A sedução do lulismo: imagens e leituras de Lula na Sociedade do Espetáculo
Por Gilberto da Silva
Resumo:
Este trabalho se propõe a entender o fenômeno Lula através da abordagem da teoria crítica e da sociedade do espetáculo. A investigação do lulismo nos remete sobre os vínculos entre a lógica mercantil e a produção de imagens e permite, através dessa abordagem, refletir sobre temas da indústria cultural, da ideologia, da política e da sociedade capitalista a partir da conceituação de Sociedade do Espetáculo empreendida por Guy Debord e passando pela releitura dos demais autores filiados a Teoria Critica.
Palavras-chave: Lula, lulismo, teoria crítica, sociedade do espetáculo.
- Imagens
Para Debord, a produção de imagens – a valorização da dimensão visual da comunicação como instrumento de exercício do poder e de dominação – existe em toda situação onde há classes sociais, isto é, onde a desigualdade social está presente graças à divisão social do trabalho. Debord afirma que a realidade torna-se imagem, e as imagens tornam-se realidade.
As imagens que se destacaram de cada aspecto da vida fundem-se num fluxo comum, no qual a unidade dessa mesma vida já não pode ser restabelecida. A realidade considerada parcialmente apresenta-se em sua própria unidade geral como um pseudomundo à parte, objeto de mera contemplação. A especialização das imagens do mundo se realiza no mundo da imagem autonomizada, no qual o mentiroso mentiu para si mesmo. O espetáculo em geral, como inversão concreta da vida, é o movimento autônomo do não-vivo. (Debord, 1997, p.13)
No entanto Debord sustenta que a imagem não obedece a uma lógica própria. A imagem é uma abstração do real, e o seu predomínio, isto é, o espetáculo, significa um “tornar-se abstrato” do mundo. Uma abstração generalizada que é uma consequência da sociedade capitalista, da qual o espetáculo é a forma mais desenvolvida: “quando o mundo real se transforma em simples imagens tornam-se seres reais e motivações eficientes de um comportamento hipnótico” afirma Debord (1997, p.18).
No espetáculo a economia, de meio que era, transformou-se em fim, a que os homens submetem-se totalmente, e a alienação social alcançou o seu ápice: o espetáculo é uma verdadeira religião terrena e material, em que o homem se crê governado por algo que, na realidade, ele próprio criou. Na contemporaneidade, o mundo prefere a imagem ao objeto, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser. A realidade social é fragmentada de tal forma que na sociedade do espetáculo ela “já não aparece como coisa, mas como imagem, que oscila entre um conjunto autônomo e separado das ações humanas e uma multiplicidade de ações fragmentadas” (Coelho, 2006, p.17).
Não importa o que é real, mas sim a imagem que foi criada do objeto. Como afirma Debord: “a realidade surge no espetáculo, e o espetáculo é real” (1997, p.15). A lógica da mercadoria é a determinação última do espetáculo. Preso na armadilha da mercantilização resta a impossibilidade da crítica à sociedade do espetáculo. Atados à ideologia neoliberal cessam-se as perspectivas de transformação da sociedade, não restando outra alternativa a não ser fora dessa sociedade pois, no espetáculo “tudo que era vivido diretamente tornou-se uma representação.” (Debord, 1997, p.13)
A alienação do espectador em favor do objeto contemplado (o que resulta de sua própria atividade inconsciente) se expressa assim: quanto mais ele contempla, menos vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes da necessidade, menos compreende sua própria existência e seu próprio desejo. (Debord, 1997, p.24)
Assim para Debord, a Sociedade do Espetáculo é o estágio avançado do capitalismo no qual tudo virou representação. As imagens na Sociedade do Espetáculo seriam, então, a concretização da alienação.
- Uma mercadoria no mundo da politica
Segundo Karl Marx “a mercadoria é antes de tudo, um objeto externo, uma coisa, a qual pelas suas propriedades satisfaz necessidades humanas de qualquer espécie” (Marx, 1983, p.45). Para Marx, o fetichismo da mercadoria é um fenômeno da sociedade capitalista e nela a mercadoria não pode ir sozinha ao mercado é necessário que alguém à carregue. O PT encarregou-se dessa tarefa e o marketing concretizou a mercadoria Lula tornando-o um fetiche e incorporando o ex-metalúrgico aos estreitos e perigosos caminhos da Sociedade do Espetáculo. A transformação deu-se, sobretudo pela utilização da publicidade como forma de esculpir o ex-operário tornando-o uma liderança palatável.
O fetiche em sua primeira manifestação é a separação entre o fazer e o feito “O principio do fetiche da mercadoria, a dominação da sociedade por coisas suprassensíveis, embora sensível, se realiza completamente no espetáculo” afirma Debord (1997, p.28) marcando assim o triunfo da imagem nos domínios da sociedade, da política e da cultura.
