Poesias

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Mar calmo

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Mar calmo
Gilberto da Silva

 

Tanta calma…

outrora falaram “tanto mar”…

Os passos lentos

desalentos

de tanto mar.

 

Tenho calma,

mas não a alma

e o dom de levitar.

 

Tanta brisa,

areias e estrelas do mar

que ficam a vigiar.

Narinas interditas

 

Ao VER, a gente permanece quem

Gilberto da Silva

 

Preparam nossos sentidos para a repulsa ao outro,

nosso narizes selecionados para sentir repulsa do cheiro das ruas,

dos guetos,

das vielas,

das quebradas.

E vem a humilhação, a degradação, o abandono.

Fim do cheiro da terra, fim do cheiro do povo.

Assim nos tornamos estranhos….

De estranhos para inimigos: um passo!

Da aturação social para a sentença de morte: uma linha!

Assim nos tornamos ferramentas dos propagandistas do ódio.

O estranho mundo brasilis

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Gilberto da Silva

Golpistas se reúnem em Lisboa em tramas de conspiração. Listas inundam os jornais e a mídia televisiva faz de conta que não sabe de nada. aqui tudo é parcial. Só interessa o que lhes convêm. Deram o óleo para o ódio e a intolerância prosperar. Violam tudo, até a Constituição. Urros e sussurros. Mentiras e videotapes. Sátiras e horror! A sociedade doente, virótica, viralizada. Os seres, antes humanos, exalam a violência características dos ancestrais. Culpado é o outro que toma se espaço, que bebe a sua água que usurpa o seu dinheiro. Enclausurados…Sociedade infartada! Doentes.Negam o que tem que ser positivado. Positivam o que deve ser negado. De que riem os democratas, se a tal democracia está esfacelada?

É assim lembro do poema de Bertold Brecht:

Canção

Eles tem códigos e decretos.
Eles tem prisões e fortalezas.
(sem contar seus reformatórios!)
Eles tem carcereiros e juizes
que fazem o que mandam por trinta dinheiros.
Sim, e para que?
Será que e;es pensam que nós, como eles,
seremos destruídos?
Seu fim será breve e eles hão de notar
que nada poderá ajudá-los.

Eles tem jornais e impressoras
para nos combater e amordaçar.
(sem contar seus estadistas!)
Eles tem professores e sacerdotes
que fazem o que mandam por trinta dinheiros.
Sim, e para que?
Será que precisam a verdade temer?
Seu fim será breve e eles hão de notar
que nada poderá ajudá-los.

Eles tem tanques e canhões,
granadas e metralhadoras
(sem contar seus cassetetes!)
Eles tem policia e soldados,
que por pouco dinheiro estão prontos a tudo.
Sim, e para que?
Terão inimigos tão fortes?
Eles pensam que podem parar,
a sua queda, na queda, impedir.
Um dia, e será para breve
verão que anda poderá ajudá-los.
E de novo bem alto gritarão: Parem!
Pois nem dinheiro nem canhões
poderão mais salvá-los.

PS: não eu não odeio o poeta...