Econotas

Café da Manhã – Bate papo com Rose Marie Inojosa sobre a Carta da Terra para os futuros prefeitos

Neste domingo, 18/10, as 10h30 vamos conversar com pesquisadora e pedagoga Rose Marie Inojosa sobre a Carta da Terra para os futuros prefeitos. Rose Marie Inojosa é conselheira da Aliança pela Infância; consultora em planejamento e gestão; participou da implantação da UMAPAZ – Universidade aberta do Meio Ambiente e Cultura de Paz uma unidade da Prefeitura de São Paulo, Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, cujo objetivo é contribuir para a formação de cidadãos em sustentabilidade, com uma perspectiva transdisciplinar. É mestre em Comunicação e doutora em Saúde Pública.

Águas de março

Águas de março
por Gilberto da Silva

Gilberto da Silva é sociólogo e jornalista. É editor da Partes.

Águas fraternas
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil escolheu um assunto ligado ao meio ambiente como tema da Campanha da Fraternidade de 2004. O tema “fraternidade e água”, com o lema – “água, fonte de vida” -, é muito pertinente e chega num momento crucial da discussão sobre o saneamento.
Este tema várias vezes citado nesta coluna recebe agora o reforço da Igreja Católica que possui um excelente trabalho com as comunidades desempenhando um papel conscientizador: no Brasil, milhões de pessoas ouvem e incorporam as orientações da Igreja no seu cotidiano.

Objetivos ecológicos
A Campanha da Fraternidade de 2004 propõe conhecer a realidade hídrica do Brasil a partir da realidade local; desenvolver uma mística ecológica que resgate o valor da água nos seus fundamentos mais profundos; apoiar e valorizar as iniciativas já existentes no tocante ao cuidado com a água, preservação das águas, captação de água de chuva e recuperação de mananciais degradados; provocar e alimentar a solidariedade entre quem tem água e quem não tem; e defender a participação popular na elaboração de uma política hídrica, para que a água seja, de fato, de domínio público, e seja gerenciada pelo poder público com participação da sociedade civil e da comunidade local.

Dados alarmantes

Dados da ONU – Organização das Nações Unidas revelam que cerca de 1,2 bilhão de pessoas no mundo não têm água de qualidade para beber; 2,4 bilhões de pessoas não têm serviços sanitários adequados; milhões de crianças morrem a cada ano de doenças causadas por água contaminada; no Brasil, 20% da população ainda não tem acesso à água potável; 40% das torneiras não tem água confiável; 50% das casas não tem coleta de esgotos e 80% do esgoto coletado é jogado diretamente nos rios, sem qualquer tratamento; 54,4% das crianças de zero a 6 anos vive em residências sem saneamento adequado.

Fonte de discórdia
A fonte multimídia do Parque do Ibirapuera ainda rende confusão. O Ministério Público Estadual insiste na tese de risco à saúde. A Prefeitura nega qualquer risco. A Cetesb vai monitorar a poluição do lago. Muita água pode rolar.

Urbis 2004
De 14 a 18 de junho será realizada a terceira edição da Urbis – Feira e Congresso Internacional de Cidades cuja proposta é discutir os principais problemas das metrópoles: congestionamentos, miséria, poluição, favela, educação e saúde.
A Feira estará sendo realizada no Pavilhão de Exposições do Expo Center Norte e tratará do tema “Cidades e Regiões Metropolitanas: Estratégias de Desenvolvimento”. Ao mesmo tempo estará acontecendo no Anhembi a X UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) evento que trará centenas de ministros e muitos chefes de Estado a São Paulo.

Debates
Os debates da Urbis serão marcados pelas seguintes questões: 1) Globalização, Desenvolvimento Nacional e o Papel das Regiões Metropolitanas; 2) Megacidades e o Desenvolvimento Regional; 3) Regiões Metropolitanas: Marco Regulatório; 4) Limites e Perspectivas para o Desenvolvimento das Cidades e das Regiões Metropolitanas; 5) Políticas Metropolitanas: Transporte, Segurança e Habitação; 6) Políticas Metropolitanas: Saneamento Ambiental, Acesso à Água e Energia; 7) Geração de Trabalho e Renda.

