Mês: novembro 2016

Lançamento da Paulus reflete sobre cidade, cultura e espetáculo

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Por Mara Rovida Ferreira

“Quando, nos ambientes acadêmicos ou na mídia, o nome de Guy Debord é mencionado, normalmente ele é associado à expressão “sociedade do espetáculo”, geralmente entendida como o “inevitável domínio da mídia” na contemporaneidade ou o desejo, pretensamente natural, que as pessoas têm de “aparecer”.” Com essas palavras o organizador do livro ‘Cultura, Comunicação e Espetáculo’, Claudio Novaes Pinto Coelho, nos insere nessa obra de assinatura coletiva em que o espaço urbano, o teatro e os movimentos sociais são observados num momento em que as relações sociais estão cada vez mais próximas de uma forma superficial e esvaziada, como pensado por Guy Debord.

O livro, editado pela Paulus, é resultado do trabalho que vem sendo desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa Comunicação e Sociedade do Espetáculo, coordenado por Coelho na Faculdade Cásper Libero. “Pelos textos reunidos neste livro, é possível identificar um projeto de fundo que os alimenta, e que está presente desde a primeira formação deste grupo de pesquisa: como pensar criticamente? Uma tentativa de compreender nosso entorno político, cultural e artístico à luz do pensamento crítico, este mesmo, também, em processo de construção, sendo exposto e colocado à prova”, sintetiza Antonio Luiz Gonçalves Junior, um dos autores da obra. A diversidade dos temas e enfoques apresentados nos capítulos da publicação reflete a própria dinâmica do grupo de pesquisa composto por estudiosos com experiências e formações variadas que vão das artes cênicas às ciências exatas, passando pela comunicação e pelas ciências sociais.

Dada essa variedade de perspectivas que se encontram e se aproximam pela vertente crítica do pensamento debordiano, o livro está organizado em três partes. A primeira delas é dedicada à reflexão do espaço urbano, dos ambientes virtuais e das formas de interação nesse momento da sociedade capitalista – nomeado por Debord de Sociedade do Espetáculo. Embora a crítica marxista seja um fio condutor, pela própria influência de Guy Debord, a busca por alternativas ao espetáculo (esvaziamento de sentido) é contemplada em alguns capítulos. A cultura popular, por exemplo, aparece como alternativa possível à cultura espetacular.

A segunda parte tem forte assento nas artes cênicas. Os grandes musicais apresentados como modelos padronizados, por um lado, indicam o domínio das relações espetacularizadas e as apresentações experimentais, por outro lado, respaldam a possibilidade da arte como forma de resistência. Já na terceira parte do livro, os movimentos sociais em recentes mobilizações, como as Jornadas de Junho de 2013, são observados na dupla perspectiva, o espetáculo e a resistência ao esvaziamento de sentido.

Para Coelho, o principal objetivo do trabalho condensado no lançamento da Paulus é chamar a atenção para a naturalização do espetáculo.  “Além disso, a obra pretende, também, enfatizar que Debord atribuí um papel fundamental para a cultura. Por um lado, ela é um elemento decisivo para a reprodução da sociedade do espetáculo,  a partir do momento em que vivemos numa cultura marcada pela articulação entre a produção e o consumo de imagens e a produção e o consumo de mercadorias. Mas, por outro lado, a cultura pode servir também para  a crítica do capitalismo como modo de vida, por intermédio da produção de formas alternativas de comunicação, quer seja no espaço virtual, quer seja no espaço real, principalmente no espaço urbano.”

A voz coletiva da obra se mostra não só na diversidade dos enfoques apresentados em cada parte do livro como também no processo que antecede a elaboração de cada capítulo. “Este livro é um importante instrumento para que as discussões realizadas durante as reuniões do Grupo de Pesquisa Comunicação e Sociedade do Espetáculo, coordenadas pelo Prof. Cláudio Coelho, possam ser compartilhadas com outros pesquisadores sobre o tema, profissionais e estudantes de comunicação e também interessados em compreender as questões da contemporaneidade.” Esta é a opinião de uma das autoras do lançamento, Ethel Shiraishi Pereira, que defende a importância da publicação como forma de criar diálogo e ampliar a reflexão entre os pesquisadores do grupo e outros estudiosos do assunto. “Não se trata de uma receita pronta para os problemas enfrentados na área da cultura no Brasil, mas uma proposta de reflexão sobre o papel da produção cultural como crítica à sociedade do espetáculo.”

O Grupo de Pesquisa Comunicação e Sociedade do Espetáculo foi formado em 2006 por Coelho e reúne pesquisadores que se dedicam aos estudos sobre comunicação, cultura e política na sociedade do espetáculo. O lançamento da Paulus – Cultura, Comunicação e Espetáculo – é resultado de pesquisas apresentadas no II Seminário Comunicação, Cultura e Sociedade do Espetáculo, em 2013. Os capítulos são assinados por Claudio Novaes Pinto Coelho, Valdir José de Castro, Jaime Carlos Patias, Marcia Eliane Rosa, Juliana Andrea Vieira dos Santos, Adriana Sá Moreira, Gerson da Silva Esteves, Antonio Luiz Gonçalves Junior, Eliana Natividade, Mara Ferreira Rovida e Ethel Shiraishi Pereira.

