Mês: abril 2015

Concordância

concordancia

Ilustração Nina Rocha

 

Concordância

 

O sujeito é simples,
um elemento bom,
objeto direto de todos os negócios.

O sujeito não leva o anteposto.
Feito concreto, parado, imóvel.

Os sujeitos resumidos por tudo, por nada, ninguém, unidos ou infinitos a espera de um artigo qualquer, ou simplesmente unidos por nem, ninguém.

O coletivo, somente alguns sujeitos, um e outro, nem e outro, concordando ou não, unidos ou desfeitos.
Por Gilberto da Silva em O Olhar de quem nunca me conheceu

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Dia do Ferroviário: quem colocará, novamente, o Brasil nos trilhos?

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Em 30 de abril de 1854 foi inaugurada a primeira linha ferroviária do Brasil, o que fez com que data se transformasse em o Dia do Ferroviário, profissional que trabalha nas estradas de ferro. A primeira linha ferroviária do Brasil foi inaugurada com a presença com a ilustre presença do imperador Dom Pedro II e da imperatriz Tereza Cristina. A Estrada de Ferro Petrópolis, que tinha cerca de 14km de trilhos, ligava o Rio de Janeiro a Raiz da Serra, na direção da cidade que batizou a ferrovia. Ela foi um empreendimento do Barão de Mauá, que obteve o monopólio da linha por quatro anos. de Mauá.

 

Getúlio Vargas em 1930 pegou um trem no Rio Grande do Sul e seguiu para o Rio de Janeiro, conduzindo as tropas gaúchas que iriam depor o presidente Washington Luís e começar um novo período da história nacional. Da mesma maneira, viajavam de trem as tropas paulistas que se insurgiram contra Getúlio em 1932, lutando pela promulgação de uma nova Constituição.

 

Apesar de atualmente não se dar o valor merecido ao transporte ferroviário, ele tem presença significativa na história, principalmente quando se remete as locomotivas, tanto no transporte de passageiros quando de cargas na construção do País.

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Na década de 1950, o trem era o principal meio de transporte entre as duas maiores cidades do país: São Paulo e o Rio de Janeiro. A ponte aérea só surgiria em 1959. Contudo, não foi o avião, mas a indústria automobilística, que o presidente Juscelino Kubitschek trouxe para o Brasil, na virada da década de 50 para a de 1960.

Aqui fica a homenagem a todos os trabalhadores ferroviários, uma categoria que luta para que malha ferroviária brasileira aumente e o transporte de passageiros se torne prioridade. Quem colocará, novamente, o Brasil nos trilhos?

Você se lembra daquele moço magrinho que cantava que a gente não tinha cara de panaca?

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Por Gilberto da Silva

Em 29 de abril de 1991, numa estrada do norte do Paraná uma voz calava-se numa rota rumo ao Universo. Cresceu no mundo de Cartola, morro de São Carlos, filho do Rei do Baião. E foram tantos gritos de alertas, pontos de interrogação. Filho da tuberculose, sangrando acreditando na vida e nas pessoas. Voz que gritou contra a falta de liberdade e de direitos.

Nascido em 22 de setembro de 1945, no Rio de Janeiro, menino, moleque, coração.  O homem se revela na música e notou que não tinha tanto tutu, mais foi à luta para dizer que tudo pode ser melhorado. Cresceu nas ruas com cerveja, samba e carnaval. Você se lembra daquela nega maluca que desfilou nua pelas ruas de Madureira? O amor pela morena fez a saudade aumentar.

O comportamento geral da nação era aviso de censura que o show acabou. Acreditava naquilo que os outros não queriam. Queria a igualdade e o fim do desequilíbrio social. Queria felicidade, fazer valer a vida e acreditar nas sementes e ter todo o respeito. Cidadão! Ele deu um grito de alerta. Ele acreditava na rapaziada para sacudir a poeira das ruas numa manhã qualquer desejada. Vivia pedindo que fossemos fortes como a união dos nossos corações e sentir o suor dos corpos na canção da vida.

Ele tinha muito que andar, que viver, que aprender, que aprontar. A sabiá sabia andar. Fazer valer o suor e o valor e o amor. Querer viver uma nação. O artista da rua, a dona de casa, o dono do bordel, o palhaço, a colombina, o preto, a branca, todos na luta, sofrendo, chorando, galopando pelas ruas e vielas. Todos vivendo e não tendo o medo de ser feliz.

Pensando que era uma guerreiro, não deu mais para segurar, com a perna no mundo, desceu do morro e ganhou a estrada, a mesma que lhe tirou da curva. Gonzaguinha tomou um banho maravilhosamente no lindo lago do amor. Espere por ele, morena…

“Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira”

1991.4.30

Anemia ferropriva

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Você sabe…

 

 

 

O que é Anemia Ferropriva?

