Mês: julho 2020

Elogio de Robert Kurz

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Elogio de Robert Kurz,

proferido em 26 de Julho de 2012
no cemitério Wöhrd em Nuremberga

Cara Roswitha,
Cara Senhora Kurz,
Caros parentes,
Caras amigas e amigos de Robert,

A notícia da morte de Robert chegou-me na viagem de regresso de férias. Fiquei sem palavras. Ao horror juntou-se a raiva pelo erro médico e pelo sofrimento de Robert, pelas feridas não cicatrizadas que foram sendo sucessivamente abertas, de modo que o seu corpo ficou marcado por ferimentos e lesões. Tudo isto misturado com a tristeza pela perda do seu pensamento bem próprio e inspirador, e sobretudo pela perda de um homem tornado para mim querido e precioso – apesar dos nossos poucos encontros –, um homem cujo pensamento era para o que vive. Tanto mais penso poder imaginar o que significa a morte de Robert para aqueles que lhe estão mais próximos.

À minha mudez juntou-se a reflexão sobre a importância de Robert para mim, um teólogo católico de esquerda, e sobre o que tenho de lhe agradecer. Ele moldou como ninguém nos últimos anos a minha visão de mundo, a minha reflexão e o meu compromisso. Tive de dizer adeus – e muitas vezes dolorosamente – a padrões de pensamento ainda familiares e vejo-me desafiado a repensar mesmo as categorias teológicas. Tornou-se para mim claro que a chamada teologia moderna não atinge a profundidade da análise categorial necessária para conseguir perceber as actuais ameaças de forma adequada. Acima de tudo, ela continua presa na afirmação do iluminismo – mesmo se assume a dialéctica do iluminismo na sua reflexão – e pensa poder juntar-se a um núcleo supostamente emancipatório do pensamento iluminista.

Comungo com Robert a exasperação com o sofrimento das pessoas através de uma história que se caracteriza como história de sofrimento. O desafio apresentado pelo sofrimento não é simplesmente intemporal, mas é sobretudo um problema histórico, o problema dos sofrimentos no e sob o capitalismo. Problema que não pode ser simplesmente resolvido – e as análises de Robert tornam isso bem claro – com moral ou com boa vontade. Pelo contrário, – na formulação de Adorno – o mal reside “nas relações que condenam as pessoas à impotência e à apatia, relações que elas deveriam modificar; e não reside primariamente nas pessoas e na forma como essas relações lhes surgem” (1).

O desafio do sofrimento humano não tornou Robert moralista, mas deu-lhe que pensar. Levou-o a uma análise que lhe permitiu reconhecer o que constitui o mal da situação na história do capitalismo: a valorização do valor como fim em si mesmo irracional, e – como ele assumiu do pensamento de Roswitha – a dissociação das actividades que servem para a reprodução da vida. Valor e dissociação constituem a dominação abstracta de um sujeito automático que condena as pessoas à impotência e à apatia. É importante distinguir entre o que é entendido categorialmente como essência do capitalismo no contexto formal de valor e dissociação, de trabalho abstracto, Estado, sujeito, etc., e o que pode ser descrito como suas manifestações. As alterações no plano das manifestações não atingem o contexto formal nem, portanto, a dominação abstracta. Com o reconhecimento desta, no entanto, ficam bloqueadas as vias da facilidade e do alívio. Fica bloqueada a fuga para a imediatidade tão estafada como simplista do activismo político ou da orientação de campanhas nos movimentos sociais. Não faz sentido invocar o trabalho bom contra o trabalho alienado, o Estado contra o mercado, o sujeito contra o objecto. Um pólo não é a solução para o outro, mas parte do problema a ser resolvido.

