Zeh Gustavo

Contrarresiliente, uma resenha

Por Gilberto da Silva

O livro é de poesias, mas bem poderia ser um livro de crônicas. Ou será uma crônica-poesia? Mas poderia ser também um livro reportagem, um retrato escrito poeticamente na desgraça que é ser nas ruas onde não ser igual já é um enorme diferencial. O Zeh Gustavo, nosso contrarresiliente fala (ou melhor escreve, descreve e reescreve) o que o engasgado está por nós.
Vá devagar, o livro tem seu público e tem seu selo antifascista, portanto, não espere que nele impere cápsulas antipedagógicas oprimidas. Aqui a escrita é trans! Transbolzonarizado, transacomodado, transeunte.
O Zeh que já em outras lavras traçou linhas incômodas, em contrarresiliente vai direto ao golpe! Pronto para combater o ar contaminado de imbecilidade ou da boçalidade bosta que impera nos guetos nobres da sociedade pós-boçal com seus hiper chiliques.
A poesia aqui é contracorrente e deveras atinge quem deveras ler. Ler aqui é um ato de contravenção, contradição, contradito, não espere palavras mornas, textos leves como beijos suaves ou músicas para dormir.
Portanto, na contra mão necessária, eu super indico a leitura de contrarresiliente de Zeh Gustavo, editado pela Editora Viés.

título: CONTRARRESILIENTE
isbn: 9786580885046
idioma: Português
encadernação: Brochura
formato: 14 x 21 x 0,8
páginas: 136
ano de edição: 2019
edição:

Veja o comentário no Canal do Youtube:

https://youtu.be/fVxk1lYSbA0

(Re)lançamento da PEDAGOGIA DO SUPRIMIDO no FIM

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Por Zeh Gustavo

O FIM {Fim de Semana do Livro no Porto}, do qual Zeh Gustavo é um dos cambonos-curadores, não larga da literatura, como não se perde da rua, nem abre mão do copo em mãos, sempre meio cheio. Nisso que, dois anos depois de lançado, em uma pequena edição que felizmente se esgotou, meu livro de versos algo torpes algo porres algo fortes, “Pedagogia do suprimido”, ressurge, em segunda edição. O bicho agora baixou no terreiro da Autografia Editora, e terá lançamento no próximo sábado (12/12), às 18h, durante o FIM, no Morro da Conceição, no estande da editora. O autor da tela de capa é o cubano Pepe Lazcano, com arte da editora.

Quando publicou, num 2008 de aparente satisfação ou conformidade com os limites da política social então bastante populares, seu livro A Perspectiva do Quase, Zeh Gustavo já parecia antever que faltava alguma – ou muita – coisa. Diz o autor, na época, em entrevista ao jornal Algo a Dizer: “A poesia hoje é um instrumento de luta, luta criativa contra o utilitarismo reinante, e também uma possibilidade de intervenção discursiva à margem das mensagens onipresentes do estatuto do poder supermercadológico.” Complicado? Em 2013, as ruas mostraram que esse sentimento de insuficiência da vida contemporânea é capaz de tomar conta de uma grande massa de gentes de todos os matizes. É nesse clima de contestação que se insere Pedagogia do Suprimido, produzido em 2013, e que Zeh Gustavo relança, pela Autografia Editora, no dia 12 de dezembro, durante a terceira edição do FIM – Fim de Semana do Livro no Porto, do qual Zeh é um dos cambonos-curadores.

Sobre o livro
Pedagogia do Suprimido traça um inventário poético das refinadas estratégias de anulação do indivíduo, nas sociedades contemporâneas. O título do livro remete à obra do educador Paulo Freire, que propunha a emergência de uma pedagogia própria, para a libertação do oprimido. Na poesia-tese de Zeh Gustavo, o oprimido estaria a tal ponto enredado na trama desumanizante de um deus-máquina-mercado, programador até dos sentimentos, desejos e emoções, que teria involuído para uma condição de plena compressão – ou supressão, de si. Uma espécie de morte em vida que o autor busca flagrar, usando da própria biografia, inventada ou não, e de seu olhar aparentemente desencantado para, de maneira lírica, se situar em um combate por mais vida. Face a um sistema que tenta reduzir, dia a dia, o ser urbano a um estado mínimo de mero consumidor, alienado do potencial de realização de sua existência, a poesia faz-se arma para uma retomada, com amor e alma.

Sobre o autor
Um dos organizadores do Fim desde 2012, e morador da Zona Portuária do Rio, Zeh Gustavo é músico e escritor. Canta nos grupos de samba Terreiro de Breque e Samba da Saúde e nos blocos de carnaval Cordão do Prata Preta e Banda da Conceição. Na literatura, publicou, entre outros, os livros de poesia “Pedagogia do Suprimido” (Verve, 2013; Autografia, 2015), “A Perspectiva do Quase” (Arte Paubrasil, 2008) e “Idade do Zero” (Escrituras, 2005). Em 2012 participou da coletânea “Porto do Rio do início ao fim” (Rovelle, 2012), com o conto “Comuna da Harmonia”. Em 2015 integrou o livro “Rio de Janeiro: alguns de seus gênios e muitos delírios” (Autografia), com o texto Sérgio Ricardo: a toada firme de quem sabe o mar; a coletânea de crônicas “O meu lugar” (Mórula), com “Serpentina avoa, que hoje tem barricada!”; a antologia “Pele de todos os sangues”, do Sarau dos Sambistas, com uma série de poemas; e a Revista da Academia Carioca de Letras (Batel), com o conto “Por sobre o ruído rude da rotina besta”. Em 2014 seu livro de contos ‘Eu algum na multidão de motocicletas verdes agonizantes” (inédito) venceu o Prêmio Lima Barreto da Academia Carioca de Letras.

Vai ter samba! Vai ter carnaval!
E no domingo Zeh Gustavo canta com o Terreiro de Breque e a Banda da Conceição, no encerramento do FIM. 

Serviço
Sábado, 12/12, 18h. Lançamento do livro Pedagogia do suprimido, de Zeh Gustavo. 2ª ed. Orelha: Maria Célia Barbosa Reis da Silva. Rio de Janeiro: Autografia, 2015. 142 p. R$ 35,00.

Domingo, 13/12, 20h. Terreiro de Breque, Lúcio Sanfilippo e Banda da Conceição.

A entrada para todo o evento é franca.