Mês: outubro 2014

Plebiscito e referendo qual a sua opinião?

Plebiscito e referendo são consultas ao povo para decidir sobre matéria de relevância para a nação em questões de natureza constitucional, legislativa ou administrativa.

A principal distinção entre eles é a de que o plebiscito é convocado previamente à criação do ato legislativo ou administrativo que trate do assunto em pauta, e o referendo é convocado posteriormente, cabendo ao povo ratificar ou rejeitar a proposta.

Ambos estão previstos no art. 14 da Constituição Federal e regulamentados pela Lei nº 9.709, de 18 de novembro de 1998. Essa lei, entre outras coisas, estabelece que nas questões de relevância nacional e nas previstas no § 3º do art. 18 da Constituição – incorporação, subdivisão ou desmembramento dos estados –, o plebiscito e o referendo são convocados mediante decreto legislativo. Nas demais questões, de competência dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, o plebiscito e o referendo serão convocados em conformidade, respectivamente, com a Constituição Estadual e com a Lei Orgânica. (http://www.tse.jus.br/eleicoes/plebiscitos-e-referendos)

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Nota pública da Compolítica a respeito da edição da Revista Veja da semana passada

“A Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (Compolítica) vem, por meio de sua diretoria, repudiar publicamente a Revista Veja pela conduta irresponsável, como veículo jornalístico, às vésperas das eleições presidenciais de 2014. Como é de conhecimento público, a revista estampou em sua capa manchete e fotos implicando de forma taxativa dois presidentes em um grave escândalo de corrupção, publicando a edição um dia antes do normal e tornando-se, assim, material de campanha para um dos lados da disputa. Fez isso baseando-se em vazamentos de acusações de um criminoso em processo de delação premiada que deveriam servir à justiça para novas investigações – inaceitáveis como prova a ser publicada como verdade. Consideramos que a revista agiu de forma irresponsável, incompatível com o grau de amadurecimento de nossas instituições e punida judicialmente pelo próprio TSE com direito de resposta e multa. Como associação científica que pesquisa justamente a relação entre comunicação e política, expressamos nossa preocupação com a recorrência de fatos como este, em que emissores privados se valem da legitimidade conferida pela opinião pública à imprensa para divulgar material que não segue os preceitos éticos mínimos e boas práticas do ofício, para além das preferências ideológicas. Para que a vontade popular possa se expressar, é necessário garantiir que o respeito ao processo democrático seja um limite ao arbítrio dos controladores dos meios de comunicação. É necessário, também, que o Brasil avance na direção de um sistema de mídia mais plural e mais democrático, com mais respeito à divergência e espaço para o debate. O direito democrático da livre expressão pública implica responsabilidade política – além de jurídica. É coisa muito séria e esperamos que nossa manifestação a respeito possa contribuir com o necessário debate que, quem sabe, a presidente reeleita ousará, finalmente, favorecer neste mandato.”

Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2014.

Alessandra Aldé – presidente
Luis Felipe Miguel – vice-presidente
Francisco Paulo Jamil Marques – secretário

Fenaj acusa “muitos veículos” de fazerem “proselitismo eleitoral disfarçado de jornalismo”

Proselitismo eleitoral disfarçado de jornalismo
Diante da cobertura jornalística realizada neste segundo turno das eleições presidenciais e de casos de censura e pressões a jornalistas, a Federação Nacional do Jornalistas (FENAJ) vem a público alertar a sociedade brasileira sobre a farsa praticada por muitos veículos de comunicação, que fazem proselitismo eleitoral disfarçado de Jornalismo.

Estamos num momento importante de consolidação da democracia brasileira, em que a informação é um bem público indispensável aos cidadãos e cidadãs para a definição do voto. Infelizmente, com o objetivo indisfarçável de beneficiar um dos candidatos, muitos veículos de comunicação – entre eles os principais jornais e revistas de circulação nacional e os principais grupos de rádio e TV – abdicaram do Jornalismo como atividade de produção e veiculação de informação isenta, plural e ética.

