Biografias

Elogio de Robert Kurz

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Elogio de Robert Kurz,

proferido em 26 de Julho de 2012
no cemitério Wöhrd em Nuremberga

Cara Roswitha,
Cara Senhora Kurz,
Caros parentes,
Caras amigas e amigos de Robert,

A notícia da morte de Robert chegou-me na viagem de regresso de férias. Fiquei sem palavras. Ao horror juntou-se a raiva pelo erro médico e pelo sofrimento de Robert, pelas feridas não cicatrizadas que foram sendo sucessivamente abertas, de modo que o seu corpo ficou marcado por ferimentos e lesões. Tudo isto misturado com a tristeza pela perda do seu pensamento bem próprio e inspirador, e sobretudo pela perda de um homem tornado para mim querido e precioso – apesar dos nossos poucos encontros –, um homem cujo pensamento era para o que vive. Tanto mais penso poder imaginar o que significa a morte de Robert para aqueles que lhe estão mais próximos.

À minha mudez juntou-se a reflexão sobre a importância de Robert para mim, um teólogo católico de esquerda, e sobre o que tenho de lhe agradecer. Ele moldou como ninguém nos últimos anos a minha visão de mundo, a minha reflexão e o meu compromisso. Tive de dizer adeus – e muitas vezes dolorosamente – a padrões de pensamento ainda familiares e vejo-me desafiado a repensar mesmo as categorias teológicas. Tornou-se para mim claro que a chamada teologia moderna não atinge a profundidade da análise categorial necessária para conseguir perceber as actuais ameaças de forma adequada. Acima de tudo, ela continua presa na afirmação do iluminismo – mesmo se assume a dialéctica do iluminismo na sua reflexão – e pensa poder juntar-se a um núcleo supostamente emancipatório do pensamento iluminista.

Comungo com Robert a exasperação com o sofrimento das pessoas através de uma história que se caracteriza como história de sofrimento. O desafio apresentado pelo sofrimento não é simplesmente intemporal, mas é sobretudo um problema histórico, o problema dos sofrimentos no e sob o capitalismo. Problema que não pode ser simplesmente resolvido – e as análises de Robert tornam isso bem claro – com moral ou com boa vontade. Pelo contrário, – na formulação de Adorno – o mal reside “nas relações que condenam as pessoas à impotência e à apatia, relações que elas deveriam modificar; e não reside primariamente nas pessoas e na forma como essas relações lhes surgem” (1).

O desafio do sofrimento humano não tornou Robert moralista, mas deu-lhe que pensar. Levou-o a uma análise que lhe permitiu reconhecer o que constitui o mal da situação na história do capitalismo: a valorização do valor como fim em si mesmo irracional, e – como ele assumiu do pensamento de Roswitha – a dissociação das actividades que servem para a reprodução da vida. Valor e dissociação constituem a dominação abstracta de um sujeito automático que condena as pessoas à impotência e à apatia. É importante distinguir entre o que é entendido categorialmente como essência do capitalismo no contexto formal de valor e dissociação, de trabalho abstracto, Estado, sujeito, etc., e o que pode ser descrito como suas manifestações. As alterações no plano das manifestações não atingem o contexto formal nem, portanto, a dominação abstracta. Com o reconhecimento desta, no entanto, ficam bloqueadas as vias da facilidade e do alívio. Fica bloqueada a fuga para a imediatidade tão estafada como simplista do activismo político ou da orientação de campanhas nos movimentos sociais. Não faz sentido invocar o trabalho bom contra o trabalho alienado, o Estado contra o mercado, o sujeito contra o objecto. Um pólo não é a solução para o outro, mas parte do problema a ser resolvido.

Responder de forma moralista e activista ao desafio do sofrimento das pessoas no capitalismo parecerá concreto. Na verdade, essa resposta é abstracta num mau sentido, pois abstrai da mediação objectiva que faz sofrer as pessoas na sua pele. Insistir na mediação objectiva do sofrimento dos seres humanos no capitalismo e, portanto, na indispensabilidade da teoria é tão lúcido que pode levar a qualificar a pessoa como Lúcifer. O portador da luz é transformado em Satanás. Quem traz a luz do conhecimento a um sistema de funcionamento cego sofre rejeição, difamação e hostilidade por parte daqueles que se agarram à pretensa segurança de categorias e estratégias de acção familiares, não conseguindo assim abandonar nem mesmo as ideias ilusórias e irracionais de superação do capitalismo dentro do capitalismo.

Não é por acaso que o pensamento de Robert também foi sempre perseguido pela ignorância e hostilidade, pelo sarcasmo e zombaria, bem como por acusações de afastamento da prática e de falta de comunicação. No entanto, Robert insistiu em procurar a verdade do que precisava de ser reconhecido. Ele resistiu – para usar as palavras de Adorno – “à compulsão quase universal de confundir a comunicação do conhecido com o conhecido e, eventualmente, dar mais importância à comunicação do que ao conhecido” (2). Ele insistiu em que “o critério do verdadeiro não é sua comunicabilidade imediata a qualquer um.” (3)

Resistir às inimizades e permanecer firme perante as hostilidades é sobretudo possível a pessoas no seu íntimo orientadas de maneira contemplativa – a contemplação entendida como tentativa persistente e resistente de ir até ao fundamento das relações, como expressão de vontade indomável de conhecimento teórico, ou seja, de conhecimento que tenha em vista a totalidade. Isto não é feito por amor de ganho de conhecimento privado, mas para levar o conhecimento aos outros ou, na linguagem do misticismo, contemplata aliis tradere, para levar aos outros o que foi contemplado. No interesse do conhecimento e da humanidade resta esperar que os conhecimentos que Robert nos deixou a nós e ao público possam ser apreendidos e desenvolvidos e obtenham o reconhecimento que a ele lhe foi negado muitas vezes em vida. Esperemos que ainda haja tempo de o pensamento de Robert se tornar frutífero, para pôr fim ao que ele descreveu como uma catástrofe que se está a tornar realidade.

Na teologia há um grande pressentimento de uma catástrofe iminente de desumanização e com ele a exasperação e quebra de um pensamento teológico fechado no idealismo, que mistura entre si conhecimento e sentido, que arranca do absurdo um sentido sob a coacção identitária idealista de tal modo que mesmo o sofrimento mais absurdo tem de ser declarado com sentido. J. B. Metz deu grande importância a este tema colocando no centro da sua teologia a questão de como, após a catástrofe de Auschwitz, a teologia pode continuar a ser desenvolvida, de como pode continuar a falar-se de Deus.

O horror perante o extermínio sistemático de pessoas torna-o sensível às ameaças da humanidade no presente. Ele fala do “desaparecimento do homem na modernidade ou na pós-modernidade” (4), de modo que o homem corre o risco de consentir “uma lógica evolutiva não humana, em que a história é em última instância substituída por leis de natureza económica…” (5). O que isto significa, essencialmente, tornou-se para mim claro no seu dramatismo ao encontrar aquilo que provoca a resistência mais violenta no pensamento de Robert: a teoria da crise. O que Metz designa por “uma lógica evolutiva não humana” (6), é a ‘lógica de crise’ do capitalismo que ameaça os seres humanos. As pretensas leis de natureza económica implicam aquele limite lógico interno e aquele limite ecológico externo que estão no centro da teoria da crise de Robert.

