Mês: novembro 2015

Projeto revitaliza áreas de lixões em SP com grafite e ações culturais

 

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Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil

A forte e intermitente chuva deste domingo (29) não impediu a realização de um evento que celebra o fim de um ponto “viciado” de lixo na entrada da Favela do Boqueirão, no Ipiranga, em São Paulo. A ação é parte do projeto Nosso Espaço Limpo: Graffite x Lixo, promovida pelo coletivo cultural Cenário Urbano, que usa a arte de rua para revitalizar antigos pontos que eram utilizados pelos moradores locais para descarte irregular de lixo.

Este foi o quinto evento realizado pelo coletivo. Música, tendas de poesia e de contação de histórias, espaço para brincadeiras tradicionais como amarelinha e até um espaço para que voluntárias fizessem trancinhas com linhas coloridas nos cabelos das crianças tomaram conta do local. A grande atração, no entanto, foi a pintura dos muros do antigo lixão por diversos grafiteiros, embora o trabalho não tenha sido concluído por causa da chuva.

“Não consegui terminar ainda por causa da chuva, mas é o terceiro evento em que venho. É importante [um evento como esse] para fortalecer as periferias e os jovens”, disse Daniel Rodriguez, um dos artistas convidados para o evento que trabalha com grafite há 13 anos. Ele estava pintando figuras femininas que representam, segundo ele, o transtorno bipolar, uma das marcas de seu trabalho.

Segundo André da Silva França, artista e um dos organizadores do evento, o projeto pretende levar consciência ambiental aos moradores por meio da arte. A etapa inicial do projeto foi buscar ajuda da prefeitura para retirar todo o lixo do local. “Havia uma grande reclamação da população [da Favela do Boqueirão] sobre o lixo. Escolhemos esse ponto porque aqui era necessário. Jogavam sacos, sofás velhos, móveis. Paravam de carro para jogar lixo aqui. A reclamação era grande. Com a retirada do lixo, veio o nosso coletivo para revitalizar o espaço”, disse.

“Hoje estamos focados na consciência ambiental. A limpeza, a arte, o grafite, a música, a poesia e a literatura, tudo isso que você está vendo, a comunidade está curtindo apesar do dia de chuva. A partir deste momento, esse espaço passará a ser um ponto de cultura”, acrescentou França.

Além das ações culturais, a comunidade foi alertada sobre os riscos do lixo para a saúde e conscientizada sobre o descarte correto. “Quando falamos em pontos viciados de lixo é porque é um costume. A partir do momento em que as pessoas passarem a ver crianças brincando [no local] e um grafite bonito, elas terão consciência de não jogar mais lixo aqui”, explicou França.

Segundo o artista, as caçambas que estimulavam os moradores a jogar lixo no local foram retiradas para prevenir a volta do descarte irregular. “Cada morador consegue amarrar o seu saquinho, guardá-lo dentro da sua casa e dar para o coletor ou para o caminhão de lixo no dia certo. Um dos problemas do lixo, percebemos, eram as caçambas [que ficavam no local]. Então tiramos as caçambas, fizemos amarelinhas e revitalizamos a área”, acrescentou.

De acordo com França, as ações educativas e culturais tiveram efeito permanente. Ele disse que, em todos os eventos feitos anteriormente pelo coletivo, nenhum voltou a tornar-se ponto de lixo novamente. “Depois de um ano, não tem nenhum lixo [nesses locais]”, destacou.

Edição: Wellton Máximo
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SVMA realiza Encontro dos Conselheiros de Meio Ambiente da Cidade de São Paulo

Objetivo é fomentar o interesse dos participantes na gestão pública

 

A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) realizará no dia 5 de dezembro, o Encontro dos Conselheiros de Meio Ambiente da Cidade de São Paulo. O evento será no Campus da Uninove Vergueiro e terá programação com mesa de debates, oficinas e palestra, das 8h às 16h.

 

O objetivo do encontro é fortalecer a participação e interesse da sociedade na gestão pública e, por meio de conversas, compartilhar experiências e saberes ambientais. Outro ponto importante é garantir o estimulo às ações que visem à construção de uma sociedade sustentável e com maior consciência socioambiental.

