Meio Ambiente

Pensar o Ambiente: bases filosóficas para a educação ambiental

Lançada pelo Ministério da Educação e pela UNESCO em 2004, a Coleção Educação para Todos é um espaço para divulgação de textos, documentos,
relatórios de pesquisas e eventos, estudos de pesquisadores, acadêmicos e educadores nacionais e internacionais, que tem por finalidade aprofundar o
debate em torno da busca da educação para todos.
A partir desse debate espera-se promover a interlocução, a informação e a formação de gestores, educadores e demais pessoas interessadas no campo
da educação continuada, assim como reafirmar o ideal de incluir socialmente um grande número de jovens e adultos, excluídos dos processos de aprendizagem
formal, no Brasil e no mundo.
Para a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad), órgão, no âmbito do Ministério da Educação, responsável pela Coleção, a educação não pode separar-se, nos debates, de questões como desenvolvimento socialmente justo e ecologicamente sustentável; direitos humanos; gênero e diversidade de orientação sexual; escola e proteção a crianças e adolescentes; saúde e prevenção; diversidade étnico-racial; políticas afirmativas para afrodescendentes e populações indígenas; educação para as populações do campo; educação de jovens e adultos; qualificação profissional e mundo do trabalho; democracia, tolerância e paz mundial.
Vigésimo sexto volume desta Coleção esta obra se propõe a ser um encontro agradável de professores e professoras com a filosofia, permitindo diversas leituras
e contribuindo para abrir um espaço que fundamente a produção do conhecimento em Educação Ambiental.

154579PORLIvro Educação Ambiental Unesco (leia o livro em pdf)

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Tarde Científica no Parque CienTec

Tarde Científica no Parque CienTec da USP dia 27/10 ÀS 15H

 

Local: Auditório do Parque CienTec da USP

Av. Miguel Stefano, 4 200 – Água Funda – São Paulo

A Amazônia e a cobiça do imperialismo

Antônio Rezk

A Amazônia é um fato territorial sul-americano que, cobiçada como celeiro de riquezas, transpõe os limites do Pacto Amazônico (firmado em 3 de junho de 1978) e da América do Sul, transformando-se em fato geopolítico, logo espaço de intromissão imperialista. (A crise colombiana e a intervenção dos EUA não deixam dúvidas quanto a isso.) A principal nação a ser afetada pela cobiça imperialista é o Brasil, detentor da maior parte dela. Mas é exatamente este fato territorial, cuja virtualidade espacial e econômica pode nuclear a fundação de uma potência no hemisfério sul, o elemento central sobre o qual se voltam os interesses estratégicos do imperialismo norte-americano. Compactua com ele a avidez da Europa ocidental e do Japão, na doce ilusão de dividirem a riqueza amazônica, como se a superpotência lhes permitisse tamanha ousadia, para além das sobras supérfluas. (Talvez lhes conviesse mais que a Amazônia continuasse sul-americana e clandestina). Mas a estratégia norte-americana é outra. Aos EUA não convém confrontar-se com uma possível potência rival no espaço das Américas; este espaço eles o tem como exclusividade sua. Claro, não está em disputa um deserto inútil. Disputa-se um esplêndido território, cuja riqueza pode prolongar a supremacia mundial da Norte-América. A energia existente no subcontinente meridional é vital ao grande irmão. A posse colonial e a fragmentação territorial. Eis a estratégia do imperialismo para os seus espaços periféricos. A Amazônia e a América do Sul se enquadram nesta terrível lógica.

Para este fim serve a ideologia da Amazônia como patrimônio da humanidade; serve, também, a contínua ameaça – às vezes velada, às vezes explícita – da sua internacionalização. Para este propósito, criam-se mitos verdadeiros e fatos falsos. Ou falseiam fatos e justificam mitos, numa preparação dirigida da opinião pública, cooptada por uma mídia devidamente condicionada. Nesta onda, surfam “intelectuais” alienados. Tal se dá com as questões indígena e ambiental, com o narcotráfico e com a estória da “Amazônia pulmão do mundo”, desvirtuando-lhe o sentido e o alcance, numa pretensa ignorância da função oxigenadora dos oceanos e mares..