Responder de forma moralista e activista ao desafio do sofrimento das pessoas no capitalismo parecerá concreto. Na verdade, essa resposta é abstracta num mau sentido, pois abstrai da mediação objectiva que faz sofrer as pessoas na sua pele. Insistir na mediação objectiva do sofrimento dos seres humanos no capitalismo e, portanto, na indispensabilidade da teoria é tão lúcido que pode levar a qualificar a pessoa como Lúcifer. O portador da luz é transformado em Satanás. Quem traz a luz do conhecimento a um sistema de funcionamento cego sofre rejeição, difamação e hostilidade por parte daqueles que se agarram à pretensa segurança de categorias e estratégias de acção familiares, não conseguindo assim abandonar nem mesmo as ideias ilusórias e irracionais de superação do capitalismo dentro do capitalismo.

Não é por acaso que o pensamento de Robert também foi sempre perseguido pela ignorância e hostilidade, pelo sarcasmo e zombaria, bem como por acusações de afastamento da prática e de falta de comunicação. No entanto, Robert insistiu em procurar a verdade do que precisava de ser reconhecido. Ele resistiu – para usar as palavras de Adorno – “à compulsão quase universal de confundir a comunicação do conhecido com o conhecido e, eventualmente, dar mais importância à comunicação do que ao conhecido” (2). Ele insistiu em que “o critério do verdadeiro não é sua comunicabilidade imediata a qualquer um.” (3)

Resistir às inimizades e permanecer firme perante as hostilidades é sobretudo possível a pessoas no seu íntimo orientadas de maneira contemplativa – a contemplação entendida como tentativa persistente e resistente de ir até ao fundamento das relações, como expressão de vontade indomável de conhecimento teórico, ou seja, de conhecimento que tenha em vista a totalidade. Isto não é feito por amor de ganho de conhecimento privado, mas para levar o conhecimento aos outros ou, na linguagem do misticismo, contemplata aliis tradere, para levar aos outros o que foi contemplado. No interesse do conhecimento e da humanidade resta esperar que os conhecimentos que Robert nos deixou a nós e ao público possam ser apreendidos e desenvolvidos e obtenham o reconhecimento que a ele lhe foi negado muitas vezes em vida. Esperemos que ainda haja tempo de o pensamento de Robert se tornar frutífero, para pôr fim ao que ele descreveu como uma catástrofe que se está a tornar realidade.

Na teologia há um grande pressentimento de uma catástrofe iminente de desumanização e com ele a exasperação e quebra de um pensamento teológico fechado no idealismo, que mistura entre si conhecimento e sentido, que arranca do absurdo um sentido sob a coacção identitária idealista de tal modo que mesmo o sofrimento mais absurdo tem de ser declarado com sentido. J. B. Metz deu grande importância a este tema colocando no centro da sua teologia a questão de como, após a catástrofe de Auschwitz, a teologia pode continuar a ser desenvolvida, de como pode continuar a falar-se de Deus.

O horror perante o extermínio sistemático de pessoas torna-o sensível às ameaças da humanidade no presente. Ele fala do “desaparecimento do homem na modernidade ou na pós-modernidade” (4), de modo que o homem corre o risco de consentir “uma lógica evolutiva não humana, em que a história é em última instância substituída por leis de natureza económica…” (5). O que isto significa, essencialmente, tornou-se para mim claro no seu dramatismo ao encontrar aquilo que provoca a resistência mais violenta no pensamento de Robert: a teoria da crise. O que Metz designa por “uma lógica evolutiva não humana” (6), é a ‘lógica de crise’ do capitalismo que ameaça os seres humanos. As pretensas leis de natureza económica implicam aquele limite lógico interno e aquele limite ecológico externo que estão no centro da teoria da crise de Robert.

A crise do capitalismo, que actua diante dos nossos olhos cada vez mais severamente, empurra as pessoas para uma luta sem tréguas pela auto-afirmação na concorrência, em última instância para uma luta de todos contra todos pelas possibilidades que se extinguem de valorização da força de trabalho. As pessoas estão sob pressão de se valorizar constantemente ou serem excluídas como não-valorizáveis ficando no entanto ainda incluídas sob a dominação do trabalho. Robert repetidamente chamou a atenção para as estratégias bárbaras com que ameaça a gestão da crise ou que já se tornaram realidade nas regiões do globo em colapso. Sob o ditame da valorização todos os conteúdos – incluindo os do homem e do seu mundo – correm o risco de se tornar quantidades abstractas de valorização. É exactamente isto que torna o processo de valorização desprovido de conteúdo e o combina com um potencial duplo para a violência: ele visa a aniquilação do outro com a finalidade da auto-preservação a todo custo e, finalmente, a auto-aniquilação com a finalidade da execução da própria existência sem conteúdo.

