Dia: 6 de abril de 2015

Gêneros e formatos radiofônicos

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  1. A) GÊNERO JORNALÍSTICO

 

É o instrumento de que dispõe o rádio para atualizar seu público por meio da divulgação, do acompanhamento e de análise dos fatos. Os seus relatos podem possuir características subjetivas do ponto de vista dos conteúdos e, portanto, acrescentar ao ato de informar opiniões particulares sobre os acontecimentos.   O gênero jornalístico se apresenta no rádio, por meio de diversos formatos, tais como:

1) Nota – no jargão radiofônico, significa um informe sintético de um fato atual. Suas características principais são o tempo de irradiação, sempre curto, com quarenta segundos de duração e as mensagens transmitidas mediante frases diretas, quase telegráficas.

2) Notícia – módulo básico da informação. Seu tempo é curto com média satisfatória de um minuto e trinta segundos, podendo ser apresentada em mais de um bloco, e na voz de dois ou mais locutores, a de depender da quantidade de informações. É o relato integral de um fato que já eclodiu na sociedade.

3) Boletim – Pequeno programa informativo com no máximo cinco minutos de duração, que é distribuído ao longo da programação e constituído por notas e notícias e, às vezes, por pequenas entrevistas e reportagens.

4) Reportagem – uma narrativa que engloba, ao máximo, as diversas variáveis do acontecimento, a reportagem consegue ampliar o caráter minimalista do jornalismo e oportunizar aos ouvintes, leitores, telespectadores ou internautas uma noção mais aprofundada a respeito do fato narrado. É o relato que já repercutiu no organismo social e produziu alterações que são percebidas pela instituição jornalísticas.

 

5) Entrevista – Representa uma das principais fontes de coleta de informação de um jornal e está presente, direta ou indiretamente, na maioria das matérias jornalísticas.

“A entrevista é formalmente um diálogo que representa uma das fórmulas mais atraentes da comunicação humana. Produz-se uma interação mútua entre o entrevistado e o entrevistador, fruto do diálogo..” – Emílio Prado

Entrevista é um relato que privilegia um ou mais protagonistas do acontecer, possibilitando-lhes um contato direto com a coletividade.

Diálogo entre repórter e fonte, sob a forma de perguntas e respostas, para obter informações.

 

6) Comentário – Aparece como uma peça importante, para criar ritmo e ampliar o cenário sonoro do receptor, visto que propicia a presença, por meio do comentarista, de mais uma voz que se acrescenta às já existentes na transmissão. A principal função do comentário reside, apropriadamente, no seu conteúdo opinativo, que sugere conhecimento especializado. Aproxima-se do editorial.

A diferença é que o comentário corresponde à opinião do autor e o editorial a opinião do veículo. Não deveria durar mais que três minutos; porém, é usual comentários mais longos no rádio brasileiro.

 

7) Crônica – a crônica é considerada o formato que transita nas fronteiras do jornalismo e da literatura. Muito presente nos jornais brasileiros antes da implementação do lead, a crônica definiu os perfis de vários periódicos no final do século XIX e início do XX.

Algumas diferenças e semelhanças poderão ser destacadas: a literatura e o romance estão calcados numa vocação enciclopédica, “vista como método para conhecer as relações entre homens, coisas e fatos do mundo, a partir da linguagem literária”, ao passo que o jornalismo preza pela agilidade, pela condensação dos fatos.

 

 

8) Radiojornal – formato que congrega e produz outros formatos jornalísticos, como as notas, notícias, reportagens, entrevistas, comentários e crônicas. O radiojornal é constituído por diversas seções ou editorias, como as de notícias nacionais, internacionais, econômicas, de cultura e artes, de serviço, de política, de esportes etc. Caracteriza-se pela periodicidade diária, mantendo a regularidade, garantindo, assim, a credibilidade necessária do público no que diz respeito aos conteúdos transmitidos.

