Day: 11 de junho de 2015

A Cidade Como Negócio

Nova Imagem (9)

Por Gilberto da Silva

Gilberto da Silva é editor da revista Partes. Jornalista e sociólogo. Blog pessoal: www.gilbertodasilva.com

A Editora Contexto acaba de lançar um interessante livro sobre as cidades, fruto de uma construção lenta e coletiva realizada pelos pesquisadores do GESP – Grupo de Geografia Urbana Crítica Radical da Faculdade de Geografia da Universidade de São Paulo. O livro trata da urbanização e da produção do espaço urbano entendidas, na maioria das vezes, como simples resultantes do desenvolvimento econômico nas cidades.

A obra que integra o segundo volume da coleção Metageografia, parte da fundamentação teórico-metodológica orientada pela perspectiva marxista-lefebvriana (Henri Lefebvre) e trata o espaço não apenas como matéria-prima e meio de produção, mas como mercadoria que se valoriza segundo dinâmicas propriamente urbanas, espaciais e financeiras.

Os doze artigos que compõe o livro perfilam um painel de temas que nos coloca de frente para uma discussão que vai além da geografia. São as questões sociais que as permeiam. As cidades viraram mercadoria. As novas dimensões do urbano retratam a moradia como negócio e como valorização do espaço, espaços que são segregados e constituídos por políticas habitacionais e sociais que não dão conta da nossa realidade e que “capitaliza a pobreza como novo negócio mundializado e situa um novo patamar para a produção e reprodução do espaço nas periferias metropolitanas, estabelecendo o imperativo de se analisar as novas particularidades do processo de valorização do espaço nas periferias”. P11).

As cidades são tratadas pelos gestores como espaços de segregação “casa de pobre para pobre, lugar pobre para pobre” (p.179) gerando conflitos que não se resolvem diante das condições de  reprodução capitalista. São questões complexas, mas que os textos ajudam a refletir sobre as dinâmicas de ocupação e uso do espaço urbano.

As cidades são vistas como negócio, como espaço especulatório dos investidores e de acumulação de capital Como afirma o texto introdutório:

o que está posto é a reprodução do urbano como negócio, porque esses processos geram a condição de reprodução da vida na metrópole e reforçam a naturalização da produção de espaços privados, da segregação e da funcionalização, transformando cada vez mais os espaços-tempo da vida, reduzindo as possibilidades de apropriação e de sociabilidade. (p.12)

A obra é voltada para, prioritariamente, profissionais, professores e estudantes de Geografia, Arquitetura e Urbanismo e áreas afins, mas recomendo a todos que tem interesse em conhecer os processos além do visível da deterioração das nossas cidades que leiam o livro.

capa_a_cidade_como_negocio_webA Cidade como negócio

Autor: Ana Fani Alessandri Carlos (Org.), Danilo Volochko (Org.), Isabel Pinto Alvarez (Org.)

Assunto: Geografia

  • ISBN978-85-7244-914-4
  • Formato16 x 23
  • Peso0.406 kg
  • AcabamentoBrochura
  • Páginas272

Morre o ator Christopher Lee, aos 93 anos

lee

O ator britânico Christopher Lee, famoso por interpretar Drácula e o maligno Saruman em O senhor dos anéis, morreu no último domingo, aos 93 anos, informa nesta quinta-feira o jornal The Telegraph.