Lula aos poucos vai se metamorfoseando
O período de 1976 a 1980 viu Lula transformar-se de um orador tímido, trazido gradualmente ao movimento sindical, em uma figura nacional com milhares de operários que absorviam cada palavra sua. Ele amava o oxigênio da publicidade, os comícios, multidões entusiasmadas gritando o seu nome. Ele não tinha medo… (…) Lula não tinha ideologia (Bourne, 2009, p.76-77)
Maquiado e disciplinado por Duda Mendonça, Lula surge em 2001 com uma imagem “clean” à altura da lógica da sociedade do espetáculo. A experiência que poderia ser passageira, tornou-se permanente. Criou-se, notadamente após a eleição de 2002, a imagem do Lula como uma mercadoria sedutora, dócil e contemporânea, contando com elementos do pop, do chic, refletindo a figura do pai, do paizão, ou o quase santo ou messiânico. Um político sempre com sorrisos fartos e abraços generosos, desempenhando um papel de popstar carismático como bem destacou com razoável ironia Ab’Saber (2011).
Aliás, já em 2003, Maria Rita Kehl em artigo publicado numa revista do PT alertava para o uso publicitário da imagem de Lula:
Mas não só de carisma e compromissos sinceros teceu-se a vitória de Lula. A peça mais importante de sua campanha, admitamos, foi a publicidade. Sobretudo a campanha feita para a televisão, na qual o marqueteiro Duda Mendonça trabalhou para projetar uma imagem do candidato à altura da lógica do espetáculo. Nas imagens de Duda, Lula virou ídolo pop, virou chique, virou figura messiânica, virou santo, virou pai. Sorriu muito e disse pouco, chorou quando convinha chorar, fez muito charme para a câmera, associou-se a outras imagens genéricas e palatáveis: flores, estrelas, criancinhas, culminando com a cena kitch das dezenas de mulheres grávidas vestidas de branco descendo uma colina verde ao som do Bolero de Ravel. O apelo sentimental de imagens como esta, durante a campanha, foi quase indecoroso. Deve ter feito muita, muita gente esquecer a política. Às vezes, parece que é isto o que o brasileiro mais deseja: esquecer a política. (Kehl, 2003, p.63-64)
Devidamente instrumentalizado e organizado para atender as novas demandas engendradas pela Sociedade do Espetáculo, Lula renasce a partir de 2002 repaginado, fragmentado e reificado “num mundo em que tudo, inclusive a força de trabalho, se tornou mercadoria” (Jameson, 1995, p.11) e torna-se um produto a ser ofertado a todos os segmentos sociais como meio para um chegar a um fim: o poder.
Ernest Bloch afirma: “quem se põe à venda tem de agradar” (2005, p.32) e esse esforço concentrado de tentar agradar as massas populares parece ser o tônico da vitalidade de Lula.

Ao analisarmos a Figura 01 a primeira expressão que recorremos é de que “o que atrai com mais força ainda é a mania de transformação. Nesse caso, o homem não só põe uma vestimenta nova, mas torna-se irreconhecível com ele.” (Bloch, 2005, p.336) Esse recurso do irreconhecível é prática comum durante as campanhas eleitorais.
Ao término do seu segundo mandato outras expressões – ou identidades a serem decifradas – foram agregadas ao ex-presidente: neocoronel, neoliberal, populista, autoritário, pragmático e carismático. Os diversos “Lulas” e seus adjetivos são colocados no debate como uma esfinge a ser decifrada.
De ‘sapo barbudo’ a ‘Lulinha paz e amor’ o processo de transformação parece ter sido feito sem direito a retorno. “Vitorioso, feliz, Lula não estava só mais carismático. Estava muito mais sedutor” segundo Kehl (2003, p.64).
- Lula, pastiche de Getúlio

Lula ao sujar as mãos com petróleo (Figura 02) repete o mesmo gesto de Getúlio quando do contexto da promoção de “o petróleo é nosso!”. Enquanto Getúlio dizia sair “da vida para entrar na história” Lula disse: “saio do governo para viver a vida das ruas”. Lula resgata um morto e representa – através da imagem – o tempo passado como um presente perpétuo.
Para Jameson, o pastiche é meramente uma reprodução desprovida de sentido que tem e é uma das principais características da produção cultural na era do pós-modernismo. O passado como simples imitação, sem o caráter transgressor da paródia. Mas quando o passado é representado pelo pastiche, temos como resultado a perda da historicidade, assim, fragmentados, perdemos nossa conexão com a história que se transforma em uma série de estilo e gênero superados ou em simulacros.
O pastiche é uma paródia que perde o sentido de humor, falsificado do original. Ao falar “através de máscaras” e imitar estilos mortos ou querer resgatar Getúlio, Lula transforma-se numa criatura incompleta: uma “estátua sem olhos”.