Como entidade maior de representação dos jornalistas brasileiros, a FENAJ alerta para o perigo das notícias tendenciosas, das denúncias sem provas, das análises esvaziadas de dados e cheias de opiniões, das reportagens que buscam nexos inexistentes e das pesquisas eleitorais que, lembramos, tiveram sua credibilidade abalada pelos resultados do 1º turno das eleições.

Reafirmamos, mais uma vez, a importância do Jornalismo e sua possibilidade de realização tendo em vista o interesse público. Ressaltamos que os veículos de comunicação poderiam fazer a opção de declarar apoio a uma candidatura, o que é prática comum em outros países do mundo. Ainda assim, não deveriam abdicar dos princípios teóricos, técnicos e éticos do Jornalismo para beneficiar um candidato. A opção, entretanto, é por afirmar uma falsa neutralidade e por abrir mão do Jornalismo para enganar a sociedade.

Por fim, a FENAJ repudia as ações de pressão, intimidação e repressão aos jornalistas, que são penalizados justamente por defenderem o Jornalismo como atividade garantidora do direito da sociedade à informação. Igualmente, esta Federação repudia a postura dos que não diferenciam a prática e linha editorial das empresas de comunicação do exercício profissional e responsável do jornalismo.

Conclamamos os jornalistas e o conjunto da sociedade brasileira a dizer não ao autoritarismo e a todas as formas de cerceamento à liberdade de expressão e à liberdade do voto.

Diretoria da Federação Nacional dos Jornalistas.
Brasília, 20 de outubro de 2014.

Jornalistas de MG lançam ‘Alerta ao Povo Brasileiro’

Nós, jornalistas mineiros reunidos na noite de 15 de outubro de 2014, em Belo Horizonte, vimos manifestar à sociedade brasileira as nossas apreensões quanto ao grave momento vivido pelo país às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais:

1. Estarrecida, a opinião pública mineira e brasileira deparou-se nos últimos meses com uma escalada da cobertura jornalística das eleições pelos meios de comunicação em claro favorecimento de candidaturas à Presidência da República, seja por meio da manipulação de informações políticas e econômicas, seja pela concessão de espaços generosos a um candidato em detrimento dos outros. Tais fatos, públicos e notórios, são sobejamente atestados por instituições de pesquisa e monitoramento da mídia, revelando uma tentativa de corromper a opinião pública e de decidir o resultado das urnas.

2. Infelizmente, tais práticas antidemocráticas, que atentam contra os princípios constitucionais da liberdade de expressão e manifestação e do direito à informação, fizeram parte do cotidiano da comunicação em Minas Gerais, atingindo nível intolerável nos governos de Aécio Neves. A atividade jornalística e a atuação dos profissionais foram diretamente atingidas pelo conluio explícito estabelecido entre o governo e os veículos de comunicação, com pressão sobre os jornalistas e a queda brutal da qualidade das informações prestadas ao cidadão mineiro sobre as atividades do governo. Tais pressões provocaram censura e mesmo demissões de profissionais e uma permanente tensão nas redações. E quebraram as históricas vocações e compromissos de Minas com a liberdade de pensamento e de ideias, traços distintivos da formação e das tradições históricas do Estado.

3. Diante do exposto e por dever do ofício, nós, jornalistas mineiros, alertamos a sociedade brasileira sobre os riscos que tais práticas representam para a Democracia, para o Estado de Direito e para os direitos individuais e políticos dos cidadãos. Reafirmamos que a essência da atividade do jornalista é a liberdade de expressão e manifestação, assegurando o direito da sociedade à informação, livre e plena.

Belo Horizonte, 15 de outubro de 2014

Os jornalistas e o segundo turno – a opinião do Sindicato

 

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O Brasil se prepara para a realização do segundo turno das eleições presidenciais quando se defrontarão dois projetos políticos diferentes para o país. De um lado, o representado pela presidenta da República, Dilma Rousseff (PT), que se compromete a não mexer em nenhuma conquista dos trabalhadores e, de outro lado, o do senador Aécio Neves (PSDB), candidato das elites brasileiras, com amplo apoio das empresas de Comunicação.

