Política

102 anos sem Rosa Luxemburgo

Hoje, 15 de janeiro de 2022 completa 102 anos do assassinato da revolucionária pacifista, antimilitarista, defensora da democracia no seio da revolução, Rosa Luxemburgo.

Rosa, em polonês Róża Luksemburg, nasceu a 5 de março de 1871 num vilarejo de Zamość, perto de Lublin, na Polônia e é considerada a dirigente marxista mais importante da história. Um século depois de sua morte, sua vasta produção teórica continua viva e merece ser lida, principalmente nos dias atuais. Ela foi certeira em muita análise feita à sua época.

Seu legado ficou com o assim denominado “luxemburguismo”, uma escola marxista com características próprias: seu pacifismo, de homens livres, sua luta contra o revisionismo e a defesa da democracia no seio da revolução.

Para Rosa Luxemburgo não se trata primeiro de tomar o poder e só depois mudar o mundo que era uma corrente hegemônica da esquerda no século XX.:

“A democracia socialista não começa somente na Terra prometida, quando tiver sido criada a infraestrutura da economia socialista, como um presente de Natal, já pronto, para o bom povo que, entretanto, apoiou fielmente o punhado de ditadores socialistas. A democracia socialista começa com a destruição da dominação de classe e a construção do socialismo. Ela começa no momento da conquista do poder pelo partido socialista.”

Rosa Luxemburgo foi assassinada em 15 de janeiro de 1919, por soldados de uma milícia protofascista criada para reprimir os revolucionários. Rosa tinha 47 anos. Seu corpo, lançado ao canal Landwehr, que atravessa o Tiergarten (parque central de Berlim), só foi encontrado em 31 de maio e sepultado em 13 de junho daquele ano. 

Trecho fina de O Socialismo e as Igrejas – o comunismo dos primeiros cristãos de Rosa Luxemburgo. Coleção Zero/07 – Afrontamento – Porto, Portugal s/d

OBRAS DE ROSA LUXEMBURGO EM PORTUGUÊS E ESPANHOL

LUXEMBURG, Rosa. Introducción a la economia política. Córdoba: Pasado y Presente, 1972.

–––––. A crise da social-democracia. Lisboa: Presença, 1974.

–––––. Huelga de masas, partido y sindicatos. México: Ediciones Pasado y Presente, 1978.

Tradução brasileira: Greve de massas, partido e sindicatos. São Paulo: Kairós, 1979.

–––––. Debate sobre la huelga de masas. México: Ediciones Pasado y Presente, 1978. (Nesta publicação encontramos os seguintes artigos de Rosa Luxemburg: La causa de la derrota; Y por tercera vez el experimento belga; Y después qué? ).

–––––. Camarada e amante. Cartas de Rosa Luxemburg a Leo Jogiches. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.

–––––. A questão nacional e a autonomia. Belo Horizonte: Oficina de Livros, 1988.

–––––. A acumulação do capital. São Paulo: Nova Cultural, 1988.

–––––. A revolução russa. Petrópolis: Vozes, 1991 (Nesta obra encontram-se os seguintes artigos com tradução de Isabel Loureiro: Questões de organização da social-democracia russa; A revolução russa; O que quer a Liga Spartakus?).

–––––. Reforma, revisionismo e oportunismo. Rio de Janeiro: Laemmert, 1970. (Sob este título encontra-se a primeira tradução brasileira de Reforma social ou revolução? feita por Lívio Xavier, e os seguintes apêndices: Os óculos ingleses; Discurso sobre a tática; Resposta ao discurso de Vollmar; A participação socialista do poder na França; A crise do movimento socialista na França; A greve geral).

–––––. Reforma ou revolução? São Paulo: Editora Expressão Popular, 1999 (republicação da tradução de Lívio Xavier).

OBRAS SOBRE ROSA LUXEMBURGO EM PORTUGUÊS

ARENDT, Hannah. Rosa Luxemburgo: 1871-1919. In: Homens em tempos sombrios. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.

ETTINGER, Elzbieta. Rosa Luxemburgo. Rio de Janeiro: Zahar, 1989.

GERAS, Norman. A actualidade de Rosa Luxemburgo. Lisboa: Edições Antídoto, 1978.

GUIMARÃES, Juarez (org.). Rosa, a vermelha. Vida e obra da mulher que marcou a história da revolução no século XX. São Paulo: Busca Vida, 1987. (Esta obra contém os seguintes textos de Rosa Luxemburg: O Folheto Junius, A revolução Russa, Contra a pena capital e A ordem reina em Berlim).