A crise do capitalismo, que actua diante dos nossos olhos cada vez mais severamente, empurra as pessoas para uma luta sem tréguas pela auto-afirmação na concorrência, em última instância para uma luta de todos contra todos pelas possibilidades que se extinguem de valorização da força de trabalho. As pessoas estão sob pressão de se valorizar constantemente ou serem excluídas como não-valorizáveis ficando no entanto ainda incluídas sob a dominação do trabalho. Robert repetidamente chamou a atenção para as estratégias bárbaras com que ameaça a gestão da crise ou que já se tornaram realidade nas regiões do globo em colapso. Sob o ditame da valorização todos os conteúdos – incluindo os do homem e do seu mundo – correm o risco de se tornar quantidades abstractas de valorização. É exactamente isto que torna o processo de valorização desprovido de conteúdo e o combina com um potencial duplo para a violência: ele visa a aniquilação do outro com a finalidade da auto-preservação a todo custo e, finalmente, a auto-aniquilação com a finalidade da execução da própria existência sem conteúdo.

Perante a destruição de seres humanos como fim em si mesmo tornada realidade em Auschwitz e perante as catástrofes actuais e iminentes, qualquer pensamento filosófico ou teológico, que pense poder afirmar pomposamente um sentido metafísico universal da história ou até apenas o sentido de uma vida puramente privada virando as costas à história de sofrimento dos seres humanos, tem de ficar sem palavras. E, no entanto, parece que a questão metafísica, como questão sobre a ultrapassagem dos limites, sobre a ultrapassagem dos limites históricos, mas também sobre a possível ultrapassagem dos limites estabelecidos com a finitude do ser humano, é uma questão impreterível. Na nossa situação histórica de ameaça para os seres humanos no e através da crise do capitalismo, não é uma simples questão sobre o sentido da história, mas uma questão sobre a possível salvação do ser humano em face da mortal ausência de perspectivas da gestão da crise capitalista.

No último evento em que pude participar na discussão com Robert o assunto era ‘o capitalismo como religião’. Robert deixou claro que com o capitalismo a transcendência já não legitima as condições sociais colocando-se acima delas, mas migrou para a imanência, precisamente para o processo de valorização do valor por amor de si mesmo. O capitalismo “engoliu, por assim dizer, a transcendência e transformou-a em sua própria e permanente transgressão.” (7)

Mas então – em linha com Nietzsche – Deus não estaria morto, mas sim migrado para a imanência da valorização abstracta do valor como fim em si mesmo. Ele estaria imanente a esse mundo ‘invertido’ em que o destino dos seres humanos está ligado para a vida e para a morte à produção de mercadorias como fim em si da acumulação de capital. Ele apenas morreria com este mundo e com o ser humano que nele está a ser destruído.

Será que a distinção entre transcendência e imanência ou, na linguagem teológica, a distinção entre Deus e os ídolos como imanência absolutizada inclui uma perspectiva de salvação? Transcendência seria aquilo que não pode ser reduzido ao conceito na lógica da identidade nem pode ser instrumentalmente valorizado. A proibição de imagens em sua forma teológica e filosófica protege essa transcendência. Ela não deveria ser pensada ‘para além’ da história, mas produzindo efeito na história, como uma questão em aberto e que abre uma imanência fechada à necessidade material e somática do ser humano e assim como questão a ser transcendida. Transcendência assim entendida marca uma diferença fundamental entre o mundo como ele é e como poderia ser.

Seria uma transcendência que nem sobreeleva o mundo como ele é nem se funde com ele. As tentativas de pensar assim a transcendência não caem do céu das ideias, mas têm suas raízes na experiência histórica. Biblicamente, são constituídas pelas experiências de sofrimento histórico, que clamam pela abolição das fronteiras: da experiência do sofrimento dos escravizados no Egipto, dos deportados sob o domínio babilónico, dos oprimidos sob o sistema de dominação grego até ao Messias crucificado por Roma. A transcendência articula-se no grito pela salvação. Este grito conduz à análise do que o provoca e permite questionar as possibilidades de abolição de todas as casas de escravos na história.

A questão metafísica da transcendência não se coloca apenas em relação à questão das possibilidades de abolir as fronteiras da história. Ela surge não apenas em relação ao sofrimento actual, mas também em relação aos sofrimentos no passado, especialmente daqueles que foram vítimas das várias formas de dominação. Perante o seu destino, a questão mais urgente é saber se o ‘curso das coisas’ é que a opressão e a violência triunfam sobre a vida. E se mesmo uma sociedade melhor teria que viver com o conhecimento cruel de que a felicidade é inseparável do sofrimento de todos os infelizes.

A questão metafísica coloca-se também em face de nosso próprio sofrimento perante a finitude e a morte, e hoje especialmente perante a morte de Robert. Desistir simplesmente desta questão seria correr o risco de, perante o fáctico, passar rapidamente à ordem do dia e, apesar ou por causa de todas as invocações de memória, deixarmo-nos cair no esquecimento.

Uma resposta a essas perguntas está proibida até mesmo à teologia. Também ela não tem certezas para proclamar. Mas talvez ela possa, com toda a modéstia, falar da esperança de que ainda não tenha sido dita a última palavra sobre o sofrimento dos seres humanos. Essa esperança está consciente do risco de poder enganar-se e sofrer então uma desilusão. O seu suporte não é a segurança de verdades racionais necessárias, mas uma narrativa que reflecte experiências históricas. Dela está infelizmente desaparecido Deus e o que o seu nome misterioso inclui – Eu estarei lá como salvador da escravidão e da opressão, do sofrimento e da morte.

Em tal privação mantém-se viva a questão da transcendência, a questão da abolição das fronteiras históricas e naturais. Quem sente a falta de alguma coisa não se conforma com o que existe e mantém em aberto outras possibilidades. Neste sentido sentimos a falta da libertação da sujeição ao movimento de fim em si mesmo do capital. Sentimos a falta da salvação de todos aqueles que foram mortos na dominação associada à injustiça e à violência. Sentimos a falta dos nossos mortos. Sentimos a falta de Robert e podemos talvez descobrir que justamente na dor da ausência ele está próximo e presente.

Heribert Böttcher

(1) Theodor W. Adorno, Negative Dialektik [Dialética Negativa], in: Gesammelte Schriften, Vol. 6, Frankfurt am Main 2003, 191

(2) Ibid., 51

(3) Ibid.

(4) J.B. Metz, Memoria Passionis, Freiburg 2006, 79

(5) Ibid., 92

(6) Ibid ..