Isto ficou comprovado em Minas Gerais, conforme denúncia dos Sindicatos dos Jornalistas e dos Trabalhadores Administrativos daquele estado, de que os jornais Estado de Minas e Correio Braziliense, integrantes dos Diários Associados, convocaram pela intranet os trabalhadores a participarem de atos de campanha a favor de Aécio Neves.

A desfaçatez dessa atitude é ainda mais chocante pois o ex-governador mineiro ficou conhecido por perseguir jornalistas que ousavam publicar textos que não o agradassem.

Os jornalistas, em particular, não têm boas lembranças dos governos do PSDB. Que o digam os oito anos de FHC, quando a categoria perdeu o direito à Aposentadoria Especial, prevista na Lei nº 3.529, de 13 de janeiro de 1959, sancionada pelo então presidente Juscelino Kubsitschek, que permitia que os profissionais se aposentassem com 25 anos de serviços.

FHC e o então ministro Reinholds Stephanes revogaram, na chamada Reforma Previdenciária, através da Medida Provisória nº 1.593, de 11 de outubro de 1996, o direito à Aposentadoria Especial e, para piorar, as novas regras sequer garantiam o direito adquirido pois, para fazer valer a contagem na hora de aposentar, é necessário ainda hoje entrar na Justiça.

Em 20 de julho de 1999, o governo FHC tomou outra medida contrária aos interesses dos jornalistas ao vetar o Projeto Lei 307 de 1995 que transferia do Ministério do Trabalho para a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) a atribuição de conceder o Registro Profissional, o MTB. Caso a medida fosse implantada, o impacto negativo da decisão do STF de extinguir a necessidade do diploma teria causado um estrago muito menor para a categoria.  Além disso, representaria um passo importante para a regulamentação da profissão pois permitiria uma fiscalização mais rigorosa sobre o mercado de trabalho.

A política tucana de Comunicação também causou estragos em São Paulo. Enquanto o governo do PT criava nacionalmente sua emissora pública, a TV Brasil, a administração do PSDB, a partir de 2010, sucateou a TV Cultura. Pelas mãos de João Sayad, presidente da Fundação Padre Anchieta, o governo demitiu cerca de mil trabalhadores, boa parte de jornalistas, encolheu a grade de programação e sucateou a emissora.

Além desses fatos, o candidato a vice-presidente de Aécio, Aloysio Nunes, foi um dos poucos senadores a votar contra a PEC do Diploma, se posicionando frontalmente contra a categoria.

Na área trabalhista, as idéias tucanas também são lesivas aos trabalhadores. O coordenador da área econômica de Aécio, responsável pela política econômica do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso (FHC), Armínio Fraga, não esconde o que pretende para o Brasil, caso o candidato tucano saia vitorioso. Ele considera que o salário mínimo “cresceu muito ao longo dos anos”.

Não é de hoje que expoentes do PSDB sinalizam em flexibilizar a CLT, inclusive com o congelamento do valor do mínimo e com mexidas nos salários em geral.

O movimento sindical não é linha auxiliar de partidos políticos, mas, para melhor cumprir sua função de proteger direitos e avançar na melhoria das condições de trabalho precisa fazer opções políticas.

Assim, a decisão de apoiar a reeleição da presidenta Dilma Rousseff  é a melhor alternativa para todos os trabalhadores.

Esta escolha também se dá em função de que o governo petista não demoniza o debate sobre a Comunicação e não confunde regulação com censura. Essa confusão é feita de propósito por inimigos da democracia que pretendem interditar o debate e, assim, impedir o processo de democratização da comunicação.

Por tudo isto, a melhor opção é a continuidade do atual projeto de governo que está aberto ao diálogo com as forças populares e sindicais e facilite o debate sobre a reforma política.

Ao contrário, a vitória do PSDB representa o fortalecimento das grandes empresas de Comunicação, dificuldades ainda maiores para avançar nas conquistas trabalhistas e para conquistar a aprovação da volta do Diploma.