Os programas de maior duração, então, devem seguir rigorosamente a pirâmide invertida – ordem decrescente de importância e pelas diversas procedências em bloco, ou seja, notícias locais, nacionais e internacionais -, isto é, abrirem-se, geralmente, com manchetes, passando aos destaques, depois uma nota comentada ou apenas pormenorizada, sobre o principal acontecimento do dia.

O âncora é o apresentador de um radiojornal. Cabe a ele narrar, anunciar ou comentar as notícias que serão transmitidas, ou chamar repórteres que entram ao vivo na programação.

 

9) Documentário jornalístico – Verdadeira análise sobre o tema específico. Tem como função aprofundar determinado assunto construído com a participação de um repórter condutor. O documentário jornalístico mescla pesquisa documental, medição dos fatos in loco, comentários de especialistas e de envolvidos no acontecimento, e desenvolve uma investigação sobre um fato ou conjunto de fatos reais, oportunos e de interesse atual. É realizado por meio de montagem – edição final do material produzido em áudio – com matérias gravadas anteriormente ou, ainda, juntando-se esse material às “cabeças” – introdução aos temas enfocados – e a algumas matérias temporais “ao vivo”.

 

10) Mesas-redondas ou debates – são espaços de discussão coletiva em que os participantes apresentam ideias diferenciadas entre si. Normalmente, são mediados por um apresentador que impõe as regras previamente aceitas pelos participantes, tendo em vista delimitar o tempo de fala de cada um, organizar as perguntas e a sequência das respostas. A diferença é que necessita de um moderador, apresentador, líder.

 

11) Programa policial – Tem como objetivo cobrir os acontecimentos e fatos policiais, por meio de reportagens, entrevistas, comentários e notícias, e é apresentado de modo independente ou vinculado aos radiojornais. O apresentador pode fazer às vezes do animador, com uma narrativa simbólica, utilizando efeitos sonoros e trilhas musicais que realçam o discurso e propiciam um ambiente de emoção e expectativa.

 

12) Programa esportivo – Tem como finalidade a divulgação, cobertura e análise dos eventos esportivos. É veiculado no formato de notícias, comentários, reportagens, entrevistas, mesas-redondas, em radiojornais ou em programas específicos de caráter permanente, conhecidos como radiojornais esportivos, ou por meio de transmissões esportivas. Temos quatro tipos:

– os boletins esportivos; Aparecem no decorrer das programações artísticas ou jornalísticas das emissoras e possuem duração de no máximo cinco minutos por inserção. Tem notícias, reportagens curtas, entrevistas e comentários de todos os esportes.

– os programas de estúdio; Com periodicidade e duração fixas – quinze minutos ou até uma hora de transmissão -, apresentam as mesmas características do radiojornal e, em virtude dessa correlação, são conhecidos como “radiojornal de esportes”.

– as coberturas esportivas;

– placar esportivo;

 

13) Divulgação tecnocientífica – Tem a função de divulgar e, consequentemente, informar a sociedade sobre o mundo da ciência, com roteiros apropriados e linguagem que seja acessível à maioria da população. Pode ser produzido como programas radiofônicos com duração e periodicidade fixas, ou ainda, como boletins. Mas, deve apresentar uma leitura simples, direta e de entendimento satisfatório. É muito interessante uso de sonoplastia, radioatores e as trilhas musicais são fundamentais para tornar o discurso científico acessível e palatável.

 

 

  1. B) GÊNERO EDUCATIVO-CULTURAL

 

O gênero educativo-cultural é uma das colunas de sustentação da programação radiofônica nos países desenvolvidos. No Brasil quase não existe. A comercialização e banalização dos conteúdos dos programas radiofônicos da atualidade não propiciam a criação de projetos que visem instruir e educar por meio do veículo de massa mais popular e de maior penetração na sociedade brasileira. Não se restringe apenas às emissões especializadas que visam à alfabetização e à difusão de conhecimentos básicos, mas implica também transmissões de valores, da promoção humana, desenvolvimento integral do homem e da comunidade, estimular a reflexão…transformar as pessoas em agente ativo da transformação de seu meio natural, econômico e social.

