Tratamos aqui da politica enquanto espetáculo, suas ambiguidades, instabilidades e imprevisibilidades normais em se tratando de uma prática dialética. Retomando Debord, “o espetáculo é o capital a um tal grau de acumulação que se torna imagem” (1997, p.34) podemos verificar e estudar o fenômeno do lulismo e sua forte presença na mídia como parte da reestruturação do capitalismo, da correlação de forças mundiais, do combate ao “avanço socialista” ou das forças progressistas de esquerda na América Latina. Dos livros ao cinema, do jornalismo impresso ao eletrônico, da música à carnavalização, Lula, o operário-presidente, se faz engendrado de tal forma que ganha destaque como o personagem espetacular da politica midiatizada. Um show de onipresença e onipotência da imagem.
O perfil de Lula foi importante e fundamental para a implementação de um “novo consenso” que levou a população a um alto consumo, desmobilizou politicamente os movimentos sociais e o movimento sindical. A burguesia brasileira pode então durante este período reposicionar nessa nova etapa de sua hegemonia (às avessas)
A vida transforma o espetáculo e este transforma a vida. Somente com os resultados das eleições de 2014 até o fim do próximo mandato é que poderemos reavaliar o fenômeno Lula com mais precisão, pois é o próprio ser em campanha permanente e como dizia Kurz (2004, p.27) “na democracia das mercadorias os homens, enquanto homens, não têm mais nada a dizer.” O ex-presidente envolve-se em torno do seu próprio corpo, reúne toda a magia e fantasmagoria essencial para a permanência do espetáculo.
Como celebridade, Lula mantém um fascínio sobre si, uma aura de mistério. Longe do Palácio, mas não fora da sociedade do espetáculo, Lula vive exercitando seu poder hipnótico e sedutor, pois “sob o espetacular integrado, a pessoa vive e morre no ponto de convergência de inúmeros mistérios” (Debord, 1997, p.210).

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