 

Direção do SJSP

Campanhas eleitorais e processo político na sociedade brasileira do espetáculo

seminarioVai acontecer nessa sexta e sábado !7 e 18 de outubro o III Seminário Comunicação e Política na Sociedade do Espetáculo que será realizado na Faculdade Cásper Líbero. O tema desse anos é: Campanhas eleitorais e processo político na sociedade brasileira do espetáculo.

O seminário é organizado pelo Grupo de Pesquisa Comunicação e Sociedade do Espetáculo do Programa de Mestrado da Faculdade Cásper Líbero, e está vinculado ao projeto de pesquisa Mídia, Política e Espetáculo. O objetivo do seminário é a apresentação e o debate de trabalhos que procuram compreender as relações entre comunicação e política na sociedade brasileira do espetáculo, tendo como objeto as
campanhas eleitorais de 2014, as coberturas midiáticas dessas campanhas e suas relações com o processo político brasileiro.

Fico mais pequeno do que sou no meio de tanta gente boa.

A começar no dia 17 de outubto, na abertura com o professor Cláudio, mais que um mestre, um doutor, santista mais fanático do que eu. Ele vai expor o tema: Comunicação, política e poder na sociedade do espetáculo.  O objetivo da apresentação é apontar a relevância dos Comentários sobre a Sociedade do Espetáculo, texto de Guy Debord, para uma compreensão das relações entre comunicação e política na sociedade do espetáculo na contemporaneidade, de modo geral, e na sociedade brasileira em particular. Será abordado, em especial, o conceito de poder espetacular integrado. Entende-se que esse conceito é de grande importância para a investigação do processo político na sociedade contemporânea. Cláudio Novaes Pinto Coelho é Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo,
USP (1991). Formado em Ciências Sociais pela USP. É mestre em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas, SP, Unicamp. Coordena o Grupo de Pesquisa Comunicação e Sociedade do Espetáculo, do CNPq (2006), e é responsável pelos Projetos de Pesquisa Comunicação, Cultura e Espetáculo e Mídia, Política e Espetáculo, do Programa de Pós-graduação – Mestrado em Comunicação da
Faculdade Cásper Líbero. Entre as principais publicações encontram-se Publicidade: é possível escapar? (São Paulo: Paulus, 2003), Comunicação e Sociedade do Espetáculo (São Paulo: Paulus, 2006), organizada com Valdir José de Castro, e Estudos de Comunicação Contemporânea: perspectivas e trajetórias (São Paulo: Plêiade, 2012), organizada com Dimas A. Künsch e José Eugenio de Oliveira
Menezes.

Em seguida – em articulação – entra o metódico e tranquilo Emerson Ike Coan um Mestre em Comunicação e membro do Grupo de Pesquisa Comunicação e Sociedade do Espetáculo. Mestre em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) nos brinda com um passeio pelo Brasil pós ditadura militar.

Depois virá uma pá de gente boa como Kátia Saisi, que acaba de lançar o livro Campanhas presidenciais, mídia e eleições na América Latina: Brasil, Chile e Venezuela, seguida da Mara Ferreira Rovida uma craque em discutir mobilidade articulada com Durkheim, Debord e o jornalismo segmentado, além de escrever lindas crônicas para o blog http://filosofiaemtransito.wordpress.com/.

O Rodrigo Carvalho é companheirão do PCdoB que com sua maestria e conhecimento de Gramsci discute mídia; hegemonia; construção ideológica; neoliberalismo; populismo.

Vanderlei de Castro Ezequiel, matemático e mestre em comunicação apresentará Questões sociais e discurso político
eleitoral. O trabalho é fruto de suas pesquisas sobre discursos políticos. O Vander é um dos mais antigos membros do grupo de pesquisa. Mas nem parece… Sempre com um artigo bem articulado e discussões novas no pedaço.