leedracula

FILMOGRAFIA
1948: Expedição Antártida (Scott of the Antarctic)
1948: O Escravo do Passado (Corridor of Mirrors)
1951: O Falcão dos Mares (Captain Horation Hornblower)
1952: Kyra, A Escrava de Bagdá (Babes in Bagdad)
1952: Moulin Rouge (idem)
1952: O Pirata Sangrento (The Crimson Pirate)
1955: Tormenta sobre o Nilo (Storm Over the Nile)
1955: O Príncipe Negro (The Dark Avenger/The Warriors)
1955: A Favorita de Felipe II (That Lady)
1955: Os Sobreviventes (The Cockleshell Heroes)
1956: A Batalha do Rio da Prata (The Battle of the River Plate)
1956: Pecadoras de Porto África (Port Afrique)
1957: A Fortuna é Mulher (Fortune Is a Woman/She Played With Fire)
1957: A Maldição de Frankenstein (The Curse of Frankenstein)
1957: Amargo Triunfo (Bitter Victory)
1957: Mombasa, a Selva Negra (Beyond Mombasa)
1957: O Vampiro da Noite/Horror de Drácula (Horror of Dracula)
1957: Perigo nas Sombras (Ill Met by Moonlight)
1958: As Sete Mulheres de Minha Vida (The Truth About Women)
1958: À Beira do Cadafalso (A Tale of Two Cities)
1959: O Homem que Enganou a Morte (The Man Who Could Cheat Death)
1959: A Múmia (The Mummy)
1959: Ela Era Irresistível (Too Hot to Handle/Playgirl After Dark)
1959: O Cão dos Baskervilles (The Hound of the Baskervilles)
1960: O Monstro de Duas Caras (The Two Faces of Dr. Jekyll/House of Fright)
1961: Hércules no Centro da Terra (Ercole Al Centro Della Terra)
1961: Um Grito de Pavor (Taste of Fear/Scream of Fear)
1961: A Seita do Dragão Vermelho (The Terror of the Tongs)
1962: Piratas do Rio Sangrento (The Pirates of Blood River)
1963: O Túmulo do Horror (La Cripta e l’Incubo)
1964: A Górgona (The Gorgon)
1964: Piratas Diabólicos (The Devil-Ship Pirates)
1965: Ela (She)
1965: A Maldição da Caveira (The Skull)
1965: Profecias do Dr. Terror (Dr. Terror’s House of Horrors)
1966: Drácula, o Príncipe das Trevas (Dracula, Prince of Darkness)
1966: O Circo do Medo (Circus of Fear)
1966: O Teatro da Morte (Theatre of Death)
1967: O Passado Tenebroso (Die Schlangegrube Und Das Pendel)
1968: As Bodas de Satã (The Devil Rides Out/The Devil’s Bride)
1968: A Maldição do Altar Escarlate (The Crimson Cult)
1968: Drácula – O Perfil do Diabo (Dracula Has Risen from the Grave)
1969: O Cristão Mágico/Um Beatle no Paraíso (The Magic Christian)
1969: Grite, Grite Outra Vez (Scream and Scream Again)
1969: O Ataúde do Morto Vivo (The Oblong Box)
1970: O Sangue de Drácula (Scars of Dracula)
1970: Sangue de Drácula (Taste the Blood of Dracula)
1970: Conde Drácula (Count Dracula)
1970: Júlio César (Julius Caesar)
1970: A Vida Íntima de Sherlock Holmes (The Private Life of Sherlock Holmes)
1971: A Casa que Pingava Sangue (The House that Dripped Blood)
1972: O Soro Maldito (I, Monster)
1972: Essência da Maldade (The Creeping Flesh)
1972: O Expresso do Horror (Horror Express)
1972: O Discípulos de Drácula/Drácula no Mundo da Mini-Saia (Dracula A.D.1972/Dracula Today)
1972: Terror na Penumbra (Nothing but the Night)
1972: Desejo de Vingança (Hannie Caulder)
1973: O Metrô da Morte (Deathline)
1973: O Homem de Palha (The Wicker Man)
1973: Os Ritos Satânicos de Drácula (The Satanic Rites of Dracula)
1973: Os Três Mosqueteiros (The Three Musketeers)
1974: 007 Contra o Homem da Pistola de Ouro (The Man With the Golden Gun)
1974: Diagnóstico: Homicídio (Diagnosis: Murder)
1975: A Vingança de Milady (The Four Musketeers)
1975: Poderes Ocultos (Meatcleaver Massacre)
1975: A Verdadeira História de Drácula (In Search of Dracula)
1976: Uma Filha para o Diabo (To the Devil – A Daughter)
1976: Drácula, Pai e Filho (Drácula, Père et Fils)
1977: O Dia do Juízo Final (End of the World)
1977: Aeroporto 77 (Airport ’77)
1978: Caravanas (Caravans)
1978: Perigo na Montanha Enfeitiçada (Return from Witch Mountain)
1979: A Ilha dos Ursos (Bear Island)
1979: Passageiros do Inferno (The Passage)
1979: 1941 – Uma Guerra Muito Louca (1941)
1979: Uma Aventura na Arábia (Arabian Adventure)
1980: Era uma vez um Espião Once (Upon a Spy)
1981: O Ajuste de Contas (An Eye for an Eye)
1981: À Espera de Golias (Goliath Awaits)
1981: Salamandra (Salamander)
1982: A Mansão da Meia Noite (House of the Long Shadows)
1983: India, Mistério, Amor e Guerra (The Far Pavillions)
1984: Loucuras num Hotel de Praia (The Rosebud Beach Hotel)
1985: Grito de Terror (Howling 2: Your Sister Is a Werewolf)
1985: Grito de Horror 2 (The Howling II: Stirba – Werewolf Bitch)
1985: A Máscara do Crime (Mask of Murder)
1986: A Idade Do Lobo (The Girl)
1987: Mio na Terra da Magia (Mio in the Land of Faraway)
1988: Mercador de Xangai (Man Against the Mob)
1989: As Aventuras na Ilha do Tesouro (Treasure Island)
1989: O Enigma dos Deuses (Olympus Force)
1989: A Volta dos Mosqueteiros (The Return of the Musketeers)
1990: Missão Águia – O Último Ataque (Fall of the Eagles)
1990: Dublê de Guerra (The Care of Time)
1990: Gremlins II – A Nova Turma (Gremlins II – The New Batch)
1991: Jornada de Honra – Shogun Mayeda (Shogun Mayeda)
1991: Sherlock Holmes – Incidente em Victoria Falls (Incident at Victoria Falls)
1992: As Aventuras do Jovem Indiana Jones (The Young Indiana Jones Chronicles – Adventures In)
1993: Trem da Morte (Death Train)
1994: Funny Man – O Príncipe da Maldade e da Travessura (Funny Man)
1994: O Gladiador Imortal 2 – Na Arena da Morte (Gladiator Cop)
1994: Loucademia de Polícia, Missão Moscou (Police Academy: Mission to Moscow)
1996: Os Babacas (The Stupids)
1996: Bíblia Sagrada – Moisés (The Bible: Moses)
1997: Astrologia – Sete Mil Anos de Magia (Astrology)
1997: O Enigma de Talos (Talos: The Mummy)
1997: A Odisséia (The Odyssey)
1997: Tarot – O Mistério das Cartas (Tarot)
1999: A Lenda Do Cavaleiro Sem Cabeça (Sleepy Hollows)
2000: Em Busca da Terra Prometida (In the Beginning)
2001: O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel (Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring)
2002: O Senhor dos Anéis – As Duas Torres (The Lord of the Rings: The Two Towers)
2002: Star Wars, O Ataque dos Clones (Star Wars: Episode II – Attack of the Clones)
2003: O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei (The Lord of the Rings: The Return of the King)
2004: O Último Unicórnio (The Last Unicorn) – voz
2004: Rios Vermelhos 2: Anjos do Apocalipse (Les Rivières Pourpres 2 – Les Anges de l’Apocalypse)
2005: Star Wars – Episódio III (Star Wars: Episode III – Revenge of the Sith)
2005: João Paulo II (Pope John Paul II)
2005: A Fantástica Fábrica de Chocolate (Charlie and the Chocolate Factory)
2007: A Bússola de Ouro (The Golden Compass)
2007: Trair é uma Arte (Boogie Woogie)
2010: Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland) – voz
2011: Caça às Bruxas (Season of the Witch)
2011: A Inquilina (The Resident)
2011: A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
2012: Sombras da Noite (Dark Shadows)
2012: O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (The Hobbit: An Unexpected Journey)
2013: Trem Noturno para Lisboa (Night Train to Lisbon)
2013: O Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Smaug)
2014: O Hobbit: Lá e de Volta Outra Vez (The Hobbit: There and Back Again)