Territorialmente a Amazônia corresponde a 1/20 da superfície terrestre, 2/5 do continente sul-americano, e mais da metade do território brasileiro. Além do Brasil, ela incorpora a Bolívia, a Colômbia, o Equador, a Guiana, a Guiana Francesa, o Peru, Suriname e a Venezuela. A Amazônia brasileira, que incorpora os estados do Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, Roraima, Tocantins, o oeste do Maranhão e o norte do Mato Grosso, se considerada nos seus aspectos geodésicos e políticos, mede mais de cinco milhões de km², com uma população que não chega aos 20 milhões. Mas, esposando aqui a opinião do Almirante Gama e Silva, a verdadeira Amazônia brasileira tem cerca de 4,048 milhões de quilômetros quadrados, sendo 3,648 milhões ocupados por vegetação natural, e o restante ocupado por rios, lagos e usos institucionais ou diversificados.

A Amazônia possui 1/5 da água doce do planeta, 1/3 das florestas latifoliadas. Ambicionada a sua diversidade biológica. É o maior banco genético da Terra. Não se tem ainda conhecimento pleno da quantidade de espécies vegetais e animais que nela existem. Já se computaram milhares de espécies vegetais e uma quantidade maior ainda de espécies animais. Além da floresta, ela inclui matas de várzea, campos e cerrados. Calcula-se em mais de um trilhão de dólares o valor da madeira de lei que dela se pode extrair, valorizadas no mundo inteiro, principalmente com a previsão, para as próximas décadas, do esgotamento das florestas tropicais da Ásia e da África. Existe na Amazônia mais de 100 espécies de madeiras nobres. Apenas 10% são conhecidas no exterior. No entanto, na Amazônia, uma ocupação racional e cientificamente planejada encontrará uma natureza favorável à rápida regeneração da floresta. Na imensidão das suas águas, a produção pesqueira atual retira mais de 180 mil toneladas por ano. Isto numa Amazônia ainda praticamente inexplorada, permitindo estimar-se em mais de 300 mil toneladas/ano esse potencial.

Na Amazônia, está uma das maiores reservas mundiais de minerais estratégicos, cujo valor não se pode ainda dimensionar. Ouro no Pará, no Amazonas, em Roraima e no Amapá; ferro no Pará (serra dos Carajás), no Amapá, no Amazonas; sal-gema no Amazonas e no Pará; manganês no Amapá, no Pará e no Amazonas; bauxita no Pará (Oriximiná, no rio Trombetas e em Tucuruí), além de calcário, casseterita, gipsita, linhita, cobre, estanho, nióbio, tântalo, zircônio, criolita (usada como fundente na eletrólise do alumínio), caulim, diamante, chumbo, níquel. De vários destes minérios, o Brasil possui as maiores jazidas do mundo, estando, nos demais entre as maiores reservas.

Resumindo: sobre o rico potencial amazônico, não faltam hoje estudos sérios. Desta forma, passo batido sobre o seu potencial petrolífero e sobre a existência de material radioativo, para a combustão nuclear, como o tório. Contudo, não posso omitir três questões que as julgo estratégicas para a geopolítica do século XXI: a era dos carboidratos que substituirá a era dos hidrocarbonetos, esta já em processo de declínio acelerado; a imensidão amazônica como o maior “vazio” geográfico que, apesar do clima quente e úmido, pode ser imediatamente ocupado, somando-se a isso o fato, nada desprezível, de que a Amazônia dispõe de quase 2,5 milhões de km² de terras propícias para a agricultura – 8% das disponibilidades mundiais. (Estudo sobre a produção mundial de alimentos, promovido pelo Governo dos EUA em 1967 – “The World Food Problem”); e a localização estratégica como núcleo de integração da América meridional, tanto para a unidade política da América Latina, quanto para a centralização de um poder imperial em novo processo colonial do subcontinente.

Todavia, para impedir a biopirataria e a exploração predatória de grupos clandestinos ou consentidos e de empresas estrangeiras lá instaladas, (mais de duas dezenas, quase todas asiáticas), cuja ação devastadora é cinicamente ignorada pelo Governo, os brasileiros precisam ocupar racionalmente a Amazônia, através de um planejamento estratégico, metódico, para obstar, não só a sua devastação, mas, também, para impedir que ela escape ao seu domínio. Povo que não sabe usufruir da riqueza que possui, acaba vendo-a devastada e surrupiada por estranhos.

Ninguém desconhece a grande dependência que os países desenvolvidos têm do petróleo. Embora as reservas mundiais, hoje estimadas em um trilhão de barris, possam garantir o abastecimento, ao ritmo atual de consumo, por mais quatro ou cinco décadas, independentemente de novas descobertas, a verdade é que a maior parte destas reservas não se localiza no território dos países centrais. Os EUA já importam aproximadamente 60% do petróleo que consomem. No ritmo atual, as reservas ainda existentes no seu subsolo terminarão na próxima década, passando a depender totalmente do petróleo importado, ainda que, no futuro, este combustível perca importância graças ao desenvolvimento tecnológico, rumo a novas fontes de energia.

