Day: 23 de julho de 2021

Jornalismo sensacionalista, por Jaime Patias

Sikêra Jr. quis ser Chacrinha e acabou rei do mundo cão, gênero de jornalismo sensacionalista que no Brasil é considerado o pai do fascismo por dar voz a afirmações como “bandido bom é bandido morto”, defender a morte dos presos, acusar, julgar e condenar ao vivo na TV, sem provas…
Acusado de homofobia, o apresentador bolsonarista, Sikêra Jr. perdeu patrocinadores e diz que “é alegria quando vagabundo morre”.

Isso mostra que Sikêra Jr., Datena, Ratinho e outros, sozinhos não teriam força para ganhar notoriedade com a baixaria que botam na tela. Tem quem financia esse mundo cão e essas empresas são igualmente responsáveis pelos destemperos e insanidades do apresentador.

O governo federal repassou 120 mil reais de verbas públicas em cachê para Sikêra Jr. para fazer propaganda de Bolsonaro com quem se identifica pela linguagem utilizada. A informação, divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo, consta em um documento entregue à CPI da Covid pela Secretaria Especial de Comunicação Social, a Secom, liderada à época por Fabio Wajngarten.

“Quem financia a baixaria é contra a cidadania”, foi uma campanha realizada no início dos anos 2000 responsável por mudanças nos telejornais sensacionalistas da época, como o “Brasil Urgente” de José Luiz Datena, produzido e exibido pela TV Bandeirantes.

Ao contrário do jornalismo sério, o sensacionalista se presta a informar mais para satisfazer as necessidades instintivas do público, por meio de formas sádicas e espetaculares, expondo pessoas ao ridículo. O jornalismo sensacionalista extrai do fato, da notícia, a sua carga emotiva e apelativa e a enaltece. Quase fabrica uma nova notícia, que passa a se vender por si mesma.

A espetacularização das notícias subverte a ordem de importância e veracidade dos fatos. Nessa lógica, as informações que causam impactos e estão sendo veiculadas no momento têm preferência. Ao buscar a informação desesperadamente, a fim de manter os pontos pela audiência, os jornalistas acabam se esquecendo de regras básicas do bom jornalismo, como ouvir todas as partes envolvidas, conferir as informações antes de divulgá-las, e, principalmente, não condenar previamente suspeitos ou acusados, procedimento comum no gênero sensacionalista (PATIAS, Jaime C. in COELHO & CASTRO, Comunicação na Sociedade do Espetáculo, 2006, p.97)’.

Sikêra Jr. se retratou, mas cheio de si, o estrago está feito. Após campanha de desmonetização encabeçada pelo Sleeping Giants Brasil, Sikêra Jr. perdeu pelo menos 62 patrocinadores em função de falas homofóbicas em seu programa na televisão e no canal do YouTube.

Desesperado, Sikêra Jr. o apresentador bolsonarista do Alerta Nacional, da RedeTV! criou uma empresa falsa, a Óticas Tambaqui, para, segundo ele, servir de “isca” a “um monte de lacradores”. Depois de mais de uma semana oferecendo promoções para os telespectadores com propagandas enganosas, ele decidiu assumir, nesta quinta-feira (22), que a loja nunca existiu. Como pode ainda continuar tendo espaço na TV?
(Jaime C. Patias, IMC, é mestre em comunicação. 23 de julho 2021.)