Perante a destruição de seres humanos como fim em si mesmo tornada realidade em Auschwitz e perante as catástrofes actuais e iminentes, qualquer pensamento filosófico ou teológico, que pense poder afirmar pomposamente um sentido metafísico universal da história ou até apenas o sentido de uma vida puramente privada virando as costas à história de sofrimento dos seres humanos, tem de ficar sem palavras. E, no entanto, parece que a questão metafísica, como questão sobre a ultrapassagem dos limites, sobre a ultrapassagem dos limites históricos, mas também sobre a possível ultrapassagem dos limites estabelecidos com a finitude do ser humano, é uma questão impreterível. Na nossa situação histórica de ameaça para os seres humanos no e através da crise do capitalismo, não é uma simples questão sobre o sentido da história, mas uma questão sobre a possível salvação do ser humano em face da mortal ausência de perspectivas da gestão da crise capitalista.

No último evento em que pude participar na discussão com Robert o assunto era ‘o capitalismo como religião’. Robert deixou claro que com o capitalismo a transcendência já não legitima as condições sociais colocando-se acima delas, mas migrou para a imanência, precisamente para o processo de valorização do valor por amor de si mesmo. O capitalismo “engoliu, por assim dizer, a transcendência e transformou-a em sua própria e permanente transgressão.” (7)

Mas então – em linha com Nietzsche – Deus não estaria morto, mas sim migrado para a imanência da valorização abstracta do valor como fim em si mesmo. Ele estaria imanente a esse mundo ‘invertido’ em que o destino dos seres humanos está ligado para a vida e para a morte à produção de mercadorias como fim em si da acumulação de capital. Ele apenas morreria com este mundo e com o ser humano que nele está a ser destruído.

Será que a distinção entre transcendência e imanência ou, na linguagem teológica, a distinção entre Deus e os ídolos como imanência absolutizada inclui uma perspectiva de salvação? Transcendência seria aquilo que não pode ser reduzido ao conceito na lógica da identidade nem pode ser instrumentalmente valorizado. A proibição de imagens em sua forma teológica e filosófica protege essa transcendência. Ela não deveria ser pensada ‘para além’ da história, mas produzindo efeito na história, como uma questão em aberto e que abre uma imanência fechada à necessidade material e somática do ser humano e assim como questão a ser transcendida. Transcendência assim entendida marca uma diferença fundamental entre o mundo como ele é e como poderia ser.

Seria uma transcendência que nem sobreeleva o mundo como ele é nem se funde com ele. As tentativas de pensar assim a transcendência não caem do céu das ideias, mas têm suas raízes na experiência histórica. Biblicamente, são constituídas pelas experiências de sofrimento histórico, que clamam pela abolição das fronteiras: da experiência do sofrimento dos escravizados no Egipto, dos deportados sob o domínio babilónico, dos oprimidos sob o sistema de dominação grego até ao Messias crucificado por Roma. A transcendência articula-se no grito pela salvação. Este grito conduz à análise do que o provoca e permite questionar as possibilidades de abolição de todas as casas de escravos na história.

A questão metafísica da transcendência não se coloca apenas em relação à questão das possibilidades de abolir as fronteiras da história. Ela surge não apenas em relação ao sofrimento actual, mas também em relação aos sofrimentos no passado, especialmente daqueles que foram vítimas das várias formas de dominação. Perante o seu destino, a questão mais urgente é saber se o ‘curso das coisas’ é que a opressão e a violência triunfam sobre a vida. E se mesmo uma sociedade melhor teria que viver com o conhecimento cruel de que a felicidade é inseparável do sofrimento de todos os infelizes.

