Educação

CONTRA A COBRANÇA DE MENSALIDADE NAS INSTITUIÇÕES FEDERAIS DE ENSINO SUPERIOR

CONTRA A COBRANÇA DE MENSALIDADE NAS INSTITUIÇÕES FEDERAIS DE ENSINO SUPERIOR

O Artigo 206 da Constituição Federal, em seu inciso IV determina “gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais”, mas o governo federal não aceita que a universidade nos últimos anos se pintou de povo, como aponta a pesquisa da ANDIFES que 70,2% dos estudantes das Instituições Federais de Ensino Superior possui renda de menor igual à um salário mínimo e meio.

Dessa forma, querem agora ‘passar a boiada’ no ensino superior, depois de aprovarem o homeschooling na Câmara às pressas, querem aprovar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), enumerada 206, que institui a cobrança de mensalidade nas universidades públicas. Ainda que o texto proposto e o parecer favorável do relator, afirme que apenas os alunos mais abastados pagariam, nós da União Nacional dos Estudantes acreditamos que tal feito é a porta de entrada para o fim da universidade pública e gratuita. Temos convicção que o direito à uma educação pública, gratuita e de qualidade é inalienável! Não negociamos as nossas conquistas que levaram décadas para garantir 302 universidades públicas espalhadas pelo território brasileiro, das quais nos últimos 2 anos provaram de forma direta sua importância, foi visível o papel das universidades públicas e gratuitas no combate á COVID-19.

Essa PEC é mais uma prova de que Bolsonaro quer destruir a educação pública desde o ensino básico até o superior, e se coloca como inimigo número 1 da educação brasileira. A solução para os problemas presentes nas universidades públicas não é a cobrança de mensalidade nas universidades, mas sim um investimento potente do Estado nas mesmas. Afinal, são as Instituições Federais de Ensino Superior que concebem mais de 95% da pesquisa, ciência, inovação e tecnologia produzidas no país. É preciso retomar urgentemente o orçamento tirado do setor. Só com investimento em ciência, na escola e na universidade vamos conseguir retomar o crescimento do país. Investir na educação não é gasto, é o nosso desenvolvimento.

Diante disso, solicitamos aos parlamentares brasileiros que retirem urgentemente essa discussão de pauta. A cobrança de mensalidade nas universidades públicas não deve ser um ponto de discussão, a ampliação dos investimentos sim!

Tirem a mão das universidades públicas e gratuitas!

UNE – União Nacional dos Estudantes

WORKSHOP DE APRESENTAÇÃO DO MESTRADO – 1º SEMESTRE 2022

Tire suas dúvidas sobre o stricto sensu no dia 3/11, às 19h

O curso de Mestrado não está relacionado apenas à carreira acadêmica: é bastante procurado por profissionais do mercado de trabalho que buscam refletir sobre sua área de atuação, desenvolver o conhecimento e aplicar no dia a dia, sendo uma ótima opção quem procura novas possibilidades em sua vida profissional e pessoal.

Se você ainda tem dúvidas sobre como funciona o curso e o que ele pode lhe oferecer, participe do workshop online e gratuito do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade Cásper Líbero, onde você poderá tirar todas as suas dúvidas sobre o curso de Pós-Graduação stricto sensu. O evento gratuito contará com a presença de docentes do Mestrado e será realizado no dia 3 de novembro, das 19h às 20h30, através da plataforma Microsoft Teams, e será emitido um certificado de participação ao final do workshop. Você vai descobrir que dar um passo à frente na carreira não é um “bicho de sete cabeças”! Saiba mais e se inscreva.Estão abertas as inscrições para o processo seletivo do Mestrado da Cásper Líbero. Clique aqui para conferir o edital.