Porém, não apenas de petróleo depende o desenvolvimento dos países ricos. Eles têm uma dependência, praticamente vital para continuarem ricos e formosos, de uma enorme quantidade de minérios, sem os quais a sua economia industrial desmorona.

A dependência dos países, assim chamados, desenvolvidos. *

Minérios/Blocos EUA UE Japão
em %      
Nióbio 100 100 100
Manganês 98 100 100
Alumínio 91 97 100
Tântalo 91 100 100
Estanho 82 80 85
Zinco 57 57 48
Mica 100 83 100
Cobalto 97 100 100
Cromo 91 97 99
Platina 91 100 98
Níquel 70 87 100
Tungstênio 52 87 75
Antimônio 51 91 100
Cobre 13 80 80
Fosfatos 01 99 100
Vanádio 42 100 100
Chumbo 13 44 47
Molibdênio 100 99

Como representante da Trilateral, em 1979, Henry Kissinger, evidenciava essas carências: “Os países industrializados não poderão viver à maneira como existiram até hoje, se não tiverem à sua disposição os recursos naturais não-renováveis do planeta. Para isso, terão que montar sistemas mais requintados e eficientes de pressões e constrangimentos, que garantam a consecução de seus objetivos.”

Eis porque a Amazônia transformar-se-á, no século XXI, numa das principais regiões do planeta, cuja exploração sustentará um novo ciclo de desenvolvimento.

Até a definição das fronteiras brasileiras, concluída no início deste século, França e Inglaterra procuraram ampliar seus espaços na Amazônia às custas do Brasil. Porém, notório foi o interesse dos EUA no século XIX, em razão mesmo da sua política expansionista que incorporou pelas armas partes do México e comprou da Rússia o Alasca. Famosa foi a campanha deflagrada por um oficial da Marinha norte-americana, o Tenente Matthew Fontaine Maury, que, afirmando ser a Amazônia parte do complexo geográfico formado pelo Golfo do México, como uma extensão natural do Mississipi, defendia que a América meridional devia transformar-se numa dependência dos EUA. “O mundo amazônico” – pregava o Tte. Maury, que chefiava o Serviço Hidrográfico da Marinha norte-americana – “é o paraíso das matérias primas, aguardando a chegada de raças fortes e decididas para ser conquistado científica e economicamente.” Como conseqüência dessa campanha, em 1853, o Governo dos EUA enviava ao Congresso uma mensagem com uma referência à Amazônia: “uma região que, se aberta, à indústria do mundo, ali se achariam fundos inexauríveis de riquezas.” Não faltaram, então, pressões sobre o Império para que este abrisse o rio Amazonas à livre navegação internacional. O Imperador não cedeu. A Guerra civil norte-americana retirou, na ocasião, a questão amazônica da pauta expansionista dos EUA.

Na década de 40, a tentativa de criação de um Instituto Internacional da Hiléia Amazônica, inspirado pelo professor Berredo Carneiro e que seria integrado basicamente pelas nações sul-americanas com interesses diretos na Amazônia, para estimular a sua exploração científica, inviabilizou-se na luta ideológica que o envolveu, tendo então sido visto como um instrumento de internacionalização do território amazônico.

Vinte anos depois, foi a vez do Hudson Institute lançar o projeto dos “Grandes Lagos” para a produção de energia elétrica e para a navegação. Segundo o Cel. Manoel Teixeira Pires, este projeto iria representar uma autêntica variante ao canal do Panamá para ser utilizado pelos EUA. Na época, o governo brasileiro frustrou o projeto.

Com o fim da guerra fria, as pressões retornaram. Em 1989, numa reunião do G-7, à qual o Pres. Sarney compareceu como convidado, foi ele instado a ceder direitos para que os países ricos pudessem explorar economicamente a Amazônia. Se a concessão fosse dada, a posse dos recursos acabaria traduzindo-se na posse do território.

