Direitos Humanos e Cidadania

Hoje é o Puta day: Dia internacional da prostituta

Dia Internacional da Prostituta é comemorado para marcar a data de 2 de junho de 1975, quando cerca de 150 trabalhadoras sexuais entraram para a história ao ocuparem a Igreja Saint-Nizier na cidade francesa de Lyon, exigindo que o trabalho prestado por elas fosse considerado tão útil à França como outro ofício qualquer.  Em reconhecimento de sua luta e coragem, esse dia foi declarado o Dia Internacional da Prostituta pelo movimento organizado de trabalhadorxs sexuais e vem sendo celebrado anualmente desde 1976.

Como disse o jornal Le Progres:

C’était il y a quarante ans. Le 2 juin 1975, des prostituées lyonnaises envahissent l’église Saint-Nizier, située au cœur de la Presqu’île, entre la place des Terreaux et celle des Jacobins pour protester contre les arrestations dont elles sont victimes. Elles l’occuperont pendant une dizaine de jours et seront une centaine.

Pour célébrer le quarantième anniversaire de ce mouvement devenu historique, leur syndicat, le Strass, organise des rencontres internationales des travailleuses du sexe. Un rendez-vous qui se tient à Lyon du dimanche 31 mai au mardi 2 juin. Au programme, des ateliers de réflexion sur différents thèmes (situation à l’étranger, abolition et pénalisation des clients, etc.) réservés aux prostitués au centre Aris (Lyon 1er ) et une manifestation mardi à 14 heures au départ de la place de Saint-Nizier, pour protester contre la répression toujours présente.

À noter également, une exposition organisée par l’association Cabiria sur l’occupation de l’église de Saint-Nizier. À découvrir dès mardi à 19 heures à La Fourmilière, 15 rue Salomon-Reinach (Lyon 7e ).

“Passaram-se 40 anos. Em 2 de junho de 1975, as prostitutas lionesas invadiram a igreja de St. Nizier, situada no coração da Presqu’île, entre a praça dos Terreaux e a dos Jacobinos, para protestar contra as prisões de que eram vítimas. Elas eram cerca de cem, e ocuparam a igreja por dez dias.”

Conta-nos  Maggie McNeill, no blog The Honest Courtesan:

By 1974, the embattled French hookers had enough; the police had (as usual) done nothing about two mutilation murders of prostitutes in Lyon, so a group of whores and supporters (including lawyers and journalists) called a protest meeting to demand an end to the various anti-prostitute laws and police repression which was endangering their lives by forcing them to work in dark, sparsely-trafficked areas.  The police responded by harassing the protesters with three or four fines per day each, and the French tax authorities made ridiculous estimates of the number of clients each protesting worker saw, then presented them with tax bills exceeding their entire incomes.  When they appeared on television to tell the public what was happening, they were sentenced to prison in absentia for the unpaid fines and taxes.  Recognizing that dramatic action was called for, on Monday, June 2nd, 1975 a group of over 100 prostitutes occupied the Church of St. Nizier in Lyon with the cooperation of the priest; they hung a banner across the front of the building stating in French, “OUR CHILDREN DON’T WANT THEIR MOTHERS IN PRISON.”

“Em 1974, as putas francesas estavam fartas; a polícia, como sempre, não havia feito nada sobre o assassinato e a mutilação de duas prostitutas em Lyon, de modo que um grupo de putas e apoiadores (que incluíam advogados e jornalistas) convocaram uma reunião de protesto para exigir o fim das várias leis anti prostituição e da repressão policial que colocava suas vidas em perigo por obrigá-las a trabalhar em áreas escuras e de pouco tráfego. A polícia reagiu assediando os manifestantes com três ou quatro multas por dia, e as autoridades do fisco francês fizeram estimativas ridículas do número de clientes que cada trabalhadora manifestante atendia, e lhes apresentou contas de impostos que excediam toda a renda delas. Quando elas apareceram na TV para dizer ao público o que estava acontecendo, foram condenadas à prisão à revelia, por causa das multas e dos impostos não pagos. Reconhecendo que era necessária uma ação dramática, na segunda-feira, 2 de junho de 1975, um grupo de mais de cem prostitutas ocupou a igreja de St. Nizier, em Lyon, com a cooperação do padre. Elas penduraram uma enorme faixa na frente da igreja, declarando “Nossas crianças não querem suas mães na prisão.”