(7) Jörg Ulrich, Gott in Gesellschaft der Gesellschaft. Über die negative Selbstbehauptung des Absoluten [Deus em sociedade com a sociedade. Sobre a auto-afirmação negativa do absoluto], em: Exit! Krise und Kritik der Warengesellschaft [Exit! Crise e crítica da sociedade mercadoria] 2/2005, 23-52, 32

Guilherme de Almeida

O Príncipe dos Poetas Brasileiros

Nasceu a 24 Julho 1890
(Campinas, São Paulo, Brasil) Morreu em 11 Julho 1969
(São Paulo, São Paulo, Brasil)

Infância
Um gosto de amora
comida com sol. A vida
chamava-se “Agora”.
Publicado no livro Poesia Vária (1947). Poema integrante da série II. Parte: Os Meus Haikais. In: ALMEIDA, Guilherme de. Toda a poesia. 2.ed. São Paulo: Livr. Martins, 1955. v.

Guilherme de Andrade e Almeida nasceu em Campinas, SP, a 24 de julho de 1890. Filho do jurista e professor de direito Estevão de Araújo Almeida e de Angelina de Andrade Almeida, passou os primeiros anos da infância nas cidades de Limeira, Araras e depois Rio Claro, onde realizou os estudos primários. Em 1902 tornou-se aluno do Ginásio de Campinas e, em 1903, com a vinda da família à cidade de São Paulo, ingressou no Colégio de São Bento. Formou-se, em 1907, no Ginásio Nossa Senhora do Carmo, dos Irmãos Maristas. Em 1912, concluiu o curso da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, tendo, após a formatura, atuado como promotor público em Apiaí e em Mogi-Mirim. De volta à Capital em 1914, trabalhou com o pai até 1923, quando passou a se dedicar prioritariamente à atividade de escritor, iniciada alguns anos antes.

A estreia literária de Guilherme de Almeida se deu em 1916, com Mon Coeur Balance e Leur Âme (teatro), peças escritas em colaboração com Oswald de Andrade e editadas sob o título de Théatre Brésilien. Seu primeiro livro de poemas, Nós, veio a lume em 1917, seguindo-se A dança das horas e Messidor, ambos de 1919, e o Livro de Horas de Sóror Dolorosa, publicado em 1920. Escreveu, em 1921, o ensaio Natalika e os atos em verso Scheherazada e Narciso – A flor que foi um homem. Publicou Era uma Vez… em 1922. Nesse mesmo ano, atuou decisivamente na realização da Semana de Arte Moderna, ao lado de Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Di Cavalcanti e Menotti del Picchia, entre outros. Ajudou a fundar a revista Klaxon (porta-voz do movimento), integrando a equipe de editores; criou a capa do periódico, além de anúncios publicitários dos patrocinadores, de concepção precursora da visualidade da arte de vanguarda e da própria propaganda moderna.

O poeta casou-se em 1923 com Belkiss Barroso do Amaral (Baby), e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde permaneceu até 1925. Nesse ano publicou quatro livros de poemas: Narciso, Encantamento, Raça e Meu, consistindo, estes dois últimos (principalmente Meu), no ápice de sua poesia modernista. Escreveu, também nesse ano, a conferência “Revelação do Brasil pela poesia moderna” e a apresentou no Rio Grande do Sul, em Pernambuco e no Ceará, a fim de difundir os ideais estéticos do Modernismo, regressando, em seguida, a São Paulo.

Em 1932, Guilherme participou ativamente da Revolução Constitucionalista, chegando a se alistar voluntariamente, como soldado raso, e a lutar na cidade de Cunha. Ao final desse Movimento, foi preso e exilado em Portugal, onde permaneceu até o ano seguinte. A estada naquele país forneceu elementos para a elaboração de crônicas reunidas no livro O meu Portugal, publicado em 1933.

Eleito em 1928 para a Academia Paulista de Letras e, em 1930, para a Academia Brasileira de Letras, Guilherme de Almeida foi, durante décadas, o mais popular poeta paulista. Sua obra compreende mais de 70 publicações, entre poesia, prosa, ensaio, tradução, além do extenso trabalho jornalístico, ainda esparso; deste, destaque-se sua coluna “Cinematographos”, pioneira da crítica cinematográfica em nosso país, mantida no jornal O Estado de S. Paulo entre as décadas de 1920 e 1940. Em 1959 foi eleito “Príncipe dos Poetas Brasileiros” em concurso patrocinado pelo jornal Correio da Manhã, por meio da seção “Escritores e livros” – escolhido por um “colégio eleitoral” de cerca de mil componentes, concorreu com os poetas Manuel Bandeira, Carlos Drummond da Andrade, Vinicius de Moraes e Mauro Mota.

Guilherme faleceu em 11 de julho de 1969, em sua casa da Rua Macapá, no Pacaembu, em São Paulo – a “Casa da Colina” –, onde residia desde 1946. Adquirida pelo Governo do Estado na década de 1970, a residência do poeta tornou-se o museu biográfico e literário Casa Guilherme de Almeida, inaugurado em 1979, que abriga também, hoje, um Centro de Estudos de Tradução Literária.

Dotado de reconhecido domínio técnico, Guilherme transitou com igual competência por modelos composicionais diversos. Segundo o escritor Lêdo Ivo, em sua introdução à segunda edição de Raça, “talvez mais do que nenhum outro dos participantes da Semana de Arte Moderna, Guilherme de Almeida viveu o drama da conciliação estética do novo com o velho, da fôrma com a forma, da tradição com a invenção, da rotina e do automatismo das receitas com o clamor de criatividade”.

FONTE: http://www.casaguilhermedealmeida.org.br

Um viva ao Lattes!

Em 11 de julho de 1924, nascia em Curitiba (PR), Cesare Mansueto Giulio Lattes, mais conhecido como César Lattes , falecido em Campinas, no dia 8 de março de 2005. Cesár Lattes foi um matemático e físico brasileiro dos mais ilustres e honrados e seu trabalho foi fundamental para o desenvolvimento da física atômica. Figura como um dos poucos brasileiros na Biographical Encyclopedia of Science and Technology de Isaac Asimov, como também na Encyclopædia Britannica e no Oxford Companion to the History of Modern Science. Embora Ele também foi um grande líder científico de física brasileira e foi uma das principais personalidades por trás da criação do importante Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
RTormento hoje para muitos a Plataforma Lattes (curriculos de pesquisadores) leva este nome em sua homenagem!
#cesarlattes #plataformalattes #lattes
Em 11 de julho de 1924, nascia em Curitiba (PR), Cesare Mansueto Giulio Lattes, mais conhecido como César Lattes , falecido em Campinas, no dia 8 de março de 2005. Cesar Lattes foi um matemático e físico brasileiro dos mais ilustres e honrados e seu trabalho foi fundamental para o desenvolvimento da física atômica. Figura como um dos poucos brasileiros na Biographical Encyclopedia of Science and Technology de Isaac Asimov, como também na Encyclopædia Britannica e no Oxford Companion to the History of Modern Science. Embora Ele também foi um grande líder científico de física brasileira e foi uma das principais personalidades por trás da criação do importante Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
RTormento hoje para muitos a Plataforma Lattes (currículos de pesquisadores) leva este nome em sua homenagem!
cesarlattes #plataformalattes #lattes