Teto Pak
As conhecidas caixas de Tetra Pak (leite e sucos etc) podem ser reaproveitadas e transformadas em isolante térmico para residências e galpões. Pesquisadores da Unicamp provam que a utilização destas caixinhas deixa a casa mais fresca e agradável.

Uma boa ideia. Além de ecológica e barata as caixinhas refrescam a cuca.

Nível
O nível sobe. O nível desce. Se não tivéssemos uma perda de 30% na RMSP no abastecimento teríamos uma boa folga no manjado “nível” dos reservatórios. Proteger os mananciais é, no meu entender, o mais prioritário.

O livro visa estimular, aprimorar e qualificar professores, alunos, gestores e demais profissionais da educação para uma leitura crítica e reflexiva da realidade sócioambiental a partir da diversidade e complexidade das teias de relações sociais, econômicas, políticas e culturais do mundo contemporâneo.

Livro traz pequenas notas sobre questões ambientais tais como: crise hídrica, saneamento, lixo, sustentabilidade, comunicação, riscos, enchentes, mobilidade, biocombustíveis e energia.

A reinvenção da natureza

A reinvenção da natureza
por Gilberto da Silva

Ano III n.42 fevereiro de 2004 como http://www.partes.com.br/ed42/econotas.asp

Jornalista e sociólogo. Editor da Partes

Salvação
Salvar o planeta. Salvar a humanidade. Junção de respostas para necessidades sociais e aos danos ecológicos. A combinação destas duas vertentes servirá para transformar a sociedade contemporânea. Reformas devem ser prioritariamente e simultaneamente sociais e ecológicas. Esta tarefa, porém, parece ser muito complexa nos círculos políticos e industriais. Mas há salvação.

Biossegurança
O PL 2401/03 continua num impasse. Os parlamentares pedem mais tempo para aprovar. Segundo a deputada Luci Choinacki (PT-SC), o projeto original já era polêmico e agora, com as alterações feitas pelo relator da matéria deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), fica praticamente impossível discutir a matéria em tão pouco tempo.
A deputada citou como exemplo as mudanças feitas na forma de seleção dos membros da CTNBio, que passam a ser escolhidos pelo Governo, e a retirada de poder do Ministério do Meio Ambiente que, de acordo com o substitutivo, passa apenas a acompanhar os pedidos de licença de pesquisa já deliberadas pela CTNBio.

Transgênicos
Enquanto no Congresso não se define a Lei de Biossegurança e ficamos sem uma ação nacional sobre os transgênicos, recapitulemos algumas coisas sobre o assunto.
A produção de transgênicos é dominada pelas empresas multinacionais que eram especializadas em produtos químicos e farmacêuticos, produtoras de inseticidas, herbicidas e fungicidas. Os transgênicos são conhecidos como organismos geneticamente modificados (plantas e animais) que tiveram sua composição genética modificada em laboratório por cientistas.
Minha visão é de que é preciso cautela, pois a natureza costuma responder e reagir às modificações realizadas nas plantas e nos animais levando em alguns casos a provocar a perda da diversidade genética.

Perguntas que não calam
Quem controlará a biodiversidade? Quem será beneficiado? Quem dominará as técnicas da biotecnologia? Quem vigiará nossos bancos genéticos? As implicações éticas, ecológicas, econômicas e sociais são imensas, profundas e merece respostas maduras e consistentes.

Plásticos
A utilização de plástico em embalagens de produtos, principalmente, de alimentos, aumentou muito no final do século passado, o que gerou grandes preocupações por parte da sociedade, à medida que a não-reutilização do produto após o consumo pode causar sérios danos ao meio ambiente. Além disso, a reciclagem do plástico não é tão simples, como mostra estudo realizado por Flávio Forlin e José de Assis Faria, ambos do Departamento de Tecnologia de Alimentos da Unicamp.

Açaí com guaraná
Misturar açaí com guaraná dá lucro. Uma empresa do Pará uniu duas frutas típicas da Amazônia, conhecidas principalmente por suas propriedades energéticas, em um produto que está sendo bem aceito nos Estados Unidos, para onde é totalmente exportado: o mix de açaí com guaraná. O mix leva 80% de polpa do açaí e 20% de pó de guaraná, além de açúcar orgânico. Eu também quero provar…

Reflexão
Estão reinventando a natureza, redesenhando a vida. Deverá Deus ser expulso da natureza?

Gilberto da Silva
partes@partes.com.br

Livro traz pequenas notas sobre questões ambientais tais como: crise hídrica, saneamento, lixo, sustentabilidade, comunicação, riscos, enchentes, mobilidade, biocombustíveis e energia.

 

O livro visa estimular, aprimorar e qualificar professores, alunos, gestores e demais profissionais da educação para uma leitura crítica e reflexiva da realidade sócioambiental a partir da diversidade e complexidade das teias de relações sociais, econômicas, políticas e culturais do mundo contemporâneo.

Racionamento e derrama

Por Gilberto Silva

Repeteco que não dói
A água é fonte de vida: o recurso natural mais importante e precioso para o homem, os animais, as plantas e que sua crescente escassez está comprometendo a vida do planeta.

A água agoniza. Vivemos num planeta que ocupa dois terços dos espaços existentes sob a configuração do oceano, mares, rios, lagos, geleiras, lençóis subterrâneos e outras formas líquidas. Mas, adianta? Diante da natureza, há uma certeza: o homem é capaz de destruir e dizimar sua própria vida.

Vital
A água, como vimos anteriormente, é um elemento vital para os ecossistemas, para todas as formas de vida e também é elemento básico para o desenvolvimento das diversas atividades humanas, sociais e econômicas. A se tornar, progressivamente, um recurso escasso, tanto em qualidade como em quantidade, tende a se tornar um valor econômico de enorme valia.

O crescimento desordenado das cidades, aliado a falta de planejamento e de investimentos, provocam a degradação da qualidade de vida de seus habitantes (com efeitos econômicos, sociais e políticos) e contribuiu para a diminuição da quantidade de água nos grandes centros.

Pneus velhos
O prefeito de Mauá, cidade situada no ABC paulista, Osvaldo Dias, vinha reclamando dos moradores vizinhos da cidade, que estavam despejando pneus velhos na município. Cansado de acumular pneus velhos, Osvaldo Dias comprou uma máquina de cortar pneus e deu uma destinação legal ao produto: aproveita-o na indústria do asfalto.

Mega-festa ecológica
O DJ Carlos Slinger, radicado em Nova York, está organizando uma mega-festa ecológica em Manaus entre 2 e 5 de agosto deste ano. Por trás do evento está a organização ambientalista Greenpeace que quer realizar um evento com “tecnologias limpas” na floresta onde haja a integração entre o público e natureza sem destruição.

Racionamento
As entidades de defesa do consumidor estão divididas sobre a constitucionalidade do plano de racionamento de energia elétrica que será adotado a partir de junho nas Regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IBDC) considera que a medida fere a Constituição Federal por aplicar critérios diferentes na redução do consumo para os segmentos residencial, comercial, industrial e rural. Para a Fundação Procon de São Paulo, o governo tem argumentos para impor limites aos gastos de energia elétrica.

Inadimplência
Mas num ponto as duas instituições concordam: a multa de até quinze vezes o valor da tarifa para os que gastarem mais energia pode causar aumento da inadimplência e tornará a medida abusiva. É a velha tática governista de agir com seu furor arrecadatório. Estamos no tempo da derrama globalizada.

Custos e tarifas
A cobrança baseada exclusivamente no consumo não considera o ônus que cada consumidor impõe ao sistema, em função do tipo de atividade. No Brasil tudo é pago pelos contribuintes, no caso da energia e do saneamento, pelos consumidores.

Lixão
O prefeito de Carapicuíba, Fuad Chucre, em boa hora, acabou com o maior lixão da Grande São Paulo. O município detém um dos piores índices de qualidade de aterro de resíduos do País. As cenas de hu

milhação e degradação de seres humanos vivendo das sobras e restos de comidas, agora é passado. O lixão fedeu e irritou os moradores da cidade durante 25 anos.
A área de 130 mil metros quadrados, equivalente a 18 campos de futebol, será transformada em parque (coisa que o Fuad gosta de fazer, e bem). Os caminhões de coleta serão encaminhados a um aterro particular de Itaquaquecetuba, o que custará R$ 120 mil mensais à Prefeitura.

Reflexão
Há possibilidade de desenvolvimento sustentável numa sociedade baseada no lucro e na competitividade?

Gilberto da Silva
partes@partes.com.br