Música

Outubro

Fernando Brant (Outubro 1946 – Junho 2015) e Milton Nascimento

 

Como entrou Outubro, vamos inaugurar o mês com uma das mais bonitas letra/música da dupla Fernando Brant e Milton Nascimento, presente no 1º LP(Disco) do Milton(1967).

OUTUBRO
Tanta gente no meu rumo
Mas eu sempre vou só
Nessa terra desse jeito
Já não sei viver
Deixo tudo deixo nada
Só do tempo eu não posso me livrar
E ele corre para ter meu dia de morrer
Mas se eu tiro do lamento um novo canto
Outra vida vai nascer
Vou achar um novo amor
Vou morrer só quando for
A jogar o meu braço no mundo
Fazer meu outubro de homem
Matar com amor essa dor
Vou
Fazer desse chão minha vida
Meu peito é que era deserto
O mundo já era assim
Tanta gente no meu rumo
Já não sei viver só
Foi um dia e é sem jeito
Que eu vou contar
Certa moça me falando alegria
De repente ressurgiu
Minha história está contada
Vou me despedir.

Anúncios

Sambas para a Independência

“Já raiou a liberdade
A liberdade já raiou
Esta brisa que a juventude afaga
Esta chama que o ódio não apaga pelo Universo
É a evolução em sua legítima razão”

Império Serrano 1969 – Heróis da Liberdade

“Vou dizer…
Quem tem muito, quer ter mais
Tanto faz se estragar
Joga no lixo, tem bugica p’ra catar
Senhor, despertai a consciência
É preciso igualdade
O ser humano tem que ter dignidade”

Império Serrano 1996 – E VERÁS QUE UM FILHO TEU NÃO FOGE À LUTA

 

 

 




Avarandado

 

 Avarandado (Caetano Veloso)

Cada palmeira na estrada
tem uma moça recostada
uma é minha namorada
e essa estrada vai dar no mar
Cada palma enluarada
tem que estar quieta, parada
qualquer canção, quase nada
vai fazer o dia nascer
vai fazer o sol levantar
Namorando a madrugada
eu e minha namorada
vamos andando na estrada
que vai dar no avarandado no amanhecer
no avarandado do amanhecer
no avarandado do amanhecer

A mulher não se dizputa, canta Carol Naine

Com o carro chefe DIZPUTA, uma das três músicas finalistas da categoria Melhor Canção do Prêmio da Música Brasileira, concorrendo nada mais com “Descaração familiar”, de Tom Zé, e “Nunca mais vou jurar”, de Zeca Pagodinho. Carol Naine apresenta seu disco “Qualquer pessoa além de nós”, segundo álbum autoral de Carol, lançado oficialmente em CD em maio deste ano em um show no Rio de Janeiro, terra da cantora.

A agora paulistana (desde 2015) coloca sua voz a serviço de um repertório repletos de canções críticas, de questionamentos a dogmatismo, a sexismo e diversidade cultural, fruto desta vivência na metrópole sugando o fruto das turbulências da sociedade contemporânea, costurando as reflexões cotidianas, de quem saiu do mundo da televisão e das redes sociais paras as ruas movimentas da capital.

Carol Naine faz show em São Paulo no dia 17 de setembro, no SESC Bom Retiro. O show é às 16h  e os ingressos são gratuitos. Como não sou Deus, vou tentar ir ao show…

“Qualquer pessoa além de nós” também ganhou menção honrosa e entrou para a lista do Embrulhador de “Melhores Discos da Música Brasileira“. Diversas canções deste trabalho foram premiadas em festivais do Brasil, como Femucic (do SESC), Femup, São Lourenço e Limeira. Carol também tem participado de shows em teatros na cidade e no estado de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Ceará.

Então o que eu tenho?

Gilberto da Silva

Nesse mundo que se liquida, que se decompõe, sem alma, sem fé, sem consciência, precisamos recuperar nosso corpo, nossa liberdade, nossa alma, nossa consciência. Tenhamos alma, liberdade, amor e nosso corpo: para falar e cantar o que é nosso.

“Na natureza, as mudanças, seja qual for sua infinita diversidade, mostram um ciclo que sempre se repete: nada de novo sob o sol, e nesse sentido o jogo polimorfo das formas naturais não é isento de monotonia. Só se produz novidades nas mudanças que ocorrem no domínio espiritual.” Hegel

Mas não só a espiritual. É preciso lidar com as novas formas da materialidade, do real concreto, vivido. Somos mais que meros partidos, frações ou pedaços espalhados pelo chão. Somos Raízes, Esperanças, e Vontade. É possível, sim, sair  do estado de melancolia e desespero!

A consciência da liberdade parte da reflexão sobre a tirania.

 

Ain’t Got No / I Got Life

Ain’t got no home, ain’t got no shoes
Ain’t got no money, ain’t got no class
Ain’t got no skirts, ain’t got no sweaters
Ain’t got no perfume, ain’t got no love
Ain’t got no faith

Ain’t got no culture
Ain’t got no mother, ain’t got no father
Ain’t got no brother, ain’t got no children
Ain’t got no aunts, ain’t got no uncles
Ain’t got no love, ain’t got no mind

Ain’t got no country, ain’t got no schooling
Ain’t got no friends, ain’t got no nothing
Ain’t got no water, ain’t got no air
Ain’t got no smokes, ain’t got no chicken
Ain’t got no

Ain’t got no water
Ain’t got no love
Ain’t got no air
Ain’t got no God
Ain’t got no wine
Ain’t got no money
Ain’t got no faith
Ain’t got no God
Ain’t got no love

Then what have I got
Why am I alive anyway?
Yeah, hell
What have I got
Nobody can take away

I got my hair, got my head
Got my brains, got my ears
Got my eyes, got my nose
Got my mouth
I got my
I got myself

I got my arms, got my hands
Got my fingers, got my legs
Got my feet, got my toes
Got my liver
Got my blood

I’ve got life
I’ve got lives

I’ve got headaches, and toothaches
And bad times too like you

I got my hair, got my head
Got my brains, got my ears
Got my eyes, got my nose
Got my mouth
I got my smile

I got my tongue, got my chin
Got my neck, got my boobs
Got my heart, got my soul
Got my back
I got my sex

I got my arms, got my hands
Got my fingers, got my legs
Got my feet, got my toes
Got my liver
Got my blood

I’ve got life
I’ve got my freedom
Ohhh
I’ve got life!

Eu Não Tenho / Eu Tenho Vida

Não tenho casa, não tenho sapatos
Não tenho dinheiro, não tenho classe
Não tenho saias, não tenho casacos
Não tenho perfume, não tenho amor
Não tenho fé

Não tenho cultura
Não tenho mãe, não tenho pai
Não tenho irmão, não tenho filhos
Não tenho tias, não tenho tios
Não tenho amor, não tenho ideia

Não tenho país, não tenho escolaridade
Não tenho amigos, não tenho nada
Não tenho água, não tenho ar
Não tenho cigarros, não tenho um franguinho
Eu não tenho

Não tenho água
Não tenho amor
Não tenho ar
Não tenho Deus
Não tenho vinho
Não tenho dinheiro
Não tenho fé
Não tenho Deus
Não tenho amor

Então o que eu tenho?
Por que mesmo eu estou viva?
Sim, inferno
O que eu tenho
Ninguém pode tomar

Tenho o meu cabelo, tenho minha cabeça
Tenho meu cérebro, tenho minhas orelhas
Tenho meus olhos, tenho meu nariz
Tenho minha boca
Eu tenho
Eu tenho a mim mesma

Tenho meus braços, minhas mãos
Tenho minhas orelhas, minhas pernas
Tenho meus pés, e meus dedos
Tenho meu fígado
Tenho meu sangue

Eu tenho uma vida
Eu tenho vidas!

Tenho dores de cabeça, e de dente
E tenho horas ruins, assim como você

Tenho o meu cabelo, tenho minha cabeça
Tenho meu cérebro, tenho minhas orelhas
Tenho meus olhos, tenho meu nariz
Tenho minha boca
Eu tenho o meu sorriso!

Eu tenho a minha língua, meu queixo
Meu pescoço e meus seios
Meu coração, minha alma
E minhas costas
Tenho meu sexo

Tenho meus braços, minhas mãos
Meus dedos, minhas pernas
Tenho meus pés, e meus dedos
Tenho meu fígado
Tenho o meu sangue

Eu tenho vida
Eu tenho minha liberdade
Ohhh
Eu tenho a vida!

PRESENTEAR um ijexá de Zeh Gustavo

Foto Kita Perdroza

 

Eu fui na beira do mar, iê iê
Eu fui na beira do mar, iê iê
Eu fui na beira do mar, iê iê
Eu fui na beira do mar

Eu fui presentear de amores e flores
A nossa rainha Iemanjá

Rosa branca atirada
Água leva adiante
A leveza da paz
Couraça de coragem que nunca se nega ao guerrear
Quando vê injustiça, sua lança se atiça
Salve Oxossi, que é filho de Iemanjá

Eu fui na beira do mar, iê iê
Eu fui na beira do mar, iê iê
Eu fui na beira do mar, iê iê
Eu fui na beira do mar

Flor de cor amarela
A maré não espera
Cobre o cobre a ganância
Mas eu tenho esperança, mainha, me deixe sonhar
Se eu sei, acredito no ouro dividido
Tão bela é a fé de quem não abdica do caminhar

Eu fui na beira do mar, iê iê
Eu fui na beira do mar, iê iê
Eu fui na beira do mar, iê iê
Eu fui na beira do mar

Pétala vermelha
É paixão que semeia
Solidão é capaz
De baixar sua guarda e deixar se cumprir o trajeto-destino
Era a última rosa
E aos meus pés lacrimosa se fez a areia
Da beira, Janaína todo pranto acudia
E um céu de saudade uniu-se ao mar
E um só canto ecoou

Eu fui na beira do mar, iê iê
Eu fui na beira do mar, iê iê
Eu fui na beira do mar, iê iê
Eu fui na beira do mar

Eu fui presentear de amores e flores
A nossa rainha Iemanjá

Gravação realizada pelo grupo Terreiro de Breque, por meio do edital Estúdio Carioca, no Centro de Referência da Música Carioca Artur da Távola.

Terreiro de Breque:
Zeh Gustavo (voz)
Daniel Delavusca (arranjo, cavaquinho e coro)
Renan Sardinha (violão)
Kaká Nomura (congas)
Éber de Freitas (percussão e efeitos)

Dalva, a Diva

Em 5 de maio de 1917 nascia Vicentina de Paula Oliveira, conhecida como Dalva de Oliveira, cantora brasileira que se estivesse nascido nos EUA seria uma Rainha da Música reverenciada por todos. Segundo a revista Rolling Stone, Dalva de Oliveira foi considerada uma das maiores vozes da música brasileira de todos os tempos.

Dalva de Oliveira nasceu em Rio Claro, no interior de São Paulo, tinha uma extensão de sua voz, que ia do contralto ao soprano, marcou época como intérprete e uma das grandes estrelas dos anos 40 e 50.

Casou-se com Herivelto Martins, com quem fez dupla e o casal teve dois filhos, o cantor Pery Ribeiro e o produtor de programas televisivos da TV Globo, Ubiratã. Gravaram o primeiro disco (1937) na RCA Victor, com as músicas Itaguaí e Ceci e Peri, razão do nome do seu primeiro filho, o futuro cantor Pery Ribeiro. Transferiram-se para a Rádio Tupi e para a gravadora Odeon.

Um casamento atribulado que acaba em 1947. Em 1949casa-se com o argentino Tito Clement e foram morar em Buenos Aires. Retornou ao Brasil (1950), separou-se (1963) de Clement e depois casou-se com Manuel Carpinteiro. Sofreu um grave acidente automobilístico (1965), sendo obrigada a abandonar a carreira por alguns anos. Retornou ao mundo da música em 1970, lançando um dos grandes sucessos do ano e também seu último: Bandeira branca, marcha-rancho de Max Nunes e Laércio Alves.

Morreu em 31 de agosto de 1972, no Rio de Janeiro.

Garoto Genial

Em 3 de maio de 1955 falecia, de infarto, no Rio de Janeiro Aníbal Augusto Sardinha ou Garoto que foi um grande compositor e violonista brasileiro. Filho de portugueses e nascido em 28 de junho de 1915, Garoto começou a tocar sozinho, de ouvido, um banjo que ganhou do seu irmão Batista, também músico.

Em 1926, com apenas 11 anos, integrou o Regional Irmãos Armani, ficando conhecido então como o Moleque do Banjo, por sua pouca idade. No ano seguinte passou a tocar no Conjunto dos Sócios, pertencente ao irmão Inocêncio, cantor e violonista. Ao longo de sua carreira, estudou música com Atílio Bernardini e composição com João Sepe, cursando matérias afins com Radamés Gnatali, de quem foi grande amigo.

Só como compositor de Gente Humilde, cuja letra foi escrita posteriormente por Vinícius de Moraes e Chico Buarque, já vale todo o seu rico curriculum musical para alguém que morreu tão cedo. Garoto, que fez muito sucesso nos EUA, aqui serviu de inspiração para Baden Powell, Paulinho Nogueira, Tom Zé e tantos outros.

 

Meu bom José

Sempre ouvi esta música cantada pela Rita Lee (eu acreditava que ela era a autora da letra) aliando um misto de religiosidade e romantismo. Sabia que a referência era Jesus. Mas lendo as entrelinhas, as metáforas da canção, situando-a historicamente, podemos entender que podia também estar a referir-se as centenas de Josés que tiveram que sair do Brasil rumo ao exílio. Mas, em verdade, o autor da música original “Joseph” foi Georges Moustaki – compositor francês de origem grega – e brilhante Nara Leão fez a versão em português “Meu Bom José”, interpretada primeiramente pela Rita Lee, nos anos 70.

José
Olha o que foi meu bom José
Se apaixonar pela donzela
Dentre todas a mais bela
De toda sua Galiléia

Casar com Deborah ou com Sarah
Meu bom José você podia
E nada disso acontecia
Mas você foi amar Maria

Você podia simplesmente
Ser carpinteiro e trabalhar
Sem nunca ter que se exilar
De se esconder com Maria

José
G. Moustaki . Versão Nara Leão)
RITA LEE

e o que foi meu bom José
Se apaixonar pela donzela
Dentre todas a mais bela
De toda a sua Galiléia

Casar com Débora ou com Sara
Meu bom José, você podia
E nada disso acontecia
Mas você foi amar Maria

Você podia simplesmente
Ser carpinteiro e trabalhar
Sem nunca ter que se exilar
De se esconder com Maria
Meu bom José você podia
ter muitos filhos com Maria
E teu ofício ensinar
Como teu pai sempre fazia

Por que será, meu bom José
Que este teu pobre filho um dia
Andou com estranhas idéias
Que fizeram chorar Maria

Me lembro às vezes de você
Meu bom José, meu pobre amigo
Que dessa vida só queria
Ser feliz com sua Maria.

MÚSICA FRANCESA
Joseph
Georges Moustaki
http://letras.mus.br/georges-moustaki/1226911/

Joseph
Georges Moustaki
Voilà c que c est, mon vieux Joseph
Que d avoir pris la plus jolie
Parmi les filles de galilée
Celle qu on appelait Marie

Tu aurais pu, mon vieux Joseph
Prendre sarah ou Déborah
Et rien ne serait arrivé
Mais tu as préféré Marie

Tu aurais pu, mon vieux Joseph
Rester chez toi, tailler ton bois
Plutôt que d aller t exiler
Et te cacher avec Marie

Tu aurais pu, mon vieux Joseph
Faire des petits avec Marie
Et leur apprendre ton métier
Comme ton père te l avait appris

Pourquoi a-t-il fallu, Joseph
Que ton enfant, cet innocent
Ait eu ces étranges idées
Qui ont tant fait pleurer Marie?

Parfois je pense à toi, Joseph
Mon pauvre ami, lorsque l on rit
De toi qui n avais demandé
Qu à vivre heureux avec Marie.

 

A Voz do Povo

avozdopovo

 Em 6 de dezembro de 1996 morria João do Vale que havia nascido em Pedreira, no Maranhão, em 11 de outubro de 1934.

 

Foi o quinto de oito irmãos, dos quais apenas três sobreviveram à infância pobre. Os pais eram agricultores pobres e sem terra. Por volta dos seis anos de idade foi apelidado de “Pé de xote”, pois vivia pulando e dançando. Um de seus avós fora trazido de Angola como escravo e posteriormente fugiu. Chegou a perder a vaga no Grupo Escolar Oscar Galvão para dar lugar ao filho de um coletor de impostos. Auxiliava nas despesas da casa, vendendo balas, doces e bolos que a mãe fazia. Com 12 anos mudou-se com a família para São Luís, onde trabalhou vendendo laranjas nas ruas. Nesse período participou do Noite Linda, um grupo de bumba-meu-boi, como fazedor de versos, o chamado “amo”. De 14 para 15 anos fugiu de casa, indo de trem para Teresina, onde conseguiu emprego como ajudante de caminhão. Fazia viagens entre Fortaleza e Teresina. Um dia viajou até Salvador e resolveu ficar por lá, por estar mais perto do Rio de Janeiro, para onde tencionava ir. Mais tarde foi para Minas Gerais, onde trabalhou como garimpeiro na cidade de Teófilo Otoni, onde obteve dinheiro para a sonhada viagem à então capital da República. Foi para o Rio de Janeiro de carona em caminhão e arranjou emprego de pedreiro em Copacabana, numa obra na Rua Barão de Ipanema. Trabalhava e dormia na obra, visitando periodicamente as rádios, principalmente a Nacional, à procura de artistas que gravassem suas composições. Mostrava suas músicas a muitos artistas, inclusive à cantora Marlene e a Tom Jobim, que naquela época tocava piano num inferninho em Copacabana. In: Dicionário Cravo Albin da Musica Popular Brasileira. <http://dicionariompb.com.br/joao-do-vale/biografia&gt;.