- Um neoliberal ás avessas?
Algumas afirmações sobre o governo Lula levam a entender que o ex-operário optou pelo neoliberalismo em sua experiência governamental, que a política implementada no governo petista não tocou na herança neoliberal de FHC, tais como a abertura comercial, a desregulamentação financeira e do mercado do trabalho, a redução dos direitos sociais, o ajuste fiscal, a privatização e a desindexação dos salários.
Em 2001, o Instituto da Cidadania (atual Instituto Lula) publicou o documento “Um outro Brasil é possível” em que faz um mapeamento da conjuntura, do agravamento da dependência, da desnacionalização da economia no governo FHC, do controle progressivo dos EUA sobre a economia latino-americana (ALCA), do desmonte do Estado, do agravamento da crise social. Já deixava uma dubiedade sobre o processo de privatizações Lembremos que a Carta aos Brasileiros foi lida por Lula durante o encontro partidário em 2002.
Ao assumir o governo, Lula manteve o que preconizou na Carta.
Os membros da equipe governamental não tocaram na herança neoliberal de FHC: a abertura do comercio, a desregulação financeira, a privatização, o ajuste fiscal e o pagamento da dívida, a redução dos direitos sociais, a desregulação do mercado do trabalho e da desindexação dos salários. (Boito Jr., 2003, p.9)
Para Boito Jr. “Não é exato afirmar, genericamente, que o governo Lula é uma continuidade pura e simples do governo FHC. O que ocorre é que o governo Lula amplia e dá nova dimensão ao que foi iniciado no segundo mandato de FHC”. Para Boito Jr. a novidade é que o governo Lula cria uma ilusão de poder no mundo operário, do novo sindicalismo.
Para Paulani, Lula implementou a política econômica conservadora ao chegar à Presidência. Paulani no livro Brasil Delivery tentou entender as razões que levaram a essa guinada conservadora de Lula e as consequências da continuidade da política neoliberal. Segundo Paulani, ao abandonar as perspectivas de desenvolvimento e soberania e valorizar a plataforma financeira internacional, Lula determinou a entrega do Brasil a interesses alheios à maioria da população. Abordagem consistente e aprofundada da política econômica petista, a obra analisa o desenvolvimento do capitalismo brasileiro e da industrialização, além de retomar a história do neoliberalismo enquanto doutrina. Um de seus objetivos é demonstrar que Lula fez uso de um instrumento singular para levar adiante sua política conservadora: a decretação de um estado de emergência econômico.
Para a autora, Lula estava fazendo tudo ao contrário: “configurou-se, portanto, como a derradeira e mais uma vez frustrada esperança de uma refundação da sociedade brasileira, depois da devastação provocada pelos governos militares” (Paulani 2010, p.134).
Para aprofundar a investida neoliberal de um novo governo de coalização foi preciso abrir o governo para setores a direita do espectro político. Afinal, Getúlio Vargas dizia: “é muito eficiente fazer política de esquerda com gente de direita”. Muitos políticos aprenderam esta lição. Lula para chegar à Presidência fez uma aliança conservadora com o PL – Partido Liberal. O PT aprofundou – em nome da governabilidade – essa aliança com outros partidos, dispensando a histórica base do funcionalismo e expurgando parlamentares que ousaram votar em suas bandeiras históricas. O partido que representou o ‘novo’ que foi acusado de ser sectário, fechado, xiita e subversivo está sendo igualado no mesmo nível dos demais partidos políticos burgueses na medida em que realiza suas alianças eleitorais descaracterizando o seu passado de ‘partido dos trabalhadores’.

Já em 2004, Lula/PT aceitou o apoio aberto de Paulo Maluf a Marta Suplicy . (Figura 06) E assim deixou-se de incluir Paulo Maluf no relatório final da CPI do Banestado. Foi uma contribuição para reabilitar um político da ditadura militar. Essa aliança conservadora foi aprofundada e repetida em São Paulo em 2012 e durante o segundo mandato de Lula ampliou-se para outros partidos (Figura 07)

- Populismo, lulismo: imprecisões
5.1 – Populismo
Outra caracterização dada a Lula e ao seu período de governo é de que ele foi um populista. O termo ‘populista’ é impreciso e objeto de inúmeros debates na academia e passou a ser usado para descrever um tipo de político produzido numa situação em que a massa do eleitorado urbano é receptiva a um líder pitoresco. O político populista seria impensável antes de 1930, pois o “seu êxito pressupõe um voto relativamente livre. Trata-se de um líder personalista, cuja organização politica gira em torno de sua própria ambição e sua carreira” (Skidmore, 2010, p.101).