Em 1989, o então senador e hoje candidato à Presidência dos EUA, afirmava solenemente: “Os brasileiros pensam que a Amazônia é deles. Não é. Ela pertence a todos nós.” Mais recentemente, a mesma afirmação reproduziu-a outro senador (Kasten), que acrescenta: “assim como o ozônio, as chuvas, o oxigênio, etc., a Amazônia deve pertencer a todos.” Em 83, Margareth Thatcher havia sido mais enfática: “Se os países subdesenvolvidos não conseguem pagar suas dívidas externas, que vendam suas riquezas, seus territórios e suas fábricas.” Também Mitterand, em 89, afirmava: “O Brasil precisa aceitar uma soberania relativa sobre a Amazônia.” Até Gorbatchev, em 1992, julgou-se com o direito de afirmar: “O Brasil deve delegar parte de seus direitos sobre a Amazônia aos organismos internacionais competentes.” John Major, então primeiro-ministro da Inglaterra: “As nações desenvolvidas devem estender os domínios da lei ao que é comum de todos no mundo. As campanhas de ecologistas internacionais a que estamos assistindo, o passado e o presente, sobre a região amazônica, estão deixando a fase propagandística, para dar início a uma fase operativa que pode definitivamente ensejar intervenções militares diretas sobre a região.”

Mais grave porém, porque está diretamente ligado aos interesses do imperialismo estadunidense, cuja estratégia é a incorporação colonial “definitiva” da América Latina ao seu contexto geopolítico, são as afirmações do Gal. Patrick Hugles, chefe do Órgão Central de Informações das Forças Armadas norte-americanas: “Caso o Brasil resolva fazer uso da Amazônia, pondo em risco o meio ambiente nos Estados Unidos, temos que estar prontos para interromper este processo imediatamente.” Ao que a senhora Madeleine Allbright complementa: “quando as questões são de meio ambiente, não existem fronteiras.” E a história nos ensina: quando um Estado poderoso precisa de um pretexto para intervir em outro Estado, qualquer pretexto serve. Esta lógica confere com a estratégia do Pentágono, divulgada pelo The New York Times (10/3/92), cujo objetivo é impedir o surgimento de uma potência militar fora da OTAN. Em 1995, o Chefe do estado-maior Conjunto, Gal. Collin Powell, recomendava a preservação da capacidade militar norte-americana em nível tal que desencorajasse o surgimento de qualquer adversário que pudesse desafiar o poderio norte-americano. E reservava uma posição subalterna para as forças armadas dos países latino-americanos.

Ora, opiniões são simples manifestações de pensamentos. Nem sempre se transformam em fatos. Mas, o imperialismo possui uma lógica que não pode ser ignorada: para os EUA continuarem hegemônicos e manterem o seu gigantesco potencial bélico, a energia interna do seu território já não basta. Eles precisarão absorver a energia das nações que lhes são subalternas. Enquadra-se nisto a América do Sul e, naturalmente, a Amazônia.

A British Petroleum/Brascan é o maior grupo estrangeiro que atua na Amazônia, detendo 174 mil km², ou 13% do subsolo reservado da Região Amazônica. Território equivalente aos Estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Santa Catarina. Um estudo do CNPq mostra a presença de empresas multinacionais na exploração mineral, concentradas na “chamada área reservada”, controlando cerca de 40% do subsolo dessa área da Região Amazônica, equivalendo a 367 mil km². 98% desta área está em poder de apenas 17 grandes grupos, ou seja, suficientemente poderosos para influenciarem as decisões políticas nacionais e para terem na sua retaguarda seus respectivos Estados nacionais.

Não vou falar das centenas de ONGs que atuam na Amazônia, sob os mais diferentes pretextos e interesses – menos os dos brasileiros, evidentemente. (Como diria o Pe. Antônio Vieira: eles não querem o nosso bem; eles só querem os nossos bens). Citarei apenas o Conselho Mundial de Igrejas Cristãs (1981): “A Amazônia total… é considerada por nós como um patrimônio da humanidade. (…) É nosso dever (…) esgotar todos os recursos que, devida ou indevidamente, possam redundar na defesa, na segurança e na preservação desse imenso território e de seres humanos que o habitam e que são patrimônio da humanidade, e não patrimônio dos países cujos territórios pretensamente dizem lhes pertencer.”

E tem brasileiro que incorpora essa lorota, sem se perguntar: por que a nossa Amazônia deve ser “patrimônio da humanidade”, e não a Terra toda, hoje monopolizada economicamente por três ou quatro centenas de corporações mundiais e “privatizada” como patrimônio de alguns poucos milhares de indivíduos poderosíssimos, sobrepostos aos bilhões de homens e mulheres que mal vegetam ? Por que só o território amazônico deve ser internacionalizado, e não o território dos EUA que controlam a economia do mundo e concentram a maior parte da sua riqueza? Por que não o território culto da Europa ocidental, berço do imperialismo contemporâneo? No atual sistema de dominação mundial, a quem beneficiaria uma “pretensa” internacionalização da Amazônia?

A questão colombiana, onde a presença dos Estados Unidos já é notória, traz-nos à lembrança – com o sinal trocado – o ocorrido há 150 anos na China, com a chamada Guerra do Ópio, quando a Inglaterra, atendendo aos traficantes ingleses que monopolizavam aquele comércio, atacou a China, e, com duas guerras saqueou o “celeste império”, abrindo-o para o livre comércio do Ocidente, sobretudo para o imperialismo inglês estabelecer a sua base em Hong Kong. Na ocasião, a rainha Vitória teria declarado que, se estivesse no lugar do Imperador da China, também proibiria o tráfico de ópio. Porém, era fundamental que a Inglaterra defendesse o “livre comércio”, sem o qual ela não sobreviveria, atribuindo-se à rainha a seguinte conclusão: “o país” – europeu, evidentemente – “que tivesse sob seu controle a China, não só controlaria todo o Oriente, como tornar-se-ia a nação hegemônica do século XIX”. As palavras podem não ter sido exatamente estas, mas a história corresponde a elas.

Ora, correndo, embora, o risco da comparação exagerada, ouso afirmar que a potência que tiver sob seu controle a Amazônia, terá não apenas o domínio de toda a América meridional, como obterá dela os recursos naturais para sustentar-se como a hegemonia absoluta do século XXI.

Os que tencionam alienar a Amazônia, que preço lhe atribuiriam? Alguns patriotas convictos declaram que ela é parte inseparável do Brasil, logo ela é inalienável. O seu preço custaria o sangue dos que tentarem disputá-la.

No entanto, não preservaremos brasileira a nossa parte amazônica, se não preservarmos o Brasil como nação independente, capaz de transformar-se numa potência singular, núcleo forte de uma integração democrática dos povos latino-americanos.

(Encerro recomendando a leitura da coletânea publicada pelo Núcleo de Estudos Matias de Albuquerque – “Amazônia” –, publicação valiosa sobre aquele rico território brasileiro e sul-americano.)

São Paulo, 13 de setembro de 2000

FONTES DE REFERÊNCIA DOS DADOS E ALGUNS LIVROS RECOMENDADOS:

  1. A Amazônia e a Cobiça Internacional – 5ª ed. – Arthur Cézar Ferreira Reis – Civilização Brasileira – 1982
  2. Amazônia I – Editora Tauri Ltda. RJ. 1999 – Coletânea elaborada pelo NEEMA – Núcleo de Estudos Estratégicos Mathias de Albuquerque.
    a) Gal. Ex Luiz Gonzaga Schroeder Lessa – A Amazônia e o Exército Brasileiro – depoimento prestado à CPI da FUNAI;
    b) Amazônia Brasileira – Contra-Alte. Roberto Gama e Silva *;
    c) Biodiversidade e Lei de Patentes – Prof. Dr. Murillo Cruz;
    d) Calha Norte – A Fronteira do Futuro – Gen. Bda. Res. Geraldo Luiz Nery da Silva e Cel. Art e EM Res Nelsimar Moura Vandelli
    e) A Amazônia é Nossa – Gen. Bda. Ref. José Apolônio da Fontoura Neto
    f) Ocaso dos Combustíveis Fósseis e Novo Colonialismo – Profs. José Walter Bautista Vidal e Gilberto Felisberto Vasconcellos.*
    g) A Amazônia ameaçada – Cel. Eng QEMA Manoel Teixeira Pires.
  3. Relações Brasil-EUA no Contexto da Globalização vol. 2 – Moniz Bandeira – Ed. Senac SP 1999.
  4. Amazônia – Bertha K. Becker – Ática – 1998
  5. Amazônia – Aziz Ab’Saber – Edusp – 1997
  6. A Grande Cobiça Internacional – Cel. Gélio Fregapani – 1999 – RJ.

Antônio Rezk (rezk@mhd.org) é Coordenador nacional do MHD – Movimento Humanismo e Democracia, Diretor do IPSO – Instituto de Projetos e Pesquisas Sociais e Tecnológicas, formado em Estudos Sociais, ex-vereador de São Paulo, ex-deputado estadual de SP.

Publicado originalmente em:

http://www.mhd.org/artigos/rezk_amazonia.html

acesso em 27 de junho de 2005

FecomercioSP e GREEN Eletron recolhem 663 quilos de eletroeletrônicos, pilhas e baterias portáteis

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O material, coletado durante a Conferência de Produção Mais Limpa,
foi encaminhado para a destinação ambientalmente correta

São Paulo, 13 de junho de 2018 – A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), por meio do seu Conselho de Sustentabilidade, realizou uma campanha de Logística Reversa na 17ª Conferência de Produção Mais Limpa e Mudanças Climáticas, no dia 4 de junho, em São Paulo. O evento anual discute os pilares da sustentabilidade (ambiental, econômico e social) e é iniciativa da Câmara Municipal de São Paulo, em parceria com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

Cerca de mil pessoas participaram da conferência e descartaram aproximadamente 663 quilos de pilhas, baterias portáteis e eletroeletrônicos pós-consumo no estande da FecomercioSP junto com a GREEN Eletron, gestora criada pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). A Federação e a GREEN Eletron ainda distribuíram cartilhas sobre Logística Reversa de pilhas e baterias portáteis e orientou os presentes sobre o descarte correto dos materiais.

Esses produtos pós-consumo não podem ser depositados no lixo doméstico (comum), pois podem possuir substâncias que contaminam o solo e a água. A resolução CONAMA 401/2008 e a lei 12.305/2010 orientam sobre o descarte desses produtos no que tange a sistema de logística reversa.

O presidente do Conselho de Sustentabilidade da FecomercioSP, José Goldemberg, ressalta que campanhas são importantes para informar as pessoas da necessidade de segregar esses tipos de produtos do lixo doméstico, e onde encontrar os pontos de entrega para o descarte responsável. “A cidade de São Paulo conta com pontos de entrega para vários produtos. É preciso que todos participem”, disse Goldemberg.

A GREEN Eletron será responsável pelo encaminhamento para triagem, desmonte, reciclagem e disposição final dos rejeitos. Assim, parte do material poderá ser utilizada como matéria-prima para novos produtos, fechando o ciclo de Logística Reversa. O processo minimiza impactos ambientais como contaminação de solo, lençóis freáticos e cursos d’água e ainda permite que recursos minerais, água e energia sejam poupados, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida de toda a sociedade.

“Precisamos entender que o equipamento Eletroeletrônico e as pilhas e baterias portáteis só vão ter a destinação adequada se for corretamente descartado”, afirmou o presidente-executivo da Abinee e da Green Eletron, Humberto Barbato. “Esses sistemas de Logística Reversa são os primeiros passos que estamos dando em direção a um mundo mais sustentável”, completou.

A FecomercioSP dispõe de uma plataforma de Logística Reversa (www.fecomercio.com.br/projeto-especial/logistica-reversa) que auxilia consumidores, empresas e sindicatos na adoção da Logística Reversa, e quaisquer dúvidas podem ser enviadas para o e-mail logisticareversa@fecomercio.com.br

A GREEN Eletron também possui um site que apresenta orientações e informações aos consumidores, sobre os sistemas de Logística Reversa que gerencia, confira no link: https://www.greeneletron.org.br/

Segundo o idealizador da conferência, o vereador Gilberto Natalini, em 2009, a Conferência P+L e Mudanças Climáticas assumiu o compromisso de realizar campanhas de arrecadação de lixo eletrônico. “Na primeira Virada Sustentável, a campanha arrecadou 20 toneladas de lixo eletrônico e sempre somos favoráveis à realização de campanhas de conscientização da população, referente ao descarte correto”, disse Natalini.

Adesão aos termos de compromisso de Logística Reversa
Para ajudar os comerciantes que vendem pilhas, baterias portáteis e eletroeletrônicos a cumprir as determinações legais, a FecomercioSP, por meio do seu Conselho de Sustentabilidade, promove a adesão aos termos de compromisso de Logística Reversa mediante plataforma disponível em seu site. É gratuito, fácil e prático.

Realizado o cadastro, os comerciantes podem receber esses produtos pós-consumo dos clientes e encaminhá-los para destinação ambientalmente adequada, de responsabilidade do fabricante ou importador.

A plataforma de Logística Reversa da FecomercioSP também traz informações para os consumidores e sindicatos representantes do comércio. Por meio da ferramenta, os consumidores podem encontrar os pontos de entrega mais próximos de suas casas e se informar pela cartilha de Logística Reversa.

