
POR UMA VIDA SEM CANCELAS
Chega de muros invisíveis travestidos de progresso.
Chega de espaços cercados que nos expulsam enquanto nos cobram.
Somos do povo, e o povo não tem dono.
Queremos o chão — todo ele. Não em parcelas, não em concessão.
Não aceitamos pagar por cada passo: liberdade não se mede em boletos.
Pedágios são heranças feudais disfarçadas de modernidade.
Cancelas são cicatrizes de um território amputado por interesses privados.
A mobilidade virou moeda.
O caminhar virou privilégio.
A cidade se fragmentou entre quem pode e quem espera.
Não pedimos gentilezas. Exigimos equidade.
Não queremos jeitinho. Reivindicamos políticas públicas.
A calçada, a ponte, a trilha, a via — são nossos caminhos e devem ser para todos.
Nenhum projeto é democrático enquanto nos obriga a pagar por existir.
A cidade tem que ser atravessada, ocupada, vivida.
Não negociada, não condicionada, não filtrada.
Por uma vida onde circular seja mais que transitar —
Seja pertencer, seja ocupar, seja viver.
Por uma vida sem cancelas:
Onde a liberdade não pede permissão — ela marcha, ela constrói, ela rompe.




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