Reflexão

Domingo de Ramos

No Domingo de Ramos, celebra-se a entrada solene de Jesus Cristo em Jerusalém,. Marca o começo da Semana Santa e prepara os cristãos para reviver a Paixão, Morte e Ressurreição do Nosso Senhor. Os ramos, abençoados nesse dia, são o sinal da vitória da vida sobre a morte e o pecado.

Comece a cultivar uma horta

Olá amigo e amigas da Vitrine do Giba! Quero aproveitar este intermédio entre o Natal e O fim do ano, um momento propicio para reflexões, para fazer uma alegoria sobre Cultivar Hortas. O grande líder sul africano Nelson Mandela quando estava preso ocupava seu tempo cuidando de uma hora que ele mesmo iniciou. Enquanto os demais presos estavam jogando damas, cartas ou olhando para o nada, Mandela aproveitava seu tempo de SOL para cultivar uma horta, horta esta que ele começou num cantinho do pátio; ali onde começou a cavar com suas próprias mãos até conseguir a utilização de um ancinho.  Mandela usava até restos de ossos triturados, ossos que ele achava enterrado no pátio,  em sua prática diária de cultivar. E assim, usava seu tempo para meditar e ter novos conhecimentos sobre plantas e sobre como cultivar estas plantas. Muitas dessas hortaliças eram depois doadas aos seus guardiões, aos guardas do presídio.

Bom, que tal ir além, sair da mesmice e começar a cultivar qualquer tipo de hortas, mas alguma coisa que faça você sair do lugar comum, do tédio e que faça você ampliar os seus horizontes? Comece a cultivar uma horta e este será o seu começo da sua virada!

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A cada dia um novo desafio

A cada dia um novo desafio! Assim é a nossa vida, fato que nos faz recarregar as energias para enfrentar cada obstáculo que nos é colocado! Não é fácil enfrentar estes desafios mas eles são necessários.

Ficamos tristes e aborrecidos por muitos acontecimentos. Como no boxe, somos levados ás cordas, mas não ao nocaute.

Nem sempre procuramos os meios mais adequados para superar as barreiras que são impostas. Ás vezes levamos porrada e sentimos o baque. Mas seguir em frente é a nossa meta. Lutar é nosso imperativo.

Estar ao lado de quem a gente ama, se colocar como ouvinte, parceiro, amigo é muito importante! Não podemos prever o futuro, mas devemos nos preparar para os riscos que poderão surgir.

Freire e o pensar crítico

“A filosofia de Freire também tem suas raízes na teologia cristã, pela qual, aos olhos de Deus, os pobres são iguais aos ricos. Se a educação não libera a mente das pessoas para pensar criticamente, qual é o seu propósito?” Martin Carnoy, professor da Universidade de Stanford (EUA) à Folha de S. Paulo, domingo, 4 de novembro de 2018, b2.
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Os tipos revolucionários

Os tipos revolucionários

Por Gilberto da Silva

Gilberto da Silva Jornalista e sociólogo

O Revolucionário Permanente. Ele nunca está contente. Sempre há uma revolução para fazer, para ser completada. Aqueles que impedem estas ações revolucionárias são sempre denominados de reacionários, ou contras. Eles cantam o amanhã, mesmo após acordar com um sério desencanto. Não é preciso apenas mudar o mundo, é preciso mudar o Universo. É preciso muito e sempre e mais. É preciso interpretá-lo, reinventá-lo. Este tipo de revolucionário sempre denomina-se um emancipador nato. Para estes a revolução é sempre um processo de mudanças profundas, necessárias e absolutamente importantes.

O consenso só é possível se seus pontos de vistas forem absolutamente aceitos. O futuro para estes sempre será melhor, mais acolhedor, mais humano. É sempre preciso explorar novos caminhos (entendendo como novo, o velho conceito que provavelmente ele carrega). Mudança sempre!

A repressão e suas características

Dentro do contexto de uma revolução um componente que requer um estudo mais apurado é a utilização da repressão. A repressão tem vários sentidos e pode ser analisado sob diversos pontos de vistas. Não existe apenas a repressão física, mas também a psicológica e a ideológica. Os movimentos repressivos são dirigidos por duas maneiras: a reação e a progressão. Esses dois mecanismos lembram muito o famoso Sístoles e Diástoles do general Golbery, teórico geopolítico do Governo Militar.