A solidariedade das mulheres de Lyon

“Quando o governo reagiu com a ameaça de tomar suas crianças se elas não fossem embora imediatamente, houve uma indignação pública; muitas mulheres de Lyon juntaram-se a elas, de modo que os policiais não tinham como dizer quais delas eram as prostitutas. Além disso, o ‘submundo’ de Paris enviou uma delegação para ajudá-las, grupos ocuparam igrejas em outras partes da França e uma ‘greve de prostitutas’ foi organizada em várias províncias.”

Hoje o Dia serve para denunciar a discriminação e a exploração das prostitutas a nível mundial, assim como as precárias condições de vida e de trabalho

Ações e combate ao Covid-19

Hoje, 30/05, as 19hs, faremos uma LIVE para discutir a pandemia do Coronavírus com as seguintes convidadas Muna Zeyn e Cynthia regina Fisher.

Muna Zeyn é assistente social formada pela FMU e pós-graduada pela PUC, chefe de gabinete da deputada federal Luiza Erundina e funcionária aposentada da Prefeitura de São Paulo. Foi apresentadora do primeiro programa de internet para mulheres o Alltv Mulheres. Ativista pelos direitos das mulheres e participa do comitê estadual de vigilância e mortalidade materna do estado de São Paulo.

Cynthia Regina Fischer é Doutora e Mestre em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP, tendo sido também pesquisadora do grupo de pesquisa GEALIN – PUC/SP desde sua criação até 2014. Bacharel e Licenciada em Língua e Literatura Inglesas, com habilitação para magistério e tradução pela mesma instituição. Atualmente, além de Professora Titular do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – IFSP (antigo CEFET-SP), é também Assessora de Relações Internacionais do Instituto, em que atua na busca de parcerias com instituições de ensino superior, focando em ações de pesquisa, ensino, extensão e mobilidade da comunidade acadêmica para promover a internacionalização do IFSP. Foi Pró-Reitora de Ensino no período de 2013-2014 do IFSP. Foi Diretora Geral dos Câmpus Itapecerica da Serra (2015) e Câmpus São Paulo-Pirituba (2015-2018), cuja principal responsabilidade foi estruturar o novo campus e gerenciar sua implantação. Atualmente, desenvolve pesquisa e capacitação na área de Formação de Professores e inserção de Novas Tecnologias da Informação e Comunicação no fazer pedagógico.

Pelo LINK: https://www.facebook.com/vitrinedogiba/live/

Professores homenageam Luiza Erundina e Paulo Freire

Em comemoração aos 30 anos da administração LUIZA Erundina, os professores da rede municipal de ensino da cidade de São Paulo prestaram uma bela e emocionante homenagem à prefeita e a seu secretário da educação.

O evento ocorreu no campus Vergueiro da Uninove na tarde deste sábado, 26 de outubro de 2019. O auditório ficou lotado com a presença de inúmeros professores e professoras que prestaram serviços à administração da então petista, assim como destacaram o papel exercido pelo educador Paulo Freire no secretariado municipal. Participaram personalidades como Eduardo Suplicy,  Donato, Mauricio Faria (hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Município), José Genoíno, Nabil Bonduki e inúmeras pessoas que direta ou indiretamente participaram do governo.

Claro, não faltou gritos de Lula Livre e de vivas ao povo chileno. O ex-deputado do Rio de Janeiro, Chico Alencar fez uma intervenção animada esperançosa sobre a política e destacou o “ministério” que era o secretariado da ERUNDINA.

A filósofa e secretaria da Cultura da administração da Luiza, Marilena Chaui destacou o papel da forma socialista do governo ERUNDINA que era o mais utópico e não esperado na forma de uma democracia participativo e de respeito às direitos. Destacou a questão da Utopia, principio que Erundina carrega nas suas falas e atos.

Marilena destacou a Utopia como forma de pensar e traçar ação ara o futuro
Mario Sergio Cortela teve o desafio de substituir o secretário Paulo Freire quando o educador decidiu sair do secretariado.