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Serviço

O lançamento será realizado na livraria Martins Fontes, unidade da Avenida Paulista, número 509, em 9 de dezembro de 2016, das 18h30 às 21h30. O livro já está disponível para compra na loja virtual da editora e, em breve, poderá ser encontrado nas principais livrarias do país.

Título: Cultura, Comunicação e Espetáculo

Organizadores: COELHO, Claudio Novaes Pinto e CASTRO, Valdir José de

Cidade: São Paulo

Editora: Paulus

Ano: 2016

Número de páginas: 200

ISBN: 9788534942775

de: <http://www.partes.com.br/2016/11/22/lancamento-da-paulus-reflete-sobre-cidade-cultura-e-espetaculo>

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Lançamento do livro Dicas de Viagens em crônicas de quatro continentes e bate-papo informal com os leitores

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No dia 29 de novembro, próxima terça-feira às 19hs, João da Luz – escritor do Ipiranga – estará no evento promovido pela Aliança Francesa “Lançamento do livro Dicas de Viagens em crônicas de quatro continentes e bate-papo informal com os leitores”, com entrada franca.

Aliança Francesa – Rua General Jardim, 182 – Vila Buarque – São Paulo – Dia 29.11.2016 ás 19 horas – Biblioteca Multimídia Claudie Monteil

A Governabilidade do Nexo Urbano,

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Uma nova perspectiva em termos operacionais e de governança da sustentabilidade de sistemas urbanos se configura com o nexo entre água, alimentos e energia. Estes recursos são essenciais ao desenvolvimento humano e à redução da vulnerabilidade. Este tema será tratado por um grupo de pesquisadores no IEA no próximo dia 23. Saiba mais e se inscreva

 

O seminário é uma realização do Grupo de Pesquisa Meio Ambiente e Sociedade do IEA, do Grupo de Estudos e Acompanhamento de Governança Ambiental (GovAmb) do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) e do Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública (FSP), todos da USP.

A Comissão Organizadora é constituída por Leandro Giatti (IEA e FSP), Pedro Roberto Jacobi (IEA, FE e IEE), Michele Dalla Fontana (Universidade de Veneza, Itália), Alberto Urbinatti, Joshua Daniel Shake (FSP) e Leandro Belini.

O evento é aberto ao público, mas requer inscrição prévia via formulário online. Quem não puder comparecer, poderá assistir ao seminário ao vivo pela internet (sem necessidade de inscrição)

Programação


A Governabilidade do Nexo Urbano
23 de novembro, das 14 às 18h
Sala de Eventos do IEA, rua da Praça do Relógio, 109, bloco K, 5º andar, Cidade Universitária, São Paulo
Evento aberto ao público, gratuito e com inscrição via formulário online
Transmissão ao vivo pela internet
Informações: com Sandra Sedini (sedini@usp.br), telefone (11) 3091-1678

Casa-Grande & Senzala

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MAIS! – Folha de S. Paulo – domingo, 12 de março de 2000

 

Casa Grande & Senzala
Grande livro que fala
Desta nossa leseira
Brasileira.

Mas com aquele forte
Cheiro e sabor do Norte
— Dos engenhos de cana
(Massangana!)

Com fuxicos danados
E chamegos safados
De mulecas fulôs
Com Sinhôs.

A mania ariana
Do Oliveira Viana
Leva aqui a sua lambada
Bem puxada.

Se nos brasis abunda
Jenipapo na bunda,
Se somos todos uns
Octoruns

Que importa? É lá desgraça?
Essa história de raça,
Raças más, raças boas
— Diz o Boas —

É coisa que passou
Com o franciú Gobineau.
Pois o mal do mestiço
Não está nisso.

Está em causas sociais,
De higiene e outras que tais:
Assim pensa, assim fala
Casa Grande & Senzala.

Livro que à ciência alia
A profunda poesia
Que o passado revoca
E nos toca

A alma de brasileiro
Que o portuga femeeiro
Fez e o mau fado quis
Infeliz!
© MANUEL BANDEIRA
In Mafuá do malungo, 1948

 

Mulheres e violência sexual, um desastre humanitário em perspectiva

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@5 de novembro de 2016, Dia Internacional para Eliminação da Violência contra as Mulheres, o IEA, o USP Mulheres e o Remember the Women Institute (RWI) realizam um seminário para discutir a violência sexual contra mulheres em duas situações de conflito: o Holocausto e na Somália contemporânea, que foi apontada pela ONU como “o pior desastre humanitário da atualidade”. Saiba mais e inscreva-se.