 

As vagas são limitadas e para participar, basta enviar um e-mail para svmaconselhos@prefeitura.sp.gov.br.

 

Confira, abaixo, a programação do Encontro:

 

8h30 | Abertura

9h | Mesa de debate: Participação na Cidade de São Paulo

Convidados:
Maria José Scardua – Coordenadora do Comitê Intersecretarial de Participação Social – SMDHC
Maria Henriqueta Raymundo – OCA Laboratório de Educação e Política Ambiental
Gustavo Vidigal – Secretário Adjunto – SMRIF – São Paulo Aberta
Moderação: Romildo Campelo – Secretário Adjunto – SVMA

11h | Intervalo

12h30 | Oficinas temáticas:

Sala 01 Oficina – PMMA – Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica – Alice Melges e Andrea Martins
Sala 02 Oficina – Mediação de Conflitos – Andre Biazotti
Sala 03 Oficina– Ecobairro – Lara Freitas
Sala 04 Oficina– Lei de Zoneamento – Plano Diretor Estratégico – Hélia Pereira
Sala 05 Construindo os saberes para uma cultura de participação política – Daniel Silva – Agente Governo Aberto
Sala 06 Palestra Objetiva de Desenvolvimento Sustentável – ODS – Doroty Martos

 

14h30 | Encerramento

 

Serviço:
Encontro dos Conselheiros de Meio Ambiente da Cidade de São Paulo
Data e horário: 05 de dezembro, das 8h às 16h
Local: Uninove Campus Vergueiro
Endereço: Rua Vergueiro, 235/249 – Liberdade – Auditório 1° andar

 

 

Assessoria de Comunicação e Imprensa/ Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente

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“Comida de verdade é aquela que faz bem para o nosso corpo, o meio ambiente e para quem produz”

Chefe de cozinha natural, Bela Gil elaborou receitas exclusivas para a 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional

Brasília – A chefe de cozinha natural e apresentadora do programa Bela Cozinha, Bela Gil, elaborou receitas exclusivas para a 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que tem como tema Comida de verdade no campo e na cidade: por direitos e soberania alimentar.

Para ela, comida de verdade “é aquela que faz bem para o nosso corpo, o meio ambiente e para quem produz”. Bela conta que não adianta comer bem e não pensar em tudo isso. “Não dá para pensar só na nossa saúde porque é puro egoísmo. Vamos comer em harmonia com a natureza para criar uma sociedade mais justa, forte e saudável”, afirmou. A chefe participou de uma das atividades do encontro nacional, na noite de quarta-feira (4), em Brasília.

Confira a mensagem da Bela Gil para a conferência:

“O tema da V Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional tem tudo a ver com o que eu acredito: Comida de Verdade! Feita em casa, utilizando os produtos dos agricultores que fazem questão de aproveitar a terra sem encher de agrotóxicos e outros produtos químicos. Por isso, separei duas receitas que além de serem saudáveis e deliciosas, mostram que podemos aproveitar ao máximo os alimentos. O Bolo de Banana com Abacaxi é feito com aproveitamento total dos ingredientes, incluindo a casca da banana. E com as cascas do abacaxi faremos a segunda receita, um chá com aroma de cravo e canela. Espero que gostem dessa mistura que valoriza os alimentos e ainda por cima é cheia de sabor.”

Para fazer o chá, basta ferver 1,5 litro de água, com cascas de um abacaxi, cinco cravos, um pau de canela e dez folhas de hortelã, durante cinco minutos. A bebida pode ser servida quente ou gelada.