Uma reação pode ser repressiva se servir de antídoto radical aos processos evolutivos da função social; ela pode ser exercida para reagir às tendências humanas de tentar o REAL (entendido aqui como o IDEAL para o Outro). A repressão exercida pela reação é uma defesa dos valores morais, sociais ou culturais. É a preservação do EU, um movimento de conservação e defesa precedida de um ataque.

Já movimento de progressão é a repressão aos valores arcaicos, ao modelo antigo, às velhas ordens emanadas por um poder que teoricamente está em ruínas, ou em processo de deterioração. Progressivo é, para quem o exerce, a reestruturação na procura de uma ordem moderna, evolutiva. Neste caso, a repressão possui um claro sentido aniquilador do retorno de uma antiga ordem.

A repressão possui quatro tipos de “caráter”: o revolucionário, o progressivo, o conservador e o reacionário.

O Revolucionário é para quem o exerce, a quebra de velhas ordens num determinado momento social: o da revolução. Sua função é a de reprimir os ataques contra-revolucionários. Não devemos esquecer que todo caráter repressivo pode ser em nível de poder estatal ou poder individual, nas relações homem-mulher; pai-filho-mundo; religião-homem-mundo.

O caráter revolucionário da repressão é – para quem o exerce – o processo de mudança de uma estrutura, a virada de uma pirâmide, por isso, seja necessário reprimir os que ainda tentam subverter a nova ordem. A repressão é, nesse sentido, vista pelos revolucionários como uma necessidade, um mal que vem para o bem, uma medida certa para a total implantação dos seus novos valores.

Para os revolucionários é aniquilando os velhos valores que se pode tornar-se seguro da situação, “… pois esta tem sempre, como divisa de rebelião, a liberdade e os seus antigos costumes, os quais nem o transcurso do tempo nem os benefícios recebidos farão esquecer.” [i]

Os sandinistas utilizaram-se deste expediente de aumento de repressão na tentativa de aniquilar as forças contra-revolucionárias somozistas e dos índios miskitos.

Sob o ângulo da repressão homem-mundo, essa repressão revolucionária teria sentido se, por exemplo, as mulheres abolissem as velhas ordens morais aderindo à uma ordem, a uma nova ordem moral, sexual e rechaçar todos os velhos conceitos da tradição familiar submissa, do patriarcado.

A repressão revolucionária dá-se num determinado momento histórico, num período ainda desestabilizado onde novas ordens ainda não foram aceitas, acomodadas, onde ainda o perigo da iminente reação sobrevoa.

O Progressivo se dá no período em que há uma norma, uma ordem, em franco desenvolvimento, num momento em que ainda é preciso modernizar-se, progredir, ir à procura de uma nova situação. O caráter progressivo da repressão é baseado na persuasão e na aniquilação, sendo que na persuasão há a clara intenção da ideologia modernizadora, onde ela é exercida com o sentido de aniquilar as velhas hierarquias, os velhos sistemas e aperfeiçoar novas formas de manutenção da estrutura.

O caráter progressivo da repressão geralmente se dá num período pós-revolucionário onde é necessário aperfeiçoar novas formas de dominação, criar métodos mais eficazes de controle nesse sentido toda “reação” em contrário é anti-revolucionário, conservador ou reacionário.
Ao contrário do caráter revolucionário que ainda é portador de um conteúdo utópico, o progressista já atingiu “para si” a realidade: ele apenas realiza seu projeto. O repressor progressista ainda não chegou à “plenitude”, ainda busca a totalidade da sua eficácia e espera atingir a sua “finitude” (que pode ser inatingível). É o caso do jovem saindo de uma fase de contestação para outra de ações conscientizadoras, sem euforismos. Um jovem partindo da simples agitação para a transformação progressiva da sua personalidade, não aceitando nem a revolução total de seus conceitos  como a volta aos padrões que a família lhe engendrou.

A atitude repressiva é, nesse caso, sempre aplicada no sentido de favorecer o andamento de uma prova nova ordem criada. É exercida como atitude “construtura”.

O caráter Conservador utiliza a repressão como manutenção da situação vigente, reprimindo toda manifestação ao contrário e toda tentativa de mudança. Usa os instrumentos repressivos como arma de defesa dos valores por eles implantados. Utilizado-a como um bem para si e para os que seguem os mesmos valores.
O conservador sente-se sempre um íntegro, tradicionalista., moralista e evita  de forma total qualquer tentativa de mudança. Partem de um pressuposto que vivendo numa estabilidade (a sociedade ou a sua individualidade) os que são estáveis (ou) os dominados a aceitar geralmente legítimo domínio vigente.