O populismo é a marca específica da conciliação de interesses das classes dominantes e se esgota quando não há mais possibilidade de harmonização dos interesses tão diferenciados entre as classes.
Para Laclau, o populismo “não é uma ideologia, mas uma forma de construção do político. Essa forma de construção consiste nos que estão abaixo em relação ao sistema de poder existente serem interpelados pelas mais diversas ideologias, do fascismo ao socialismo” (Laclau, 2013, p.21).
Maria da Conceição Tavares, em entrevista, refuta a tese de que Lula é populista, diferente de Getúlio que era das classes dominantes, “e por isso, nesse caso, dava para discutir populismo, o que não cabe na situação de Lula, que é o próprio popular. Então, temos um governo extremamente popular que se deve a ele por sua identificação de classe, com os debaixo” (Tavares, 2010, p.6).
5.2 – “Ele é o cara”: Lulismo
O cientista político André Singer publicou em 2009 o artigo Raízes sociais e Ideológicas do Lulismo onde identifica durante a eleição de 2006 um deslocamento do eleitorado de baixa renda em direção a Lula. Em 2012, André Singer completa seu trabalho com o livro Os Sentidos do Lulismo- Reforma gradual e pacto conservador que no nosso entender passou a reorganizar o debate no campo intelectual tornando-se um marco de análise não só de Lula como do PT.
Para André Singer o lulismo é um “árbitro acima das classes” definindo-o mais explicitamente como
a execução de um projeto político de redistribuição de renda focado no setor mais pobre da população, mas sem ameaça de ruptura da ordem, sem confrontação política, sem radicalização, sem os componentes clássicos das propostas de mudanças mais à esquerda. Foi o que o governo Lula fez. A manutenção de uma conduta de política macroeconômica mais conservadora, com juros elevados, austeridade fiscal e câmbio flutuante, foi o preço a pagar pela manutenção da ordem. Diante desse projeto, a camada de baixa renda, cerca de metade do eleitorado, começou a se realinhar em direção ao presidente. (Singer, 2010, p.102)
André Singer admite que há um elemento de carisma no lulismo, mas que isto não é relevante e que esta importância é maior nas regiões menos urbanizadas do país, onde se tende a atribuir a capacidade de execução de um projeto a características especiais da liderança. A partir de 2006 inicia-se um deslocamento do eleitorado de baixa renda em direção a Lula, enquanto que as classes médias sob o efeito do mensalão acabam se afastando do PT. Singer entende o lulismo como um fenômeno político que vai muito além da figura do ex-presidente. O governo Lula e suas políticas sociais de combate à pobreza e à miséria, o aumento do salário mínimo, da proteção social e dos créditos para o andar de baixo geraram um grande dinamismo econômico e uma ativação do mercado interno e isto sem ruptura de contratos como já o apregoara a Carta aos Brasileiros, escrita durante a campanha eleitoral de 2002. Estas políticas – incluindo a universalização da eletricidade, o acesso à universidade via cotas sociais e raciais, a grande criação de empregos – deslocam o apoio dos mais pobres, que antes temiam Lula e não apoiavam o PT, cuja base se concentrava nos trabalhadores organizados e setores médios. Seus efeitos somados ao contexto da crise do dito “mensalão” provocam um “realinhamento eleitoral que se cristaliza em 2006, surgindo o lulismo” (2012, p. 13), tendo em vista que este escândalo não afeta o apoio dos mais pobres, mas sim o dos mais abastados.
Singer analisa o grande realinhamento eleitoral ocorrido no país durante o pleito de 2006 e da ascensão do subproletariado – isto é, a massa de dezenas de milhões de pessoas excluídas das relações de consumo e trabalho, e que sempre havia se mantido distante da ameaça de “desordem” representada pela esquerda. Mas é bom lembrar das palavras de Maria da Conceição Tavares (2010:6): “o problema é que o subproletariado também tem um conservadorismo popular.”
Segundo Ricci, o lulismo moderniza economicamente, mas é conservador do ponto de vista político e usou como mecanismo de suporte social e desenvolvimento os recursos do BNDES, o PAC e as obras públicas e, com isso, conquistou o grande empresariado nacional. Todos os grandes conglomerados têm financiamento com o BNDES. A base do lulismo está na faixa dos pobres favorecidos pelo aumento real do salário mínimo, pelo crédito consignado e pelo Bolsa Família.
E aí tem o suporte político. De um lado, a coalizão presidencialista, que é algo inédito no Brasil. O Getúlio Vargas até tentou montar algo, mas o Estado Novo acabou destruindo o que ele tentava forjar. Nós não tivemos na história republicana nenhuma situação parecida com a atual. O Brasil desmontou o sistema partidário, criou uma coalizão de tipo parlamentarista e jogou a política do Brasil entre governistas e não governistas, mas não é qualquer governismo, é lulista ou não lulista. (Ricci, 2011).