Dias Gomes, o pai do realismo fantástico na televisão

Dias Gomes foi o sexto ocupante da Cadeira 21, eleito em 11 de abril de 1991, na sucessão de Adonias Filho e recebido pelo Acadêmico Jorge Amado em 16 de julho de 1991

Em 18 de maio de 1999, morria Alfredo de Freitas Dias Gomes, mais conhecido pelo sobrenome Dias Gomes, foi um romancista, dramaturgo, autor de telenovelas e membro da Academia Brasileira de Letras. Também conhecido pelo seu casamento com a também escritora Jenete Stocco Emmer (Janete Clair).
“Aos quinze anos, escreve a primeira peça, A Comédia dos Moralistas (1937), premiada pelo Serviço Nacional do Teatro (SNT). Em 1943, ingressa na faculdade de direito, no Rio de Janeiro, mas não conclui a graduação. Entre o fim dos anos 1930 e o início da década de 1940, redige os textos reunidos no livro Peças da Juventude. Em 1942, estreia no teatro profissional com a peça Pé-de-Cabra, depois de cortes no texto feitos pela censura. A peça, encenada por Procópio Ferreira (1898-1979), rende-lhe contrato de exclusividade com o ator, para quem escreve mais cinco textos. Divergências ideológicas encerram a parceria.” Do site Enciclopédia Itaú Cultural.
Dias Gomes começou sua carreira no rádio. Na Jovem Pan, durante um ano, trabalhou como autor de radionovelas. Depois, passou por outras emissoras até ser contratado pela Rede Globo. Sua primeira novela na TV não levou seu nome, mas um pseudônimo feminino.


“Em 1964, Dias Gomes foi demitido da Rádio Nacional, da qual era diretor-artístico, pelo Ato Institucional n. 1, enquanto O pagador de promessas estreava em Washington e A invasão era encenada em Montevidéu. A partir de então, participou de diversas manifestações contra a censura e em defesa da liberdade de expressão. Ele próprio teve várias peças censuradas durante a vigência do regime militar (O berço do herói, A revolução dos beatos, O pagador de promessas, A invasão, Roque Santeiro, Vamos soltar os demônios ou Amor em campo minado). Fez parte do Conselho de Redação da Revista Civilização Brasileira desde seu lançamento, em 1965. Contratado, desde 1969, pela TV Globo, produziu inúmeras telenovelas, além de minisséries, seriados e especiais (telepeças). Apesar da censura, não interrompeu a produção teatral, e várias peças suas foram encenadas entre 1968 e 1980, destacando-se Dr. Getúlio, sua vida e sua glória (Vargas), em parceria com Ferreira Gullar, encenada no Teatro Leopoldina, de Porto Alegre, em 1969; O bem-amado, encenada no Teatro Gláucio Gil, do Rio de Janeiro, em 1970; O santo inquérito, no Teatro Teresa Rachel, do Rio, em 1976; e O rei de Ramos, no Teatro João Caetano, em 1979. Em 1980, em decorrência da decretação da Anistia, foi reintegrado aos quadros da Rádio Nacional, e trabalhos seus, como Roque Santeiro, foram liberados para apresentação. Do período pós-Anistia é a peça Campeões do mundo, encenada em novembro de 1980 no Teatro Vila-Lobos, do Rio. Em 1983, Vargas (nova versão de Dr. Getúlio) estreou no Teatro João Caetano, do Rio. No dia 16 de novembro, faleceu sua esposa, a novelista Janete Clair.” (trecho do site da Academia Brasileira de Lestras)
Dias Gomes faleceu em São Paulo, em um trágico acidente automobilístico, ao sair de um restaurante no centro, no dia 18 de maio de 1999.

Rádio Agencia Nacional
O bem amado revolucionou a televisão

Até quando as fogueiras reais ou simplesmente morais (estas não menos cruéis) serão usadas para eliminar aqueles que teimam em fazer uso da liberdade de pensamento? (O Santo Inquérito)


Obras TEATRO: A comédia dos moralistas (1939); Esperidião, inédita (1938); Ludovico, inédita (1940); Amanhã será outro dia (1941); Pé-de-cabra (1942); João Cambão (1942); O homem que não era seu (1942); Sinhazinha (1943); Zeca Diabo (1943); Eu acuso o céu (1943); Um pobre gênio (1943); Toque de recolher (revista), em parceria com José Wanderlei (1943); Doutor Ninguém (1943); Beco sem saída (1944); O existencialismo (1944); A dança das horas (inédita), adaptação do romance Quando é amanhã (1949); O bom ladrão, inédita (1951); Os cinco fugitivos do Juízo Final (1954); O pagador de promessas (1959); A invasão (1960); A revolução dos beatos (1961); O bem-amado (1962); O berço do herói (1963); O santo inquérito (1966); O túnel (1968); Vargas (Dr. Getúlio, sua vida e sua glória), em parceria com Ferreira Gullar (1968); Amor em campo minado (Vamos soltar os demônios) (1969); As primícias (1977); Phallus, inédita (1978); O rei de Ramos (1978); Campeões do mundo (1979); Olho no olho, inédita (1986); Meu reino por um cavalo (1988).

TELEVISÃO Telenovelas na TV Globo: A ponte dos suspiros, sob o pseudônimo de Stela Calderón (1969); Verão vermelho, (1969/1970); Assim na terra como no céu (1970/1971); Bandeira 2 (1971/1972); O bem-amado (1973); O espigão (1974); Saramandaia (1976); Sinal de alerta (1978/1979); Roque Santeiro (1985/1986); Mandala, sinopse e primeiros 20 capítulos (1987/1988); Araponga, com Ferreira Gullar e Lauro César Muniz (1990/1991).

Minisséries: Um tiro no coração, em co-autoria com Ferreira Gullar, inédita (1982); O pagador de promessas (1988); Noivas de Copacabana (1993); Decadência (1994); O fim do mundo (1996).

Seriados: O bem-amado (1979/1984); Expresso Brasil (1987).

Especiais (Telepeças): O bem-amado, em adaptação de Benjamin Cattan, TV Tupi, “TV de Vanguarda” (1964); Um grito no escuro (O crime do silêncio), TV Globo, “Caso Especial” (1971); O santo inquérito, em adaptação de Antonio Mercado, TV Globo, “Aplauso” (1979); O boi santo, TV Globo (1988); A longa noite de Emiliano, inédita, TV Globo.

ROMANCES: Duas sombras apenas (1945); Um amor e sete pecados (1946); A dama da noite (1947); Quando é amanhã (1948); Sucupira, ame-a ou deixe-a (1982); Odorico na cabeça (1983); Derrocada (1994); Decadência (1995).

CONTOS A tarefa ou Onde estás, Castro Alves? in Livro de cabeceira do homem, ano I, v. III (Civilização Brasileira, 1967); A tortuosa e longa noite de Emiliano Posada, inédito.