LOUREIRO, Isabel, VIGEVANI, Tullo. (org.). Rosa Luxemburg – a recusa da alienação. São Paulo: Editora UNESP/FAPESP, 1991.

LOUREIRO, Isabel. Rosa Luxemburg e Trotsky: a revolução russa de 1905. In: COGGIOLA, OSVALDO. Trotsky hoje. São Paulo: Editora Ensaio, 1994.

LOUREIRO, Isabel. Rosa Luxemburg – os dilemas da ação revolucionária. São Paulo: Editora UNESP, 1995.

LOUREIRO, Isabel. Lukács e Rosa Luxemburg. In: ANTUNES, Ricardo, LEÃO RÊGO, Walquíria. Lukács – um Galileu no século XX. São Paulo: Boitempo, 1996.

LOUREIRO, Isabel. Rosa Luxemburgo – vida e obra. São Paulo: Expressão Popular, 2000.

LÖWY, Michael. Método dialético e teoria política. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975. (Nesta obra há dois ensaios excelentes sobre Rosa Luxemburg: Rosa Luxemburgo; A significação metodológica da palavra de ordem “Socialismo ou Barbárie”).

LUKÁCS, Georg. História e consciência de classe. Porto: Escorpião, 1974. (Encontramos nesta obra dois ensaios clássicos sobre Rosa Luxemburg: Rosa Luxemburgo, marxista; Notas críticas sobre a crítica da revolução russa de Rosa Luxemburgo).

NASCIMENTO, Cláudio. Rosa Luxemburgo e Solidarnosc. Autonomia operária e autogestão socialista. São Paulo: Loyola, 1988.

NEGT, Oskar. Rosa Luxemburgo e a renovação do marxismo. In: HOBSBAWM, E. (org.). História do marxismo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984, v.3.

PEDROSA, Mario. A crise mundial do imperialismo e Rosa Luxemburgo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.

SADER, Emir. Rosa Luxemburgo. In: O poder, cadê o poder? – Ensaios para uma nova esquerda. São Paulo: Boitempo, 1997.

Café da manhã com Paulo de Mattos Skromov

Café da manhã com Paulo de Mattos Skromov

#PT #históriadoPT #sindicalismo #movimento operário #PartidodosTrabalhadores #PauloSkromov

Entrevista com o Paulo de Mattos Skromov, fundador do PT – partido dos Trabalhadores e membro da sua primeira direção, Sindicalista coureiro (foi presidente do Sindicato dos Coureiros de São Paulo). Skromov é participante do movimento sindical brasileiro desde a década de 60, sindicalista que organizou em dezembro de 1978 o Movimento pelo PT e os esboços da Carta de Princípios do PT em maio de 1979 e presidiu a plenária de fundação do Partido dos Trabalhadores no Colégio Sion.

Entrevista com Paulo de Mattos Skromov

#PT #históriadoPT #sindicalismo #movimento operário #PartidodosTrabalhadores #PauloSkromov Entrevista com o Paulo de Mattos Skromov, fundador do PT – Partido dos Trabalhadores e membro da sua primeira direção, Sindicalista coureiro (foi presidente do Sindicato dos Coureiros de São Paulo). Skromov é participante do movimento sindical brasileiro desde a década de 60, sindicalista que organizou em dezembro de 1978 o Movimento pelo PT e os esboços da Carta de Princípios do PT em maio de 1979 e presidiu a plenária de fundação do Partido dos Trabalhadores no Colégio Sion.

Lançamos o PUM!

Por Gilberto da Silva

O PUM é um partido revolucionário, devastador, irreverente e coerente com seus princípios norteadores. É um partido fiel aos seus fundamentos. O PUM vem para alastrar seu conteúdo programático para toda a atmosfera planetária. Sim, o PUM é planetário. É um partido que pretende atingir todos os países, portanto, é internacionalista. Trotski sorrirá de alegria, esteja onde estiver, pois o PUM veio para apagar a arrogância daqueles que teimam em ser os parasitas da Revolução!

O PUM é ecológico, transformador e pretende dissipar suas energias pelo planeta de forma universal, limpa e dinâmica. É um partido que vai proteger a reserva da biosfera ajudando na conservação das áreas verdes, no processo de urbanização e expansão urbana, na sustentabilidade do ambiente. Não haverá espaço para reprimidos, nem seremos repressores. Seremos o partido da liberação da energia vital que governa os homens.