Educação e Pandemia

Conexão Vitrine #05
A Conexão Vitrine desta segunda dia 12 de abril é AO VIVO e sua participação é fundamental durante o programa! Venha debater com a gente!
O tema é Educação e Pandemia – como os profissionais da educação, família e sociedade estão enfrentando a nova realidade devido a pandemia.
Como a tecnologia ajudou neste processo? A EAD pode substituir o ensino presencial? Quais as dificuldades enfrentadas na utilização das plataformas disponibilizada pelos governos?
Teremos a participação da professora Fernanda Estrela. Mande suas questões, suas sugestões e perguntas para o Conexão Vitrine da Vitrine do Giba. https://youtu.be/yD3F_6b3A1M

Ensinar uma criança é ajudá-la a perceber a beleza do mundo, diz Celso Antunes

Entrevistei, via e-mail, o professor Celso Antunes que completou 80 anos de vida, em 5 de outubro, e tem mais de 50 anos de livros publicados. Livros, em sua maioria, que viraram referência no ensino. Os primeiros livros didáticos que o professor Celso Antunes escreveu foram publicados pela Editora do Brasil, no início da década de 60. Eu mesmo, Gilberto da Silva, usei livros do professor Celso Antunes nas minhas aulas de Geografia no ensino fundamental do rede pública do estado de São Paulo. Os livros de Geografia que escreveu se destinavam a alunos dos Cursos Ginasiais, e mais tarde os nomes foram alterados para Ensino Fundamental.

Do blog do professor, extraímos uma fala significativa: “Fiz Geografia e depois o mestrado em Educação, dei aula em toda parte e para toda gente, virei o mundo atrás de escola e professor e depois escrevi livros didáticos e um montão de outros destinados a professores e pais, professoras e mães ou ao contrário. Fiz palestras em escolas, teatros, boates, igrejas, churrascaria e praça pública, tive um montão de livros traduzidos no exterior. Já estive em tudo quanto é lugar, jamais recusei convite, viajei até em carroça e para minha felicidade hoje estou aqui com vocês”.

Após muitos anos e sempre com resultados editoriais extremamente significativos, o professor resolveu mudar sua linha de produção. O autor passou a escrever livros sobre temas educativos, não mais centrados na especificidade de uma disciplina escolar. Embora destinados agora a outro público-alvo, essas obras foram e ainda são editadas pelas principais editoras do país e, muitas delas, traduzidas para demais países da América do Sul, da América do Norte e Europa.

Leia a entrevista abaixo:

 

Partes: O que é ser criança neste mundo sem fronteiras colocadas pela multiplicação de canais de comunicação?. Nesse contexto, como como permitir que cada criança conheças suas finalidades e competências para obter um educação plena?

Celso Antunes: Toda criança é, potencialmente, uma “usina de aprendizagens”, uma mente admiravelmente “gulosa” à espera de estímulos que possam faze-la produzir a luz plena da criatividade, mas que para essa “usina” funcione plenamente necessita de estímulos diversos e constantes proporcionados por educadores (profissionais ou não) que a convidem para conversas intrigantes, desafios de natureza lógico matemática e linguísticas, brincadeiras que a fazem imaginar o impossível e sonhar sonhos nos quais se faz plena protagonista.

Quem verdadeiramente educa uma criança “abre” as portas de um cérebro inquisidor, curioso, ávido em superar dificuldades. Uma criança é fonte inesgotável de consciência intrapessoal, interpessoal e existencial, mas as portas desse guloso saber não se abrem sem adultos que conversem, desafiem, proponha e, plenamente, embarquem no “tapete mágico” em que vivem e que anseiam conduzir pelo mundo da fantasia.

Como estas mudanças estruturais de uma sociedade em transformação afetam os processos de aprendizagem? O que deve ser realizado na relação aluno-professor?

Ensinar uma criança não significa “entulhar” sua mente criativa e desafiadora de informações conceituais e que pode, sem necessariamente fazer uso da memória, as obter a um toque de mouse.

Ensinar uma criança é ajudá-la a perceber a beleza do mundo, o correr do tempo, as múltiplas linguagens da natureza e com esse seu saber, usar sempre a ousadia de recriar.

Ensinar uma criança é convida-las diariamente ao passeio pelo imaginário e pelo impossível, perguntando o que se quiser perguntar as fazendo de suas respostas vigorosas estímulos para mais perguntas. Ensinar uma criança não significa aprisiona-la da restrição do “certo” ou do “errado”, mas faze-la arquiteta dos sonhos que ousa sonhar, na ilimitada ampliação das veredas que busca a cada dia construir. 

Se o educador não nasce pronto, que ações ele deverá tomar na sua caminhada profissional? Ao repensar sua prática cotidiana o que o professor deve fazer para evoluir na sua profissão?