CINEMA O pagador de promessas, direção de Anselmo Duarte, Leonardo Vilar, Glória Menezes, Dionísio Azevedo, Geraldo Del Rey, Norma Benguell, Othon Bastos e Antonio Pitanga (1962); O marginal (roteiro), direção de Carlos Manga, com Tarcísio Meira e Darlene Glória (1974); O rei do Rio (adaptação de O rei de Ramos), direção de Bruno Barreto, com Nuno Leal Maia, Milton Gonçalves e Nelson Xavier (1985); Amor em campo minado, direção de Pastor Vera, Cuba (1988).

A obra escrita de Dias Gomes foi reunida na COLEÇÃO DIAS GOMES, coordenação de Antonio Mercado, composta dos seguintes volumes: 1 Os heróis vencidos (1989); 2 Os falsos mitos (1990); 3 Os caminhos da revolução (1991); 4 Espetáculos musicais (1992); 5 Peças da juventude (1994); 6 Rádio e TV (a sair) 7 Contos (a sair).

Carlos Lyra

BNDES 5° NO BNDES – “Carlos Lyra – 60 Anos de Bossa” – Ficha TécnicaCarlos Lyra – vozClaudio Lyra – voz e violãoFernando Merlino – tecladoRicardo Costa – bateriaAdriano Giffoni – baixo acústicoDirceu Leite – sax, flauta e clarineteDiogo Gomes – trompete e flugel 30 AGO 2018 FOTO ANDRE TELLES

Hoje, 11 de maio é aniversário do compositor carioca, Carlos Lyra, uma das maiores figuras da bossa nova, não por menos considerado por Tom Jobim como o “maior melodista da bossa nova”.

Você e Eu
Carlos Lyra
Podem me chamar e me pedir e me rogar
E podem mesmo falar mal
Ficar de mal que não faz mal
Podem preparar milhões de festas ao luar
Que eu não vou ir, melhor nem pedir
Eu não vou ir, não quero ir
E também podem me intrigar
Até sorrir, até chorar
E podem mesmo imaginar o que melhor lhes parecer
Podem espalhar que eu estou cansado de viver
E que é uma pena para quem me conheceu.

1954
– Compõe “Quando Chegares”, sua primeira música (e letra). Reuniões com Sylvia Telles, João Gilberto, Lúcio Alves, Luiz Eça, João Donato e outros à volta do piano de Johnny Alf, no bar do Hotel Plaza.

1955
– Silvinha Telles grava as músicas “Menina” de Carlos Lyra e “Foi a Noite”, de Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça em um compacto.

1956
– Compõe “Maria Ninguém” entre outras músicas também com letras suas.
– Gravação da música “Criticando” pelos “Os Cariocas”.

1957
– Primeiras parcerias com Ronaldo Bôscoli: “Lobo bobo”, “Se é tarde me perdoa”, etc.

1958
– Primeiras parcerias com Geraldo Vandré: “Quem Quiser Encontrar o Amor” e “Aruanda”.

1959
– Gravação do primeiro disco LP: “Carlos Lyra Bossa Nova” com contra-capa escrita por Ary Barroso.

1960
– Inicia parceria com Vinícius de Moraes: “Você e eu”, “Coisa Mais Linda”, “Minha Namorada”, etc.
– Compõe música para a peça “A Mais Valia vai Acabar, seu Edgar”, de Oduvaldo Vianna Filho, com direção de Chico de Assis.
– Compõe com Maria Clara Machado o musical infantil, “Maroquinhas Fru-Fru”.
– Grava seu segundo LP “Carlos Lyra”, com contra-capa de Vinicius de Moraes.
– Lança compacto duplo, 45 rpm, “No Balanço do Samba”, pela Philips, com as faixas: “Canção do olhar amado”, “Chora tua tristeza”, “Quando chegares” e “Só mesmo por amor”.

1961
– Funda, com Oduvaldo Vianna Filho, Ferreira Gullar e outros, o Centro Popular de Cultura da União dos Estudantes.
– Faz a música para a peça “Cinderela” de Maria Clara Machado.
– É escrito o musical “Um americano em Brasília”. Criação conjunta de Carlos Lyra, Chico de Assis e Nélson Lins e Barros.
– Faz a música para a peça “O testamento do cangaceiro”de Chico de Assis.
– Faz a música para a peça “Almas mortas” de Nikolai Gogol em montagem no TBC, com direção de Flávio Rangel.
– Gravação do terceiro LP “Depois do Carnaval”.
– Sai o disco “Bossa Nova Mesmo” com participações de Carlos Lyra, Vinicius de Moraes, Sylvia Teles, Lucio Alves e outros.

1962
– Apresentação de Concerto de Bossa Nova no Carnegie Hall de New York.
– Compõe com Vinícius de Moraes o musical “Pobre Menina Rica”.
– Lança compacto duplo – “Carlos Lyra”, pela Philips, com as faixas: “Você e eu”, “Chora tua tristeza”, Ïnfluência do jazz” e “Depois do carnaval”.

1963
– Compõe música para o filme “Gimba” de Flávio Rangel.
– O filme “Couro de Gato” recebe prêmios em Sestri Levanti (Itália) e Oberhausen (Alemanha).
– Compõe com Vinícius de Moraes o “Hino da UNE” e a “Marcha da Quarta-feira de Cinzas”. Compõe a “Canção do Subdesenvolvido” em parceria co Chico de Assis.
– Compõe música para o filme “Bonitinha mas ordinária” de Nelson Rodrigues”

Billy Blanco: “Todo mundo é igual quando a vida termina Com terra em cima e na horizontal”

Em 8 de maio de 1924 nascia em Belém do Pará, William Blanco Abrunhosa Trindade, mais conhecido como Billy Blanco, arquiteto (Em 1946 estudou na Universidade Presbiteriana Mackenzie (FAU/Mackenzie e em 1948 muda-se para o Rio de Janeiro e continua os estudos na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Brasil, diplomando-se em 1950), músico, compositor e escritor.

A carreira artística inicia nos anos 1950 com o Sexteto Billy Blanco. As primeiras músicas são gravadas pela então namorada Dolores Duran (1930-1959), “Outono”, e por Linda Batista (1919-1988), “Prece de um Sambista”:
Quando morre um sambista,
No céu é motivo de festa,
Pois os anjos, que são da seresta,
Se alegram também,
E no meio de tanta alegria,
Todo o céu, se transforma em terreiro,
Os clarins, dão lugar ao pandeiro,
Que marca a chegada de alguém,
O Noel, que nosso santo do samba,
E chegou lá primeiro,
É o chefe do santo terreiro,
De Nosso Senhor,
Imploro a Deus,
Conservai-me um sambista decente,
Para merecer algum dia,
Sambar com esta gente,
De tanto valor !