Nós éramos as vítimas de nós mesmos

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Por Gilberto da Silva

 “Por vezes é útil, para compreender melhor as questões da actualidade, afastarmo-nos delas em pensamento para depois, lentamente, a elas regressarmos. Compreendêmo-las, então, melhor. Pois quem se embrenha apenas nas questões do momento, quem nunca olha para além delas, é praticamente cego.” ([Norbert Elias, A Condição Humana, Lisboa, Difel, 1991 p13)

Gilberto da Silva é editor da revista Partes. Jornalista e sociólogo. Blog pessoal: www.gilbertodasilva.com

Sabemos que um dos maiores agressores do reino animal é o homem. Mais do que ser vítima, o grande problema do homem moderno é vitimar-se, ou seja, tornar-se vítima ou deixar-se transformar em vítima. Vitimar-se é ficar imolado em holocausto aos deuses. Não falaremos aqui do processo de vitimização jurídica, área que desconheço por completo.

Viver numa sociedade agressora e sem amor é deveras complicado. A perda da capacidade de amar, de sentir e de ter afeto carrega o homem à sua própria autodestruição. É que o amor não traz apenas felicidade, ele nos leva à vida ou ao encantamento do ser.

Certo é que o medo ajuda a nos vitimar-se. Mas ele existe para nos manter vivos e atentos. O excesso é que mata. Durante nossas vivências somos várias vezes levados à crer que devemos nos submeter ao outro ou que devemos ficar em posição de impotência diante de certos acontecimentos. Ninguém é o que gostaria ou poderia ser e temos a inveja a nos rondar inquietamente.