A questão metafísica coloca-se também em face de nosso próprio sofrimento perante a finitude e a morte, e hoje especialmente perante a morte de Robert. Desistir simplesmente desta questão seria correr o risco de, perante o fáctico, passar rapidamente à ordem do dia e, apesar ou por causa de todas as invocações de memória, deixarmo-nos cair no esquecimento.

Uma resposta a essas perguntas está proibida até mesmo à teologia. Também ela não tem certezas para proclamar. Mas talvez ela possa, com toda a modéstia, falar da esperança de que ainda não tenha sido dita a última palavra sobre o sofrimento dos seres humanos. Essa esperança está consciente do risco de poder enganar-se e sofrer então uma desilusão. O seu suporte não é a segurança de verdades racionais necessárias, mas uma narrativa que reflecte experiências históricas. Dela está infelizmente desaparecido Deus e o que o seu nome misterioso inclui – Eu estarei lá como salvador da escravidão e da opressão, do sofrimento e da morte.

Em tal privação mantém-se viva a questão da transcendência, a questão da abolição das fronteiras históricas e naturais. Quem sente a falta de alguma coisa não se conforma com o que existe e mantém em aberto outras possibilidades. Neste sentido sentimos a falta da libertação da sujeição ao movimento de fim em si mesmo do capital. Sentimos a falta da salvação de todos aqueles que foram mortos na dominação associada à injustiça e à violência. Sentimos a falta dos nossos mortos. Sentimos a falta de Robert e podemos talvez descobrir que justamente na dor da ausência ele está próximo e presente.

Heribert Böttcher

(1) Theodor W. Adorno, Negative Dialektik [Dialética Negativa], in: Gesammelte Schriften, Vol. 6, Frankfurt am Main 2003, 191

(2) Ibid., 51

(3) Ibid.

(4) J.B. Metz, Memoria Passionis, Freiburg 2006, 79

(5) Ibid., 92

(6) Ibid ..

(7) Jörg Ulrich, Gott in Gesellschaft der Gesellschaft. Über die negative Selbstbehauptung des Absoluten [Deus em sociedade com a sociedade. Sobre a auto-afirmação negativa do absoluto], em: Exit! Krise und Kritik der Warengesellschaft [Exit! Crise e crítica da sociedade mercadoria] 2/2005, 23-52, 32

Olhar, olhares, a fotografia em questão

No domingo, 26 de julho, 10h30, o Café da Manhã da Vitrine do Giba conversará com quatro convidados que lidam com a imagem fotográfica, seja profissionalmente seja de forma amadora. Você pode participar enviando sua contribuição, sugestão ou perguntas até sábado pelo Whatszapp: 55 11 94591-1084 sempre com a #cafedamanhadavitrinedogiba Aproveite e INSCREVA-SE no canal do Youtube @vitrinedogiba.
Links para assistir ao vivo
Youtube: https://youtu.be/4r7RWFkVtHA
Facebook: https://www.facebook.com/vitrinedogiba/