A banca do distinto. Billy Blanco foi originalmente lançada em julho de 1959, no compacto duplo “Dolores Duran no Michel de São Paulo”:

A Banca do Distinto

Não fala com pobre, não dá mão a preto
Não carrega embrulho
Pra que tanta pose, doutor
Pra que esse orgulho
A bruxa que é cega esbarra na gente
E a vida estanca
O enfarte lhe pega, doutor
E acaba essa banca
A vaidade é assim, põe o bobo no alto
E retira a escada
Mas fica por perto esperando sentada
Mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão
Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco afinal
Todo mundo é igual quando a vida termina
Com terra em cima e na horizontal


A grande e fenomenal Inezita Barroso (1925-2015) registra “Estatutos da Gafieira”, em 1954:
Moço
Olha o vexame
O ambiente exige respeito
Pelos estatutos
Da nossa gafieira
Dance a noite inteira
Mas dance direito
Aliás
Pelo artigo 120
O distinto que fizer o seguinte:
Subir na parede
Dançar de pé pro ar
Debruçar-se na bebida sem querer pagar
Abusar da umbigada
De maneira folgazã
Prejudicando hoje
O bom crioulo de amanhã
Será distintamente censurado
Se balançar o corpo
Vai pra mão do delegado
Ta bem, moço?
Olha o vexame, moço!

Também em 1954, compõe com Tom Jobim (1927-1994) a música “Tereza da Praia”, sucesso na voz dos cantores Dick Farney (1921-1987) e Lúcio Alves (1927-1993).

Tereza da Praia

Oh, Dick?
– Fala, Lúcio
Arranjei novo amor no Leblon
– Não diga!
Que corpo bonito, que pele morena
-Eu conheço
Que amor de pequena, amar é tão bom

Oh, Lúcio?
– Fala meu irmão
Ela tem um nariz levantado?
– Tem
Os olhos verdinhos
– É mesmo
Bastante puxados
– Uhum
Cabelo castanho, né?
E uma pinta do lado

É a minha Tereza da praia
Se ela é tua é minha também
O verão passou todo comigo
O inverno pergunta com quem

Então vamos
A Tereza na praia deixar
Aos beijos do sol
E abraços do mar

Tereza é da praia
Não é de ninguém
Não pode ser tua
Nem minha também
Tereza é da praia

Billy Blanco e Tom Jobim lançam o disco Sinfonia do Rio de Janeiro (1954), com arranjos de Radamés Gnatalli (1906-1988).  Algumas canções desse disco fazem parte da trilha sonora do filme Esse Rio que Eu Amo (1961), do diretor Carlos Hugo Christensen (1914-1999).

Em 1956 compõe “Samba Triste”, em parceria com o violonista Baden Powell (1937-2000):
Samba triste
A gente faz assim:
Eu aqui
Você longe de mim, de mim
Alguém se vai
Saudade vem
E fica perto
Saudade, resto de amor
De amor que não deu certo
Samba triste
Que antes eu não fiz
Só porque
Eu sempre fui feliz, feliz, feliz, feliz
Agora eu sei
Que toda vez que o amor existe
Há sempre um samba triste, meu bem
Samba que vem
De você, amor

Em 1965, participa do 1o Festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior, São Paulo, com a canção “Rio do Meu Amor”, interpretada por Wilson Simonal (1939-2000), que se classifica em 5º lugar. Em 1966, no 1o Festival Internacional da Canção da TV Globo, Rio de Janeiro, obtém  4º lugar na classificação geral com o samba “Se a Gente Grande Soubesse”, interpretado pelo filho Billy Blanco Jr., e Quarteto em Cy. Em 1968, na Bienal do Samba da TV Record, São Paulo, classifica em 4o lugar o samba “Canto Chorado” na voz de Jair Rodrigues (1939-2014):

No jogo se perde ou se ganha
Caminho que leva
Que traz
Trazendo alegria tamanha
Levando, levou minha paz
Tem gente que ri da desgraça
Duvido que ria da sua
Se alguém escorrega aonde passa
Tem riso do povo
Na rua
O que dá pra rir, dá pra chorar
Questão só de peso e medida
Problema de hora
E lugar
Mas tudo são coisas da vida
O que dá pra rir, dá pra chorar
O que dá pra rir, dá pra chorar.

Participa das trilhas sonoras para os filmes Carnaval Atlântida (1952), de José Carlos Burle (1910-1983), e Crônica da Cidade Amada (1965), de Carlos Hugo Christensen.

Compõe a trilha sonora para a peça Chico do Pasmado, do autor Aurimar Rocha (1934-1979), em 1965. Nesse ano, escreve letras em português para canções do musical Noviça Rebelde (The Sound of Music), e para a comédia musical norte-americana do escritor Shepherd Mead (1914-1994), Como Vencer na Vida sem Fazer Força (How to Succeed in Business Without Really Trying). Em 1996, publica pela Editora Record o livro Tirando de Letra e Música.

Em 2002, a gravadora Biscoito Fino lança o CD A Bossa de Billy Blanco, com sucessos como os sambas “Estatutos da Gafieira”, “Pistom de Gafieira”, “Rio do Meu Amor” e “Samba Triste”.

Em 1974, o compositor Billy Blanco lançou “Sinfonia Paulistana”, um disco dedicado a celebrar o povo e a história de São Paulo:

Amanhecendo

Começou um novo dia
Já volta quem ia
O tempo é de chegar
De metrô chego primeiro
Se tempo é dinheiro
Melhor vou faturar
Sempre ligeiro na rua
Como quem sabe o que quer
Vai o paulista na sua
Para o que der e vier

A cidade não desperta
Apenas acerta
A sua posição
Porque tudo se repete
São sete, e às sete
Explode em multidão
Portas de aço levantam!
Todos parecem correr!
Não correm de, correm para
Para São Paulo crescer!

Vam bora, vam bora
Olha a hora
Vam bora, vam bora
Vam bora, vam bora
Olha a hora
Vam bora, vam bora
Vam bora!

Vam bora, vam bora
Olha a hora
Vam bora, vam bora
Vam bora, vam bora
Olha a hora
Vam bora, vam bora
Vam bora!