Num cenário positivo, o PUM pretende ser a válvula de escape da juventude perdida. Não será necessário mais drogas, basta viver no PUM! No campo do gênero, o PUM pretende ser o partido mais democrático de todos, deve-se fazer respeitar. Homens e mulheres devem exercer seus poderes em igualdade e liberdade. Assim também para todas as minorias que a cada dia deixa de ser minoria.

O PUM segue a máxima marxista de que “tudo se transforma” do que “tudo que é sólido desmancha no ar”. É socialista, pluralista, sexista, democrático e humanista em sua essência. O PUM veio para não ficar preso a nenhuma engrenagem. O PUM é liberação da pura energia da população reprimida. Repressores do mundo: “Mene, mene, tekel upharsin” (Teus dias estão contados). Chega de injustiça social.

O PUM vem para exorcizar o fantasma que reprime os políticos nos Congressos, nas Assembleias e liberar as imensas possibilidades de renovação teórica e prática. Seremos uma referência democrática e popular.

O PUM é pela liberdade de imprensa, pela democratização dos meios de comunicação. o PUM é o próprio produto do Canal!

Queremos articular uma rede de militantes que honrem a causa, que literalmente borrem as calças… nos barros, nas lamas…. Fará corpo a corpo com toda a população nos bairros e vilas. Nossa militância não se deixará enganar e estará vigilante contra todo o tipo de manipulação.

Lutaremos contra as fraudes dos institutos de pesquisas que na tentativa de enganar o eleitor vão querer passar um idéia preconceituosa do PUM. Lutaremos contra este golpe tantas vezes já tentado. Nada de estatísticas falsas sobre o PUM!

O partido não quer a Revolução nem pela direita, nem pela esquerda, nem pelos lados. Queremos sair pelo meio! Somos fisiologistas!

À luta companheiros! À luta companheiras! Vamos construir um PUM de verdade! Longa Vida ao Partido da Unidade do Meado!

Os tipos revolucionários

Os tipos revolucionários

Por Gilberto da Silva

Gilberto da Silva Jornalista e sociólogo

O Revolucionário Permanente. Ele nunca está contente. Sempre há uma revolução para fazer, para ser completada. Aqueles que impedem estas ações revolucionárias são sempre denominados de reacionários, ou contras. Eles cantam o amanhã, mesmo após acordar com um sério desencanto. Não é preciso apenas mudar o mundo, é preciso mudar o Universo. É preciso muito e sempre e mais. É preciso interpretá-lo, reinventá-lo. Este tipo de revolucionário sempre denomina-se um emancipador nato. Para estes a revolução é sempre um processo de mudanças profundas, necessárias e absolutamente importantes.

O consenso só é possível se seus pontos de vistas forem absolutamente aceitos. O futuro para estes sempre será melhor, mais acolhedor, mais humano. É sempre preciso explorar novos caminhos (entendendo como novo, o velho conceito que provavelmente ele carrega). Mudança sempre!

A repressão e suas características

Dentro do contexto de uma revolução um componente que requer um estudo mais apurado é a utilização da repressão. A repressão tem vários sentidos e pode ser analisado sob diversos pontos de vistas. Não existe apenas a repressão física, mas também a psicológica e a ideológica. Os movimentos repressivos são dirigidos por duas maneiras: a reação e a progressão. Esses dois mecanismos lembram muito o famoso Sístoles e Diástoles do general Golbery, teórico geopolítico do Governo Militar.

Uma reação pode ser repressiva se servir de antídoto radical aos processos evolutivos da função social; ela pode ser exercida para reagir às tendências humanas de tentar o REAL (entendido aqui como o IDEAL para o Outro). A repressão exercida pela reação é uma defesa dos valores morais, sociais ou culturais. É a preservação do EU, um movimento de conservação e defesa precedida de um ataque.

Já movimento de progressão é a repressão aos valores arcaicos, ao modelo antigo, às velhas ordens emanadas por um poder que teoricamente está em ruínas, ou em processo de deterioração. Progressivo é, para quem o exerce, a reestruturação na procura de uma ordem moderna, evolutiva. Neste caso, a repressão possui um claro sentido aniquilador do retorno de uma antiga ordem.

A repressão possui quatro tipos de “caráter”: o revolucionário, o progressivo, o conservador e o reacionário.