Para Ricci, depois de Getúlio Vargas, o lulismo se constrói como modelo de gestão política mais fiel ao maquiavelismo, o lulismo não é populista e nem refém da oligarquia e sim as redefine, o lulismo é “uma expressão política muito mais complexa que mero acordo entre elites” (Ricci, 2009, p.154).
Lula encerrou seus dois períodos com grande popularidade. Para muitos, o período Lula representou um retrocesso político, para outros um resgate do getulismo, para outros um simples resgate messiânico.
Lembramos que ao assumir a presidência do Brasil, Fernando Henrique Cardoso em sua já determinada missão de fortalecer o neoliberalismo com base no tripé democracia, mercado e globalização, realizou um discurso em que se colocou na missão de destruir o legado da Era Vargas e com ela uma certa tradição dos direitos sociais das classes trabalhadoras e qualquer noção de um estado brasileiro desenvolvimentista. Com certeza, ali o alvo era seu então oponente Lula. FHC e sua retórica ao combater a Era Vargas pretendia também direcionar seu ataque ao “populismo” como uma liderança carismática, personalista e nacional-desenvolvimentista, assim como ele via a imagem de Lula.
Notadamente a partir do seu segundo mandato o termo lulismo entra na tematização “momento em que um elemento, um componente, de um texto é promovido ao status de tema oficial, e nesse instante se torna candidato a uma honra ainda maior, a ser o ‘significado’ de uma obra” (Jameson, 2002, p.113)
O lulismo, ou mais propriamente “os anos do lulismo” é classificado como o da continuidade do neoliberalismo e da hegemonia burguesa no Brasil. Uma parcela significativa de análise considerada à esquerda considera que Lula e o PT, um partido construído pela classe trabalhadora, traiu os reais interesses da sua própria base social.
Para junto das nossas análises, em consonância com Coelho acreditamos que nas campanhas eleitorais e durante os mandatos presidenciais de Lula ocorreu uma “farta utilização das técnicas de marketing para a produção de imagens espetaculares capazes de garantir sua eleição, reeleição e altíssimos índices de popularidade” e que seduzidos pelo poder
Embora o governo Lula não possa ser considerado um governo que rompeu com o neoliberalismo, só o fato de ele ter sido um líder operário eleito pelo partido que se afirma como defensor dos trabalhadores e com um passado político vinculado à defesa de posições de esquerda já foi suficiente para gerar uma forte onda conservadora na grande mídia, especialmente na mídia impressa. Se essa onda conservadora não foi capaz de superar a imagem positiva de Lula trazida principalmente pela retomada do crescimento econômico acontecida em seu governo, ela não pode ser deixada de lado e se fez presente com força na campanha eleitoral de 2010, principalmente em torno da questão do aborto. (Novaes, 2011)
Para entendermos Lula, propomos partir dele mesmo, do seu discurso, suas falas e imagens.
- Lula, palavras e imagens de outrem
Segundo Philippe Breton, a manipulação da palavra tornou-se hoje uma prática comum nas sociedades modernas. Essa manipulação tem a intenção de criar a ilusão, de confundir as qualidades do emissor da mensagem com a própria mensagem. Ao manipular a palavra fazemos crer que o encanto pessoal de quem diz algo é o aval indiscutível do que é dito. Assim, só é completamente livre quem estiver em condições de dizer, autonomamente, sim ou não à recepção. Breton afirma que:
O indivíduo é autor de suas palavras onde o membro da sociedade holista é apenas o porta-voz, eventualmente o intérprete, de um discurso comum. Mas ser o autor de sua palavra implica, de imediato, para a pessoa que essa palavra lhe seja exterior, que ela a olhe, a contemple, como se ela lhe fosse estranha. A palavra individual é também a possibilidade imediata da mentira, da manipulação, de uma palavra em permanente desnível com o seu autor, mais também de uma palavra para o outro, adaptada ao outro, de uma palavra argumentativa. (Breton, 1999, p.126)
Antes de prosseguir, vamos tentar entender Lula através da fala de outras pessoas.