10 de Dezembro – Dia Internacional dos Direitos Humanos

São 70 anos de reconhecimento e luta por respeito, dignidade, diversidade e cidadania. A celebração do dia 10 de dezembro é especial por causa da Declaração Universal dos Direitos Humanos, na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Paris. Nesta data, em 1948, foi assinado por 58 países o compromisso de pacto na promoção da paz e preservação dos valores humanos, pouco mais de três anos após o fim da 2ª Guerra Mundial.

A defesa dos Direitos Humanos é permanente desde então, seja pela promulgação de Convenções complementares (em especial relativas aos principais instrumentos jurídicos de proteção), seja pelas Conferências Mundiais e respectivos Programas de Ação, que vêm detalhar medidas a serem desenvolvidas na direção de efetivar as conquistas da Declaração – não apenas proclamá-la e reverenciá-la.

Na data em que a Declaração completa 7 décadas, é tempo de recordar a necessidade de lutar por ações concretas no sentido de continuar garantindo os direitos civis, políticos, sociais e ambientais de toda a população mundial. E ter em mente que, embora eventualmente ainda exista desinformação, são os Direitos Humanos que garantem a todas as pessoas o direito de viver, agir e fazer suas escolhas, da maneira que acharem melhor.

Os Direitos Humanos são os direitos de todos nós.

VI Festival de Direitos Humanos

Abertura oficial do VI Festival de Direitos Humanos será no dia 10 de dezembroàs 19h, na Estação Cultura – Secretaria da Cultura do Estado em comemoração aos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A celebração contará com coquetel, exposições e debates, além do lançamento de uma revista de direitos humanos com artigos e outras publicações acerca desta memorável data.

Realizado pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, o Festival promoverá entre os dias 02 e 18 de dezembro diversas atividades de ocupação da cidade de São Paulo, por meio de seminários, apresentações, intervenções urbanas e movimentos artísticos e culturais.

A programação se estenderá do centro às periferias.. Isso faz do Festival um polo fundamental para a construção de novas relações sociais e de valores capazes de enfrentar as violações de direitos humanos e reivindicar uma cidade mais inclusiva.

Em breve divulgaremos a programação completa

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Relatório Direitos Humanos no Brasil lança 19ª edição em SP

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A 19ª edição do livro Direitos Humanos no Brasil será lançada no dia 05 de dezembro, às 18h, no Sesc Bom Retiro, em São Paulo. São 32 artigos de 22 autoras e 19 autores que aprofundam análises e apresentam dados sobre diferentes áreas de atuação relacionadas aos direitos humanos.

A edição de 2018 analisa como está a aplicação da Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Constituição Federal, no marco de 70 anos da primeira e 30 da segunda. Terra, trabalho, justiça, saúde, educação e encarceramento são alguns dos grandes temas abordados nesta publicação, sob a ótica dos Direitos Humanos. O livro traz também artigos relacionados aos povos indígenas, quilombolas, mulheres e mulheres negras, populações encarceradas e LGBTI, jovens e imigrantes. 

Direitos Humanos no Brasil é publicado anualmente pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos desde 2000, em parceria com dezenas de organizações sociais de vários setores e regiões do Brasil. 

Na cerimônia serão homenageados Marielle Franco e Pe. José Amaro Lopes de Souza, por suas trajetórias de luta na defesa dos direitos humanos e por representarem símbolos de resistência. A programação do lançamento inclui apresentação cultural de “As Despejadas”.

Lançamento do livro Direitos Humanos no Brasil 2016
Quando: 05 de dezembro de 2018 às 18h 

Local: SESC Bom Retiro – Alameda Nothmann, 185 – Bom Retiro

Entrada franca

Sobre médicos cubanos

A qualidade do médico que se forma em Cuba é inquestionável

Desqualificar o pessoal de saúde cubano faz parte da campanha do presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, para fazer implodir o programa Mais Médicos; um argumento insólito pela sua falsidade

Autor: Yeilén Delgado Calvo | internet@granma.cu

novembro 22, 2018 08:11:18

Estudantes da escola cubana de Medicina. Photo: Internet

«As mulheres e homens que estudam Medicina em Cuba não o fazem, como é usual no resto do mundo, focalizados em curar doenças, mas sim em preservar a saúde da pessoa, a família, a comunidade e até do meio ambiente; e por isso onde quer que eles chegarem, ganham o respeito das pessoas, devido ao seu humanismo».

