Dia: 15 de maio de 2018

Sergio Sampaio, o cantor que botou o bloco na rua

Sérgio Moraes Sampaio (Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo, 13 de abril de 1947 — Rio de Janeiro, 15 de maio de 1994)

Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua

“Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou”

 

Polícia, bandido, cachorro, dentista

“Eu tenho medo de polícia, de bandido, de cachorro e de dentista
Porque polícia quando chega vai batendo em quem não tem nada com issoPorque bandido quase sempre quando atira não acerta no que mira
Porque cachorro quando ataca pode às vezes atacar o seu amigo”

Roda Morta (reflexões de um executivo)

“Eu sei que quando acordo eu visto a cara falsa e infame
como a tara do mais vil dentre os mortais
E morro quando adentro o gabinete
Onde o sócio o e o alcaguete não me deixam nunca em paz”

Maiúsculo

“Como é maiúsculo
O artista e a sua canção
Relação entre Deus e o músculo
Que faz poderosa a sua criação”

Velho Bandido

Eu que sou filho de um pai teimoso
Descobri maravilhado que sou mentiroso
Sou feio, desidratado e infiel, bolinha de papel
Que nunca vou ser réu dormindo

E descobri como um velho bandido
Que já tudo está perdido neste céu de zinco
Eu que só tenho essa cabeça grande
Penso pouco, falo muito e sigo pr’adiante
Descobri que a velha arca já furou
Que não desembarcou
Dançou na transação dormindo
E como eu fui o tal velho bandido
Vou ficar matando rato pra comer
Dançando rock pra viver
Fazendo samba pra vender… sorrindo

Quem é do Amor

 

Quem é do amor não engana,
Ama mesmo a duras penas
Por isso não são pequenas,
As doces vezes do amor.
Quem é do amor é mais quente,
Viaja contra a corrente

Tem sangue de aguardente
Nas doces veias do amor.Quem é do amor tem um nome,
De raoni da floresta
Ruschi do espírito santo
Da medicina da selva.
Quem é do amor é mais simples,
Tem uma cara de nuvem
E não permite que sujem,
O verde da sua relva.

Quem é do amor somos nós,
Consolo dos idiotas
Chave de se abrir as portas,
Dupla que se satisfaz.
Que amor assim é pros vivos,
Pros rituais, pros sentidos
Não é para ser escrito,
Não é para os livros, que se faz.

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