Sinfonia Paulistana

Fazendo som com as estrelas, ligado no sideral
Por Maria, fez poemas, nas praias do litoral
As ondas contaram ao mar, por isso é que os oceanos
No mundo inteiro cantados, cantarão mais cem mil anos
E o homem entre mar e céu, tem canções por todo lado
Louvado seja Anchieta, pra sempre seja louvado
Navegante tem cantiga, que aprendeu no mar um dia
Qualquer rota que ele siga, se não canta, ele assobia
Cabelos cor da noite, pele de alvorada
Cacique entregou ao branco, a filha amada
Raízes de Brasil, chegaram até aqui
Abençoado o colo dessa mãe antiga
Por 400 anos feitos de cantiga, naquele doce embalo
Da canção Tupi
Na tez de uma paulista em cheiro de floresta
A cor de jambo é a índia, que ninguém contesta
De uma altivez que o Império nunca vira
É a tradição, é a raça, é a nossa origem
As coisas da história de São Paulo exigem
A honra que se faça ao nome de Bartira, Bartira
Era tudo, era o nada rio acima
Que o paulista no peito ia vencer
Pra fazer mais Brasil do que existia
Já um tempo era pouco pra perder
Reunindo oração e despedida na partida da horda triunfal
Caçador da esmeralda perseguida
Foi fazendo a unidade nacional
Bandeiras, monções
Já se dava por glória ao que se ia
Porque mal se sabia se voltava
E a benção levada já servia
De unção para quem por lá ficava
Nas monções quem seguia, na verdade
Já partia cheirando à santidade
Quem não via esmeralda ou não morria
Povoava cidade mais cidade
Bandeiras, monções, São Paulo
Que amanheceu trabalhando
São Paulo, que não sabe adormecer
Porque durante a noite, paulista vai pensando
Nas coisas que de dia vai fazer
São Paulo, todo frio quando amanhece
Correndo no seu tanto o que fazer
Na reza do paulista, trabalho é Padre-Nosso
É a prece de quem luta e quer vencer
Bastante italiano, sírio e japonês
Além do africano, índio e português
Tudo isso ao alho e óleo, temperando a raça
Na capital do tempo, tempo é ouro e hora
Quem vive de espera, é juros de mora
Não tem mais-mais nem menos, ou é sim ou não
No máximo se espera pela condução
Nas retas da Rio-São Paulo, chegando, chegando eu vim
Paulista é quem vem e fica plantando, família e chão
Fazendo a terra mais rica, dinheiro e calo na mão
Dinheiro, mola do mundo, que põe a gente na tona
Leva a gente ao fundo
Sim, senhor, sim, senhor, sim, senhor
Faz a paz e a guerra, traz a Lua pra Terra
No mais aumenta a barriga do comendador
Dinheiro, juras e juros, erguendo todos os muros
Pra ele próprio depois, derrubar, derrubar
É a voz que fala mais forte, razão de vida e de morte
Também só compra o que pode comprar
São Paulo, que amanhece trabalhando
Casais entram no elevador
O fino pra curtir um som: ran ran, ren ren, ron ron
A noite é sempre uma criança, é só não deixar crescer
Assim existe esperança, no amanhecer
São coisas da noite, anúncios conhecidos
Que enfeitam a cidade, em movimentos coloridos
Alguém vem do trabalho, do baralho ou do que for
Do La Licorne ao Ceasa, de alguma coisa do amor
Tem sempre mais um, que vem pela calçada
Na bruma que esconde quem sobrou na madrugada
Dei tempo ao tempo, o tempo é que não dá
Tenho que estar pelas sete, no Viaduto do Chá
Olha o Sol, olha o Sol, cadê o Sol? Onde o Sol?
Sumiu, sumiu, sumiu
Quando amanhece, o Sol comparece por obrigação
Nublado, cansado, um Sol de rotina
Se bem ilumina, nem dão atenção
É que o bandeirante não perde o seu tempo
Olhando pro alto, o Sol verdadeiro está no asfalto
Na terra, no homem e na produção
A cor diferente do céu de São Paulo não é da garoa
É véu de fumaça, que passa, que voa
Na guerra paulista das mil chaminés
São Paulo, que amanhece trabalhando
Começou um novo dia, já volta
Quem ia, o tempo é de chegar
Do metrô chego primeiro, se tempo é dinheiro
Melhor, vou faturar
Sempre ligeiro na rua, como quem sabe o que quer
Vai o paulista na sua, para o que der e vier
A cidade não desperta, apenas acerta a sua posição
Porque tudo se repete, são sete
E às sete explode em multidão:
Portas de aço levantam, todos parecem correr
Não correm de, correm para
Para São Paulo crescer
Vão bora, vão bora, olha a hora
Vão bora, vão bora, vão bora, vão bora
Olha a hora, vão bora, vão bora, vão bora
Que o tempo não espera, a vida é derradeira
Quem é vai ser, já era de qualquer maneira
O mundo é do “eu quero”
Quem me der é triste, tristeza basta a guerra
E o adeus no amor
Você onde é que estava quando o tempo andou?
Na terra que não pára, só você parou
Vão bora, vão bora, olha a hora
Vão bora, vão bora, vão bora, vão bora
Olha a hora, vão bora, vão bora, vão bora
O que vale é a versão, pouco interessa o fato
Porque a sensação maior é a do boato
Em coisa de um segundo, noite é madrugada
Notícia ganha o mundo, e a gente não é nada
Você onde é que estava quando o tempo andou?
São Paulo nunca pára, mas você, parou
Vão bora, vão bora, olha a hora
Vão bora, vão bora, vão bora, vão bora
Olha a hora, vão bora, vão bora, vão bora
São Paulo que amanhece trabalhando
Na Praça do Patriarca, rua Direita, São Bento
Na Líbero Badaró, no Viaduto do Chá
Lá está aquele moço, que não dá ponto sem nó
Na conversa bem jogada, vai vendendo geladeira
Pra esquimó curtir verão
Papo firme é isso aí, desse dono da calçada
Rei da comunicação
Olhe aqui, dona Teresa, o produto de beleza
Que chegou da Argentina, examina, examina
De brinde pra seu marido
Nova pomada pra calo que resolve a dor de ouvido
Tem Parker 73, compre uma e ganhe três
Nem paga o justo valor, mais outra ali pro doutor
Leve a lei do inquilinato, mesmo não sendo inquilino
Morar na lei é um barato, e ele prova à sua maneira
Que um ataque de besteira, faz de um doutor um otário
Cursando numa avenida o vestibular da vida
Para ser bom empresário
Ser do São Paulo, do Corinthians e Palmeiras
É ter o fino em futebol durante o ano
Em tênis, remo, natação, nas domingueiras
Bom é Pinheiros, Tietê ou Paulistano
Com Ademir, com Rivelino no gramado
Com rei Pelé e suas jogadas de veludo
Não pe de graça que São Paulo é chamado
Melhor da América Latina em quase tudo
Pró-esporte, pró-esporte é a solução
Pró-esporte, pró-esporte contra a poluição
Lá por setembro o estudante nos ensina
Aquele esporte pelo esporte que não cede
E o meu Mackenzie, dá um show com a medicina
Na grande guerra que se chama MacMed
No corre-corre mundial estamos nessa
Os Fittipaldi estão aí para dizer
Só em São Paulo que é a terra do depressa
A São Silvestre poderia acontecer
Pró-esporte, pró-esporte é a solução
Pró-esporte, pró-esporte contra a poluição
São Paulo jovem, dos que promovem velocidade
Nos seus cavalos, de roda e ferro, na sua forma de liberdade
O peito agarra, a costa de aço
Que deu garupa na Yamaha, no upa-upa
Feito de abraço e muito amor
São Paulo jovem, na mesma cela
Vão ele e ela, por onde seja
Deus os proteja, pelos caminhos da vida em flor
Tem coisas da Ipiranga, da Itapetininga, até da São João
Às vezes também dá
Puxar o show, o chope, o uísque, boa pinga
E o molho das mulheres que transam por lá
Tem loja, tem butique, tem pizzaria
Boate, restaurante, até casa lotérica
É rua que de nada mais precisaria
Com todo aquele charme do Jardim América
América, rua augusta
E agora, já é hora
E ninguém vai embora, embora de lá
Rua augusta, e agora, já é hora
E ninguém vai embora, embora de lá
Bartira e João Ramalho nunca imaginaram
Que a tanga e a miçanga vinham outra vez
Agora nos diriam vendo que acertaram:
Valeu o nosso amor, pelo amor de vocês
E a moça vai passando, e ninguém vê mais nada
Quando ela vai na dela, é pra machucar
É a paulistana boa, despreocupada
De short ou minissaia, pondo pra quebrar, pra quebrar
Rua augusta, e agora, já é hora
E ninguém vai embora, embora de lá
Na sinfonia, que é de todos os barulhos
De Santo Amaro, ao Brás, ao Centro, ao ABC
Por Santo André, Vila Maria até Guarulhos
Grande São Paulo, como eu gosto de você
São Paulo, que amanhece trabalhando
São Paulo que não pode amanhecer
Porque durante a noite, paulista vai pensando
Nas coisas que de dia vai fazer.