Receita

Bolo de banana com abacaxi

Rendimento: 12 porções

Tempo de preparo: 40 minutos

Nível de dificuldade: fácil

Ingredientes:

1 xícara de açúcar mascavo

6 colheres de chá de linhaça hidratada por 10 minutos (até criar gel) com ¼ de xícara de água

1 pitada de sal

3 bananas d’água com casca

1 colher de chá de canela em pó

¾ xícara de óleo de coco

1 xícara de aveia integral

1 xícara de farinha de arroz

1 colher de chá fermento

½ abacaxi em rodelas finas sem casca

 

Modo de preparo:

1. Pré-aqueça o forno a 180° C

2. Bata no liquidificador o açúcar mascavo, a linhaça hidratada, o sal, as bananas com casca, a canela e o óleo de coco

3. Coloque os secos numa tigela, misture e depois acrescente o conteúdo do liquidificador. Deposite a mistura batida em uma vasilha, acrescente a farinha, a aveia e o fermento

4. Em uma forma redonda, faça uma camada com as rodelas de abacaxi e coloque a massa por cima

5. Leve ao forno por 30 minutos


Ascom/MDS

III Encontro Municipal Barueri Cidade Sustentável

A Prefeitura de Barueri convida a todos para o III Encontro Municipal Barueri Cidade Sustentável que acontecerá no próximo dia 02, das 18h às 21h, na Plenária da Câmara
Municipal, conforme programação abaixo:

18h      Credenciamento e Apresentação Cultural
18h30    Abertura Oficial
18h55    Apresentação do APP Barueri – Ouvidoria Geral do Município
19h      Palestra: Transição dos Oito Objetivos do Milênio para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Representante do Movimento Estadual Nós Podemos
19h20    Barueri, Cidade Sustentável: ações e resultados 2015 – Bióloga e Diretora, Yara M Garbelotto da Secretaria de Recursos Naturais e Meio Ambiente
20h      Palestra: Governança Participativa
20h40    Reflexão e Espaço para Perguntas
21h      Diálogo Final

Inscrições gratuitas através do link: http://goo.gl/forms/AtQ7QCM1A5 (formulário on-line)

End.: Al. Wagih Salles Nemer, 200 – Centro – Barueri/SP (ao lado do SENAI)

Wanderley de Souza é o novo presidente da Finep

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Wanderley de Souza foi nomeado nesta segunda-feira, 16/11 (Foto: João Luiz Ribeiro/Finep)

Wanderley de Souza é o novo presidente da Finep

Reforçar o papel da Finep no apoio à infraestrutura científica nos institutos e universidades, em áreas estratégicas para o desenvolvimento científico nacional, assim como apoiar as empresas que atuam na área de inovação. Esses são os objetivos centrais do novo presidente da Finep, o médico e cientista Wanderley de Souza. A nomeação foi publicada nesta segunda-feira (16) no Diário Oficial da União, juntamente com a exoneração do cientista político Luis Fernandes, que esteve à frente da instituição nos últimos oito meses. Formado em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Wanderley se especializou em doenças infecciosas e parasitárias (como chagas, leishmaniose e toxoplasmose). Suas atividades de pesquisa se concentram em estudos de biologia celular de protozoários patogênicos e de sua interação com a célula hospedeira.

Professor titular do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ e pesquisador do Centro Nacional de Biologia Estrutural e Bioimagem da mesma universidade, Wanderley também tem uma carreira importante no serviço público. Foi secretário-executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e secretário de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro, quando criou o Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro (Cederj), que deu origem à Universidade Aberta do Brasil. De acordo com o novo presidente da Finep, o trabalho em sinergia com o MCTI será fundamental para o sucesso das ações da empresa: “Um dos objetivos é aperfeiçoar o sistema de avaliação dos projetos, para exigir mais qualidade e foco, dentro das prioridades que forem estabelecidas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação”.

Wanderley de Souza também foi diretor do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), vice-diretor e diretor do Instituto Carlos Chagas e primeiro reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro e da Universidade Estadual da Zona Oeste, em Campo Grande. Motivo de orgulho, a sua relação com a Finep data de quatro décadas. “Fui cliente desde 1976, quando ainda era estudante. O laboratório onde eu trabalhava, na UFRJ, era apoiado pela Finep, que financiou todo o equipamento”, conta. Agora no comando da financiadora, ele pretende “instaurar a cultura do debate e reflexão dos grandes temas da Ciência, Tecnologia e Inovação dentro e fora da Finep”.