 

Em seguida entra a Deysi Cioccari  com Dilma Bolada ou Dilma Rousseff: Quem é a diva da Nação? A nossa mais nova paulitana gaúcha é muito trilegal. Rápida nas pistas de corrida e nas nossas discussões. Tem muito futuro de academia. Seu artigo faz uma análise dos perfis nas redes sociais twitter e facebook da personagem Dilma Bolada e da candidata à presidente Dilma Rousseff durante o
período eleitoral de 2014. Deysi prestou assessoria de imprensa na disputa eleitoral para o governo do Estado do Rio Grande do Sul (2006) e
Presidência da República (2010) pelo partido PSDB. Foi assessora de imprensa na Câmara dos Deputados em Brasília, no partido Democratas.

A  Eliana Natividade -versará sobre Manifestações contra a Copa e possíveis influências nas urnas de 2014, segundo a cobertura da mídia impressa. O artigo propõe uma reflexão sobre a cobertura jornalística no episódio das vaias à presidente Dilma Rousseff, na abertura da Copa do Mundo de Futebol 2014. Os protestos contra os gastos com a Copa durante o Mundial foram suprimidos no entorno dos estádios sedes dos jogos, mas a hostilidade ao governo, através das vaias no “Itaquerão”, em São Paulo, ganhou destaque na imprensa. Desta forma, o texto pretende pensar a cobertura da mídia impressa sob os holofotes da espetacularização em ano eleitoral. Para isso, revisitaremos as questões levantadas pelo teórico francês Guy Debord, além de outros pensadores da pós-modernidade.Eliana Natividade é Jornalista, mestranda em Jornalismo na Contemporaneidade, na Faculdade Cásper Líbero e membro do Grupo de Pesquisa do CNPQ Comunicação e Sociedade do Espetáculo. FORÇA ELI!!!!! Aqui tudo será superação!

Logo após entra Gabriel Leão – Herói ou animal político? Objetivo. Os arquétipos possuem grande relevância dentro dos jogos político e midiático, com as esferas interagindo a linha que divide animais políticos de heróis se apresenta cada vez mais sensível. O político contemporâneo e o ativista se apresentam ao grande público pelos meios de comunicação e não mais apenas em oratórios e manifestações. Com estes fenômenos há o advento do Príncipe-Eletrônico e todos seus recursos tendo partidos e políticos se confundindo com marcas e produtos, enquanto eleitores e governados se comportam como consumidores. Dialogam no texto autores como Maquiavel, Ianni, Debord, Schwartzenberg, Lasch, Campbell, Tchakhotine, Martinez, Goebbels, Morín e Klein buscando compreender como se dá essa relação entre herói e animal político. Gabriel Leão é Mestre em comunicação pela Faculdade Cásper Líbero e bacharel em Comunicação Social / Habilitação: Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Synesio Cônsolo Filho – A necessidade de se administrar a visibilidade.
Resumo: Vivemos numa sociedade digital em que o excesso de imagens exige-nos a tarefa permanente de entender e discernir este fenômeno. Sabemos que a imagem nos constitui e nos seduz e dela o sistema capitalista se apossa em um constante movimento de subjetivação para nos seduzir, nos manipular e nos consumir. Na sociedade informática, além da espetacularização, outro fator que vem se evidenciando como estratégico e fundamental para a maioria da classe dominante, por não dizer da classe política, é a visibilidade. Este artigo trata da necessidade do gerenciamento da visibilidade pelos políticos.
Synesio Cônsolo Filho é Pesquisador, Professor Universitário, Doutor em Ciências Sociais/Comunicação Política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP, Membro do Grupo de Pesquisa: Comunicação e Sociedade do Espetáculo da Faculdade Cásper Libero. Mestre em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero. Especialista em Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Escola de Comunicação e Artes – ECA da Universidade de São Paulo – USP e Administração em Serviços pelo Centro Universitário Ibero-Americano. Possui os Cursos de Bacharelado Comunicação Social com ênfase em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing – ESPM e Comunicação Social com ênfase em Propaganda e Publicidade pela Universidade Nove de Julho.
Ingrid Baquit – A política externa nos governos Lula e Dilma e o cenário político contemporâneo
Resumo: O pluralismo e a composição multiétnica, a propensão à integração cultural e relativa abertura ao sincretismo da diversidade têm projeção externa e formam a identidade internacional brasileira. As múltiplas dimensões e os contrastes fazem com que o país participe de inúmeras esferas do convívio internacional. Este artigo estuda dois momentos nos dois governos – a questão nuclear do Irã durante o governo Lula e os recentes conflitos entre Israel e Palestina ainda no governo Dilma – para entender como a política praticada por esses chefes de estado afetam a relação do Brasil internamente e com o mundo.

