Dia: 7 de agosto de 2015

Resignificando os clichés

Por Gilberto da Silva

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Meu primeiro emprego foi numa Gráfica, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.  O tipográfico era uma cara amigo e trabalhava diante de uma grande caixa de madeira cheia de letrinhas. Tentava eu entender a família das fontes, sua beleza e aplicabilidade. Não tinha muito tempo pois eu já cuidava da parte mais moderna que era o fotolito. Mas achava lindo a paciência que tinha que ser exercida a função do compositor tipógrafo na sua caixa tipográfica.

Na gráfica, entre resmas, tintas e muito barulho eu ficava maravilhado com o mundo das artes gráficas, assim conheci pela primeira vez o “cliché” uma placa de metal gravada com imagens ou textos em relevo para reproduzir no processo tipográfico. Mas tudo aquilo caminhava para a superação. A arte da composição tipográfica foi subs­ti­tuí­da pelo processo offset e depois pela impressão digital.

cliches-origem-da-palavra

 

Segundo meu velho amigo Hoauais, cliché vem do francês clicher (particípio do verbo). Mas palavra é uma coisa doida e com o tempo e a geografia vai ganhando conotações e significados diversos. Assim, cliché passou a ser sinônimo de chavão (substantivo masculino da língua portuguesa e significa uma ideia, frase ou pensamento que já está desgastado), ideia batida, formula muito repetitiva, lugar comum…

Então porque não pegar os clichês e usá-los com outra conotação? Desvirtuar o lugar comum, desregrar a fórmula, transformá-la em novos significados?

 

Jaboticaba Mix
Lulu Santos

Dentro dos seus olhos
É um verso tão comum,
É duro evitar o chavão (clichê),
Quando se vive um

Eu me acho apaixonado,
E voce me pergunta ‘e daí?’,
Mas é que do meu ponto de vista
É como um novo universo que se cria,
Bem no meu quintal
Outra eternidade em potencial,
Um novo espaço tempo, outro carnaval,
Onde tudo tá valendo, tudo é natural (normal)

Olhos de jaboticaba,
Dentro deles eu me vi,
Olhos de jaboticaba,
Por conta deles revivi

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