Assim foi enfatizado pelo doutor Jorge González Pérez, diretor nacional de Docência do Ministério da Saúde Pública (Minsap), durante a primeira emissão do programa especial Mais do que Médicos, da televisão cubana, transmitido na noite da quarta-feira, 21 de novembro.

O reconhecido especialista acrescentou que o impacto das missões médicas no exterior é devido, precisamente, a essa visão diferente do atendimento que tem como centro a prevenção e não ancorado no hospitalar; que permite descobrir problemas mais gerais dos locais, como, por exemplo, que seja a qualidade da água a que esteja afetando os habitantes.

González Pérez lembrou que essa perspectiva responde à concepção de Fidel sobre a Medicina; a mesma que garantiu a existência de uma rede de universidades acessíveis aos jovens de toda a geografia nacional, com o mesmo programa de ensino, iguais exames finais e rigor.

TRADIÇÃO DE QUASE TRÊS SÉCULOS

«Os estudantes aqui obtêm durante seis anos, além da preparação teórica, uma forte ligação prática», explicou nesse espaço televisivo, o doutor Luis Alberto Pichs García, reitor da Universidade das Ciências Médicas de Havana.

O trabalho em condições reais desde o início da carreira é para o doutor Pichs uma garantia, sobre a base de 290 anos de tradição de ensino médico. «Todo o Sistema Nacional de Saúde é um âmbito de formação. Somente na capital estão associados ao trabalho educativo 54 hospitais, 82 policlínicas, 17 centros de pesquisas e todas as unidades do atendimento primário; e há mais de 12.600 estudantes», comentou o reitor.

Disse também que o aumento da matrícula está relacionado com o desenvolvimento dos centros de estudo – não um só como existia ao triunfo da Revolução – mas ainda que todos tenham o direito e a oportunidade de optar por Medicina, solo 70% daqueles que aspira consegue ficar. Devem aprovar os exames de ingresso, e os territórios estabelecem sua demanda de recursos humanos. E depois requer de muito sacrifício manter-se. A maioria solicita a carreira como sua primeira e segunda opção.

Que se faz no mundo e não em Cuba, é uma pergunta que, referiu o doutor González Pérez, fazem frequentemente no Minsap, para garantir os altos padrões da saúde doméstica. De tal forma, nos últimos anos foram introduzidas 44 tecnologias que antes deviam ser utilizadas no exterior, como algumas associadas a padecimentos cardiovasculares ou ao procedimento de fecundação in vitro; e são convocados os melhores peritos internacionais para capacitar o pessoal quando resulta necessário.

Esse modo de agir, onde se combinam pesquisa e sacrifício, em um cenário de cruento bloqueio econômico, tal e como descreveu o perito, constitui outro dos pilares pelos que Cuba tem médicos do primeiro mundo vestidos de sensibilidade.

Bolsonaro, Mais Médicos e um déjà vu

Por mais de uma década, o Programa Parole, criado em 2006 por George W. Bush, incentivou o pessoal de saúde cubano que colabora em países terceiros a abandonar suas missões e emigrar para os Estados Unidos

Autor: Lisandra Fariñas Acosta | lisandra@granma.cu

novembro 21, 2018 08:11:57

O presidente cubano Díaz-Canel relembrou no Twitter os 20 anos da Escola Latino-americana de Medicina (ELAM); uma obra de amor que formou milhares de médicos; entre eles, brasileiros, a quem a Associação Médica os impede de passar no exame de revalidação do título e o acesso aos empregos.

O presidente cubano Díaz-Canel relembrou no Twitter os 20 anos da Escola Latino-americana de Medicina elam; uma obra de amor que formou milhares de médicos; entre eles, brasileiros, a quem a Associação Médica os impede de passar no exame de revalidação do título e no acesso aos empregos.

Ano de 2013. No Brasil, a presidenta Dilma Rousseff promoveu programas como o Mais Médicos, que previa a presença de médicos brasileiros e estrangeiros para atuar em áreas pobres e isoladas daquele país, iniciativa que incluiu milhares de profissionais de saúde cubanos. Na Venezuela, o então candidato anti-Chávez, Henrique Capriles, fazia flutuar seu discurso entre as ameaças a Havana, «pois não financiaria um modelo político», nem «doaria petróleo», e a oferta «desinteressada» de nacionalizar os milhares de médicos que estavam em solo bolivariano. Eu os convidaria, declarou Capriles, «para serem cidadãos de um país onde há democracia».