FONTE DE PESQUISA:
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa530871/billy-blanco

Leny Eversong

Dia 29/04/1984 é o dia da morte da cantora paulista Hilda Campos Soares da Silva, a Leny Eversong – conhecida pela sua voz poderosa, que lhe deu fama internacional nos anos de 1950, fez várias temporadas anuais nos cassinos de Las Vegas. Em 1945, transferindo-se da Rádio Tupi, passou por duas rádios paulistas: a Excelsior e depois a Nacional. O repertório de Leny Eversong era em sua maioria musica internacional e jazzista.

Nascida em Santos, em 01 de setembro de 1920, desde pequena participava de concursos e apresentações. Em 1936 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a cantar na Rádio Tupi e fazer shows no Cassino da Urca e no Copacabana Palace.

Em 1940 lançou seu primeiro LP pela Copacabana Discos. Sua carreira foi marcada pela critica por não cantar musica brasileira, o que a obrigou a gravar algumas musicas de autores nacionais como Adoniran Barbosa, Tom Jobim e Lupicínio Rodrigues.

Leny na Revista do Rádio – 656

De volta pra São Paulo, mostrou sua potente voz em várias emissoras e casas noturnas.

Leny morreu – com apenas 64 anos -na penúria depois de uma década de ostracismo em 1984. Cansada, com diabetes e sobrepeso vivia desde 1973 afastada da vida artística. Seu marido, Francisco Luís Campos Soares da Silva (conhecido como Nei) havia desaparecido misteriosamente, só após a sua morte é que ficou revelado que seu marido tinha sido executado junto com sindicalistas santistas pelos órgãos repressivos da ditadura militar.

Leny Eversong – OTINDERÊ – Leyde Olivé – orquestração de Guerra-Peixe – Ano de 1956


NUNCA
Nunca
Nem que o mundo caia sobre mim
Nem se Deus mandar, nem mesmo assim
As pazes contigo eu farei

Nunca
Quando a gente perde a ilusão
Deve sepultar o coração
Como eu sepultei

Saudade
Diga a esse moço, por favor
Como foi sincero o meu amor
Quanto eu o adorei, tempos atrás

Saudade
Não esqueça também de dizer
Que é você que me faz adormecer
Pra que eu viva em paz

Na voz de Leny Eversong

Dina Sfat, as palmas merecidas

Em 20 de abril de 1989 morria no Rio de Janeiro Dina Kutner de Souza, mais conhecida como Dina Sfat.

Filha de poloneses, o Sfat é em homenagem à terra natal da sua mãe, Dina participou de importantes espetáculos teatrais na década de 1960. Em 1965 conquistou o prêmio governador do estado (SP) pelo desempenho como atriz na peça Arena Conta Zumbi, um musical de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal. Foi atriz também no Arena Conta Tiradentes, em 1967, da mesma dupla de autores do Arena Conta Zumbi.

No cinema, entre muitos papéis, atuou em Macunaíma de Joaquim Pedro de Andrade e na Televisão em muitas novelas de Janete Clair: Selva de Pedra, Fogo sobre Terra, O Astro, Eu prometo e, também novelas de outros autores como Os Ossos do Barão escrita por Jorge Andrade.

Escreveu um livro Palmas pra que te quero, que fez pouco antes da sua morte, em 1988, depois de uma luta contra o câncer de mama.

Dina Sfat em cena em Arena Conta Tiradentes. Foto Derly Matos

Nascimento do ator e cineasta inglês Charles Chaplin

Nascia em 16 de abril de 1889, na Inglaterra, Charles Spencer Chaplin. Chaplin foi um dos atores da era do cinema mudo, notabilizado pelo uso de mímica e da comédia pastelão. É bastante conhecido pelos seus filmes O Imigrante, O Garoto, Em Busca do Ouro (este considerado por ele seu melhor filme), O Circo, Luzes da Cidade, Tempos Modernos, O Grande Ditador, Luzes da Ribalta, Um Rei em Nova Iorque e A Condessa de Hong Kong.

Marcos Rey, um paulistano

Ele se chamava Edmundo Donato, mas ficou conhecido pelo pseudônimo Marcos Rey, um escritor, roteirista brasileiro, redator de programas de televisão que adaptou clássicos como A Moreninha de Joaquim Manuel de Macedo em forma de telenovela e o Sítio do Picapau Amarelo.
Marcos Rey que nasceu na cidade de São Paulo em 17 de fevereiro de 1925. marcou uma geração com livros infanto-juvenis, além de obras para teatro, cinema e televisão. Muitos devem se lembra da série de livros infanto juvenis da Coleção Vaga-lume, como “O mistério dos cinco estrelas”.

Marcos Rey

Em 1945 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde viveu em uma pensão no bairro da Lapa e trabalhou na tradução de obras infantis.

Em 1946 ele voltou para São Paulo e em 1949 foi contratado como redator da Rádio Excelsior. Entre o período em que trabalhou na Rádio Excelsior e na Rádio Nacional conseguiu publicar seu primeiro livro, “Um gato no triângulo”.


Com a chegada da televisão na década de 50, Marcos Rey passa a trabalhar como redator de programas televisivos, entre eles, os infantis “Vila Sésamo” e “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, as novelas “A moreninha” e “Partidas Dobradas” e as séries “Memórias de um gigolô” e “O homem que salvou Van Gogh do suicídio”. Paralelo a isso também trabalhou como publicitário.

No ano de 1958, em parceria com o seu irmão Mário Donato, fundou a Editora Mauá. Apesar da editora não ter dado certo, foi ali que conheceu sua esposa Palma Bevilacqua.

Marcos Rey foi presidente da União Brasileira de Escritores em 1961.

Em 1967 publica o livro de contos “O enterro da cafetina” e o romance “Memórias de um gigolô”, ambos sucessos de público e de crítica.


No dia 1 de abril de 1999, Marcos Rey morria e com ele uma parte da literatura paulistana.