Ingrid Baquit é graduada em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (2011). Tem experiência nas áreas de Jornalismo Literário, Ciberjornalismo e Jornalismo Internacional. Publicou em 2011 o livro “Histórias Entrelaçadas: a Organização dos Estados Americanos contada pelo seu programa de estágio”, por meio das Edições UFC. Atualmente, é mestranda em Comunicação na Faculdade Cásper Líbero, na área de Comunicação na Contemporaneidade, sendo orientada pelo Prof. Dr. Cláudio Novaes Pinto Coelho.

 

Jaime Carlos Patias, nossa querido padre e amigo gaúcho apresenta: Lula: carisma e poder: Uma abordagem a partir dos estudos sobre liderança carismática de Max Weber.
Resumo: A história de vida do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reúne características de um líder carismático. Dotado de talentos demagógicos e muita energia, o pobre retirante nordestino rapidamente se tornou não só o líder sindical mais importante da história operária brasileira, mas também um grande condutor de massas, culminando com sua eleição a presidente da República. No final de oito anos de mandato (2002 a 2010), Lula atingiu mais de 80% de aprovação popular carregando consigo a representação simbólica de um considerável poder político individual. Em função desse poder, age estrategicamente em todos os espaços como um sujeito sedutor, um líder carismático. Este trabalho tem por objetivo analisar o carisma de Lula e sua influência na Campanha Eleitoral de 2014. A abordagem toma como referencial os estudos de Max Weber (1864 – 1920), sobre liderança carismática.
Jaime Carlos Patias, IMC, é licenciado em Filosofia pela PUC – PR, bacharel em Teologia pela Universidade de Louvania, Bélgica, e mestre em comunicação pela Faculdade Cásper Líbero. Secretário Nacional da Pontifícia União Missionária e assessor de comunicação das Pontifícias Obras Missionárias (POM), em Brasília – DF. Membro da equipe de redação da revista e do site Missões. Membro do Grupo de Pesquisa “Comunicação e Sociedade do Espetáculo”, autor de vários artigos e coautor do livro Comunicação e Sociedade do Espetáculo, (Paulus, 2006).
Gilberto da Silva, este ser que vos escreve – participa com  A sedução do lulismo: imagens e leituras de Lula na Sociedade do Espetáculo. Apresenta um trabalho onde propõe a entender o fenômeno Lula através da abordagem da teoria crítica e da sociedade do espetáculo. A investigação do lulismo nos remete sobre os vínculos entre a lógica mercantil e a produção de imagens e permite, através dessa abordagem, refletir sobre temas da indústria cultural, da ideologia, da política e da sociedade capitalista a partir da conceituação de Sociedade do Espetáculo empreendida por Guy Debord e passando pela releitura dos demais autores filiados a Teoria Critica.

 

Márcia Amazonas – Eduardo Campos & Marina Silva: a “Nova Política” entre o drama e a esperança. Resumo: O artigo pretende refletir sobre os desafios enfrentados pelo candidato presidencial socialista Eduardo Campos na construção do discurso da “Nova Política” até sua trágica morte em um acidente aéreo em agosto de 2014, quando sua vice Marina Silva assume a candidatura como representante da aliança Unidos pelo Brasil. Sob as perspectivas da Sociedade do Espetáculo de Guy Debord e da análise do Discurso Político por Patrick Charaudeau, busca-se compreender o impacto da tragédia e seus efeitos na mídia e no eleitorado e o potencial de crescimento no cenário político brasileiro da chamada “Terceira Via”, como alternativa ao Partido dos Trabalhadores (PT) e Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB)
Marcia Amazonas é mestranda em Comunicação na Contemporaneidade pela FCL (Fundação Cásper Líbero) e especialista em Comunicação e Marketing pela mesma instituição acadêmica. Formada em Jornalismo pela Unisantos, possui mais de duas décadas de experiência como jornalista na grande imprensa e como consultora de comunicação corporativa. Integrante do Grupo de Pesquisa “Comunicação e Política na Sociedade do Espetáculo” da FCL, dedica-se atualmente ao acompanhamento e estudo de temas como comunicação política, discurso político, marketing político, sociedade do espetáculo e construção de imagem (image building).
Vivian Paixão – Carta Capital e Veja nas eleições presidenciais de 2014. Resumo: Este trabalho objetiva fazer uma reflexão, por meio da semiótica peirciana, das revistas Carta Capital e Veja nas eleições presidenciais de 2014. Por apresentarem pontos de vista distintos acerca da política brasileira, serão analisadas as diferenças e semelhanças das tendências ideológicas de cada veículo. Palavras-chave: Revista; Carta Capital; Veja; eleições; semiótica. Vivian Santana Paixão é graduada em Letras pela USP, especialista e mestranda pela Cásper Líbero. Foi assistente editorial, professora de Língua Portuguesa, Redação e Literatura, participou da elaboração de dois livros didáticos e trabalha com revisão de textos.

Genilda Alves de Souza – A percepção e a influência das pesquisas eleitorais nas classes c e d/e nas eleições para o Governo do Estado de São Paulo em 2014.
Resumo: O propósito do estudo é avaliar a influência das pesquisas eleitorais, com foco nas classes sociais C, D/E, para o governo do Estado de SP, na medida em que esta é a grande maioria dos eleitores brasileiros e representarão 48% dos eleitores do Sudeste (Data Popular e PNAD do IBGE). Outro fator importante é o peso político das eleições para o governo do Estado de SP, que sempre se revestem de um caráter nacional pela importância econômica e política do Estado junto a Federação. As questões centrais que o estudo pretende abordar são: a) como as classes C e D/E, a chamada “classe emergente”, percebe os resultados das pesquisas eleitorais e a compreensão que tem dos mesmos, e b) qual a influência que estes resultados têm sobre a intenção de voto nestas classes sociais.
Palavras-chave: Pesquisas eleitorais; classes sociais; intenção de voto.
Genilda Alves de Souza possui graduação em psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1979). Pós-graduada em Comunicação e Marketing pela Faculdade Cásper Líbero (2001). Mestre em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero (2009). Professora Adjunta da Faculdade Cásper Líbero, das disciplinas de Estatística e Análise de Dados, no curso de Publicidade e Propaganda, e da disciplina de Comunicação Comparada no curso de Rádio e TV e de Teorias da Comunicação no curso de Relações Públicas. Professora do curso de Pós Graduação em Administração Hospitalar, do Centro Universitário São Camilo, da disciplina de Comunicação Empresarial e do MBA em Qualidade de Vida da Abramge/Centro Universitário São camilo, da disciplina de Endomarketing. Consultora em pesquisas de marketing opinião da Huno Consultoria e Treinamento S/C Ltda. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia Social e Comportamento do
Consumidor, atuando principalmente nos seguintes temas: comunicação, marketing, comportamento do consumidor, pesquisa e opinião pública.
Fábio Cardoso Marques encerra com- O “príncipe eletrônico” e a representação política.
Resumo: O Objetivo principal da apresentação é debater as principais características do príncipe eletrônico segundo Octávio Ianni e as formas de produção da sua hegemonia baseada nos valores da globalização neoliberal. O príncipe eletrônico, na sociedade do espetáculo, provoca profundas mudanças nas condições da prática e da reflexão teórica da política, próprias do século passado. Também pretende-se detalhar alguns aspectos desta transformação nos cenários de representação da política, indicados por Venício Lima.
Palavras-chave: Octávio Ianni; hegemonia; cenários de representação política.
Fábio Cardoso Marques é Mestre pela Cásper Líbero, em 2004, com um estudo comparativo sobre as coberturas das três primeiras edições do Fórum Social Mundial, feitas pela grande imprensa e pela imprensa alternativa. Publicou: “Uma reflexão sobre a espetacularização da imprensa”, em “Comunicação e sociedade do espetáculo”, (org.) Cláudio N.P. Coelho e Valdir José de Castro, Editora Paulus, 2006. “As possibilidades do pensamento e ação transformadores na sociedade do espetáculo”, Revista Estudos de Sociologia, nº 30, da Unesp/Araraquara, 2011.