Violência Sexual contra Mulheres em Tempos de Conflito
25 de novembro, 10h
Sala de Eventos do IEA, rua da Praça do Relógio, 109, bloco K, 5º andar, Cidade Universitária, São Paulo
Evento gratuito, aberto ao público e com inscrição
Transmissão online ao vivo
Informações: com Claudia Regina (clauregi@usp.br), telefone (11) 3091-1686

Ponto de Economia Solidária divulga programação de oficinas e rodas de conversa

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O Ponto de Economia Solidária, Comércio Justo, Cooperativismo Social e Cultura Butantã – Ponto Corifeu recebe em novembro uma programação fixa de oficinas e rodas de conversa abertas ao público. Inaugurado em setembro deste ano, o aparelho público tem entre suas propostas ser um espaço de articulação de empreendimentos inseridos no projeto “Economia Solidária SP como Estratégia de Desenvolvimento”, ação da Secretaria Municipal do Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo (SDTE), em parceria com a Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários (Unisol Brasil).

 

A programação engloba rodas de conversa sobre comunicação popular e cultura digital; um curso livre sobre filosofia e oficinas sobre a manipulação e o cultivo de plantas. O Ponto Corifeu funciona às quartas, quintas e sextas-feiras das 12h às 18h com a proposta de promover a inclusão social e contribuir com a criação de oportunidades de geração de renda e trabalho para usuários de serviços de saúde mental do município de São Paulo.

 

Além das oficinas e rodas de conversa, o local realiza em um sábado por mês atividades destinadas ao público infantil. No sábado do dia 26 de novembro, será promovido o “Diálogos da Infância”, evento de contação de histórias e outras atividades lúdicas para crianças. Inscrições para as oficinas e rodas de conversa devem ser realizadas pelo e-mail ecosol.corifeu@gmail.com ou pelo telefone (11) 3106-8908.

 

 

 

Programação

 

Segundas-feiras

  • Falas e Trocas das Culturas Populares e Tradicionais
    Horário: das 19h às 22h

O projeto pretende reunir pessoas interessadas em Comunicação Popular. Serão encontros para debater Cultura Digital, Comunicação Popular, Educomunicação, geração de conteúdo, divulgação de eventos, produção e mobilização de encontros presenciais na comunidade. Os participantes que tiverem notebooks ou netbooks devem trazê-los.

 

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/653926264787852/

 

Terças-feiras

  • Curso livre de Filosofia com Donizete Soares
    Horário: das 18h às 20h

 

  • O Universo das Plantas
    Horário: das 19h às 22h

Encontros abertos para troca de experiências, saberes ancestrais e populares do manejo de plantas. Seus usos tradicionais, técnicas de cultivo, entre outros.
Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/1603526516621258/

 

 

Sextas-feiras

  • Ensaio Aberto do Grupo Cordão Cultural Bibitantã
    Horário: a partir das 15h

 

Eventos em novembro

  • Roda de samba pela democracia
    Data: Dia 18 de novembro
    Horário: a partir das 17h
    Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/1237547189636487/
  • Diálogos da infância
    Data: 26 de novembro
    Horário: das 10h às 16h
    Contação de histórias, atividades infantis e mais.

 

Serviço
Ponto de Economia Solidária, Comércio Justo, Cooperativismo Social e Cultura Butantã (Ponto Corifeu)
Endereço: Avenida Corifeu de Azevedo Marques, 250 – Butantã

Telefone: (11) 3106-8908

Nau da insensatez

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Por Gilberto da Silva

Na nau da insensatez, os viajantes não sabem a diferença entre revolucionário, conservador, reacionário, esquerda, direita, liberalismo, estatismo, ironia, metáfora etc. Não sabem, não buscam saber e nutrem ódio a quem sabe. O que se faz na rapidez de um supersônico é a criminalização, o julgamento apressado e condenatório, sem direito a uma defesa digna. O linchamento se faz em todos os instantes.

Dentro da nau não há busca por soluções de conflitos ideológicos, não há debate fraterno ou cordial que tente navegar pela forma do consenso ou mesmo pelo antagonismo dialético na busca de soluções ou de aspiração ao espírito da solidariedade.

Tais argumentações não significam o abandono de posições intelectuais e políticas. O contraditório deve ser debatido dentro de um ambiente sadio e não ancorado por um pensamento doentio. Trabalha-se, hoje, pelo gueto, pela exclusão, pelo Thânatos sem o Eros…

Na nau da odiosidade o outro é sempre ameaça permanente. É regressividade, animalismo, canalização do mal sendo usada sem distinção. Na pressa condenatório todo comentário é eivado de maldade de preconceitos; rifa-se o diálogo, a partilha, a compaixão e a colaboração. A ética, nesse caso, só é boa se for para o benefício do Eu.

Como fazer para parar a nau?