Membro das academias Nacional de Medicina, Brasileira de Ciências e de Ciências do Terceiro Mundo, Wanderley de Souza é consultor de instituições como a própria Finep, o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), a Faperj (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro), a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e a FAP-DF (Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal). Além disso, também é membro do corpo editorial de diversas publicações científicas nacionais e internacionais.

Autor de mais de 600 artigos, Wanderley atua junto a várias sociedades científicas, como: Sociedade Brasileira de Microscopia Eletrônica, Sociedade Brasileira de Protozoologia, Society of Protozoologists, Interamerican Society for Electron Microscopy, American Society for Cell Biology, American Society of Parasitologists.

FONTE: FINEP

O que é, afinal, discurso de ódio?

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Senado Federal

“Falo algo que desagrada alguém e já começa o #mimimi que é discurso de ódio”, diz um cidadão nas redes sociais. Mas, afinal, basta contrariar outra pessoa para ser acusado de fazer discurso de ódio? Que falas se encaixam nessa definição?

“O discurso do ódio pode ser conceituado como o ataque a grupos étnicos, raciais, religiosos, minorias sexuais ou a qualquer outro grupo vítima de preconceito, inclusive em decorrência de origem territorial, caracterizado por pregar a intolerância em relação aos discriminados, buscando ou propondo, direta ou indiretamente, sua exclusão da sociedade, eliminação física, remoção do lugar em que vivem”, explica o Procurador da República Rômulo Moreira Conrado. E complementa: o discurso do ódio está longe de contribuir para a formação de um debate plural, por apresentar a pretensão de destruir um determinado segmento social.

Riva Sobrado de Freitas e Micheli Bordignon, da Universidade do Oeste de Santa Catarina, afirmam que o discurso de ódio é caracterizado por “atos de comunicação que inferiorizam uma pessoa com base em suas características (sexo, etnia, orientação sexual, por exemplo)”. Mas destacam, para que o ato de comunicação entre na categoria de discurso de ódio precisa ter dois elementos básicos: discriminação e externalidade.

A discriminação seria, de acordo com o artigo, atitude de marginalização e desqualificação que insufle o ‘desrespeito pelo diferente’ e reduza o ser humano à condição de objeto, além de causar “efeitos deletérios” em suas vítimas. A externalidade é “a transposição de ideias do plano mental (abstrato) para o plano fático (concreto)”.  Ou seja, o pensamento só se torna discurso de ódio quando é comunicado a outras pessoas.

Owen Fiss, citado no mesmo texto, explica que o discurso de incitação do ódio tende a diminuir a autoestima das vítimas, impedindo assim a sua integral participação em várias atividades da sociedade civil, incluindo o debate público. “Mesmo quando estas vítimas falam, falta autoridade às suas palavras; é como se elas nada dissessem”, define.

E o discurso de ódio tem alcance ampliado, pois atinge todos aqueles que partilham das características do grupo atingido, produzindo a chamada “vitimização difusa”.

Em publicação no Facebook, o Ministério da Justiça abordou o problema, associando-o à questão da liberdade de expressão: “Liberdade de expressão é o direito de manifestar livremente opiniões e ideias. Entretanto, o exercício dessa liberdade não deve afrontar o direito alheio, como a honra e a dignidade de uma pessoa ou determinado grupo. O discurso do ódio é uma manifestação preconceituosa contra minorias étnicas, sociais, religiosas e culturais, que gera conflitos com outros valores assegurados pela Constituição, como a dignidade da pessoa humana. O nosso limite é respeitar o direito do outro”.

As frases que ilustram a primeira imagem desta reportagem foram coletadas nas redes sociais e em declarações prestadas à imprensa. Nelas, o grupo social atingido pelas falas de incitação ao ódio foi substituído por xxx.

Saiba como a legislação de vários países trata o discurso de ódio
Denúncias de crimes de ódio podem ser feitas à Polícia Federal

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TV UMAPAZ será inaugurada no mês de dezembro

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Primeira transmissão será de palestra sobre Consumo Sustentável

 

A Universidade Aberta Meio Ambiente e Cultura de Paz (UMAPAZ), departamento de educação ambiental da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA),  que fica na Parque Ibirapuera – Avenida Quarto Centenário, 1268 – Portão 7ª, vai inaugurar no dia 02/12, das 19h às 21h, a TV UMAPAZ, com a transmissão da palestra “Consumo Sustentável e Resíduos Sólidos”.

