
O cantor e compositor paulista Walter Franco faleceu no dia 24 de outubro de 2019. Membro da Vanguarda Paulista e popularmente conhecido pelo apelido de Maldito, Walter foi um dos compositores mais atuantes e criativos dos anos 1970.
Walter Franco: o poeta radical da música brasileira
Walter Franco foi um dos artistas mais originais, inquietos e inovadores da música brasileira. Cantor, compositor e produtor, ele atravessou cinco décadas de carreira desafiando rótulos, rompendo padrões e criando uma obra que permanece única dentro da MPB. Sua música, marcada por experimentalismo, poesia concreta e ousadia estética, fez dele um ícone da Vanguarda Paulista e um dos nomes mais cultuados da cena alternativa.
Primeiros passos de um artista singular
Nascido em 6 de janeiro de 1945, em São Paulo, Walter Rosciano Franco cresceu em um ambiente que favoreceu sua sensibilidade artística. Estudou na Escola de Arte Dramática da USP, experiência que moldou sua relação com a voz, o corpo e a performance — elementos que mais tarde se tornariam parte essencial de sua identidade musical.
Sua estreia nacional aconteceu nos festivais de música dos anos 1970, onde apresentou composições que fugiam completamente do padrão da época. Em 1972, chocou o público e encantou a crítica com “Cabeça”, uma canção marcada pela repetição, pelo minimalismo e pela força poética. Vaiado no palco, mas premiado pelo júri, Walter Franco mostrava ali que não estava disposto a seguir caminhos fáceis.
Álbuns que desafiaram a lógica da MPB
A discografia de Walter Franco é curta, mas profundamente influente. Entre seus trabalhos mais marcantes estão:
- Ou Não (1973) – produzido por Rogério Duprat, mistura psicodelia, poesia concreta e experimentação sonora.
- Revolver (1975) – considerado por muitos seu álbum mais importante, com arranjos ousados e letras densas.
- Respire Fundo (1978) – mais acessível, mas ainda carregado de sua estética particular.
- Vela Aberta (1980) – trouxe canções que se tornariam conhecidas do grande público.
- Tutano (2001) – seu retorno após duas décadas, reafirmando sua força criativa.
Walter transitava entre o rock, a MPB, a poesia e o experimentalismo, sempre guiado por uma busca pessoal por novas formas de expressão.
Canções que marcaram gerações
Entre suas músicas mais lembradas estão:
- “Cabeça”
- “Coração Tranquilo”
- “Vela Aberta”
- “Respire Fundo”
- “Canalha” – que lhe rendeu o 2º lugar no Festival da Tupi, em 1979
- “Serra do Luar”, com o célebre verso:
“Viver é afinar o instrumento / De dentro pra fora / De fora pra dentro”
Suas composições foram regravadas por artistas como Leila Pinheiro, Oswaldo Montenegro, Lobão, Chico Buarque, Ira!, Titãs e Pato Fu, ampliando ainda mais seu alcance.
O legado de um visionário
Walter Franco faleceu em 24 de outubro de 2019, aos 74 anos, deixando uma obra que continua a inspirar músicos, poetas e pesquisadores. Sua música permanece viva como referência de liberdade criativa, coragem estética e profunda sensibilidade artística.
Mais do que um cantor ou compositor, Walter Franco foi um inventor de linguagens, um artista que acreditava na força transformadora da arte e que nunca teve medo de desafiar o óbvio.




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