Visitando os amigos no inferno

De uns tempos para cá passei a visitar amigos, colegas e companheiros de longa jornada, depois de um certo tempo de distanciamento e isolamento devido à imersão ao mundo do trabalho, mudanças geográficas e nova constituição familiar.

Durante este início de visitação comecei a observar algumas coisas interessantes, algumas já tinham passado pela minha cabeça, mas não tinha parado para pensar nestas questões.

A TV, a internet e todo o aparato tecnológico virtual afastou as pessoas do convívio, da prática do receber, da conversa olho no olho. Distantes, as pessoas entram em imersão acelerada, sem rumo, direto ao isolamento do corpo, enquanto sua alma vagueia pelas ondas etéreas. Pessoas que perderam o hábito de receber pessoas, tal o grau de isolamento no seu lar e no umbigo da própria família.

Bom, iniciei este processo de visitação crente que o inferno é aqui e que não está em outro lugar imaginário, em sonhos acordados. O paraíso é o lugar dos que sobrevivem a este inferno. E para chegar a este paraíso, talvez bastará uma boa dose de tolerância, honestidade e amor (em todos os sentido da palavra /amor/).

Diante destas observações passei a procurar e conversar com estes amigos. Pode ser uma tentativa de ir pagando os pecados, fazendo meu caminho para o paraíso. Voltei a apreciar um bom cafezinho quente servido em bandejas de todos os tipos ou tomados numa mesa posta com gentileza.

Quantos livros nas estantes revelando o perfil das pessoas!! Quantos CDs e DVDs ilustrando gostos, fantasias e paixões! Procuro não chegar na hora do almoço, pois tal atividade hoje é um incomodo para as mulheres e muitos homens nem se dignam a fritar um bife (ainda que meio ambientalistas eu não larguei o hábito de degustar um bom bife!). Por outro lado, as famílias pós-modernas preferem as cozinhas dos restaurantes, dos fast-food e dos bares. Cozinhar virou um transtorno…  Também prefiro não ficar para o jantar, antevejo uma pizza repleta de óleo brilhando na mesa dizendo: vai logo embora, cara….

Procuro ser rápido, sinto que depois de alguns minutos os assuntos já se esgotaram, principalmente se sou convidado a assistir algum programa na televisão (neste caso, prefiro ver lixo em casa: lá eu reciclo da minha maneira)

Lembro-me bem da minha infância e os meus pais recebendo visitas sempre com um bule chamegando café "fresquinho" e uns bolinhos de fubá na mesa…

Quando questionado porque minha esposa não está na visita, digo que meu casamento não é siamês e que meus amigos não são necessariamente amigos da minha esposa e vice-versa. Digo isto de forma serena, tento ser delicado para não melindrar as esposas preocupadas com a visita de um amigo "solteiro".  e não há submissão nisto: "a submissão é hipócrita" versa o biólogo Maturana.

E por falar nestas questões, deixarei para visitar minhas amigas em outra ocasião, dado a complexidade que é visitar mulheres. As casadas serão mais complicadas: como explicar aos maridos que a visita é apenas um amigo? Sempre ficará um questionamento na cabeça do sujeito. "Será que este cara já saiu com minha mulher? Está saindo? Pretende sair?"

Quando começarei a visitar amigas solteiras?  Bem isto é mais complicado…. e outra história.

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2 comentários

  1. A tua atitude é de exaltar, porque o que aconteçe na realidade é que o inferno é aqui mesmo e que só consegues supera lo a partir do momento em que te encontras em paz contigo proprio nem que para isso seja, vistitando velhos amigos, tomando um cafezinho com o maior dos gostos, mas acima de tudo dar mais de nós a todos ainda que não recebamos nada em troca. A minha experiencia de vida, repara que já lá vão 38 aninhos, tem mostrado exactamente isso. Podes levar os maiores pontapés mas a maior virtude está em te levantares sempre e sempre e sempre. Já agora não não aguardes para visitar as tuas amigas (aquilo que os maridos pensam não interessa), o que interessa realmente é amanhã já pode ser tarde para chegares a alguma deles e iras ficar sempre com essa magoa. Isto para dizer que adoro ler o que escreves. Bjs

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  2. Gostei de ler o que você escreve, és realmente muito engraçado. Ainda bem que a internet favorece a interação entre as pessoas. Por exemplo, hoje conheci sua expressão escrita e edeológica, por aqui e gostei muito. Como principiantes nesses recursos gostaria que visitasse o meu blog e deixasse o seu comentário tambem, assim podemos socializar nossas ideias. Afinal parece que temos algo em comum, gostamos de escrever e revelar o que é o inferno do eu.

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