Para Fidel Castro, líder da revolução Cubana, Lula

nunca foi um extremista de esquerda, nem ascendeu à condição de revolucionário a partir de posições filosóficas, mas sim as de um operário de origem humilde e fé cristã, que trabalhou duramente criando mais valia para outros (Ruz, 2008) Figura 03
Quem conviveu e organizou o PT com ele e rompeu posteriormente com o partido destaca sua liderança e personalidade:

O Lula é uma liderança, a figura e a experiência sindical acho que reforçaram esse traço autoritário dele. O Lula tem uma necessidade muito grande de aprovação, de ser ouvido, de ter identidade. Por isso muda muito o discurso de um público pra outro. Isso é um sinal de insegurança, de falta de convicção daquilo que ele propõe pra sociedade. (Erundina, 2007) Figura 04
Mais tarde, em 2008, em entrevista para o Le Monde Diplomatique Brasil, Luiza Erundina ao avaliar afirmativamente que as forças que impulsionaram o processo de redemocratização, os seguimentos mais progressistas da sociedade civil que ajudaram a eleger Lula, exauriram toda sua energia:
Quem teve e tem o poder real nesses dois governos de Lula? Os mesmos de antes. As forças populares que, direta ou indiretamente, construíram o PT e elegeram Lula não foram capazes de impulsionar sua gestão, nem foram chamadas para atuar como protagonistas nas decisões estratégicas. (Erundina, 2008, p.8)
A economista Maria da Conceição Tavares afirma que Lula é o homem mais inteligente que conheceu

E não apenas politicamente. É uma inteligência nata. É um gênio do povo. Nós tivemos um gênio do povo. Se não, não teria chegado lá. Você acha que alguém vindo de onde ele veio, com as dificuldades que teve, chega a presidente? Não. Ele é um gênio do povo, mesmo, e impressiona qualquer um. (Tavares, 2010 C)
Para Maria da Conceição Tavares (Figura 05) o Lula é o intelectual orgânico: “Os intelectuais como eu são clássicos. E ele é orgânico. Interpreta e representa organicamente o povo brasileiro”. Estudar? “ele fez muitas universidades, o pessoal diz que ele não fez universidade, não fez o cacete (risos)! Ele ficou anos ouvindo o pessoal. No final, sabia mais que nós todos juntos. Exceto filosofia, que ele não era muito dado a isso”. (risos) (Tavares, 2010B)
- Lula e o PT, por ele mesmo
Um líder não se faz só por imagens. É necessária a capacidade de articular as palavras. Inúmeras são as entrevistas e discursos que Lula proferiu, nele em primário grau, coletamos informações que podem ilustrar o personagem Lula. Um pequeno recorte de inúmeros possíveis.
Lula sempre faz questão de ressaltar a sua identificação com o número 13. (Figura08)

Minha vida tem uma identificação muito grande com o 13. A minha mãe vendeu as terras dela em Pernambuco por 13 contos de réis. Nós saímos de Pernambuco dia 13 de dezembro, demoramos 13 dias para chegar em São Paulo, quando fui preso a somatória do número do meu registro era 13 e criei um partido que é 13. (Caros Amigos, p. 27)
Flertando com a política de direita.
Nós precisamos ter consciência de que a disputa política é assim. A elite, ela nunca foi condescendente com a esquerda e a esquerda sempre foi condescendente com a direita. Sabe, ela não foi. É só você pegar a biografia do Getúlio pra você ver. Pega a biografia do João Goulart pra você ver, pega a biografia do Juscelino pra você ver, vai pegar a minha biografia pra você ver daqui a alguns anos: não tem condescendência. Sempre que ela pôde, ela foi pra cima, sabe, tentando… E é no mundo inteiro, é no mundo inteiro. Então, nós precisamos aprender a fazer essa disputa política. Eu acho que, às vezes, a esquerda é ingênua. (Lula, 2014)
Lula flerta com a visão conservadora, estigmatizando os militantes mais combativos e históricos do partido reafirmando que essas velhas posições são convicções superadas pela história. (Figura 09)

Se nós pegarmos um período mais recente em que todos nós participamos dele, o chamado milagre brasileiro, que vai de 1967 a 1973… eu não sei se o Delfim Netto está aqui, porque eu agora sou amigo do Delfim Netto. Passei vinte e poucos anos criticando o Delfim Netto e agora o Delfim Netto é meu amigo e eu sou amigo dele. E por que eu estou dizendo isso? Porque eu acho que é a evolução da espécie humana. Quem é mais de direita vai ficando mais de centro, quem é mais de esquerda vai ficando socialdemocrata, menos à esquerda, e as coisas vão confluindo de acordo com a quantidade de cabelos brancos que você vai tendo e de acordo com a responsabilidade que você tem, não tem outro jeito. Se você conhecer uma pessoa muito idosa esquerdista, é porque ela está com problema. Se conhecer uma pessoa muito nova de direita, também está com problema. Então, quando a gente tem 60 anos, Antônio Ermírio, é a idade do ponto de equilíbrio, em que a gente não é nem um nem outro, a gente se transforma no caminho do meio aquele caminho que precisa ser seguido pela sociedade. (Lula, 2006)
Aos poucos Lula se desloca politicamente das raízes históricas do PT e com autonomia flerta com a direita, ás vezes toma posição de neutralidade ou em outros momentos posa de “bonapartista” em nome da acomodação do poder dominante para defender sua política econômica.