Se até agora você parece ter visto este script repetido em outros momentos, saiba que está certo. O que o presidente Jair Bolsonaro acaba de fazer dinamitando o Programa Mais Médicos, e com ele a garantia de acesso à saúde de qualidade para milhões de brasileiros, recorda, pelo menos, muitos outros ataques da direita regional à colaboração internacional cubana.

O presidente eleito do gigante sul-americano chama o governo cubano de «ditadura», enquanto não poupa louvores na defesa da ditadura militar brasileira entre 1964-1985, que ainda tem na memória do país não apenas desaparecimentos forçados e assassinatos, mas a repressão de qualquer tipo de oposição política. Maus presságios para o Brasil, se seu novo presidente não entender a dimensão exata do que é um regime ditatorial.

E o déjà vu ocorre quando afirma que «oferecerá asilo político aos milhares de médicos cubanos que não desejam retornar ao seu país».

Não surpreende que estimular a deserção dos médicos seja o pano de fundo de sua posição, num contexto em que a força de trabalho qualificada é o maior potencial da Ilha maior das Antilhas, e onde os médicos cubanos ou aqueles treinados em Cuba de outros os países promovem uma imagem positiva do país, enquanto desenvolvem formas de cooperação Sul-Sul.

Essa linha de sabotagem tem uma forte referência, além disso, no Programa de Parole para Profissionais Médicos Cubanos, um esquema migratório do Governo dos Estados Unidos que vigorou até 17 de janeiro do ano passado; quando, após um ano de negociações, e encorajado pelo início da normalização das relações diplomáticas entre Havana e Washington, foi assinado um acordo entre os dois países com o objetivo de garantir uma migração regular, segura e ordenada, que além do Parole, bania a política de pés secos-pés molhados. Esta foi uma das últimas ações tomadas pelo presidente Barack Obama.

Por mais de uma década, o programa Parole …, criado em 2006 por George W. Bush, estimulou o pessoal de saúde cubano que colaborou em terceiros países a abandonar suas missões e emigrar para os Estados Unidos, uma prática repreensível que afetava não somente Cuba, mas, portanto, os programas de saúde dos países onde eles estavam trabalhando.

A FÓRMULA DE BOLSONARO É, ENTÃO, VELHA E CONHECIDA

«A intenção era clara: prejudicar a cooperação de Cuba com outros países, reduzir a entrada de dinheiro na forma de pagamentos por esses programas e drenar os médicos e outros profissionais da área médica do país», diz o professor titular do Centro de Estudos Hemisféricos e dos Estados Unidos da Universidade de Havana, Ernesto Domínguez López, em seu artigo ‘Migração, fuga de cérebros e relações internacionais. O caso dos Estados Unidos e Cuba’.

Para o pesquisador, os anos de aplicação de ambas as políticas fizeram deles dois dos componentes mais importantes da política migratória dos Estados Unidos em relação a Cuba, mas vai além. «Quando localizamos este caso dentro do quadro muito mais amplo da política geral de imigração dos Estados Unidos, observamos que atrair estrangeiros instruídos para preencher as lacunas na força de trabalho dos EUA tem sido uma política tradicional, refletida na existência do visto H1B. Sob esse guarda-chuva, cientistas, engenheiros, médicos, foram trabalhar em instituições e empresas na América do Norte, ajudando a manter sua posição privilegiada em todo o mundo. Tornou-se um marco para a economia dos EUA e as universidades norte-americanas», explica o pesquisador no texto acima referido.

Domínguez López relata que existem estudos que mostram que os países mais ricos implementaram efetivamente políticas para absorver imigrantes qualificados, embora a pesquisa sobre o assunto ainda seja insuficiente. «A área que recebeu a atenção mais permanente é a drenagem de profissionais médicos de países pobres. Esta é uma questão particularmente sensível, devido às suas implicações éticas e práticas. De fato, a disponibilidade e a qualidade dos cuidados de saúde têm um grande impacto nos indicadores essenciais de saúde, que são considerados pelos estudiosos proeminentes como uma fonte fundamental de desigualdade entre os países».