Extraídos os acontecimentos naturais e os imponderáveis, na maioria das vezes somos responsáveis por nossos erros ao deixar-nos ser manipulados por outrem. E dai se origina o sentimento de inferioridade e os diversos distúrbios dele decorrente. Fato que devemos, sobretudo, nos proteger.

Sabemos da dificuldade de domar as forças malignas da natureza e ficamos a nos perguntar: como combater nossos algozes? Responderíamos: sempre combatendo com altivez a qualquer ataque. Isso não significa tornar tudo bélico, mas sim revestirmos de amor próprio e de compaixão e buscar em si, no autoconhecimento, a chave para vencer os desafios que são postos.

Não podemos usar a desculpa como a válvula de escape para tudo. Devemos abandonar a passividade e aqui reside nosso amadurecimento. A proatividade aqui é essencial. Como seres desejantes, devemos transformar nossos pequenos desejos em grandes sonhos e conquistas.

Podemos nos tornar vítimas de tudo e de todos: golpistas, manipuladores, bandidos, agressores, políticos, vítimas do social, cultural político e econômico e até do próprio ego fato tão bem ilustrado no filme Birdman (ou a Virtude inesperada da ignorância).

Em muitos casos é necessária a forte ação do Estado ou da sociedade para combater as causas da vitimação.

Baltasar Grácian escreveu no aforismo 217 de A Arte da Sabedoria Mundana:

Não amar nem odiar para sempre. Trata os amigos de hoje como se pudessem se tornar os piores inimigos amanhã. Uma vez que isso pode acontecer na realidade, que tal fato seja previsto. Não devemos dar armas aos vira-casacas da amizade; eles empreenderiam a maior guerra com elas. Ao contrário, com os inimigos, deixe a porta aberta para a reconciliação e que seja a da cortesia. Ás vezes, a vingança se transforma em tormento, e a satisfação de ter ferido alguém frequentemente é motivo de pesar.”

Mas de nada adianta sairmos da posição de vítima e passar ativamente à posição de algoz como muitos fazem. Diria em forma quase pejorativa: autopurificar-se não é tirar a merda de si e jogar no outro! Ao agirmos dessa forma aparentemente resolvemos nossos problemas imediatos, mas tal atitude não nos leva ao autoconhecimento.

“As vítimas, quando irrompem na história, que criam o novo” escreveu Enrique Dussel em  Ética da libertação na idade da globalização e da exclusão. (Petrópolis: Vozes, 2000, p. 501).

Quando será o dia que diremos: nós éramos as vítimas de nós mesmos!

Segue abaixo letra e música:

Kings And Queens

THIRTY SECONDS TO MARS

KINGS AND QUEENS

Into the night

Desperate and broken

The sound of a fight

Father has spoken

We were the Kings and Queens of promise

We were the victims of ourselves

Maybe the Children of a Lesser God

Between Heaven and Hell

Heaven and Hell

Into your lives

Hopeless and Taken

We stole our new lives

Through blood and pain

In defense of our dreams

In defense of our dreams

We were the Kings and Queens of promise

We were the victims of ourselves

Maybe the Children of a Lesser God

Between Heaven and Hell

Heaven and Hell

The age of man is over

A darkness comes and all

These lessons that we learned here

Have only just begun

We were the Kings and Queens of promise

We were the victims of ourselves

Maybe the Children of a Lesser God

Between Heaven and Hell

We are the Kings

We are the Queens

We are the Kings

We are the Queens

REIS E RAINHAS

Dentro da noite

Desesperados e destruídos

O som de uma luta

O Pai já tinha dito

Nós éramos os reis e as rainhas da promessa

Nós éramos as vítimas de nós mesmos

Talvez as crianças de um deus menor

Entre o céu e o inferno

Céu e inferno

Dentro de suas vidas

Sem esperança e capturados

Nós roubamos nossas novas vidas

Através de sangue e dor

Em defesa de nossos sonhos

Em defesa de nossos sonhos

Nós éramos os reis e as rainhas da promessa

Nós éramos as vítimas de nós mesmos

Talvez as crianças de um deus menor

Entre o céu e o inferno

Céu e inferno

A era do homem acabou

Uma escuridão chega a todos

Essas lições que aprendemos aqui

Estão apenas começando

Nós éramos os reis e as rainhas da promessa

Nós éramos as vítimas de nós mesmos

Talvez as crianças de um deus menor

Entre o céu e o inferno

Nós somos os reis

Nós somos as rainhas

Nós somos os reis

Nós somos as rainhas

Vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=hTMrlHHVx8A

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