
Tudo é rio, livro de estreia da mineira Carla Madeira lançado em 2014.
Por Gilberto da Silva
Li recentemente Tudo é rio, de Carla Madeira e experimentei uma narrativa madura, precisa, de fácil leitura, delicada e poética daquelas que proporciona ao leitor entrar na vida dos personagens. Afiada e direta.
Tudo é rio narra a história do casal Dalva e Venâncio, que tem a vida transformada após uma perda trágica, resultado do ciúme doentio do marido, e de Lucy, a prostituta mais depravada e cobiçada da cidade, que entra no caminho deles, formando um triângulo amoroso.
Na orelha do livro, Martha Medeiros escreve:
“ Tudo é rio é uma obra-prima, e não há exagero no que afirmo. É daqueles livros que, ao ser terminado, dá vontade de começar de novo, no mesmo instante, desta vez para se demorar em cada linha, saborear cada frase, deixar-se abraçar pela poesia da prosa. Na primeira leitura, essa entrega mais lenta é quase impossível, pois a correnteza dos acontecimentos nos leva até a última página sem nos dar chance para respirar. É preciso manter-se à tona ou a gente se afoga.”
O livro remete, na minha opinião, a Heráclito de que tudo flui na natureza. Na obra de Carla, a metáfora do rio se revela por meio da narrativa que flui – ora intensa, ora mais branda – de forma ininterrupta, mas também por meio do suor, da saliva, do sangue, das lágrimas, do sêmen, e Carla faz isso sem ser apelativa, sem sentimentalismo barato. Tudo com uma fluidez maravilhosa…
“Mas e o amor? O que é senão um monte de gostar? Gostar de falar, gostar de tocar, gostar de cheirar, gostar de ouvir, gostar de olhar. Gostar de se abandonar no outro. O amor não passa de um gostar de muitos verbos ao mesmo tempo”.
É uma leitura potente, curta, magnética que mostra que há brilhantismo na simplicidade com sabores de contos rápidos e lapidares.
Creio agora que terei quer ler as obras posteriores dela!
Patrocinado






Deixe um comentário