Convidados:
Cuca Jorge, como muitos da sua geração, aprendeu na raça. Atuou como repórter fotográfico por mais de vinte anos, passando pela imprensa diária, especializada e imprensa sindical e há oito se dedica a foto de natureza e de aventura. Há cerca de dez anos desenvolve cursos de técnica básica e oficinas com o intuito de valorizar a fotografia como arte e o fotógrafo como autor. Atualmente oferece a Oficina de Linguagem Fotográfica Despertar do Olhar, pela internet.
Yuri Zoubaref é fotógrafo desde sempre, e atua como repórter fotográfico há mais de 30 anos, passando por imprensa especializada e imprensas sindical, além da experiência com feiras e eventos, fotos de produto e still. Começou ainda criança, quando ajudava seu pai no laboratório preto e branco. Mais tarde, com 14 anos começou a fotografar na Galeria de Arte Alberto Bonfiglioli e aos 17, já trabalhando para revistas especializadas, produziu sua primeira capa. Já usou todas as tecnologias – só escapou do daguerreótipo
Ana Paula Cordeiro é formada em Pedagogia, com mestrado e Doutorado em Educação Pela Unesp- Universidade Estadual Paulista. Docente da Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp, Campus de Marília. Coordena os Projetos Ludibus-brinquedoteca móvel, Oficinas de Teatro da Unati- Universidade Aberta á terceira Idade- da Unesp de Marília e o projeto de fotografia “olhares para o interior de São Paulo”.
Sueli Rojas é ilustradora e designer gráfica por profissão há quarenta anos, atuando em agências de propaganda e desde 1980 em editoras de livros e revistas. Além disso, ela é artista plástica por pura paixão, nasceu assim, com os olhos e o coração abertos para a arte. Depois de passar pelo curso de Artes Plásticas da ECA/USP, estudou com artistas como Braz Uzuelli, Fernando Odriozola e filosofia da arte com Rubens Espírito Santo. Participou de uma exposição coletiva em Florença e, desde 1983, participa de mostras coletivas e individuais em espaços alternativos e tradicionais de São Paulo.

A conversa é mediada pelo jornalista e sociólogo Gilberto da Silva, mestre em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero e pesquisador do grupo Comunicação e Sociedade do Espetáculo organizado pela Cásper Líbero. Foi professor do ensino secundário e universitário e analista de ordenamento territorial da Prefeitura de São Paulo. Edita a revista P@rtes (www.partes.com.br) e o blog Vitrine do Giba.

Meio ambiente e as eleições municipais 2020 – entrevista com Sandra Inês Baraglio Granja

Entrevista com a doutora em Ciências Ambientais Sandra Inês Baraglio Granja. Um bate papo sobre as questões ambientais e as plataformas das candidaturas para prefeitos e vereadores.Entrevista com a doutora em Ciências Ambientais Sandra Inês Baraglio Granja. Um bate papo sobre as questões ambientais e as plataformas das candidaturas para prefeitos e vereadores.

Entrevista com Padre Jaime C. Patias

A conversa de hoje é com o padre tuparendiense Jaime Carlos Patias, conselheiro geral para a América dos Missionários da Consolata que fala com a gente diretamente de Roma.

Jaime Carlos Patias nasceu no dia 27 de janeiro de 1964, em Tuparendi (RS). É o sétimo filho, em um total de nove nascidos de Maria Righi e Arlindo Maróstega Patias, uma das famílias de Esquina Buriti. Sou natural de Esquina Buriti, comunidade no interior de Tuparendi (RS).

Cursou o ensino primário na Escola Salgado Filho de Buriti. Aos 13 anos de idade, em 1977, ingressou no Seminário Nossa Senhora de Fátima, dos Missionários da Consolata, em Três de Maio, onde fez o Primeiro Grau. Fez o Segundo Grau em Erechim (RS) (1980 – 1983) e a Faculdade de Filosofia (licenciatura) na PUC do Paraná (1984 – 1986), em Curitiba.  Em 1987 fez o Noviciado na cidade de Bucaramanga na Colômbia, onde emitiu sua Primeira Profissão Religiosa em 9 de fevereiro de 1988. Seguiu para Londres na Inglaterra para cursar Teologia com bacharelado pela Universidade Católica de Lovaina, Bélgica.

Foi ordenado diácono em Londres, no dia 13 de fevereiro de 1993. No dia 29 de outubro de 1993 foi ordenado Padre na capela São José de Buriti tendo como lema “A fé se fortalece na medida em que é partilhada” (RM) Rezou sua Primeira Missa em 31 de outubro de 1993 e foi enviado para Moçambique na África (1994-2001). Trabalhou nas missões de Inhambane, onde foi pároco nas paróquias de Vilankulos, Mapinhane e Maimelane. Foi fundador da Escola Secundário “Padre Gumiero” de Mapinhane. Na cidade da Matola foi reitor do Seminário Filosófico da Consolata, professor no Seminário Interdiocesano Santo Agostinho e no Instituto Maria Mãe da África.