A palestra será disponibilizada ao vivo para os internautas, por meio do link: bit.ly/tvumapaz, e vai discutir a sustentabilidade na cidade, as mudanças climáticas, a pegada ecológica, as dimensões das atitudes sustentáveis no âmbito pessoal, urbano e global, e o consumismo.

 

Também serão destacados os fatores da reciclagem, como a separação e resíduos para apoiar as diferentes coletas seletivas. O evento será ministrado por Mônica Pilz Borba, pedagoga e especialista em educação ambiental.

 

Para acompanhar a palestra presencialmente, clique aqui e faça a sua inscrição.

 

Pelo fim da violência simbólica contra a mulher 

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Simone Baía é engenheira química e diretora da mulher da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge)

Simone Baía é engenheira química e diretora da mulher da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge)

“E se… você fizesse uma dieta, uma plástica ou alisasse o cabelo?”. Estas são algumas formas de expressão de violência simbólica que nós, mulheres, passamos todos os dias. A campanha #primeiroassédio nas redes sociais trouxe à tona diferentes formas de violência contra a mulher. Uma das violências invisibilizadas e naturalizadas pela sociedade é a violência simbólica. Nossos corpos são inseridos em um código de subalternidade e normatividade. Para Pierre Bourdieu, a violência simbólica é o meio de exercício do poder simbólico. Esse sistema de dominação que vem desde o simbólico pode chegar à violência física. Afinal, estamos falando sobre dominação e propriedade de corpos e vidas.

Os principais motores da violência simbólica são a mídia, o próprio Estado e algumas religiões fundamentalistas, que impõem determinados sistemas de crenças, nos quais temos de nos enquadrar. E esses códigos são reproduzidos por homens e mulheres. Nossas crianças negras sofrem todos os dias com o racismo que, praticamente, impõe um cabelo liso e “arrumadinho”. Esse é apenas um dos cenários, pois ainda temos as violências simbólicas sofridas por pessoas gordas, idosas, transexuais, com deficiência, por exemplo.

CampanhaMulher_02NaturalNossos corpos são questionados desde a infância, adolescência, maternidade até na 3ª idade. Isso porque vivemos em uma sociedade fundada no patriarcalismo e todas as cobranças e imposições direcionadas às mulheres. A violência simbólica legitima o discurso dominante e as práticas de discriminação. E essas narrativas são reforçadas pela mídia, tanto em seus programas de jornalismo quanto em suas propagandas. Afinal, qual a representatividade das mulheres negras nas novelas? São personagens exercendo papéis de servidão e com corpos objetificados. Na propaganda, o modelo eurocêntrico branco e corpos magros são ditos como o padrão e o saudável. Os meios de comunicação produzem subjetividades alinhadas ao sistema hegemônico, que é capitalista, machista, racista e LGBTfóbico, e tudo isso gera capital simbólico.

Recentemente, o presidente da Câmara dos Deputados apresentou o Projeto de Lei 5069, que dificulta e praticamente impede a mulher a ter acesso à pílula do dia seguinte em casos de estupro. Assim funciona o discurso de dominação, que subalterniza e nega às mulheres  direitos pelo corpo, promovendo práticas misóginas. O país tem uma taxa de 4,8 homicídios para cada 100 mil mulheres, a quinta maior do mundo, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) que avaliou um grupo de 83 países.

Para combater essa ofensiva no Parlamento e os discursos de ódio na sociedade, é fundamental o debate de gênero nas escolas. Embora tão temido pelos setores conservadores, é fundamental que esse debate esteja transversalizado na educação. O Enem sinalizou de maneira pedagógica o necessário enfrentamento às narrativas machistas impostas.

Precisamos falar sobre gênero. Precisamos falar sobre machismo. Precisamos falar sobre violências simbólicas e físicas. Apenas com o debate, iremos descortinar silenciamentos de mulheres historicamente oprimidas.

Simone Baía é engenheira química e diretora da mulher da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge)