Socioambiental

Café da Manhã – Bate papo com Rose Marie Inojosa sobre a Carta da Terra para os futuros prefeitos

Neste domingo, 18/10, as 10h30 vamos conversar com pesquisadora e pedagoga Rose Marie Inojosa sobre a Carta da Terra para os futuros prefeitos. Rose Marie Inojosa é conselheira da Aliança pela Infância; consultora em planejamento e gestão; participou da implantação da UMAPAZ – Universidade aberta do Meio Ambiente e Cultura de Paz uma unidade da Prefeitura de São Paulo, Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, cujo objetivo é contribuir para a formação de cidadãos em sustentabilidade, com uma perspectiva transdisciplinar. É mestre em Comunicação e doutora em Saúde Pública.

Segue a Amazônia seu ritmo natural?

Por Gilberto da Silva

Revista Partes – Ano V – dezembro de 2004 – nº 52

Gilberto da Silva Jornalista e sociólogo

Amazônia em chamas
Sim, não é bater no mole, chover no molhado etc. O fato é que a Amazônia corre perigo. A maior floresta equatorial do mundo passa por um acelerado processo de destruição. Os números são evidentes e cruéis. Entre agosto de 2002 e agosto de 2003, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais registrou a segunda maior devastação dos últimos anos na Amazônia. Seguindo esta rota em 50 anos, teremos o caos, o caos total do crime: a morte da Amazônia.

A parte do governo
O governo tenta fazer alguma coisa. No inicio de novembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criou duas novas reservas extrativistas em regiões de conflito no Pará: a Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio e a Reserva Extrativista Verde para Sempre. Duas reservas em áreas que sofrem com a expansão da exploração madeireira e que sofreará o impacto do asfaltamento da BR-163. Mas não esperem flores por parte dos madeireiros ilegais e dos grileiros da região.

A BR da discórdia
A BR-163 liga o estado do Rio Grande do Sul ao Pará, já na divisa com a Guina Francesa. O projeto de asfaltamento prevê a pavimentação do trecho que vai do norte do Mato Grosso até Santarém, no Pará. É uma área que engloba 65 municípios e atingirá uma população estimada em 1.744.097 habitantes composta por terras indígenas, área militar, área de proteção integral, área de uso sustentável e de assentamentos de reforma agrária.

Cobiça internacional
O homem é o lobo do homem, no reino da cobiça a Amazônia é um prato maravilhoso para ser consumido. Maior banco genético do mundo, A Amazônia legal é composta pelo Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia, Roraima e Tocantins, além de parte do Mato Grosso e do Maranhão. Na luta contra a devastação, pouca coisa poderá sobrar. Será possível reverter esta quadro?

Pessimismo
Estou para seguir o lado mais desfavorável. O ambiente segue a economia. O desenvolvimento da agricultura, a expansão da agropecuária e da industria vai continuar. E com este desenvolvimento , mesmo como medidas compensatórias, provocará danos irreversíveis ao meio ambiente. Neste caso não adianta bom fogo, queimada do bem ou bom manejo. Tudo que é sólido desmancha no ar.

Malária
No Brasil, são registrados 500 mil novos casos de malária por ano, sendo que 80% deles ocorrem na Amazônia. Com base nesses dados, e no fato de que a doença ainda não tem cura, o engenheiro agrônomo Lin Chau Ming, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, desenvolveu um estudo na Amazônia com o objetivo de catalogar o maior número de espécies utilizadas no tratamento da malária. Os cientistas registraram 126 espécies utilizadas para amenizar os sintomas da doença. Os primeiros testes foram realizados no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Os nativos foram ouvidos. A segunda etapa da pesquisa deverá ocorrer no início de 2005 com outras espécies do estado de Rondônia, as plantas identificadas serão testadas diretamente contra o Plasmodium, o protozoário causador da doença.

O Dia da Consciência
Frei Bartolomeu de Las Casas defendeu com emoção e firmeza perante o Vaticano os nativos da América Central. Testemunhou cenas humilhantes, ultrajantes dos colonizadores espanhóis. Conseguiu convencer a Igreja de que os nativos eram também filhos do Pai. Por séculos os europeus não reconheceram outros seres humanos como pessoas. Com Las Casas vitorioso, era necessário arrumar outra mão-de-obra para compensar os colonizadores espanhóis. A Igreja sugeriu, então, mais pela omissão, que os espanhóis seguissem o exemplo dos portugueses que escravizavam o africanos negros, pois estes não eram feitos a sua semelhança. A porta ficou aberta para o racismo.

Gilberto da Silva
partes@partes.com.br

 

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Os dejetos caninos

Por Gilberto da Silva

 

Revista Partes – Ano V – novembro de 2004 – nº 51

Fezes caninas

Gilberto da Silva Jornalista e sociólogo

Eu não tenho cachorros. Tenho filhos. Um deles é pequeno, com dois anos de idade, que pede para passear em volta do prédio onde moramos. A caminhada é uma tarefa difícil, pois tenho que competir com as fezes dos cachorros que ficam nas calçadas. Os excrementos estão por todas as partes. Nas calçadas, nas praças e nos canteiros de uma pequena praça da vizinhança. Nada contra os cachorros. Tudo contra certos “donos” de cachorros!
Quando volto do passeio, com meu filho sempre impregnado de bosta canina, fico a pensar: tudo bem, quem não tem filho, tem cão, ou tem filho e tem cão e quer passear com o cão. Mas pergunto, não dá para o ilustre carregador de cão levar consigo um papel ou um saco plástico para recolher as fezes dos caninos?

