Dia: 27 de novembro de 2015

Wanderley de Souza é o novo presidente da Finep

Wanderley de Souza site

Wanderley de Souza foi nomeado nesta segunda-feira, 16/11 (Foto: João Luiz Ribeiro/Finep)

Wanderley de Souza é o novo presidente da Finep

Reforçar o papel da Finep no apoio à infraestrutura científica nos institutos e universidades, em áreas estratégicas para o desenvolvimento científico nacional, assim como apoiar as empresas que atuam na área de inovação. Esses são os objetivos centrais do novo presidente da Finep, o médico e cientista Wanderley de Souza. A nomeação foi publicada nesta segunda-feira (16) no Diário Oficial da União, juntamente com a exoneração do cientista político Luis Fernandes, que esteve à frente da instituição nos últimos oito meses. Formado em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Wanderley se especializou em doenças infecciosas e parasitárias (como chagas, leishmaniose e toxoplasmose). Suas atividades de pesquisa se concentram em estudos de biologia celular de protozoários patogênicos e de sua interação com a célula hospedeira.

Professor titular do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ e pesquisador do Centro Nacional de Biologia Estrutural e Bioimagem da mesma universidade, Wanderley também tem uma carreira importante no serviço público. Foi secretário-executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e secretário de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro, quando criou o Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro (Cederj), que deu origem à Universidade Aberta do Brasil. De acordo com o novo presidente da Finep, o trabalho em sinergia com o MCTI será fundamental para o sucesso das ações da empresa: “Um dos objetivos é aperfeiçoar o sistema de avaliação dos projetos, para exigir mais qualidade e foco, dentro das prioridades que forem estabelecidas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação”.

Wanderley de Souza também foi diretor do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), vice-diretor e diretor do Instituto Carlos Chagas e primeiro reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro e da Universidade Estadual da Zona Oeste, em Campo Grande. Motivo de orgulho, a sua relação com a Finep data de quatro décadas. “Fui cliente desde 1976, quando ainda era estudante. O laboratório onde eu trabalhava, na UFRJ, era apoiado pela Finep, que financiou todo o equipamento”, conta. Agora no comando da financiadora, ele pretende “instaurar a cultura do debate e reflexão dos grandes temas da Ciência, Tecnologia e Inovação dentro e fora da Finep”.

Membro das academias Nacional de Medicina, Brasileira de Ciências e de Ciências do Terceiro Mundo, Wanderley de Souza é consultor de instituições como a própria Finep, o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), a Faperj (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro), a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e a FAP-DF (Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal). Além disso, também é membro do corpo editorial de diversas publicações científicas nacionais e internacionais.

Autor de mais de 600 artigos, Wanderley atua junto a várias sociedades científicas, como: Sociedade Brasileira de Microscopia Eletrônica, Sociedade Brasileira de Protozoologia, Society of Protozoologists, Interamerican Society for Electron Microscopy, American Society for Cell Biology, American Society of Parasitologists.

FONTE: FINEP

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O que é, afinal, discurso de ódio?

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Senado Federal

“Falo algo que desagrada alguém e já começa o #mimimi que é discurso de ódio”, diz um cidadão nas redes sociais. Mas, afinal, basta contrariar outra pessoa para ser acusado de fazer discurso de ódio? Que falas se encaixam nessa definição?

“O discurso do ódio pode ser conceituado como o ataque a grupos étnicos, raciais, religiosos, minorias sexuais ou a qualquer outro grupo vítima de preconceito, inclusive em decorrência de origem territorial, caracterizado por pregar a intolerância em relação aos discriminados, buscando ou propondo, direta ou indiretamente, sua exclusão da sociedade, eliminação física, remoção do lugar em que vivem”, explica o Procurador da República Rômulo Moreira Conrado. E complementa: o discurso do ódio está longe de contribuir para a formação de um debate plural, por apresentar a pretensão de destruir um determinado segmento social.

Riva Sobrado de Freitas e Micheli Bordignon, da Universidade do Oeste de Santa Catarina, afirmam que o discurso de ódio é caracterizado por “atos de comunicação que inferiorizam uma pessoa com base em suas características (sexo, etnia, orientação sexual, por exemplo)”. Mas destacam, para que o ato de comunicação entre na categoria de discurso de ódio precisa ter dois elementos básicos: discriminação e externalidade.

A discriminação seria, de acordo com o artigo, atitude de marginalização e desqualificação que insufle o ‘desrespeito pelo diferente’ e reduza o ser humano à condição de objeto, além de causar “efeitos deletérios” em suas vítimas. A externalidade é “a transposição de ideias do plano mental (abstrato) para o plano fático (concreto)”.  Ou seja, o pensamento só se torna discurso de ódio quando é comunicado a outras pessoas.

Owen Fiss, citado no mesmo texto, explica que o discurso de incitação do ódio tende a diminuir a autoestima das vítimas, impedindo assim a sua integral participação em várias atividades da sociedade civil, incluindo o debate público. “Mesmo quando estas vítimas falam, falta autoridade às suas palavras; é como se elas nada dissessem”, define.

E o discurso de ódio tem alcance ampliado, pois atinge todos aqueles que partilham das características do grupo atingido, produzindo a chamada “vitimização difusa”.

Em publicação no Facebook, o Ministério da Justiça abordou o problema, associando-o à questão da liberdade de expressão: “Liberdade de expressão é o direito de manifestar livremente opiniões e ideias. Entretanto, o exercício dessa liberdade não deve afrontar o direito alheio, como a honra e a dignidade de uma pessoa ou determinado grupo. O discurso do ódio é uma manifestação preconceituosa contra minorias étnicas, sociais, religiosas e culturais, que gera conflitos com outros valores assegurados pela Constituição, como a dignidade da pessoa humana. O nosso limite é respeitar o direito do outro”.

As frases que ilustram a primeira imagem desta reportagem foram coletadas nas redes sociais e em declarações prestadas à imprensa. Nelas, o grupo social atingido pelas falas de incitação ao ódio foi substituído por xxx.

Saiba como a legislação de vários países trata o discurso de ódio
Denúncias de crimes de ódio podem ser feitas à Polícia Federal

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