O longa, que vem chamando a atenção da crítica nacional e internacional por apresentar uma realidade muito comum, porém constantemente suprimida em um Brasil displicente, foi um dos mais aclamados na 26ª edição do Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro e também foi selecionado para a edição 2025 do FICA – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental. Além disso, foi exibido em festivais internacionais, como o Los Angeles Art Film Festival, levando o prêmio de Melhor Longa de Ficção, assim como no New York City Independent Film Festival, ganhando os prêmios de Melhor Direção e Melhor Fotografia.

A produção apresenta uma história de solidão e despedidas, em um ambiente devastado pela ambição humana e de grandes empresas, resultando em um filme-denúncia delicado, expondo, por meio de um drama familiar recorrente, a falta de futuro dos trabalhadores e moradores da região e o impacto de um dos maiores desastres ambientais e humanitários do Brasil.

“Por entre montanhas e futuras ‘ex-montanhas’ de Minas Gerais, acompanhamos Kaylane e suas andanças pelas paisagens que a habitam e a consomem. A atividade mineradora atraiu numerosos lugaresejos e cidades-fantasmas em Minas Gerais”, explica o diretor Marcos Pimentel. “De certa maneira, o filme busca reabitar, reocupar e repovoar esses lugares, como se a narrativa do filme aspirasse conferir uma possibilidade de permanência para cenários que foram extraídos à exaustão. A mineração roubou-lhes não somente o solo, mas também a crença e a alma”, completa.

Ambientada a partir da década de 80, a produção é protagonizada pelas atrizes Bárbara Colen e Lavínia Castelari , em três tempos diferentes, e é vista sob o olhar da personagem Kaylane, uma caçula de uma família formada por mais quatro irmãos, que vive instigada por suas reflexões e pelo medo de possíveis mudanças e perdas da vida. Sua mãe, Cleude ( Sinara Telles ), é uma mulher repleta de sonhos e perturbada por uma carga emocional de uma vida inteira arrasada pelas mineradoras. Viúva de um marido vivo, incapacitado devido às condições insalubres de trabalho, ela vê os filhos seguirem o caminho do pai, já que a fonte de renda da região vem da mineração.

Na trama, as partidas se tornam algo comum na vida de Kaylane, que vive e cresce na comunidade de operários. Ela vê o tempo passar em um ritmo diferente do imposto pela produtividade do capitalismo, nutrindo uma curiosidade única pela vida e permeada não só pela intuição de sobrevivência, mas também sua sensibilidade, imaginação e sua forma singular de se relacionar com a natureza e os insetos que encontra durante suas andanças.

Sozinha em um cenário ocre e destruído pela ação inconsequente das mineradoras na região, ela se torna vítima do êxodo de sua própria história, buscando caminhos e técnicas para seguir em frente.

Além de mostrar toda a exploração da região e a degradação da vida e dos nutrientes presentes na natureza e no vilarejo, “O Silêncio das Ostras” traz cenas reais dos rompimentos de barragens no estado de Minas Gerais, que resultou na morte de 270 pessoas e no despejo de mais de 12 milhões de metros cúbicos em dejetos tóxicos em uma área de cerca de 270 hectares, equivalente a 378 campos de futebol, que chegou até o mar.

“Neste ano, completamos 10 anos da tragédia do rompimento da barragem do Fundão e seis anos da tragédia em Brumadinho. Desastres reais que silenciaram sonhos e destruíram vidas. ‘O Silêncio das Ostras’ retrata uma tragédia que virou ficção de uma dor que ainda é real”, finaliza o cineasta Marcos Pimentel .

Com distribuição da Olhar Filmes , “O Silêncio das Ostras” tem sessões lançadas em Curitiba, Porto Alegre, Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza, Manaus, Belo Horizonte, Recife e Belém. Consulte a programação do seu cinema local.

Em Curitiba, “O Silêncio das Ostras” estreia a partir desta quinta-feira (3), com sessões no Cine Passeio

Sinopse: A vida de uma menina que nasceu em uma vila de operários de uma mina e tem que aprender a lidar com as sucessivas perdas que a vida lhe reservava. Depois de perder todos os seus mundos, Kaylane insiste em sobreviver e resistir. Um filme sobre crescer, sobreviver e sonhar em meio à poeira, à lama e ao silêncio.


Ficha Técnica: “O Silêncio das Ostras”
Classificação:
 12 anos(Ficção, Drama | Brasil| 127′ | 2024)
Elenco : Bárbara Colen, Lavínia Castelari, Sinara Teles, Adyr Assumpção, Lucas Oranmian, João Filho, Kaio Santos, Daniel Victor, Israel Xavier, Ryan Talles, Carlos Morelli, Lenine Martins, Renato Novaes Oliveira, Lira Ribas, Dinho Lima Flor, Cláudio Lima e Helvécio Izabel
Direção e Roteiro : Marcos Pimentel
Produção : Luana Melgaço, Marcos Pimentel
Produção Executiva: Luana Melgaço, Fernanda Vidigal
Direção de Produção: Clara Bastos

Direção de Fotografia : Petrus Cariry
Direção de Arte : Juliana Lobo
Direção de Som : Camila Machado
Montagem : Ivan Morales Jr.
Edição de Som e Mixagem : Vitor Coroa
Tratamento de imagem : João Gabriel Riveres
Assistência de Direção : Débora de Oliveira
Figurinista : Gabriella Marra
Caracterização : Ju Bolze
Consultoria de Roteiro: Thais Fujinaga
1º Assistente de Direção: Débora de Oliveira
2º Assistente de Direção : Vinícius Rezende Morais, Gabi Filippo
Produção de Elenco : Ricardo Alves Jr, Germano Melo
Preparação de Elença : Anna Kutner
Pesquisa de Localização : Mariana Andrade, Djalma Café
Produção : Tempero, Anavilhana
Distribuição : Olhar Filmes
Apoio na distribuição: Projeto Paradiso – Prêmio Seminário de Exposição Panorama.
Hashtag oficial: #NãoFoiFicção

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Gilberto da Silva

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