A relação pais-filhos é sempre visto sob o ponto de vista conservador. O patriarcado age de acordo com os princípios da repressão conservadora na manutenção da ordem familiar. A igreja tradicional e ortodoxa agiu muitas vezes de acordo com os princípios do caráter repressivo conservador

O caráter reacionário é o que utiliza da repressão através de uma resposta a uma ação qualquer que tem interesse em provocar a ameaça a sua ordem. É tido como opositor a qualquer inovação nos valores. É tido como contrário a liberdade e age de acordo com os princípios arcaicos e ultrapassados. No seu modo de ver é preciso agir sempre contra qualquer ação evolutiva, revolucionária e ou modernizadora.

O reacionário não é um conservador, o caráter repressivo dessa maneira é dado em qualquer situação.

[i] O Príncipe. Maquiavel. São Paulo: Circulo do Livro. s/d. página 56.

O vazio do Outro

Foto: Gilberto da Silva

Gilberto da Silva

publicado em 22/02/2008 como http://www.partes.com.br/colunistas/gilbertosilva/ovazio.asp

As relações humanas estão cada vez mais estabelecendo pendências entre o Um e o Outro. O Eu procura apoio no Outro para ter suporte e enfrentar as agruras do cotidiano moderno. Um dia de ausência do Outro pode ser crucial. É uma eternidade irritante que faz aumentar a angústia do Outro.

A sociedade contemporânea, baseada no histórico da indústria cultural e na espetacularização das ações humanas produz uma vida noveleira, com a premissa de que não possamos perder nenhum capítulo diário essencial desta narrativa instantânea e superficial.

Nossa dependência drogal, orgânica, física, mental, virtual obriga a ter as outras pessoas como nossos aliados, nunca como nossos inimigos ou um Ser a ignorar. Precisamos usar o Vazio do Outro pra preencher nossas vazios. O Vazio não pode ser visto como nada, o vazio tem forma, conteúdo, consistência. O vazio é transformação silenciosa é a possibilidade de tornar visível o que está invisível, de dar forma ao que está disforme, de levar luz onde há escuridão, de colorir e transformar as cores.

Canibalismo moderno: preciso te comer para sobreviver! Ou cenas de uma estética moderna: arranco o teu pedaço para consertar o meu corpo e minha alma despedaçada.

Nossas sensibilidades são florais com desabrochares cotidianos nos jardins da vida. Nossas neuroses urbanas levam-nos a um estágio em que a impaciência pelo Nada a fazer do Outro é irritante. Não nos conformamos com o vazio do Outro, com o tempo do Outro.  Queremos por que queremos também nos apossar do tempo do outro, transformá-lo em nosso.

Nessa teia de intolerância ficamos amarrados a esta complexidade estranha, de cobranças, de poder, de mando. Ficamos enlaçados a esta arquitetura do desprazer, da arbitrariedade mundana. Carinho, afeto, amor são expressões usados no Vazio.

Cada dia mais as relações de complementaridade, de troca, de diálogo vai se tornando UNA. Não há mais o retorno, o sistêmico, o DUAL e sim uma relação doentia, vulgar baseada numa via de mão única.

O Outro carente, dependente suga suas veias e de todo e qualquer sangue que porventura possa obter. Vampirismo moderno, pós-moderno, vampirismo do século vinte e um. Outra prática muito comum é não aceitar que o Outro tenha este momento do isolamento, da clausura. Como pode a pessoa ficar isolada com tanta coisa acontecendo? Está louca?

Então, ouvir o canto dos pássaros, ouvir o som do silêncio, ver o cotidiano dos outros animais passa a ser um martírio para o dependente que não está  mais acostumado com o sumiço do outro ou com as loucuras do outro.

O imediatismo, o individualismo e o vampirismo pós-moderno pode nos levar a auto destruição. Somos treinados para a dependência do Outro e não para a Liberdade. Perdemos cada dia mais o respeito ao outro… e nos respeitando menos, muito menos a cada dia.

Para usar como referência bibliográfica use:

SILVA. G. O vazio do Outro. Revista Virtual Partes. <http://www.partes.com.br/colunistas/gilbertosilva/ovazio.asp>. Acesso em__/__/__.