A anemia ferropriva é uma das carências nutricionais mais prevalentes no mundo. Nos países em desenvolvimento, sabe-se que afeta em torno de 43% dos pré-escolares e, no estado de São Paulo, estudo recente mostrou que afeta em torno de 61%.

Quais os principais sintomas?

Frequentemente, os primeiros sinais e sintomas da anemia ferropriva são: palidez, fadiga, apatia, falta de apetite, intolerância à atividade física.

Quais as principais complicações?

Menor resistência às infecções; aumento da mortalidade infantil; retardo do crescimento infantil; efeitos psicológicos e comportamentais; dificuldade de concentração, irritabilidade, prejuízo do desenvolvimento motor, da coordenação e do desenvolvimento da linguagem, fatores que prejudicam a habilidade intelectual, a aprendizagem e a performance escolar; etc.

Como é feito o diagnóstico?

Análise química da hemoglobina.

Qual é a prevenção e o tratamento?

Ingerir alimentos ricos em ferro e vitamina C, evitar alimentos ricos em cálcio nas grandes refeições e, em casos mais graves, ingestão de suplemento de ferro.

Como deve ser a alimentação?

Rica em alimentos fontes de ferro, o qual pode ter origem vegetal e animal, sendo este último melhor aproveitado pelo organismo.

Que alimentos são boas fontes de ferro?

São boas fontes de ferro as carnes vermelhas, principalmente fígado de qualquer animal e outras vísceras (miúdos), como rim e coração; carnes de aves e de peixes, mariscos crus. O ovo e o leite não são fontes importantes de Ferro, exceto o leite enriquecido com este mineral

Entre os alimentos de origem vegetal, destacam-se como fonte de ferro os folhosos verde-escuro (exceto espinafre), como agrião, couve, cheiro-verde, taioba; as leguminosas (feijões, fava, grão-de-bico, ervilha, lentilha); grãos integrais ou enriquecidos; nozes e castanhas, melado de cana, rapadura, açúcar mascavo. O açaí é uma fruta muito rica em ferro. Também existem disponíveis no mercado alimentos enriquecidos com ferro como farinhas de trigo e milho, cereais matinais, leite, biscoitos, pães, massas, entre outros.

A vida é eterna em cinco minutos

 

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Por Gilberto da Silva

Tecia os mais belos panos em seu plano de chão entretida na tecelagem em que trabalhava. Suas mãos calejadas seu sorriso cansado e a boca pintada ao sair da tarde. Poderia ter encantamento? Poderia ter emoção? Sua volta para casa, suada, amassada num coletivo da metrópole. Poderia ser amada por ele? Ele, um ser mais pensante, falante e pulsante e de mãos não calejadas. Mas moravam no mesmo bairro e viviam em condições quase idênticas. Um chão para os dois seria suficiente. Uma tarde, um passeio, mãos que trocam impressões e a falta de assunto a persistir no encontro. Que falar? Lá na praça jovens trocavam caricias e emoções enquanto a cavalaria policiana entrava pelas avenidas procurando de rebeldes barbudos e cheio de livros. Ela sorria e não entendia o motivo de um jovem como Ele ter interesse nela. Lá longe o velho olhava com um ar pensante retroativo como a lembrar de anos passados ali, no mesmo lugar, deitado numa grama beijando sua amada, a sua doce que se foi. Recordando seu tempo, calado, o homem parece cantar uma canção antiga. Ele queria amar e poderia, mas não pode. Caminhando de mãos dadas, os jovens voltam para o coletivo que os levará de volta ao subúrbio. Ao destino único. Ao destino permitido. O último beijo dado e um sorriso breve. Timidez de um, vergonha em outro, mas só aos dois cabia a decisão de continuar. No dia seguinte tudo recomeça e Ela tem que voltar para tecer as tramas de seus dias. Ele volta para sua casa e ouve num vinil Te recuerdo Amanda de Victor Jara.