Em 2001 regressou ao Brasil e fez o Mestrado em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero em São Paulo. ); membro do Grupo de Pesquisa Comunicação na Sociedade do Espetáculo, autor de diversos artigos e co-autor de vários livros, entre os quais Comunicação, Cultura de Rede e Jornalismo, (Almedina, 2012). , autor de vários artigos e co-autor do livro Comunicação Sociedade do Espetáculo, São Paulo: Paulus, 2006.

Foi diretor da revista e do site Missões por dez anos (2002-2012).
Entre outros trabalhos, foi Conselheiro e Vice-Superior da sua Congregação no Brasil. Em 2012 transferiu-se para Brasília (DF) para atuar nas Pontifícias Obras Missionárias, no cargo de Secretário Nacional da Pontifícia União Missionária e como assessor de Comunicação. Prestou vários serviços de formação em todo o Brasil.

No dia 13 de junho de 2017, foi eleito Conselheiro Geral do Instituto Missões Consolata. Hoje reside em Roma e acompanha, em especial, os trabalhos da Congregação no Continente Americano.

Guilherme de Almeida

O Príncipe dos Poetas Brasileiros

Nasceu a 24 Julho 1890
(Campinas, São Paulo, Brasil) Morreu em 11 Julho 1969
(São Paulo, São Paulo, Brasil)

Infância
Um gosto de amora
comida com sol. A vida
chamava-se “Agora”.
Publicado no livro Poesia Vária (1947). Poema integrante da série II. Parte: Os Meus Haikais. In: ALMEIDA, Guilherme de. Toda a poesia. 2.ed. São Paulo: Livr. Martins, 1955. v.

Guilherme de Andrade e Almeida nasceu em Campinas, SP, a 24 de julho de 1890. Filho do jurista e professor de direito Estevão de Araújo Almeida e de Angelina de Andrade Almeida, passou os primeiros anos da infância nas cidades de Limeira, Araras e depois Rio Claro, onde realizou os estudos primários. Em 1902 tornou-se aluno do Ginásio de Campinas e, em 1903, com a vinda da família à cidade de São Paulo, ingressou no Colégio de São Bento. Formou-se, em 1907, no Ginásio Nossa Senhora do Carmo, dos Irmãos Maristas. Em 1912, concluiu o curso da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, tendo, após a formatura, atuado como promotor público em Apiaí e em Mogi-Mirim. De volta à Capital em 1914, trabalhou com o pai até 1923, quando passou a se dedicar prioritariamente à atividade de escritor, iniciada alguns anos antes.

A estreia literária de Guilherme de Almeida se deu em 1916, com Mon Coeur Balance e Leur Âme (teatro), peças escritas em colaboração com Oswald de Andrade e editadas sob o título de Théatre Brésilien. Seu primeiro livro de poemas, Nós, veio a lume em 1917, seguindo-se A dança das horas e Messidor, ambos de 1919, e o Livro de Horas de Sóror Dolorosa, publicado em 1920. Escreveu, em 1921, o ensaio Natalika e os atos em verso Scheherazada e Narciso – A flor que foi um homem. Publicou Era uma Vez… em 1922. Nesse mesmo ano, atuou decisivamente na realização da Semana de Arte Moderna, ao lado de Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Di Cavalcanti e Menotti del Picchia, entre outros. Ajudou a fundar a revista Klaxon (porta-voz do movimento), integrando a equipe de editores; criou a capa do periódico, além de anúncios publicitários dos patrocinadores, de concepção precursora da visualidade da arte de vanguarda e da própria propaganda moderna.

O poeta casou-se em 1923 com Belkiss Barroso do Amaral (Baby), e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde permaneceu até 1925. Nesse ano publicou quatro livros de poemas: Narciso, Encantamento, Raça e Meu, consistindo, estes dois últimos (principalmente Meu), no ápice de sua poesia modernista. Escreveu, também nesse ano, a conferência “Revelação do Brasil pela poesia moderna” e a apresentou no Rio Grande do Sul, em Pernambuco e no Ceará, a fim de difundir os ideais estéticos do Modernismo, regressando, em seguida, a São Paulo.