Eu lembro que nos momentos de crises profundas, em que alguém colocava dúvida sobre a economia brasileira, eis que tocava o telefone do Palácio do Planalto, era o companheiro Abílio Diniz dizendo: “Presidente, não se preocupe com as mentiras que estão sendo publicadas, porque nós estamos vendendo muito e o povo pobre está tendo acesso ao consumo de alimentos, coisa que não tinha antes”. Aquilo para mim, Abílio, era minha referência de que as coisas estavam acontecendo no nosso país. (Lula, 2010)
De fato, durante o período Lula muitos empresários e banqueiros enalteceram a política econômica do governo Lula dando sinais de satisfação com o lucro que alcançaram sob o governo.
Em um encontro com empresários, num dado momento, Lula disse que todos os empresários que estavam presentes ganharam dinheiro enquanto o PT esteve no poder. “Se não tivessem ganhado dinheiro não estariam aqui”. Alguns dos presentes riram. [1]
Sobre os programas sociais coloca-se assim:
Muita gente da classe média e rica acabou compreendendo. Aqueles que ironizavam o Programa Bolsa Família, […] o aumento do crédito para a agricultura familiar, […] o programa Luz pra Todos e todas as outras políticas sociais, aqueles que ironizavam dizendo que era esmola, que era assistencialismo, perceberam que foram milhões de pessoas, cada uma com um pouquinho de dinheiro na mão, que começaram a dar estabilidade a economia brasileira, fazendo com que ela crescesse, gerasse mais emprego e renda. Está é uma lógica que todo mundo deveria entender. (Lula, 2013)
Lula parece ser alheio à ansiedade da comunicação, ao que a mídia escreve e fala:
Tem gente na política que levanta de manhã, lê o jornal e quer dar resposta ao jornal. E dai não faz outra coisa. Eu não fui eleito para ficar o tempo todo dando resposta a jornal. Eu fui eleito para governar um país. E isso me deu tranquilidade suficiente para ver que o programa de governo ia ser cumprido. (Lula, 2013)
Lula confirma que mudou, que veio do povo, que isto faz parte do processo evolutivo do homem:
Eu mudei. Mudei porque eu aprendi muito, a vida me ensinou demais, mas eu continuo com os mesmos ideais. Só tem sentido governar se você conseguir fazer com que as pessoas mais necessitadas consigam evoluir de vida. As pessoas precisam somente de oportunidade. Tendo oportunidade, todo mundo pode ser igual. Pode ter um mais inteligente que o outro, mas não tem ninguém burro. As pessoas só precisam de uma chance. (Lula, 2013)
Sobre o PT e o petismo
Existem dois PTs. Um é o PT congressual, parlamentar, o PT dos dirigentes. E outra coisa e o PT da base. Eu diria que 90% da base do PT continua igualzinha ao que era em 1980. Ela continua querendo um partido que não faça aliança política, mas ao mesmo tempo sabe que, para ganhar, tem que fazer acordos políticos. É uma base muito exigente, muito solidária e ainda desconhecida de parte da elite brasileira que conhece o PT superficialmente. O PT é muito forte no movimento social. O PT é muito forte no interior deste país. E nem sempre essa fortaleza se apresenta na quantidade de votos.
E tem o PT eleitoreiro. E, hoje, ou nós fazemos uma reforma política e mudamos a lógica da política, ou a política vai virar mais pervertida do que já foi em qualquer outro momento. (Lula, 2013)
Lula iniciou seu primeiro mandato com uma reforma da Previdência (complementando a já realizada anteriormente por FHC), em que foi redefinida as regras de aposentadoria e da redução de benefícios
Nós começamos o governo com uma coisa importante, que foi a Reforma da Previdência no setor público. Muita gente foi contra, muita gente boa até ficou contra, mas, convenhamos, mesmo na nossa casa a gente não consegue viver, se tiver que gastar o mesmo para um filho que esta na ativa e para o outro que esta inativo.
Na máquina pública, há situações em que você tem mais aposentados do que ativos. E, ao dar um aumento real para quem está na ativa, você é obrigado a dar o mesmo aumento real para o inativo, quando você deveria dar reposição salarial para os aposentados e aumento real para quem trabalha. Mas vai dizer isso…
Não é possível continuar assim. Nós mudamos a lei, mas não e fácil. Nós tentamos fazer a Reforma Trabalhista. Criamos uma comissão de trabalho, onde estavam a CUT, a Forca Sindical e os empresários. Eles sempre chegam quase próximos a um acordo, mas não se acertam. Eu dizia para eles: “Vocês tratem de se acertar, porque não é o governo que vai fazer, não. Ninguém precisa ganhar 100%, mas se coloquem de acordo e construam alguma coisa”. (Lula, 2013)
A reforma de FHC foi parcial e restrito ao setor privado, Lula ampliou para o setor público, como bem definiu Paulani:
A tenaz oposição feita do Partido dos Trabalhadores à sua extensão também para funcionalismo público impediu que a reforma no sistema previdenciário brasileiro fosse feito de uma tacada só. Coube ao governo Lula completá-lo, estendendo as alterações idealizadas por FHC aos trabalhadores do setor público. (Paulani, 2008, p.99)
Lula cedeu ao sorriso irônico do capitalismo, aboliu definitivamente qualquer menção ao fim desse regime e a palavra socialismo fugiu do seu vocabulário.