Ler muito e imaginar formas de transformar o que aprende em ações que propõe, conversar com seus colegas convidando-os a vigorosa prática de “trocas” sobre procedimentos estratégicos.  Não permitir que um único dia possa se esvair, sem abrigar conversas íntimas e profundas sobre o que aprendeu, que estratégias realmente vale a pena reaplicar, que novos horizontes buscar.

Uma verdadeira sala de professores pode abrigar momentos de lazer, distração e conversa descontraída sobre os momentos que se vive, mas deve também guardar instantes para se revelar experimentos, propor caminhadas intelectuais, refletir sobre os desafios que cada cotidiano nos impõe.

O educador, brasileiro, infelizmente parece ainda não perceber a verdadeira dimensão de sua representatividade e, assim, descobrir-se como um efetivo semeador de amanhãs, construtor de futuros.

Os quatro pilares essenciais da educação – aprender a conhecer, aprender a viver com os outros, aprender a fazer e aprender a ser – continuam válidos? Como fazer com que a família tome parte mais efetiva nesse processo?

Uma família verdadeiramente educadora não pode jamais abrir mão de possuir seu “vinte a trinta minutos semanais” da “meia hora de bate-papo” em que com a televisão desligada, os celulares temporariamente mudos, mergulhem em relatos, experiências, desafios.

Momentos alegres de conversas soltas e livres, mas autênticas, sobre o que se é, os planos que abriga, os sonhos que agasalha. Nesses mágicos minutos desfaz-se a hipocrisia da “mascara” de nossa condição de mãe, pai, irmão e filhos, mas como se reconstrói a certeza de que “amigos vigorosos” sempre trocam pensamentos e sugerem a ousadia oportuna de também trocar em saberes, apresentar relato de experiências, explicação dos sonhos ousados que se ousa imaginar e, assim, construir momentos que, mais tarde, serão lembrados como “fundamentais” para uma nova construção de cada “eu”.

Enfim, fortalecer-se no pilar educacional decisivo de transformar o nosso “saber “ na ousadia de propostas de mais “ser”.

 

 

O Celso Antunes é um educador brasileiro, formado em Geografia pela Universidade de São Paulo (USP), Mestre em Ciências Humanas e Especialista em Inteligência e Cognição. Membro consultor da Associação Internacional pelos Direitos da Criança Brincar, reconhecido pela UNESCO. Embajador de La Educacion – Organización de Estados Americanos. Membro Fundador da Entidade “TODOS PELA EDUCAÇÃO” e Consultor Educacional do Canal Futura. Pró-reitor do Centro Universitário Sant’Anna (SP), Palestrante e Escritor. São mais de 180 livros sobre educação e cerca de 60 livros didáticos publicados. Possui obras traduzidas na Argentina, México, Peru, Colômbia, Espanha, Portugal e outros países.

Tem que ser doutor!

Tem que ser doutor!
Por Gilberto Silva

Gilberto da Silva
É jornalista e sociólogo, é editor de Partes.

O MEC (Ministério da Educação) quer alterar o sistema de contratação dos professores universitários. O MEC quer exigir o título de doutor para contratação nas universidades públicas.

A grande questão é saber se essa exigência será uma boa ou não para o aluno e para o professor, por que praticamente o professor não terá contato com a sala de aula enquanto estiver estudando.

O MEC alega que a proposta pretende elevar o nível de exigência dos docentes, como está previsto na Lei de Diretrizes e Bases (LDB), mas que está estudando a proposta.

É necessário esta proposta? O professor já sabe que para progredir na carreira, terá que se titular, fazer mestrado e doutorado –e isto é sentido no aumento de cursos e de pós-graduandos tantos nas universidades públicas como nas faculdades privadas. O mais justo, medido, cabível, seria o docente ir se graduando continuamente enquanto desse suas aulas. Outra disparidade é a oferta de cursos de mestrado fora do eixo Sul/Sudeste.

Um grande risco é termos professores superformas mas sem nenhuma prática nas universidades.

Entretanto, não podemos negar que o ensino superior está em fase de expansão acelerada e que o ensino superior precisa formar professores universitários e aperfeiçoar seus sistemas. Só na última década foram criados mais de 40% de programas de mestrados. Antes de mais nada o governo precisa investir e incentivar as especializações e o mestrado e gradativamente o doutorado.