Projeto revitaliza áreas de lixões em SP com grafite e ações culturais

 

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Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil

A forte e intermitente chuva deste domingo (29) não impediu a realização de um evento que celebra o fim de um ponto “viciado” de lixo na entrada da Favela do Boqueirão, no Ipiranga, em São Paulo. A ação é parte do projeto Nosso Espaço Limpo: Graffite x Lixo, promovida pelo coletivo cultural Cenário Urbano, que usa a arte de rua para revitalizar antigos pontos que eram utilizados pelos moradores locais para descarte irregular de lixo.

Este foi o quinto evento realizado pelo coletivo. Música, tendas de poesia e de contação de histórias, espaço para brincadeiras tradicionais como amarelinha e até um espaço para que voluntárias fizessem trancinhas com linhas coloridas nos cabelos das crianças tomaram conta do local. A grande atração, no entanto, foi a pintura dos muros do antigo lixão por diversos grafiteiros, embora o trabalho não tenha sido concluído por causa da chuva.

“Não consegui terminar ainda por causa da chuva, mas é o terceiro evento em que venho. É importante [um evento como esse] para fortalecer as periferias e os jovens”, disse Daniel Rodriguez, um dos artistas convidados para o evento que trabalha com grafite há 13 anos. Ele estava pintando figuras femininas que representam, segundo ele, o transtorno bipolar, uma das marcas de seu trabalho.

Segundo André da Silva França, artista e um dos organizadores do evento, o projeto pretende levar consciência ambiental aos moradores por meio da arte. A etapa inicial do projeto foi buscar ajuda da prefeitura para retirar todo o lixo do local. “Havia uma grande reclamação da população [da Favela do Boqueirão] sobre o lixo. Escolhemos esse ponto porque aqui era necessário. Jogavam sacos, sofás velhos, móveis. Paravam de carro para jogar lixo aqui. A reclamação era grande. Com a retirada do lixo, veio o nosso coletivo para revitalizar o espaço”, disse.

“Hoje estamos focados na consciência ambiental. A limpeza, a arte, o grafite, a música, a poesia e a literatura, tudo isso que você está vendo, a comunidade está curtindo apesar do dia de chuva. A partir deste momento, esse espaço passará a ser um ponto de cultura”, acrescentou França.

Além das ações culturais, a comunidade foi alertada sobre os riscos do lixo para a saúde e conscientizada sobre o descarte correto. “Quando falamos em pontos viciados de lixo é porque é um costume. A partir do momento em que as pessoas passarem a ver crianças brincando [no local] e um grafite bonito, elas terão consciência de não jogar mais lixo aqui”, explicou França.

Segundo o artista, as caçambas que estimulavam os moradores a jogar lixo no local foram retiradas para prevenir a volta do descarte irregular. “Cada morador consegue amarrar o seu saquinho, guardá-lo dentro da sua casa e dar para o coletor ou para o caminhão de lixo no dia certo. Um dos problemas do lixo, percebemos, eram as caçambas [que ficavam no local]. Então tiramos as caçambas, fizemos amarelinhas e revitalizamos a área”, acrescentou.

De acordo com França, as ações educativas e culturais tiveram efeito permanente. Ele disse que, em todos os eventos feitos anteriormente pelo coletivo, nenhum voltou a tornar-se ponto de lixo novamente. “Depois de um ano, não tem nenhum lixo [nesses locais]”, destacou.

Edição: Wellton Máximo
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