«Em seu estado atual, a fuga de cérebros não pode ser completamente explicada a partir de uma análise global, que considera desigualdades estruturais, redes migratórias, políticas mundiais, especialmente as assimetrias na distribuição de poder, e mesmo a hegemonia da mídia ocidental e cultural. São indústrias que criam imagens, percepções e aspirações, distorcendo as interações sociais de diferentes tipos», diz Domínguez López.

Segundo o pesquisador, o argumento em favor dessa afirmação é baseado em uma ideia fundamental: a fuga de cérebros, como parte dos fluxos migratórios globais, é possível devido aos níveis de desigualdade entre e dentro dos países, como mostram vários estudos. Essas desigualdades não são acidentais, mas componentes estruturais da ordem mundial moderna, entendida como a hierarquia global de distribuição de poder, riqueza e desenvolvimento, que tem sido o resultado da evolução global, segundo enfatiza em seu artigo.

Sob essa lógica, qualquer tentativa de remover e enfraquecer um dos recursos mais valiosos do país: seus profissionais, não é fortuito nem acaso isolado.

Faz parte de um «claro sinal de harmonia com a política externa dos EUA», e isso não é afirmado por Cuba, mas sim pelos aplausos públicos que há poucos dias deu a subsecretária do Estado dos EUA para os Assuntos do Hemisfério Ocidental, Kimberly Breier, à posição do futuro governante brasileiro, diante do qual Cuba decidiu não continuar com a participação de médicos cubanos no programa Mais Médicos nesse país.

NO CONTEXTO

1. A Lei do Programa Mais Médicos é clara sobre como os títulos dos médicos são credenciados e o papel desempenhado pela Organização Pan-Americana da Saúde, o Ministério da Saúde Pública e as universidades cubanas de ciências médicas em sua acreditação. Os colaboradores cubanos tiveram que passar por exames prévios antes de viajar para o Brasil e exames periódicos durante sua estada, conduzidos pelo Ministério da Saúde do Brasil.

2. As ofertas de revalidação de títulos são enganosas, porque a Associação Médica se opõe a isso: no Brasil existem milhares de médicos graduados cujos cursos não foram revalidados. De cada cem médicos que fazem o exame, apenas oito são aprovados. Essa é a maneira de manter o mercado de saúde privado regulado para garantir sua enorme renda: menos médicos e mais dinheiro; daí a oposição desde o início ao Programa Mais Médicos.

3. Médicos cubanos prestam serviços em lugares para os quais médicos ou profissionais brasileiros e de outros países não querem ir. Eles assumem os perigos por causa de sua vocação para salvar vidas. Eles estão em lugares de maior risco, em comunidades de extrema pobreza, em favelas e bairros violentos onde até a polícia não pode entrar. Eles estão nos 34 distritos especiais indígenas e em 700 municípios que nunca conheceram um médico antes, ao longo da história do Brasil. Até hoje o povo e o governo os protegeram, mas essa proteção será retirada pelo novo governo

O Evangelho Corajoso

Do meu amigo, padre Jaime C. Patias:

“É isto que a Igreja quer: incomodar sua consciência, provocar uma crise nos tempos em que estamos vivendo. Uma Igreja que não toca em algum ponto crítico, um evangelho que não nos deixa desconfortáveis, uma palavra de Deus que, em termos grosseiros, não causa alergia alguma, uma palavra de Deus que não toca nos pecados da sociedade, seria que tipo de evangelho? Preocupações muito bonitas e piedosas que não incomodam ninguém, não ajudam as pessoas em nada. Àqueles pregadores que não desejam conflitos e dificuldades a ninguém e que não esclarecem a realidade em que vivem, falta a coragem de Pedro para dizer à multidão que ainda tem as mãos manchadas de sangue por terem matado a Cristo: ‘Você o matou’! Embora também perdesse a vida por causa dessa acusação, ele a proclamou. É o evangelho corajoso. São as boas-novas que vieram a tona para tirar os pecados do mundo”. (Homilia de São Oscar Romero em abril de 1978). 

NB. O trecho foi citado durante solenidade de Ação de Graças pela sua canonização realizada na Abadia de Westminster, em Londres, sábado, dia 17 de novembro 2018. São Oscar Arnulfo Romero foi canonizado no dia 14 de outubro 2018, numa cerimônia na Praça São Pedro em Roma. Reportagem publicada por Independent Catholic News – ICN, 20-11-2018.

Bibliografia sobre os Guarani-Kaiowá

Imagem: Lucas Ninno/GCOM

Bibliografia sobre os Guarani-Kaiowá

 

ALMEIDA, Rubem Ferreira Thomaz de. O caso Guarani : o que dizem os vivos sobre os que se matam? In: RICARDO, Carlos Alberto, ed. Povos Indígenas no Brasil : 1991/1995. São Paulo : Instituto Socioambiental, 1996. p. 725-8.

      O Projeto Kaiowá-Ñandeva : uma experiência de etnodesenvolvimento junto aos Guarani-Kaiowá e Guarani-Ñandeva contemporâneos do Mato Grosso do Sul. Rio de Janeiro : UFRJ-Museu Nacional, 1991. 441 p. (Dissertação de Mestrado)

 

AZEVEDO, Marta Maria; CIMI. O suicídio entre os Guarani Kaiowá. Terra Indígena, Araraquara : Centro de Estudos Indígenas, v. 8, n. 58, p. 6-28, jan./mar. 1991.

 

BELLO, Samuel Edmondo L. Educação matemática indígena : um estudo etno-matemático com os índios Guaraní-Kaiová do Mato Grosso do Sul. Curitiba : UFPR, 1995. (Dissertação de Mestrado)

 

BRIDGEMAN, Loraine Irene, org. Kwatia mitãygwe-pe gwarã (ABCDário em Kaiwá). Brasília : Missão Evangélica Caiuá/SIL, 1991. 40 p. Circulação restrita.

——–. Manual para o escritor Kaiwá. Dourados : Missão Evangélica Caiuá, 1991. 8 p. Circulação restrita.

——–. O parágrafo na fala dos Kaiwá-Guaraní. Brasília : SIL, 1981. 132 p.

 

CLASTRES, Pierre. A fala sagrada : mitos e cantos sagrados dos índios Guaraní. Campinas : Papirus, 1990. 144 p.

 

GARCIA, Wilson Galhego. Introdução ao universo botânico dos Kayová de Amambaí : descrição e análise de um sistema classificatório. São Paulo : USP, 1985. (Tese de Doutorado)

——–. Plantas medicinais entre os índios Kayovas. Terra Indígena, Araraquara : Centro de Estudos Indígenas, v. 13, n. 77/78, p. 13-94, mar. 1996.

 

GRÜNBERG, Georg G. Por que os Guarani Kaiowá estão se matando? Tempo e Presença, Rio de Janeiro : Cedi, v. 13, n. 258, p. 32-7, jul./ago. 1991.

Publicado também no Boletín IWGIA n. 2, set./out. 1991, p. 21-4.

 

MEIHY, José Carlos Sebe Bom. Canto de morte Kaiowá : história oral de vida. São Paulo : Loyola, 1991. 303 p.

——–. A morte como apelo para a vida : o suicídio Kaiowá. In: SANTOS, Ricardo Ventura; COIMBRA JÚNIOR, Carlos E. A., orgs. Saúde e povos indígenas. Rio de Janeiro : Fiocruz, 1994. p. 243-51.

——–. Suicídio Kaiowá. Carta, Brasília : Gab. Sen. Darcy Ribeiro, n. 9, p. 53-60, 1993.

 

MORGADO, Anastácio F. Epidemia de suicídio entre os Guarani-Kaiowá : indagando suas causas e avançando a hipótese do recuo impossível. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro : Fiocruz, v. 7, n. 4, p. 585-98, out./dez. 1991.

 

MOTA, Clarice Novaes da. La obscuridad y el mar : comienzo y fin de los Guarani. In: CIPOLLETTI, Maria Susana; LANGDON, E. Jean, coords. La muerte y el mas alla en las culturas indígenas Latinoamericanas. Quito : Abya-Yala ; Roma : MLAL, 1992. p. 51-76. (Colección 500 Años, 58)

 

PEREIRA, Maria Aparecida da Costa. Uma rebelião cultural silenciosa : investigação sobre os suicídios entre os Guarani (Nhandeva e Kaiowá) do Mato Grosso do Sul. Brasília : Funai, 1995. 55 p. (Índios do Brasil, 3)

 

SILVA, Joana Aparecida F. Os Kaiowá e a ideologia dos projetos econômicos. Campinas : Unicamp, 1982. 141 p. (Dissertação de Mestrado)