1) Programa instrucional –é o formato considerado como parte de uma estratégia pedagógica que visa acompanhar os currículos aprovados pelos ordenamentos que regulam o ensino oficial, adaptado à linguagem do áudio. É geralmente empregado como suporte aos cursos de alfabetização, de ensino de idiomas e de disciplinas básicas, como geografia, história.

2) Audiobriografia – é o formato em que o tema central é a vida de uma personalidade de qualquer área de conhecimento e que visa divulgar seus trabalhos, comportamentos e ideias.

3) Documentário educativo-cultural – a abordagem é direcionada a um tema de cunho humanístico, como uma escola, um movimento literário ou musical: análise de uma escola teatral, das programações televisivas ou radiofônicas, de grandes eventos da história, da filosofia etc.

4) Programa temático – tem como finalidade a abordagem e a discussão de temas sobre a produção do conhecimento. Praticamente desaparecido da programação radiofônica comercial, o programa temático encontra guarida nas grades educativas. Seu tempo de duração pode variar entre cinco minutos e uma hora, sendo mais comum o programa de curta duração.

 

  1. C) GÊNERO DE ENTRETENIMENTO

 

Considerado por muito tempo como de menor importância, em decorrência de seu caráter diversional, o gênero de entretenimento desperta, na atualidade, crescente interesse.

 

1) Programa musical – tem como mote a música. Com conteúdo e plástica diferenciados, abre espaço para a difusão de obras musicais dos mais diferentes gêneros. Os temas podem variar da música erudita à popular, do folclore à vanguarda musical.

 

2) Programação musical – Usualmente chega quase à totalidade da programação de determinadas emissoras. Os blocos de programação são compostos por séries de música que estruturam a programação musical, normalmente com cerca de seis a doze minutos de duração (existem horários em que a programação é corrida, sem interrupções, no intuito de fixar audiência), envolvidos por blocos: de anúncios comerciais, de chamadas (textos institucionais), de serviço, jornalísticos e de entretenimento; estes com duração máxima de três minutos.

 

3) Programa ficcional – teve seu esplendor a partir da década de 1940, com a Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Têm como base a interpretação, a sonoplastia, os efeitos sonoros e, especialmente, a música. Os programas ficcionais pertencem a dois grandes grupos: o drama e o humor.

 

O drama é uma das expressões da representação do real e do cotidiano, caracteriza-se no rádio pela radiofonização, ou seja, pela tradução para a linguagem radiofônica de textos originais ou adaptados, inéditos ou publicados de obras literárias, peças de teatro, roteiros de cinema, vídeo e, obviamente, dos textos escritos especialmente para o áudio. Deve contar com auxílio da sonoplastia. Exemplo: radionovela;

 

O humor ou comédia são geralmente mais curtos, com duração de aproximadamente quinze a trinta minutos. Exemplo: Balança mas não cai…Os Manos…

Há os programas de humor em série que são equivalente aos seriados, com personagens permanentes que se apresentam a cada episódio. São pequenos esquetes de no máximo três minutos de duração, veiculados ao longo da programação de uma emissora.

4) Programete artístico – conhecido como drops, não deve ultrapassar três minutos. O diferencial no texto é o seu conteúdo, que possui conotação artística e pode ser apresentado como entrevistas, comentários, radioesquetes, horóscopos, músicas e informações.

5) Evento artístico – organização/cobertura

6) Programa interativo de entretenimento – participação do ouvinte

 

 

  1. D) GÊNERO DE SERVIÇO

 

São informativos de apoio às necessidades reais e imediatas de parte ou de toda a população ao alcance do sinal transmitido pela emissora de rádio. A informação de serviço se distingue da jornalística pelo seu caráter de “transitividade” – indicativo de movimento, circulação, trânsito -. Existem emissoras que mantêm uma programação exclusivamente voltada para o serviço.