 

Programação completa em:

http://casperlibero.edu.br/eventos/iii-seminario-comunicacao-e-politica-na-sociedade-do-espetaculo/

 

Outubro Rosa

Junte-se a nós nesta campanha! Juntos, somos mais fortes!

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Outubro é o mês da luta contra o Câncer de mama!

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mês oficial de combate ao câncer! Mulherada, autoexame é a melhor prevenção.

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Outubro está logo ali. Que o rosa represente um mês mais leve, delicado e consciente.

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Presidente da Sabesp nega racionamento de água em São Paulo

“Não existe racionamento. O que há é falta d’água em lugares pontuais, principalmente em áreas muito altas, muito longe dos reservatórios, em residências com muitos moradores ou onde a reservação [armazenamento] está incorreta”, afirmou a presidente da Companhia de Saneamento Básico do estado de São Paulo (Sabesp), Dilma Pena.

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“Agora que que o governo tucano já foi reeleito, a mídia confirma o que a gente já sabia, pois convidada a prestar esclarecimentos à CPI no dia 17 de setembro, a presidente da Sabesp não compareceu alegando “questões pessoais. Mas como sempre acontece em São Paulo, a imprensa não falou e tampouco escreveu uma linha sobre o assunto. Agora vai ficar claro que em São Paulo não existe política para Recursos Hídricos, não se faz investimentos na captação de água, em reservatórios e interligações. 
Agora a mídia vai querer mostrar que é imparcial, mas “agora, Inês é morta” !” – Julio Cesar Sacramento, sociologo.

 

Ereções 2014

sefie

Por Gilberto da Silva
De hoje até segunda estarei fora das redes sociais. Como ando com problemas no meu aparelho excretor evitarei o monte de salada que entupirá a linha do tempo. Evacuarei. Sairei pela culatra.

Quem tinha – na rede social – que tomar partido, já tomou e quem deveria ter partido, também! Fico com a impressão que poderá faltar papel – seja ele de que tipo for. Papelada de muito, limpeza de menos.

Para rir ou para chorar – qualquer atitude pode virar contra o selfie – dedicarei dois dias ao retiro reflexivo do que restou de nossas vidas após a primeira (?) batalha eleitoral. E aviso aos meus amigos: tá com saco cheio da política?, então não vá votar. Basta justificar posteriormente a preços módicos. Outro conselho aos meus partidários: vão com fé e força no voto e aos meus antipartidários vão…. que eu já fui.

Novamente reitero: não faça selfie na urna. Urna não é pinico, urna é espelho e dá reflexo.

A alma humana é tão desumana que até os animais estão cansados. Uns tentam recriar o irrecriável, ou seja, tornar um velho novo: imaginem a síntese perfeita engendrada com um toque de Sarney, um olhar de Marina, um dedo de Dilma, uma língua de Feliciano e botox de Aécio. Não há marqueteiro que resista a tanta profanação.

Se santinho fosse a salvação ele não seria usado na urna, seria bem mais aproveitado na capela. Daqui para a frente plataforma só se for do Trem ou do salto da minha esposa querida.

Estarei bem longe das seringueiras, do pãozinho de queijo e das apresentações de planilhas de software proprietário. Após todo o processo eleitoral sairemos a resgatar algumas amizades perdidas no processo, recolheremos nossos cacos, nossas frustrações e nosso fígado – e eu meus intestinos.

Ficarei com meus medos internos, meus ternos e minhas ternas companhias. Voltarei na segunda literalmente pedindo água, porque o novo governador é o velho secador…

Tabacaria

TABACARIA (Fernando Pessoa)
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim…
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas –
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno – não concebo bem o quê –
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
Álvaro de Campos, 15-1-1928