Em 1932, Guilherme participou ativamente da Revolução Constitucionalista, chegando a se alistar voluntariamente, como soldado raso, e a lutar na cidade de Cunha. Ao final desse Movimento, foi preso e exilado em Portugal, onde permaneceu até o ano seguinte. A estada naquele país forneceu elementos para a elaboração de crônicas reunidas no livro O meu Portugal, publicado em 1933.

Eleito em 1928 para a Academia Paulista de Letras e, em 1930, para a Academia Brasileira de Letras, Guilherme de Almeida foi, durante décadas, o mais popular poeta paulista. Sua obra compreende mais de 70 publicações, entre poesia, prosa, ensaio, tradução, além do extenso trabalho jornalístico, ainda esparso; deste, destaque-se sua coluna “Cinematographos”, pioneira da crítica cinematográfica em nosso país, mantida no jornal O Estado de S. Paulo entre as décadas de 1920 e 1940. Em 1959 foi eleito “Príncipe dos Poetas Brasileiros” em concurso patrocinado pelo jornal Correio da Manhã, por meio da seção “Escritores e livros” – escolhido por um “colégio eleitoral” de cerca de mil componentes, concorreu com os poetas Manuel Bandeira, Carlos Drummond da Andrade, Vinicius de Moraes e Mauro Mota.

Guilherme faleceu em 11 de julho de 1969, em sua casa da Rua Macapá, no Pacaembu, em São Paulo – a “Casa da Colina” –, onde residia desde 1946. Adquirida pelo Governo do Estado na década de 1970, a residência do poeta tornou-se o museu biográfico e literário Casa Guilherme de Almeida, inaugurado em 1979, que abriga também, hoje, um Centro de Estudos de Tradução Literária.

Dotado de reconhecido domínio técnico, Guilherme transitou com igual competência por modelos composicionais diversos. Segundo o escritor Lêdo Ivo, em sua introdução à segunda edição de Raça, “talvez mais do que nenhum outro dos participantes da Semana de Arte Moderna, Guilherme de Almeida viveu o drama da conciliação estética do novo com o velho, da fôrma com a forma, da tradição com a invenção, da rotina e do automatismo das receitas com o clamor de criatividade”.

FONTE: http://www.casaguilhermedealmeida.org.br

Um viva ao Lattes!

Em 11 de julho de 1924, nascia em Curitiba (PR), Cesare Mansueto Giulio Lattes, mais conhecido como César Lattes , falecido em Campinas, no dia 8 de março de 2005. Cesár Lattes foi um matemático e físico brasileiro dos mais ilustres e honrados e seu trabalho foi fundamental para o desenvolvimento da física atômica. Figura como um dos poucos brasileiros na Biographical Encyclopedia of Science and Technology de Isaac Asimov, como também na Encyclopædia Britannica e no Oxford Companion to the History of Modern Science. Embora Ele também foi um grande líder científico de física brasileira e foi uma das principais personalidades por trás da criação do importante Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
RTormento hoje para muitos a Plataforma Lattes (curriculos de pesquisadores) leva este nome em sua homenagem!
#cesarlattes #plataformalattes #lattes
Em 11 de julho de 1924, nascia em Curitiba (PR), Cesare Mansueto Giulio Lattes, mais conhecido como César Lattes , falecido em Campinas, no dia 8 de março de 2005. Cesar Lattes foi um matemático e físico brasileiro dos mais ilustres e honrados e seu trabalho foi fundamental para o desenvolvimento da física atômica. Figura como um dos poucos brasileiros na Biographical Encyclopedia of Science and Technology de Isaac Asimov, como também na Encyclopædia Britannica e no Oxford Companion to the History of Modern Science. Embora Ele também foi um grande líder científico de física brasileira e foi uma das principais personalidades por trás da criação do importante Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
RTormento hoje para muitos a Plataforma Lattes (currículos de pesquisadores) leva este nome em sua homenagem!
cesarlattes #plataformalattes #lattes