Atlas Ambiental
Na terça-feira (26/10), no Pátio do Colégio, ocorreu o lançamento da versão em papel do Atlas Ambiental da Cidade de São Paulo.
A obra elaborada por técnicos da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente será distribuída a partir de novembro para universidades e bibliotecas de todo o Brasil. Com 266 páginas, 40 mapas e mais de 200 fotos ilustrativas. O conteúdo do extenso e ótimo trabalho científico mostra que o verde na cidade de São Paulo está agonizando
A versão on-line, com mais informações sobre o projeto e dados da devastação em São Paulo, pode ser consultado no endereço http://atlasambiental.prefeitura.sp.gov.br.

Licenciamento
O Ministério do Meio Ambiente está defendendo a proposta de que os municípios possam assumir o papel de licenciador de empreendimentos de impacto local. Ocorre que mais de 80% dos mais de 5.500 municípios têm menos de dez mil habitantes e não estão estruturados para a nova tarefa. Para se habilitar a licenciar, os municípios têm de criar conselho de meio ambiente, contratar funcionários, ter fundo municipal para arrecadação de recursos e respaldo em legislação.
Polêmica, a proposta deve ser bem discutida.

Custo do desenvolvimento
O Relatório Planeta Vivo 2004 apresentado pelo WWF, uma entidade mundial de defesa da ecologia, traz novos indicadores que mostram que a humanidade está acabando com os recursos naturais do planeta. É o custo do desenvolvimento mundial. Desenvolvimento feito através da destruição da natureza. A “pegada ecológica” do ser humano – índice que mede a sustentabilidade ambiental com base na demanda de recursos naturais renováveis – aumentou em 70% desde 1970 (5% a mais do que o crescimento populacional) e é hoje de 2,2 hectares por pessoa num mundo que só dispõe de 1.8 hectares por pessoa – ou seja, consumimos 20% a mais do que temos, o capital natural está diminuindo e pode acabar.

Eleições, poluições…
Os veículos são responsáveis por 95% da poluição atmosférica. Cadê o Programa de Inspeção Veicular na cidade de São Paulo? Quero, seja quem for o eleito, mais praças e áreas verdes, mais APAs e mais ciclovias (muito mais!). Quero praças recuperadas e cuidadas (sem bosta de cachorro). Quero mais respeito aos que respeitam ao ambiente.

Você sabia?
Que o plástico pode ser reciclado de sete a oito vezes e não perde as suas características e resistência. Que detritos despejados em terrenos baldios prejudicam o ambiente, são vetores de doenças graves e podem se transformar num grande transtorno para a coletividade nos períodos de chuva. Ser limpo custa pouco!

Gilberto da Silva
partes@partes.com.br

 

 

 

Saneamento em tempos eleitorais

Saneamento em tempos eleitorais
Por Gilberto da Silva

Invisível

Gilberto da Silva é jornalista e sociólogo. É editor da Partes.

Em época de eleições é bom falarmos sobre o saneamento, o invisível, o que “não dá votos” para muitos políticos. É mais fácil eleitoralmente construir pontes, viadutos, duplicar pistas e passarelas. São obras visíveis, obras que retornam em votos… São as preferidas do poder público. Em matéria de serviço essencial, como o saneamento, o poder público continua agindo de maneira equivocada.
É hora de mudança, devemos cobrar dos futuros governantes dos nossos municípios mais atenção ao saneamento e aplicando mais investimentos em obras de sanitárias.

Poluidor
O esgoto sanitário é o principal poluidor de rios e lagos e é um influente fator de risco de doenças. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra em estudo que o saneamento básico brasileiro está próximo da calamidade. Cerca de 102 milhões de pessoas não têm acesso à rede de esgotos, uma precariedade que não atinge apenas os mais pobres. Hepatite A, febre tifoide e diarreias são as doenças de transmissão hídrica que se dão através do consumo ou contato com águas contaminadas por dejetos.

Morbidade
Sanear é o ato de tornar o espaço são, habitável e higiênico. Sabendo que o contato com a água poluída e esgotos especialistas procuram soluções. E soluções são necessárias pois a mortalidade infantil é menor onde há água tratada e uma destinação adequada de lixo. Ao investir em obras sanitárias estaremos diminuindo a incidência de doenças e internações hospitalares.

 

Emergências
Como as obras de saneamento ambiental não são visíveis eleitoralmente elas têm se restringido ao atendimento das emergências ao evitar o aumento de número de vítimas de desabamento, controle de enchentes e controle de epidemias de cólera e dengue. É preciso investir no saneamento para melhorar a qualidade de vida das populações urbanas estabelecendo uma rede de obras de coleta e tratamento de esgotos e investir também no desenvolvimento de ações educativas.

 

Eleições
A área de saneamento básico sempre foi relegada ao segundo plano, pois tubos embaixo da terra não dão projeção a políticos, quem acaba pagando a conta é a população mais carente. Se resolvidos fosse os problemas de saneamento básico, não teríamos altos gastos de saúde. Está na hora de revertemos este quadro alarmante. O governo federal deu o primeiro sinal para a mudança deste quadro ao liberar R$ 2,9 bilhões de investimento em saneamento até o final do ano. Cabe aos municípios realizar a sua parte!

Prozac
Esta pequena informação vem da Grã-Bretanha. Foram encontrados traços do anti-depressivo Prozac na água bebida naquele país. Coitado dos ingleses!
Mas cabe uma perguntinha tupiniquim: será que aqui no Brasil os agrotóxicos já não contaminaram o nosso lençol freático?

 

Gilberto da Silva