenho água, não tenho ar
Não tenho cigarros, não tenho um franguinho
Eu não tenho

Não tenho água
Não tenho amor
Não tenho ar
Não tenho Deus
Não tenho vinho
Não tenho dinheiro
Não tenho fé
Não tenho Deus
Não tenho amor

Então o que eu tenho?
Por que mesmo eu estou viva?
Sim, inferno
O que eu tenho
Ninguém pode tomar

Tenho o meu cabelo, tenho minha cabeça
Tenho meu cérebro, tenho minhas orelhas
Tenho meus olhos, tenho meu nariz
Tenho minha boca
Eu tenho
Eu tenho a mim mesma

Tenho meus braços, minhas mãos
Tenho minhas orelhas, minhas pernas
Tenho meus pés, e meus dedos
Tenho meu fígado
Tenho meu sangue

Eu tenho uma vida
Eu tenho vidas!

Tenho dores de cabeça, e de dente
E tenho horas ruins, assim como você

Tenho o meu cabelo, tenho minha cabeça
Tenho meu cérebro, tenho minhas orelhas
Tenho meus olhos, tenho meu nariz
Tenho minha boca
Eu tenho o meu sorriso!

Eu tenho a minha língua, meu queixo
Meu pescoço e meus seios
Meu coração, minha alma
E minhas costas
Tenho meu sexo

Tenho meus braços, minhas mãos
Meus dedos, minhas pernas
Tenho meus pés, e meus dedos
Tenho meu fígado
Tenho o meu sangue

Eu tenho vida
Eu tenho minha liberdade
Ohhh
Eu tenho a vida!

A coisa aqui tá des-humana, Ana

 

Ana,

Aqui a Condição não está nada boa. A condução, pior. O homem, este animal social ou político que você conhecia bem, aqui, na nossa miserabilidade social, cultural e política atingiu os limites da insuportabilidade.

Minha cara, receba essas palavras  com um certo ar de desencanto. Não total, por que ainda sonho com o amanhã que eu não viverei. O labor aqui atingiu o limite da escravidão moderna, totalmente informatizada segue em seus guetos em metadados orientados. Como nossos heróis morreram todos de overdose, ninguém mais se suporta e se fecham em suas windows – escolha  aversão, devidamente paramentados para as guerras virtuais. Para você sentir: a mais pura atividade dos homens que é pensar, está devidamente extinta.

Liberdade ainda que tardia não é projeto de ninguém. Educação, respeito coisas essenciais nem se encontra mais nos museus (que foram todos privatizados).

Cara filósofa, aqui já ultrapassamos as origens do totalitarismo. Já estamos no fim da Fundação do homem.

Então, o homem aqui segue seguindo o padrão Catão, como você bem observou: “Numquam se plus agere quam nihil cum ageret, numquam minus solum esse quam cum solus esser”.

Bem, para não cansar muito o seu descanso, fico por aqui.

Manda um abraço para o Martin e diga que tem gente aqui adorando seu período virtuoso…

Abraços do Giba.

 

Um doce café frio

Um doce café frio

Por Gilberto da Silva

 

Quem me chamou para um café, e não foi? Quem acendeu um pavio e o deixou ao vento morno das manhãs? Coisas do destino.

Aquele pó já está ficando velho e o cheiro já foi embora. Não há mais pó? Nem água?

Aos poucos, cafés, mensagens, telefonemas se dissipam no horizonte das manhãs.

Quem foi que me deixou com uma xícara na mão, saboreando as quenturas do líquido negro da paixão?

Entre palavras mais ou menos ditas, malditas ou bem profetizadas, aqueles cafés quentinhos das tardes ficaram registrados em poucas linhas manuscritas.

Esfriaram também as filas dos cinemas, as músicas, o doce caminhar pelos bosques e praças. Pior que o frio são as águas que descongelam levando para longe os restos. Os restos da imaginação.

Não olhai as estrelas

poemadomaiak

Por Gilberto da Silva

É duro viver no dantesco mundo dos oportunistas. Nem as estrelas poupam. Miram o Sol todos os dias para consumir a energia solar em toda a sua potencialidade. Não perdem um lanche. Não atrasam um trem.  Cavam seus espaços na arquitetura falida dos que optam por uma vida honesta. Oportunistas são hábeis manipuladores.

Não há necessidade de ficar olhando estrelas para observar oportunistas no universo. Há uma constelação deles vagando por nossas ruas. E não são aliens.  Não há necessidade de procurar no espaço infinito. Os oportunistas estão perto dos nossos olhos, no espaço das nossas vivências. o oportunista é um tentador no sentido de ser um agente da tentação.

Falando de um tipo específico de oportunistas, Lenin em O oportunismo e a falência da II Internacional (1916), afirma que o oportunismo é primeiro um estado de espírito, depois uma tendência e numa fase final, um grupo ou camada da burocracia operária a que se juntam companheiros pequeno-burgueses: “O social-chauvinismo é o oportunismo acabado. Ele amadureceu para uma aliança aberta, frequentemente vulgar, com a burguesia e os estados-maiores. E é precisamente essa aliança que lhe dá uma grande força e o monopólio da imprensa legal e da mistificação das massas” escreveu em certo trecho.

Egoísta, o oportunista não dá espaço para você.  Ele sempre vai dar um jeitinho para te chamar de trouxa. Onde encontrar um oportunista? Procure quem pratica caixa dois, quem realiza subornos de fiscais, quem comete sonegação fiscal, quem fura filas, quem compra ou vende produtos sem nota fiscal, quem comete fraudes contábeis, quem te induz  a erro, quem pratica formação de cartéis, quem comete plágio, quem realiza superfaturamentos, quem explora o trabalho infantil, quem contrata funcionários sem carteira assinada, quem costuma se apropriar do trabalho alheio, quem comete assédio moral e assédio sexual, quem manipula seus amigos ou funcionários, ou quem pratica danos ao meio ambiente, quem está sempre dando um jeitinho, entre outros tantos exemplos.

Os oportunistas estão sempre à espreita para golpes e contragolpes, portanto, não fique parado olhando estrelas…