 

Os formatos de serviço no rádio apresentam a seguinte classificação:

1) notas de utilidade pública – de curta duração semelhante às notas jornalísticas. Tem como objetivo específico auxiliar e alertar o ouvinte sobre prazos, acontecimentos de gala ou nojo; início, cortes e alterações no fornecimento de serviços públicos; coleta de sangue etc. Dispensa fundo musical;

2) Programete de serviço – inserido normalmente dentro de outros formatos – como os radiojornais ou programas de variedades – veicula aconselhamentos diversos, tais como cuidados com a saúde, questões jurídicas, investimentos, preços, turismo, emprego, etc…

3) Programa de serviço – Constitui ações radiofônicas de trinta minutos a uma hora de duração em que temas específicos de apoio aos interesses da população são apresentados.

 

  1. E) GÊNERO ESPECIAL

 

1) Programa infantil

 

2) Programa de variedades 

 

 

  1. F) GÊNERO PUBLICITÁRIO

 

O gênero publicitário ou comercial tem como função o uso do espaço radiofônico para divulgação e venda de produtos e serviços. Para tanto, o rádio foi, ao longo do tempo, o cenário de experiências comerciais vitoriosas, por meio de peças radiofônicas publicitárias. Podem se apresentar das seguintes maneiras:

 

1) Espote – derivado do termo spot advertising, que significa ponto de propaganda – é uma peça radiofônica conhecida popularmente como anúncio radiofônico. O surgimento desta peça no rádio como produto publicitário deu-se em 1930, nos Estados Unidos, pela iniciativa de radialistas como Ida Bailey Allen, Aunt Sammy e Betty Crocker que, a fim de conquistarem patrocinadores para seus programas, criaram peças comerciais curtas e baratas.

 

A característica principal do espote é a fala de locutores e atores apoiada por trilha musical, vinhetas, efeitos sonoros e ruídos que, devidamente superpostos, criam o cenário necessário para o entendimento da mensagem transmitida. Seu conteúdo, como suporte de uma intenção de venda de determinado produto, responde às informações recebidas do anunciante ou seus prepostos, por meio da agência de propaganda, e contidas no resumo (briefing), o qual possui informações como as características do produto, o público-alvo, os apelos de venda e a análise da concorrência. De posse destes dados, o produtor criará a peça radiofônica publicitária mediante a confecção e execução de um roteiro.

 

Existem alguns espotes que apresentam-se como locuções diretas, reproduzindo a ação da “venda no balcão” ou até de “pregão” – divulgação de um produto ou serviço, realizada em público, com uso de forte entonação vocal ou instrumentos de ampliação de voz, como megafones e alto-falantes -, sem que se utilize fundo musical ou qualquer outro efeito sonoro de apoio.

 

O tempo de duração de cada espote é de trinta segundos, embora existam peças com quinze, quarenta e cinco segundos, e chegando, em casos raros, a um minuto.

 

Um formato mais simples de espote é o texto-foguete – uma locução simples com no máximo duas linhas que não deve ultrapassar dez segundo de duração.

 

2) Jingle – É uma pequena peça musical cuja função é facilitar e estimular a retenção da mensagem pelo ouvinte. É geralmente curto e sua melodia é ao mesmo tempo simples e de fácil compreensão. Apareceu nos Estados Unidos no início da década de 1930, caracteriza-se por uma melodia cantada, cuja letra deve refletir as qualidades de um produto que se quer comercializar. As pessoas têm extrema facilidade para memorizar as melodias sem complexidade e, consequentemente, assimilar as informações que acompanham uma linha melódica.

 

O hábito humano de repetir determinadas frases melódicas, cantando ou assobiando, garante ao produtor do jingle a multiplicação da informação veiculada, desde que sejam respeitadas as regras de criação das peças musicais populares, ou seja, utilização de argumentos diretos e refrões aliados a temas musicais de fácil apreensão, sem a utilização de acordes dissonantes, diminutas etc.

 

A criação do texto do jingle é semelhante ao do espote. O redator terá de respeitar o resumo de informações provenientes do anunciante ou seu representante. O tempo de duração de um jingle é, usualmente, trinta segundos. Contudo, pode ser veiculado em formatos de quinze segundos e um minuto.

 

É importante retermos que a produção do jingle, ao contrário do espote, não pode se resumir à montagem numa emissora de rádio. É necessária a criação da trilha musical, da composição ou adaptação da melodia – ação realizada por músicos nas produtoras de áudio.