O Revolucionário é para quem o exerce, a quebra de velhas ordens num determinado momento social: o da revolução. Sua função é a de reprimir os ataques contra-revolucionários. Não devemos esquecer que todo caráter repressivo pode ser em nível de poder estatal ou poder individual, nas relações homem-mulher; pai-filho-mundo; religião-homem-mundo.

O caráter revolucionário da repressão é – para quem o exerce – o processo de mudança de uma estrutura, a virada de uma pirâmide, por isso, seja necessário reprimir os que ainda tentam subverter a nova ordem. A repressão é, nesse sentido, vista pelos revolucionários como uma necessidade, um mal que vem para o bem, uma medida certa para a total implantação dos seus novos valores.

Para os revolucionários é aniquilando os velhos valores que se pode tornar-se seguro da situação, “… pois esta tem sempre, como divisa de rebelião, a liberdade e os seus antigos costumes, os quais nem o transcurso do tempo nem os benefícios recebidos farão esquecer.” [i]

Os sandinistas utilizaram-se deste expediente de aumento de repressão na tentativa de aniquilar as forças contra-revolucionárias somozistas e dos índios miskitos.

Sob o ângulo da repressão homem-mundo, essa repressão revolucionária teria sentido se, por exemplo, as mulheres abolissem as velhas ordens morais aderindo à uma ordem, a uma nova ordem moral, sexual e rechaçar todos os velhos conceitos da tradição familiar submissa, do patriarcado.

A repressão revolucionária dá-se num determinado momento histórico, num período ainda desestabilizado onde novas ordens ainda não foram aceitas, acomodadas, onde ainda o perigo da iminente reação sobrevoa.

O Progressivo se dá no período em que há uma norma, uma ordem, em franco desenvolvimento, num momento em que ainda é preciso modernizar-se, progredir, ir à procura de uma nova situação. O caráter progressivo da repressão é baseado na persuasão e na aniquilação, sendo que na persuasão há a clara intenção da ideologia modernizadora, onde ela é exercida com o sentido de aniquilar as velhas hierarquias, os velhos sistemas e aperfeiçoar novas formas de manutenção da estrutura.

O caráter progressivo da repressão geralmente se dá num período pós-revolucionário onde é necessário aperfeiçoar novas formas de dominação, criar métodos mais eficazes de controle nesse sentido toda “reação” em contrário é anti-revolucionário, conservador ou reacionário.
Ao contrário do caráter revolucionário que ainda é portador de um conteúdo utópico, o progressista já atingiu “para si” a realidade: ele apenas realiza seu projeto. O repressor progressista ainda não chegou à “plenitude”, ainda busca a totalidade da sua eficácia e espera atingir a sua “finitude” (que pode ser inatingível). É o caso do jovem saindo de uma fase de contestação para outra de ações conscientizadoras, sem euforismos. Um jovem partindo da simples agitação para a transformação progressiva da sua personalidade, não aceitando nem a revolução total de seus conceitos  como a volta aos padrões que a família lhe engendrou.

A atitude repressiva é, nesse caso, sempre aplicada no sentido de favorecer o andamento de uma prova nova ordem criada. É exercida como atitude “construtura”.

O caráter Conservador utiliza a repressão como manutenção da situação vigente, reprimindo toda manifestação ao contrário e toda tentativa de mudança. Usa os instrumentos repressivos como arma de defesa dos valores por eles implantados. Utilizado-a como um bem para si e para os que seguem os mesmos valores.
O conservador sente-se sempre um íntegro, tradicionalista., moralista e evita  de forma total qualquer tentativa de mudança. Partem de um pressuposto que vivendo numa estabilidade (a sociedade ou a sua individualidade) os que são estáveis (ou) os dominados a aceitar geralmente legítimo domínio vigente.

A relação pais-filhos é sempre visto sob o ponto de vista conservador. O patriarcado age de acordo com os princípios da repressão conservadora na manutenção da ordem familiar. A igreja tradicional e ortodoxa agiu muitas vezes de acordo com os princípios do caráter repressivo conservador

O caráter reacionário é o que utiliza da repressão através de uma resposta a uma ação qualquer que tem interesse em provocar a ameaça a sua ordem. É tido como opositor a qualquer inovação nos valores. É tido como contrário a liberdade e age de acordo com os princípios arcaicos e ultrapassados. No seu modo de ver é preciso agir sempre contra qualquer ação evolutiva, revolucionária e ou modernizadora.

O reacionário não é um conservador, o caráter repressivo dessa maneira é dado em qualquer situação.

[i] O Príncipe. Maquiavel. São Paulo: Circulo do Livro. s/d. página 56.