Com a vigência de quatro anos, o Termo de Compromisso para a Logística Reversa de Pilhas e Baterias Portáteis foi assinado em 23 de dezembro de 2016, por FecomercioSP, Abinee, Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SMA), Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e GREEN Eletron. O termo contempla os seguintes produtos: baterias portáteis, pilhas comuns de zinco-manganês, pilhas alcalinas e pilhas recarregáveis. Os pontos de entrega podem ser encontrados no portal http://www.fecomercio.com.br/projeto-especial/logistica-reversa/pilhas-e-baterias-portateis e também https://www.greeneletron.org.br/pilhas.

O termo de compromisso para a Logística Reversa de produtos eletroeletrônicos de uso doméstico, também possui vigência de quatro anos e foi assinado em 16 de outubro de 2017, pelas mesmas instituições do termo anterior, que dão destinação correta a produtos como aparelhos de telefone, celulares, videogames, acessórios eletrônicos, câmeras de foto e vídeo, impressoras, desktops, laptops, tablets, notepads, e-readers e similares. Os pontos de entrega específicos podem ser consultados na página: http://www.fecomercio.com.br/projeto-especial/logistica-reversa/eletroeletronicos.

Plantio no Heliópolis

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No próximo dia 10 de junho, domingo, o Cades Vila Mariana (Conselho Regional de Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Cultura de Paz das Prefeituras Regionais) e a Agenda 2030 Vila Mariana, em parceria com as prefeituras regionais Vila Mariana e Prefeitura Regional Ipiranga, SVMA – Secretaria do Verde e do Meio Ambiente e com o Cades Ipiranga, vão promover um plantio de 220 mudas da Mata Atlântica em comemoração à Semana do Meio Ambiente, na Rua João Lanhoso, 241, Heliópolis, distrito do Sacomã. O plantio será feito com a ajuda de voluntários e a participação de todos é fundamental. Crianças também são bem-vindas!

Geofísica: uma ferramenta auxiliar na avaliação de áreas contaminadas

O Parque CienTec fica dentro do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, conhecido como Parque do Estado, junto ao Jardim Botânico, ao Jardim Zoológico, e ao Observatório de São Paulo, na Zona Sul do município de São Paulo/SP.

Uma das grandes preocupações mundiais são os impactos ambientais causados pela disposição de resíduos gerados pela população, assim como por derrames acidentais de produtos químicos no solo, devido a migração dos contaminantes para o meio ambiente local e consequente contaminação dos solos e águas subterrâneas. Por ser uma metodologia de investigação indireta e não invasiva, os métodos geofísicos tem se mostrado uma excelente ferramenta para auxiliar a investigação de áreas contaminadas. Nessa palestra serão apresentados exemplos do uso da geofísica em lixões, aterros sanitários e áreas contaminadas por derrames de produtos químicos no solo.

Todos têm a responsabilidade de gerir o meio ambiente

Angela Maria Cabel Garcia -Crédito da foto: Paula Dizaró / Canção Nova

 

* Angela Maria Cabel Garcia

A preocupação com a preservação e conservação ambiental vem ganhando destaque nos últimos anos, principalmente, devido aos impactos que o uso irresponsável dos recursos naturais tem causado nos diferentes aspectos da sociedade como a economia, política, saúde e qualidade de vida.

Todos nós sabemos que a situação é séria e que precisamos de uma mudança global. Porém, corremos o risco de não identificar a responsabilidade que cabe a cada um de nós. É preciso admitir de forma pessoal que tudo o que hoje podemos observar e qualificar como desastre ambiental, perda  de biodiversidade, contaminação de água, solo e ar, tem um pouco da nossa contribuição.

O Papa Paulo VI, quando se referia à problemática ecológica, falava de uma crise, consequência da “atividade descontrolada” do ser humano. E quem não vive hoje uma tendência para esse consumismo? Infelizmente somos contagiados sutilmente, quando consumimos produtos  sem necessidade, levados pela agitação e pressão do dia a dia e, como consequência disso, aumentamos a geração de resíduos e emissões atmosféricas, e diminuem-se as reservas dos recursos naturais, muitas vezes não renováveis.

Somos livres, sim, temos liberdade para consumir, porém a obsessão pelo consumo faz de nós seres egoístas interessados unicamente nas nossas necessidades, sem olhar para o efeito que as nossas ações podem causar na vida das outras pessoas.

Dessa forma, a problemática ambiental tem no fundo uma crise social, porque “todos os progressos científicos por mais extraordinários que sejam, se não estiverem unidos a um progresso social e moral, voltam-se, necessariamente, contra o homem” (Paulo VI, discurso à FAO em novembro de 1970).