 

Te recuerdo Amanda – Victor Jara

Te recuerdo Amanda
la calle mojada
corriendo a la fábrica
donde trabajaba Manuel

La sonrisa ancha,
la lluvia en el pelo,
no importaba nada,
ibas a encontrarte con él
con él, con él, con él, con él

Son cinco minutos
la vida es eterna
en cinco minutos

Suena la sirena
de vuelta al trabajo
y tú caminando
lo iluminas todo
los cinco minutos
te hacen florecer

Te recuerdo Amanda
la calle mojada
corriendo a la fábrica
donde trabajaba Manuel

La sonrisa ancha
la lluvia en el pelo
no importaba nada
ibas a encontrarte con él
con él, con él, con él, con él

Que partió a la sierra
que nunca hizo daño
que partió a la sierra
y en cinco minutos
quedó destrozado

Suena la sirena
de vuelta al trabajo
muchos no volvieron
tampoco Manuel

Te recuerdo Amanda
la calle mojada
corriendo a la fábrica
donde trabajaba Manuel

25 de abril de 1974: Revolução dos Cravos em Portugal

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Em 25 de abril de 1974, acontecia em Portugal a Revolução dos Cravos, ação liderada pelo Movimento das Forças Armadas (MFA) e que depôs o regime ditatorial do Estado Novo, criado por Antônio Salazar em 1933. Com a adesão em massa da população, a resistência do regime, enfraquecido militarmente, foi praticamente nula. A população distribuiu cravos vermelhos aos soldados, que os colocaram nos canos de seus fuzis, transformando a flor no símbolo da Revolução de 25 de Abril, como também é chamada.

Um bom livro sobre o assunto é o livro do professor Lincoln Secco:

850400895925 de Abril de 1974: a Revolução dos Cravos – Lincoln Secco

  • Gênero: Geografia e História
  • Subgênero: História do Brasil e do Mundo
  • Autor: Lincoln Secco
  • Editora: NACIONAL

Reconhecendo os alimentos próprios para o consumo

Na hora de realizar suas compras é preciso ficar atento a essas características dos produtos:

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Carne Bovina:

  • cor vermelho viva
  • cheiro característico
  • consistência firme
  • gordura branca cremosa

 

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Carne Suína:

  • cor vermelho claro
  • gordura branca e firme
  • cheiro suave

 

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Carne de Aves:

  • pele de cor amarelo rosado e sem cortes
  • carne firme sem manchas azuis ou verdes

 

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Peixes:

  • escamas firmes e brilhantes
  • guelras vermelhas
  • olhos brilhantes e salientes
  • carne firme e resistente a pressão dos dedos
  • cor branco rosado

 

 

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Ovo:

  • casca limpa, áspera e sem rachaduras
  • verificar a qualidade- características sensoriais (odor) e a integridade da casca
  • observar data de validade da embalagem
  • armazenar em local fresco/ arejado ou em geladeira.

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Verduras:

  • folhas frescas, tenras e limpas
  • rejeitar folhas murchas, amareladas, sujas e com insetos

 

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Legumes e Frutas:

  • consistência firme
  • casca lisa sem manchas ou amassadas
  • armazenar em geladeira ou temperatura ambiente conforme as características do alimento.

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Grãos:

  • devem estar inteiros e sem bolor

 

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Enlatados:

  • não devem estar amassados, enferrujados, estufados ou com vazamentos
  • verificar a data de fabricação e a data de validade

A Carta de Pero Vaz de Caminha

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A Carta de Pero Vaz de Caminha oficializou o primeiro documento redigido em solo brasileiro, endereçada a D. Manoel I.

Vaz de Caminha era escrivão da frota de Pedro Alvares Cabral, e redigiu essa carta para Dom Manoel I, conhecido também como “O Venturoso” ou “Bem Aventurado”, para comunicar-lhe o descobrimento das novas terras.

A Carta é datada em 1° de maio de 1500; a cidade onde estavam era Porto Seguro, e foi levada para Lisboa por Gaspar de Lemos, um grande navegador desse período.

 

 

Senhor:

Posto que o Capitão-mor desta vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra nova, que ora nesta navegação se achou, não deixarei também de dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda que — para o bem contar e falar — o saiba pior que todos fazer.

Tome Vossa Alteza, porém, minha ignorância por boa vontade, e creia bem por certo que, para aformosear nem afear, não porei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu.

Da marinhagem e singraduras do caminho não darei aqui conta a Vossa Alteza, porque o não saberei fazer, e os pilotos devem ter esse cuidado. Portanto, Senhor, do que hei de falar começo e digo:

A partida de Belém, como Vossa Alteza sabe, foi segunda-feira, 9 de março. Sábado, 14 do dito mês, entre as oito e nove horas, nos achamos entre as Canárias, mais perto da Grã- Canária, e ali andamos todo aquele dia em calma, à vista delas, obra de três a quatro léguas. E domingo, 22 do dito mês, às dez horas, pouco mais ou menos, houvemos vista das ilhas de Cabo Verde, ou melhor, da ilha de S. Nicolau, segundo o dito de Pero Escolar, piloto.

Na noite seguinte, segunda-feira, ao amanhecer, se perdeu da frota Vasco de Ataíde com sua nau, sem haver tempo forte nem contrário para que tal acontecesse. Fez o capitão suas diligências para o achar, a uma e outra parte, mas não apareceu mais!

