Por Gilberto da Silva

Procurou em seu baú velhas anotações sobre futebol. Apaixonado pelo esporte- preferência nacional – encontrou – entre algumas revistas de sacanagem e quadrinhos do Carlo Zéfiro – velhas revistas sobre o assunto, mais especificamente a revista Placar. Viu que já na adolescência havia detectado o futuro do esporte. Já condenava a cartolagem, mas ainda era muito para pensar em transformar os clubes em empresas. Era tempo de Vicente Matheus e eteceteras. Era tempo de músicas que elogiavam o esporte nacional, cantada em televisão, rádios e aparelhos de vinil.

Como podem observar, o sujeito criticava a cartolagem com a convicção de quem enxerga além do óbvio, embora naquela época fosse impensável falar em transformar clubes em empresas e muito menos em uma fábrica de dinheiro que a gente nunca sabe de onde veio e para onde foi.

Folheou, virou, sentiu o cheiro de revista velha e sorriu ao reler suas próprias palavras, escritas com letra torta e convicção reta e com alguns erros de pontuação e acentuação. Tentou decifrar alguma coisa, muitas não inteligíveis e pensou no presente, futuro, passado; afinal, o tempo tem dessas ironias: às vezes é o passado que ilumina o presente.

A nostalgia brilho dessa vez. Pensou em seu time do coração que não anda bem das pernas. Pensou em craques que ganharam e perderam dinheiro com o futebol.

Recolheu-se. Hoje não tem jogo.

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