A encíclica Laudato Si, do Papa Francisco, nos alerta claramente sobre essa realidade, explicando o princípio do bem comum e a responsabilidade humana. São atitudes simples, mas que se formos fiéis em aplicá-las dia a dia, terão um grande efeito. Como o consumo correto da água,  um recurso indispensável para a vida humana e para a sustentação dos ecossistemas.

Infelizmente ainda existe o uso inconsciente desse recurso tanto nos países desenvolvidos quanto naqueles subdesenvolvidos, que contam com grandes reservas, principalmente, na América Latina. Precisamos cuidar das reservas e da qualidade!

Algumas dicas práticas para aplicar em casa são: garantir a correta vedação de torneiras e chuveiros para evitar vazamentos;  reaproveitar a água da máquina de lavar roupa; lavar a louça de uma vez; regar o jardim no horário certo; acompanhar o consumo indicado no hidrômetro de casa..Outros hábitos indispensáveis são: apagar as luzes durante o dia e nos lugares onde não houver pessoas; não deixar os aparelhos nem computadores em stand by; usar a máquina de lavar só quando ela estiver cheia;  colocar a geladeira longe do fogão e das áreas mais quentes da cozinha.

Quanto à geração de resíduos, nossa primeira opção deveria ser sempre a redução. Os aterros sanitários estão ficando cada vez mais cheios e ocupando mais espaço. Mesmo quando o lixo é disposto corretamente, muitas vezes, grande parte dele, que não é recolhida, é jogada diretamente nos rios e na terra.

Evitemos o uso de material plástico e de papel. Podemos separar os resíduos para facilitar a reciclagem e reaproveitar as coisas antes de jogá-las fora. Dessa forma, também contribuímos na conservação das matérias primas, que são recursos naturais.

Podemos ainda escolher o transporte público, utilizar bicicleta ou até fazer uma caminhada nos percursos que não necessitem de veículo automotor.

O momento difícil que enfrentamos no Brasil precisa nos ajudar a valorizar a riqueza que temos como recurso e nos levar a tomar atitudes diferentes. A humanidade nunca teve tanto poder sobre si mesma como tem hoje. Somos os únicos com a capacidade para transformar essa realidade!

* Angela Maria Cabel Garcia é missionária da Comunidade Canção Nova e engenheira ambiental.

 

Dia 22 – Dia Internacional da Diversidade Biológica

A biodiversidade é fundamental para assegurar a manutenção da vida, tal como a conhecemos hoje, na Terra

Neste dia, comemora-se a adoção, a 22 de maio de 1992, do Nairobi Final Act of the Conference for the Adoption of the Agreed Text of the Convention on Biological Diversity. Inicialmente, o dia da Biodiversidade comemorava-se a 29 de dezembro, data da entrada em vigor da Convenção da Diversidade Biológica. No entanto, em dezembro de 2000, a Assembleia-geral das Nações Unidas escolheu o dia 22 de maio como Dia da Diversidade Biológica, para comemorar a adoção do texto da Convenção. Esta alteração esteve também relacionada com o facto de os Estados terem dificuldade em realizar eventos a 29 de dezembro.

Projeto Água Viva

Um dos destaques de 2016 foi o Projeto Água Viva,; uma iniciativa da CATI que potencializa a produção de água e garante a sua qualidade nas bacias de captação do Sistema Cantareira. O Projeto está disponibilizado no site da CATI. O Projeto Água Viva mostra que a crise de água não é consequência apenas de fatores climáticos, mas concorrem com o seu agravamento o uso irracional dos recursos hídricos. O trabalho mostra que é possível amenizar as consequências e, em muitos casos, reverter as situações de crise, criando políticas e sobretudo consciência ambiental sobre o uso desse indispensável recurso natural. (http://www.cati.sp.gov.br/portal/themes/unify/arquivos/produtos-e-servicos/acervo-tecnico/recursos_naturais/ProjetoAguaVivaCATI2016.pdf)

São as águas de março…

adefesacivil

Todo o verão a cidade sofre com as fortes chuvas. De novembro a março, quando as chuvas são mais intensas, a população sofre os efeitos do alagamento de vias públicas,
inundações de residências, escorregamentos e quedas de árvores.
Resolver o problema não é fácil, nem rápido. Depende de obras caras e de longo prazo para remediar um problema antigo, mas estamos trabalhando para isto. Depende também da colaboração de todos. Lixo jogado nas ruas entope bocas-de-lobo, córregos e rios por onde a água escoa, além de servir como abrigo e alimento para ratos. (trecho de uma antiga cartilha da Defesa Civil da Cidade de São Paulo)