Dia: 21 de abril de 2015

ARENA CONTA TIRADENTES

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Em abril de 1967 estreava no Teatro de Arena, em São Paulo Arena Conta Tiradentes, de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal. Com a direção de Augusto Boal e contava no elenco com David José, Dina Sfat, Gianfrancesco Guarnieri e outros.

A peça aborda a vida de Tiradentes e se insere na fase dos musicais do Teatro de Arena, reforçando seu propósito de mobilização política. Guarnieri é o Coringa: ele interpreta os fatos, associa-os a pessoas e faz a ação avançar ou recuar, explicando os acontecimentos. David José é Tiradentes. Os demais atores revezam-se numa multiplicidade de figuras que vão compondo os quadros que a peça cria.

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AUTOR: Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri DIREÇÃO: Augusto Boal FOTÓGRAFO: Derly Marques ELENCO / PERSONAGENS: David José (Tiradentes); Gianfrancesco Guarnieri (Coringa, Gonzaga, Cabo, Jerônimo, Garimpeiro, Mineiro, Domingos de Abreu, Alvarenga, Juiz); Jairo Arco e Flexa / Antonio Fagundes (Maya, Padre Rolim, Alvares Maciel, Francisco de Paula, Silvério dos Reis, Cláudio Manuel, Gonzaga); Sylvio Zilber (Jefferson, clérigo, taverneiro, Silvério dos Reis, Alvarenga, Cláudio Manuel); Renato Consorte (Cunha Menezes, homem do povo, barbacena, Silvério dos Reis, Francisco de Paula, Alvarenga, carrasco); Dina Staf / Célia Helena (mulher, Deolinda, Cláudio Manuel da Costa, Bárbara e Heliodora, Marília, viúva Inácia, escrivão); Vanya Sant’Anna / Yara Amaral (mulher, Mônica, Marília, Bárbara, Heliodora, Padre Antonio, filha da viúva Inácia, Pregão); Cláudio Pucci (Domingos de Abreu, bêbado, Maciel, Padre Carlos de Toledo, Cônego Luiz Vieira, Embuçado, Álvares Maciel, Cláudio Manuel); Músicos: Zelão, Romário José Borelli e Luiz Manini.

 

leiam um trecho da peça:

CORINGA:  

Esse homem – Tiradentes! Foi tempo de desespero. Onze homens condenados, dois mortos na prisão, absolvidos. Um terceiro morto, um suicida, infamado até a terceira geração. Foi tempo de desespero.

VOZES (Atores aglomerados a um canto, superpondo frases):

Ai que não pode ser verdade!

E eu que ia para Coimbra! Maldita loucura do alferes! Alguém ainda vai me salvar!

Sou homem de posição!

Já não há respeito!

Isso é infâmia!

Minha filha tinha doze anos!

E eu que deixo um na barriga! Que mais querem, já me ajoelhei! Já neguei tudo o que disse e que fiz! Pedi perdão e demência! Padre, existe o outro lado?

Quem se arrepende encontra perdão!

Não já, depois da morte!

Eu te absolvo em nome do Padre, do Filho, do Espírito Santo!

Os confessados já podem morrer! E eu que nunca me meti em política! (Gritando.) Juliana! Juliana!

TIRADENTES:

Dez vidas eu tivesse.

Dez vidas eu daria,

dez vidas prisioneiras,

Ansioso eu trocaria

pelo bem da Liberdade,

Que fosse por um dia!

Que fosse por um dia,

Ansioso eu trocaria…

(AS VOZES VÃO SE MISTURANDO, REPETEM-SE AS EXCLAMAÇÕES; A VOZ DE TIRADENTES E O ACOMPANHAMENTO MUSICAL FICAM MAIS FORTES.)

 

Cena de "Arena Conta Tiradentes"

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