Você se lembra daquele moço magrinho que cantava que a gente não tinha cara de panaca?

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Por Gilberto da Silva

Em 29 de abril de 1991, numa estrada do norte do Paraná uma voz calava-se numa rota rumo ao Universo. Cresceu no mundo de Cartola, morro de São Carlos, filho do Rei do Baião. E foram tantos gritos de alertas, pontos de interrogação. Filho da tuberculose, sangrando acreditando na vida e nas pessoas. Voz que gritou contra a falta de liberdade e de direitos.

Nascido em 22 de setembro de 1945, no Rio de Janeiro, menino, moleque, coração.  O homem se revela na música e notou que não tinha tanto tutu, mais foi à luta para dizer que tudo pode ser melhorado. Cresceu nas ruas com cerveja, samba e carnaval. Você se lembra daquela nega maluca que desfilou nua pelas ruas de Madureira? O amor pela morena fez a saudade aumentar.

O comportamento geral da nação era aviso de censura que o show acabou. Acreditava naquilo que os outros não queriam. Queria a igualdade e o fim do desequilíbrio social. Queria felicidade, fazer valer a vida e acreditar nas sementes e ter todo o respeito. Cidadão! Ele deu um grito de alerta. Ele acreditava na rapaziada para sacudir a poeira das ruas numa manhã qualquer desejada. Vivia pedindo que fossemos fortes como a união dos nossos corações e sentir o suor dos corpos na canção da vida.

Ele tinha muito que andar, que viver, que aprender, que aprontar. A sabiá sabia andar. Fazer valer o suor e o valor e o amor. Querer viver uma nação. O artista da rua, a dona de casa, o dono do bordel, o palhaço, a colombina, o preto, a branca, todos na luta, sofrendo, chorando, galopando pelas ruas e vielas. Todos vivendo e não tendo o medo de ser feliz.

Pensando que era uma guerreiro, não deu mais para segurar, com a perna no mundo, desceu do morro e ganhou a estrada, a mesma que lhe tirou da curva. Gonzaguinha tomou um banho maravilhosamente no lindo lago do amor. Espere por ele, morena…

“Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira”

1991.4.30

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