- O carismático pop
Ao encarnar-se como uma mercadoria, Lula tenta a seu modo satisfazer as necessidades humanas, sejam elas as do estômago (Fome Zero, Bolsa Família), sejam elas as da fantasia (Cultura) e como um condottiere ou um timoneiro passa a orientar o consumidor – o seu público eleitor. Sedutor, com carisma, Lula transita pelo mundo do espetáculo como um jogador de futebol circula pelos gramados usando uma analogia futebolística que ele mesmo gosta de fazer referência.
O psicanalista Tales Ab’Saber ressalta a tendência falastrona e de ídolo pop de Lula no livro Lulismo, Carisma Pop e Cultura Anticrítica. “Nesta dimensão das coisas Lula apenas confirmou o manejo tradicional brasileiro da vida política, nunca inteiramente expurgada do clientelismo e patrimonialismo desde o longo fim da ditadura militar.” (2011, p.13) Para o psicanalista Lula encarna um produto midiático. Um carisma midiático quase semelhante à propaganda. Uma mercadoria que pode ser redesenhada. Sustenta que o corpo de Lula tem uma dimensão simbólica, ele próprio é a encarnação do pacto social que sustentou o seu governo. Lula tem carisma e pertence ao universo pop. Lula “em sua busca de consenso” integra uma cultura que atenua antagonismos de classes.

Um carisma construído por marqueteiros e muita pesquisa de mercado; operando a desmobilização das tensões classistas. (Figura 10)
(…) apesar do intenso discurso antielitista e de convocação populista das massas pobres em abstrato, Lula sempre se colocou no espaço público de modo relativamente soft, agregador, mediador, cordial, de modo a merecer pessoalmente, no próprio traço quase individual com cada um, o imenso desejo político coletivo a ele delegado e nele condensado. (Ab’Saber, 2011, p.39)
Assim sendo Lula passeia com desenvoltura pelas passarelas do samba (ver letra do samba enredo), nas telas de cinema (ver), na literatura de cordel (ver) e se mantém em campanha permanente com o sítio “O Brasil da Mudança” e o desempenho nas campanhas eleitorais. Seria 2014 apenas um rito de passagem?
- Observações finais
Tratamos aqui da política enquanto espetáculo, suas ambiguidades, instabilidades e imprevisibilidades normais em se tratando de uma prática dialética. Retomando Debord, “o espetáculo é o capital a um tal grau de acumulação que se torna imagem” (1997, p.34) podemos verificar e estudar o fenômeno do lulismo e sua forte presença na mídia como parte da reestruturação do capitalismo, da correlação de forças mundiais, do combate ao “avanço socialista” ou das forças progressistas de esquerda na América Latina. Dos livros ao cinema, do jornalismo impresso ao eletrônico, da música à carnavalização Lula, o operário-presidente se faz engendrado de tal forma que ganha destaque como o personagem espetacular da política midiatizada. Um show de onipresença e onipotência da imagem.
O perfil de Lula foi importante e fundamental para a implementação de um “novo consenso” que levou a população a um alto consumo, desmobilizou politicamente os movimentos sociais e o movimento sindical. A burguesia brasileira pode então durante este período reposicionar nessa nova etapa de sua hegemonia (às avessas).
A vida transforma o espetáculo e este transforma a vida. Somente com os resultados das eleições de 2014 até o fim do próximo mandato é que poderemos reavaliar o fenômeno Lula com mais precisão, pois é o próprio ser em campanha permanente e como dizia Kurz (2004, p.27) “na democracia das mercadorias os homens, enquanto homens, não têm mais nada a dizer.” O ex-presidente envolve-se em torno do seu próprio corpo, reúne toda a magia e fantasmagoria essencial para a permanência do espetáculo.
Como celebridade, Lula mantém um fascínio sobre si, uma aura de mistério. Longe do Palácio, mas não fora da sociedade do espetáculo, Lula vive exercitando seu poder hipnótico e sedutor, pois “sob o espetacular integrado, a pessoa vive e morre no ponto de convergência de inúmeros mistérios” (1997, p.210).
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Notas:
[1] http://fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br/2014/03/18/lula-compara-eduardo-campos-a-collor/






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