 

3) Testemunhal – São aquelas que se utilizam da credibilidade dos comunicadores – apresentadores e animadores de programas – quando da leitura de um texto comercial, tendo em vista o convencimento do público. O argumento publicitário recebe o tratamento dispensado aos textos artísticos, e o apelo de venda se transforma, nesses casos, em um “conselho de amigo”.

 

Este procedimento esbarra na ética ao tentar persuadir o ouvinte a comprar algo baseado na credibilidade da pessoa que vende, e não na qualidade do produto. Geralmente, apresenta resultados comerciais satisfatórios pois, apesar de seu custo de veiculação ser mais alto do que o dos espotes e jingles com tempos compatíveis, é, mesmo assim, muito utilizado. O custo elevado se explica pelo pagamento de cachê para o apresentador.

 

O texto pode ser lido com um fundo musical exclusivo, mas, normalmente, mantém-se a mesma trilha executada anterior e imediatamente ao início da leitura do testemunhal, exatamente para tentar disfarçar, com o esforço da continuidade do mesmo sinal sonoro de apoio, sua intenção comercial.

 

4) Peça de promoção – Constitui ações publicitárias cujo objetivo é aumentar a receita dos veículos, direta ou indiretamente. Trata-se, efetivamente, de uma estratégia que visa ao aumento de influência de determinada programação radiofônica junto ao público e a maiores fatias de audiência. A promoção deve ser objeto de planejamento logístico, transformando-se em uma campanha em que as ações promocionais se complementam. Tais ações levam a mensagem de patrocinadores e supõem a permuta, ou seja, o espaço é reservado na programação e pago com produtos e brindes, e não em moeda corrente.

 

Os formatos promocionais variam significativamente. Podem ser “chamadas promocionais”, quando de curta duração e equivalentes aos espote e jingles; ou, ainda, “janelas promocionais”, intervenções com a participação de animadores e de público, feitas do estúdio por telefone; e, também, “em externa”, com a realização de atividades diversas, com tempo de veiculação médio de três minutos.

 

  1. G) GÊNERO PROPAGANDÍSTICO

 

Exemplo: stude der nation – a hora da nação – de Joseph Goebbels na Alemanha com a chegada de Hitler usava o rádio como instrumento político. Uma arma poderosíssima, não só para o doutrinamento do país, como também para a guerra além das próprias fronteiras…

 

1) peça radiofônica de ação pública – visa divulgar e esclarecer a opinião pública das ações, ideias e projetos das instâncias de poder, seja no nível federal, estadual ou municipal – propaganda governamental -, trabalhando suas respectivas imagens com o objetivo de conquistar o apoio e a aceitação populares.

 

As peças radiofônicas de ação pública no rádio podem, também, fazer parte de campanhas públicas governamentais – estratégias de comunicação, com características de prestação de comunicação, com características de prestação de serviços, que são utilizadas para convencimento da população. Suas temáticas: enfermidades, questões legais, comportamento, direitos do consumidor, aleitamento materno, desarmamento…

 

Poderão ser financiadas pela iniciativa privada por meio do apoio de alguma empresa ou fundação da mesma origem, que receberá como contrapartida ao patrocínio a menção de sua marca ou identificação, como assinatura da peça radiofônica.

 

2) Programas eleitorais – dá suporte à divulgação do nome, do número e das ideias e propostas de candidatos a cargos seletivos. Tem como a característica a sazonalidade. Vai ao “ar” nos períodos que antecedem as eleições. Seu tempo de duração varia de acordo com o espaço reservado na programação radiofônica para o partido político e seus respectivos candidatos, no cumprimento da lei eleitoral.

A produção desses programas tem custo elevado em virtude da sofisticação exigida e que, geralmente, se traduz em roteiros embasados em dados referentes a realizações anteriores, críticas à atuação referentes a realizações anteriores, críticas à atuação e a projetos dos adversários, propostas e sugestões de ações diversas, depoimentos de personalidades e participação popular. As informações são amparadas por elementos sonoros e por uma apresentação competente.

 

3) Programas religiosos – com o objetivo de difundir as ideias e preceitos de uma doutrina ou seita religiosa, este formato radiofônico ocupa cada vez mais espaços nas programações das emissoras brasileiras. Com um discurso quase sempre emocional e até agressivo, os apresentadores – geralmente padres ou pastores – procuram atrair fiéis para as instituições religiosas a que pertencem.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA

  1. FERRARETO, Luiz Artur. Rádio: o veículo, a história e a técnica. Porto Alegre: Sagra/Luzzatto, 2000.
  2. MEDITSH, Eduardo. O rádio na era da informação. Florianópolis: Insular/UFSC, 2001.
  3. ORTIZ, Miguel Angel & MARCHAMALO, Jesus. Técnicas de Comunicação pelo rádio: a prática radiofônica. São Paulo: Loyola, 2005.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

  1. BARBEIRO, Heródoto & LIMA, Paulo Rodolfo. Manual de Radiojornalismo. Campus, Rio de Janeiro, 2001.
  2. MARTINEZ-COSTA, Maria del Pilar & DIEZ UNZUETA, José Ramon. Lenguaje, géneros y programas de radio: introduccion a la narrativa radiofónica. Pamplona: Eunsa, 2005.
  3. MCLEISH, Robert. Produção de rádio. Um guia abrangente de produção radiofônica. São Paulo: Summus, 2001.
  4. MEDITSH, Eduardo. Rádio e Pânico: A Guerra dos Mundos 60 anos depois. Florianópolis, Insular, 1998.
  5. MOREIRA, Sonia Virginia. O rádio no Brasil. Rio de Janeiro: Rio Fundo, 1991.
  6. PRADO, Emílio. A estrutura da informação radiofônica. São Paulo: Summus, 1989.
  7. PRADO, Magaly. Produção de rádio: um manual prático para professores, alunos e profissionais. São Paulo: Ed. Campus, 2006.

 

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Receita de Jornalista

Receita de Jornalista

 

Cláudio Abramo

O jornalista só é bom se formado desde cedo. A juventude é a fase mais bonita da vida da gente, é quando se começa a engolir as coisas, a aprender. Rimbaud, por exemplo, produziu seus melhores poemas aos dezesseis anos e já tinha tido uma vida intensíssima – depois foi ser contrabandista de armas na Etiópia, na guerra do Melenick. Mas hoje o jovem excepcionalmente inteligente não vai perder tempo em jornal: ele vai ganhar dinheiro, jogar na Bolsa, mexer em computador.

De minha parte, comecei a aprender o Brasil muito tarde, porque minha formação foi muito internacionalista, mas não cosmopolita. Quem marcou muito como escritor foi André Malraux, que exerceu uma enorme influência na maneira como eu escrevia antigamente. No lugar de ler vários tratados de psicologia, em Shakespeare aprende-se toda a psicologia humana.

Quando vem a sensação de que se está perdendo muito das idéias que se quer colocar no papel, então é preciso trabalhar mais o idioma e exercitar a leitura. O jornalista precisa ler muito, ler literatura, porque a literatura nos põe em contato com o universo comum dos homens. E também é preciso ler poesia. O grande escritor é universal, e através dele entramos em contato com os problemas do mundo e do ser humano. Toda referência do homem é o ser humano, toda cultura, tudo diz respeito ao ser humano, e não há outra referência mais importante do que essa. E a literatura é o caminho para isso.

Talvez um dos segredos do sucesso que tive em minha carreira seja o fato de que nunca tenha lido muito jornal brasileiro. Quando era menino lia o Estado de S. Paulo; mais mocinho lia o New York Times, porque trabalhava numa companhia multinacional que recebia esse jornal e o Times de Londres. Sempre li muito jornal estrangeiro a vida inteira.

Para ser jornalista é preciso ter uma formação cultural sólida, científica ou humanística. Mas as escolas são precárias. Como dar um curso sobre algo que nem eu consigo definir direito? Trabalhei quarenta anos em jornal e acho muito difícil definir o que meia dúzia de atrevidos em Brasília definem como curso de jornalismo. Foi o que fez o patife do Gama e Silva (ministro da Justiça do governo Costa e Silva), que elaborou a lei para tirar os comunistas dos jornais.

Em seu trabalho, o repórter sempre vai ver coisas diferentes na sua essência e no seu aspecto externo. Um repórter vai fazer matérias políticas, ou vai descrever uma enchente, um desastre; vai ver o drama de uma família, tratar de um problema coletivo ou entrevistar um ministro. Por isso ele precisa ter muita flexibilidade na maneira de se exprimir, e para isso deve também ter um domínio da língua. E também é importante que saiba escolher as palavras exatas para determinadas ocasiões. Uma crônica de Rubem Braga sobre o sabiá é leve; já seus textos como correspondente de guerra são muito mais densos. Cada situação tem seu próprio pathos e é preciso transmitir aquilo para o leitor.Por isso o jornalista tem que ler muito, sempre.

É preciso ler Dante, Camões, Homero e Heródoto, Faulkner, Mark Twain. Scott Fitzgerald, Proust. André Gide só um pouquinho porque é muito deletério. E George Orwell, não pelas coisas que diz, mas pela sua inteligência, pelo uso da língua e pela maneira independente de raciocínio, embora no fundo seja muito conservador. É preciso ler os libertários americanos, Walt Whitman e Emerson, e Paul Goodman.

Dos brasileiros não sei bem. É preciso ler Florestan Fernandes. De Guimarães Rosa tenho horror; gosto dos contos, mas como romancista é muito complicado. Aquilo é charada alemã. Talvez as pessoas devam ler Guimarães, mas eu não. Prefiro Érico Veríssimo, que é um escritor menor mas está mais ligado à realidade brasileira.

Aconselharia aos jovens jornalistas conversar com pessoas como Luiz Carlos Prestes, Oscar Niemeyer, Fábio Penteado, Paulo Mendes da Rocha, Darcy Ribeiro. Há um pouco tempo, Darcy me descreveu como imaginava que os franceses, todos huguenotes, chegaram ao Rio de Janeiro: sujos, pois nunca tomavam banho, todos cheios de feridas, olhos inflamados e a Bíblia na mão. As indiazinhas bonitas e limpas na praia – tomavam banho a toda hora – e do outro lado aquela gente fedida, suja, bárbara, atrasada. É preciso destruir o mito de que tudo o que a civilização traz é bom; ela também trouxe o lixo. (…)

É preciso se preocupar com os fatos históricos. Assim como os jovens, também não vivi o Império romano e nem ouvi o discurso de Marco Antônio; não vi as conquistas de Genghis Khan ou as manobras de Shaka. Não vi nada disso mas sei que existiram. O fato é que grande parte do nosso conhecimento é adquirido com as leituras. Mas saber distinguir uma figueira de um carvalho, ou saber que a rede elétrica em São Paulo é aérea e não subterrânea como em Londres ou Paris, são coisas que não se aprendem nos livros.

O jornalista deve ter uma formação cultural sólida e tem que saber muito bem algumas coisas. Ele deve saber história, saber como funciona seu país, a máquina do país, as relações na sociedade. A menos que uma escola de comunicações ofereça um curso de história completo, é preciso ter conhecimentos elementares, que teoricamente deveriam ser aprendidos no ginásio. O jornalista tem ainda que conhecer bem a língua, para saber manejá-la com a proficiência necessária. Como um curso de jornalismo vai dar tudo isso?

Os cursos dão muitas coisas que, no fundo, são apenas noções. Por isso, o jornalista ficou com a fama de ser um especialista em generalidades. A meu ver o curso de jornalismo deveria ser um curso de pós-graduação. O ideal seria ter nas redações economistas, sociólogos ou médicos que, além do curso específico, tivessem uma pós-graduação em jornalismo e aprendessem como contar as coisas e escrever com clareza. (…)

Publicado no livro A Regra do Jogo, da Cia das Letras