O método marxista merece, sim, respeito

Nos últimos dias o CRESS-RJ divulgou matéria e entrevista com a professora Ivanete Boschetti, da Universidade de Brasília. O tema foi a rejeição, com evidentes sinais tendenciosos e ideológicos, de projeto de pesquisa interinstitucional (UnB, UERJ e UFRN) apresentado à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). O projeto se propõe à pesquisa e à análise da relação entre a atual crise do capital (reconhecida por teóricos de diferentes perspectivas), o fundo público, os impactos sobre o trabalho, os direitos e as políticas sociais. Interessa à análise da vida social contemporânea, contribuição do Serviço Social reconhecida por distintas áreas do conhecimento. Os modos de produção e distribuição de riquezas de cada sociedade têm distintos sustentáculos. Um deles é a produção do conhecimento científico. Na sociedade capitalista há uma tentativa de “cientificação” de todo o saber. Vende-se a ideia de que ciências exatas devem preponderar sobre as humanas. Isto resulta na desconsideração de distintas dimensões da vida em sociedade e de como o ser social se constitui, vive e habita o planeta. Tal postura tem tentado impor lógicas como as de que todo conhecimento precisa ser comprovado estatisticamente. Como se números não fossem interpretados por distintas lentes e leituras. Este processo tem um adversário principal: o método dialético materialista. Curioso notar que a grande mídia tem relatado o esgotamento das edições do livro O Capital, obra central de Marx, inclusive em sebos, em países como a Alemanha. No Brasil é facilmente perceptível o interesse de editoras pela contribuição teórica marxiana (do próprio Marx) e marxista. O parecerista da CAPES, ao afirmar que “o método dialético marxista não é científico”, coloca-se na contramão de um reconhecimento muito mais amplo do que os que têm a obra marxiana e marxista como sua referência. Para o Serviço Social os impactos são gravíssimos. No diálogo prioritário com o método dialético marxista a profissão reconheceu seu lugar na divisão social do trabalho. Este processo – a “Virada” – fortaleceu nosso lugar na sociedade. Ampliou o reconhecimento social e acadêmico de nossas produções e contribuições teóricas e práticas. Amplificou o reconhecimento internacional de nossa bibliografia e de nossas reflexões e proposições para interpretar a profissão, a realidade social e as formas de atuar com as desigualdades na sociedade capitalista. É fato que permanecem havendo disputas políticas e teóricas na profissão. Mas hegemonicamente o método materialista dialético permanece como a principal contribuição para que sejamos o que somos. Negá-lo é negar a história do Serviço Social brasileiro. O CRESS-RJ se soma àqueles e àquelas que vêm reagindo contra ataques a categorias como dialética, totalidade, mediação, contradição, classes sociais. O método marxista merece, sim, respeito! Diretoria do Conselho Regional de Serviço Social – Rio de Janeiro / http://www.cressrj.org.br

Atualizado: 25 de jun de 2014 12:5625 de jun de 2014 12:56

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