
Por Gilberto da Silva
Na terra de gados e cavalos, a presença de um sindicato forte sempre foi importante. Por essas e outras, entre várias batalhas, os patrões criaram o que viria a ser o poderoso Sindicato dos Importadores e Fabricantes de Unidades de Carroças, o SIFUC.
Toda vez que alguém tentava furar o bloqueio do sindicato, eles ameaçavam o governo com a demissão em massa da mão de obra, pressionavam o governo com a demissão em massa de seus trabalhadores. Após a pressão, o governo sempre cedia para, na sua visão, deter o desemprego. Alegação fatal do SIFUC: caso o governo permanecesse com a meta de ceder para a abertura de outras montadoras de carroça, o setor perderia milhões de empregos diretos e centenas de milhão de empregos indiretos. Um caos na cadeia produtiva!
Ao ceder repetidamente às pressões do SIFUC, o governo demonstrava fragilidade institucional. Isso criava um ciclo de dependência, onde o sindicato percebia que suas ameaças eram eficazes e tendia a utilizá-las sempre que seus interesses eram contrariados. Com o passar do tempo, o poder de barganha do SIFUC aumentava, enquanto o governo perdia autonomia para tomar decisões estratégicas de longo prazo.
Era a velha história, a postura do governo, ao tentar evitar a abertura para novas montadoras de carroças, protegia o setor estabelecido e dificultava a entrada de novos concorrentes. Isso poderia levar à estagnação tecnológica, menor oferta de produtos e serviços, e até ao aumento de preços, já que a competição era limitada artificialmente.
O SIFUC, com o passar do temo, passou a atuar como um defensor de privilégios de um grupo específico, em detrimento do interesse coletivo. O discurso de proteção ao emprego mascarava a defesa de interesses corporativos, perpetuando desigualdades e dificultando reformas necessárias para o desenvolvimento do setor.
Com essa história toda que perdia mesmo era o consumidor final, esse sim o grande prejudicado por ter menos opção e pagar mais caro por seus produtos.
Nessa terra, não tão distante, o SIFUC defendia privilégios de poucos usando as dificuldades de muitos.
E as carroças continuavam carroças!
PS. As demissões em massas de qualquer forma sempre foram efetuadas…






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