Day: 30 de agosto de 2017

A mulher não se dizputa, canta Carol Naine

Com o carro chefe DIZPUTA, uma das três músicas finalistas da categoria Melhor Canção do Prêmio da Música Brasileira, concorrendo nada mais com “Descaração familiar”, de Tom Zé, e “Nunca mais vou jurar”, de Zeca Pagodinho. Carol Naine apresenta seu disco “Qualquer pessoa além de nós”, segundo álbum autoral de Carol, lançado oficialmente em CD em maio deste ano em um show no Rio de Janeiro, terra da cantora.

A agora paulistana (desde 2015) coloca sua voz a serviço de um repertório repletos de canções críticas, de questionamentos a dogmatismo, a sexismo e diversidade cultural, fruto desta vivência na metrópole sugando o fruto das turbulências da sociedade contemporânea, costurando as reflexões cotidianas, de quem saiu do mundo da televisão e das redes sociais paras as ruas movimentas da capital.

Carol Naine faz show em São Paulo no dia 17 de setembro, no SESC Bom Retiro. O show é às 16h  e os ingressos são gratuitos. Como não sou Deus, vou tentar ir ao show…

“Qualquer pessoa além de nós” também ganhou menção honrosa e entrou para a lista do Embrulhador de “Melhores Discos da Música Brasileira“. Diversas canções deste trabalho foram premiadas em festivais do Brasil, como Femucic (do SESC), Femup, São Lourenço e Limeira. Carol também tem participado de shows em teatros na cidade e no estado de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Ceará.

Fetiche

Gilberto da Silva

Da primeira vez que entrei naquela sala senti um arrepio e uma dor profunda. Não podia acreditar que aquilo que se passava por uma mesa, não fosse uma mesa. Aquele jovem, moderno, articulado, dotado de uma brilhante intelectualidade convidou-me para um café com torradas. Ainda atordoado, não aceitei o convite para tomar café naquele “móvel”. Sai espumando ódio daquele lugar, como se empunhasse uma bandeira de luta numa passeata. Não conseguia esquecer cena tão dantesca; ou melhor, cena de apenas “o inferno”. Jurei não voltar ao local, nunca mais, nem por um momento apenas.

Da segunda vez que entrei naquela sala pude, ainda sob efeito do estranhamento, perceber detalhes daquele corpo. A sua forma ainda me remetia aos tempos do meu conhecimento sobre aquela forma. Vacilei, quase sentei em uma cadeira (absorveria um café, ou um chocolate, sem ainda depositar a xícara em sua linha reta), mas desisti diante de uma inesperada reflexão sobre as formas de vida. Pense: vã filosofia… Sai do local com uma sensação que as relações humanas não estavam bem e que algo de pobre podia estar ocorrendo naquele reino. Sim apoderei-me das leituras de Shakespeare e tentei entendeu um pouco sobre as relações de poder.

Da terceira vez, passados anos de obscuridade, adentrei na velha sala do velho senhor que, de forma simpática e lisonjeira, me apresentou seus discípulos – todos bem vestidos e dóceis – e convidou-me à sentar numa cadeira. A mesa estava lá. Havia outras, todas elas prontas para o uso em outros locais da casa. Já era uma mesa em sua forma mesa, natural, trivial, coloquial. Uma mesa, arquitetonicamente parecida com um corpo humano, decorava a sala.