Dia: 20 de novembro de 2015

Desgrafismos Quilombola

Poema Neila Daniela Figueira e Alexandre Dias Paza

Desgrafismos Quilombola
                                                                          
(Pra quem drume acordá)

Os ecos dos quilombos
Gritam nas vozes das metralhadoras
Que vomitam nossa história,
Evacuam nossa miséria
Favela abaixo
E salpicam nas telas
das salas, dos quartos,
das cozinhas.

Em horário nobre
pela casa toda
as flechas de minha bisavó
resistem e se renovam
em rajadas
com o ouro-pó
escoando em gramas
do morro vermelho

e-nosso sangue inda ferve
e-nosso braço inda serve
e-nossa luta inda

Não, acabou não
Terminou nunca
Abalou nem
Minha pulsação de pipoca

medieval e barroco
nosso coração oco
e feliz
e só
retruca
no ritmo dos disparos
trêsoitão

É um assalto
É a batida da corimba
É um som
Zumbindo
É Zumbi
Zambi

quem sabe um dia
eu aprenda a gostar
dos tri-balistas
sem tribo sem taba sem oca
sem bala
e suas mercadorias
mel-ódiosas.
Mas a rosa na mão
é o truque

Eu quero o batuque
desassossegado com
ou sem rima
fiapo de vida
do negócio
e-legal
que mantém
nosso epitáfio:
[ sóssequer respirar
  aqui só, sequer ]
des-construção
soñ-ar
?

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Hino à Negritude

Hino à Negritude (Cântico à Africanidade Brasileira)

I
Sob o céu cor de anil das Américas
Hoje se ergue um soberbo perfil
É uma imagem de luz
Que em verdade traduz
A história do negro no Brasil
Este povo em passadas intrépidas
Entre os povos valentes se impôs
Com a fúria dos leões
Rebentando grilhões
Aos tiranos se contrapôs
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez
(bis)II
Levantado no topo dos séculos
Mil batalhas viris sustentou
Este povo imortal
Que não encontra rival
Na trilha que o amor lh destinou
Belo e forte na tez cor de ébano
Só lutando se sente feliz
Brasileiro de escol
Luta de sol a solenidadesPara o bem de nosso país
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, horoi, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez
(bis)

III
Dos Palmares os feitos históricos
São exemplos da eterna lição
Que no solo Tupi
Nos legara Zumbi
Sonhando com a libertação
Sendo filho também da Mãe-África
Arunda dos deuses da paz
No Brasil, este Axé
Que nos mantém de pé
Vem da força dos Orixás
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez
(bis)

IV
Que saibamos guardar estes símbolos
De um passado de heróico labor
todos numa só voz
Bradam nossos avós
Viver é lutar com destemor
Para frente marchemos impávidos
Que a vitória nos há de sorrir
Cidadãs, cidadãos
Somos todos irmãos
Conquistando o melhor por vir
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São Galardões aos negros de altivez.

Autor: Eduardo de Oliveira (letra e música)

Dilma sanciona lei que oficializa no país o Hino à Negritude

Música será tocada em cerimônias para homenagear a comunidade negra.
Primeiro projeto de lei para institucionalizar o hino foi proposto em 1966.

No dia 28 de maio de 2014, a presidente Dilma Rousseff sancionou a lei nº 12.981/2014, que determina que  o Hino à Negritude seja entoado em eventos oficiais relacionados ao tema

A letra é de autoria do professor Eduardo Oliveira, ex-vereador da cidade de São Paulo, líder do movimento negro no Brasil e um dos principais articuladores do Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB). Eduardo de Olveira morreu em 2012, aos 86 anos, e não chegou a ver o seu hino oficializado no Diário Oficial.

A primeira tentativa de institucionalizar o Hino à Negritude ocorreu em 1966, ano em que foi apresentada a primeira proposta sobre o tema. Em 1993 e 1997, foram protocolados novos projetos para institucionalizar o hino, mas as matérias não avançaram no Congresso.

Em 2007, a proposta voltou a ser debatida no Legislativo por meio de um projeto de lei de autoria do deputado Vicentinho (SP), atual líder da bancada do PT na Câmara.

Na justificativa de seu projeto de lei, o petista, que é negro, argumentou que a homenagem ajudaria a valorizar “a trajetória do negro na formação da sociedade brasileira e a inexistência de símbolos que enalteçam e registrem esse sentimento de fraternidade entre as diversas etnias que compõem a base da população brasileira”.