E assim seguimos nosso caminho, por este mar, de longo, até que, terça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram 21 dias de abril, estando da dita Ilha obra de 660 ou 670 léguas, segundo os pilotos diziam, topamos alguns sinais de terra, os quais eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho, assim como outras a que dão o nome de rabo-de-asno. E quarta-feira seguinte, pela manhã, topamos aves a que chamam fura-buxos.

Neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! Primeiramente dum grande monte, mui alto e redondo; e doutras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos: ao monte alto o capitão pôs nome – o Monte Pascoal e à terra – a Terra da Vera Cruz.

Mandou lançar o prumo. Acharam vinte e cinco braças; e ao sol posto, obra de seis léguas da terra, surgimos âncoras, em dezenove braças — ancoragem limpa. Ali permanecemos toda aquela noite. E à quinta-feira, pela manhã, fizemos vela e seguimos em direitos à terra, indo os navios pequenos diante, por dezessete, dezesseis, quinze, catorze, treze, doze, dez e nove braças, até meia légua da terra, onde todos lançamos âncoras em frente à boca de um rio. E chegaríamos a esta ancoragem às dez horas pouco mais ou menos.

Dali avistamos homens que andavam pela praia, obra de sete ou oito, segundo disseram os navios pequenos, por chegarem primeiro.

Então lançamos fora os batéis e esquifes, e vieram logo todos os capitães das naus a esta nau do Capitão-mor, onde falaram entre si.

E o Capitão-mor mandou em terra no batel a Nicolau Coelho para ver aquele rio. E tanto que ele começou de ir para lá, acudiram pela praia homens, quando aos dois, quando aos três, de maneira que, ao chegar o batel à boca do rio, já ali havia dezoito ou vinte homens.

Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijos sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram.

Ali não pôde deles haver fala, nem entendimento de proveito, por o mar quebrar na costa. Somente deu-lhes um barrete vermelho e uma carapuça de linho que levava na cabeça e um sombreiro preto. Um deles deu-lhe um sombreiro de penas de ave, compridas, com uma copazinha de penas vermelhas e pardas como de papagaio; e outro deu-lhe um ramal grande de continhas brancas, miúdas, que querem parecer de aljaveira, as quais peças creio que o Capitão manda a Vossa Alteza, e com isto se volveu às naus por ser tarde e não poder haver deles mais fala, por causa do mar.

Na noite seguinte, ventou tanto sueste com chuvaceiros que fez caçar as naus, e especialmente a capitânia. E sexta pela manhã, às oito horas, pouco mais ou menos, por conselho dos pilotos, mandou o Capitão levantar âncoras e fazer vela; e fomos ao longo da costa, com os batéis e esquifes amarrados à popa na direção do norte, para ver se achávamos alguma abrigada e bom pouso, onde nos demorássemos, para tomar água e lenha. Não que nos minguasse, mas por aqui nos acertarmos.

Quando fizemos vela, estariam já na praia assentados perto do rio obra de sessenta ou setenta homens que se haviam juntado ali poucos e poucos. Fomos de longo, e mandou o Capitão aos navios pequenos que seguissem mais chegados à terra e, se achassem pouso seguro para as naus, que amainassem.

E, velejando nós pela costa, obra de dez léguas do sítio donde tínhamos levantado ferro, acharam os ditos navios pequenos um recife com um porto dentro, muito bom e muito seguro, com uma mui larga entrada. E meteram-se dentro e amainaram. As naus arribaram sobre eles; e um pouco antes do sol posto amainaram também, obra de uma légua do recife, e ancoraram em onze braças.

E estando Afonso Lopes, nosso piloto, em um daqueles navios pequenos, por mandado do Capitão, por ser homem vivo e destro para isso, meteu-se logo no esquife a sondar o porto dentro; e tomou dois daqueles homens da terra, mancebos e de bons corpos, que estavam numa almadia. Um deles trazia um arco e seis ou sete setas; e na praia andavam muitos com seus arcos e setas; mas de nada lhes serviram. Trouxe-os logo, já de noite, ao Capitão, em cuja nau foram recebidos com muito prazer e festa.

A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem-feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura. Nem estimam de cobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. Ambos traziam os beiços de baixo furados e metidos neles seus ossos brancos e verdadeiros, de comprimento duma mão travessa, da grossura dum fuso de algodão, agudos na ponta como um furador. Metem-nos pela parte de dentro do beiço; e a parte que lhes fica entre o beiço e os dentes é feita como roque de xadrez, ali encaixado de tal sorte que não os molesta, nem os estorva no falar, no comer ou no beber.