
Por Gilberto da Silva
Nossa Senhora do logradouro público, rogai por nós.
Olhai os buracos eternos das ruas,
que engolem passos, rodas e esperanças.
Mirai nas calçadas quebradas,
onde tropeçam idosos e crianças,
onde o concreto se desfaz como promessa não cumprida.
Olhai ao político do esgoto,
aos animais abandonados,
ao lixo jogado irregularmente.
Olhai ao político dos córregos sempre sujos.
Nossa Senhora do logradouro público.
cuide das esquinas,
dos encontros e desencontros,
dos abraços sujos e apressados,
dos olhares maldosos e preconceituosos que se cruzam sob a pressa da cidade.
Protegei os faróis apagados,
as sinaleiras mudas,
que deixam o trânsito em desordem,
como corações sem direção.
Protegei de toda falta de sinalização,
todo descaso,
e das multas, também.
Guardai os bancos de praça,
onde repousam os cansados,
onde sonham os solitários,
onde namoram os esperançosos,
Onde tropeçam os idosos.
Velai pelos postes que iluminam pouco,
pelas árvores que resistem ao asfalto,
pelos ônibus lotados que carregam histórias,
pela escuridão que ajuda aos assaltos,
pelos vendedores de esquina que sustentam famílias.
Nossa Senhora do logradouro público,
abençoai os becos escuros,
as vielas esquecidas,
os muros grafitados que gritam arte e revolta,
ao trânsito louco que sempre vai e nem sempre volta.
Rogai por nós,
para que a cidade seja mais humana,
para que o espaço seja mais justo,
para que o chão seja menos duro,
e que cada rua seja caminho,
não obstáculo.
Nossa Senhora do logradouro público,
aos urbanos cansados,
derrube seu amém.
Amém das ruas.
Amém das praças.
Amém dos sonhos urbanos.
Amém dos administradores prometeicos!





Deixe um comentário