Estação Paraíso foi escrito em homenagem a Aurora Maria Nascimento Furtado, a “Lola”, como era conhecida pelos companheiros que junto a ela lutaram contra a ditadura civil militar. Assassinada pelo regime no dia seguinte à sua prisão, após tortura abominável, Aurora é lembrada por Alipio como símbolo de resistência e renascimento de toda uma geração após décadas de um regime autoritário, corrupto e assassino. Os poemas, alguns divididos em cantos, revisitam o gênero épico – escolha muito original em relação às narrativas testemunhais referentes ao período da ditadura – e dialogam com poetas e referências modernas, “Com a memória em 64 / os pés em 22 / a cabeça em 68 / e o coração sem tempo”, como o próprio eu-lírico se define em alguns versos do poema “31 de março de 1992”.

Jornalista, escritor, artista plástico e convicto militante pelos direitos humanos, Alípio iniciou sua militância política na luta contra a ditadura. Foi preso aos 23 anos de idade e passou cinco anos em encarceramento. Foi ao longo destes anos que ele produziu e reuniu obras artísticas de presos políticos como desenhos, pinturas, xilogravuras e objetos artesanais

Alípio Raimundo Viana Freire(Salvador, 4 de novembro de 1945- São Paulo, 22 de abril de 2021), mais conhecido como Alípio Freire, foi um jornalista, escritor e artista plástico brasileiro. Foi preso político na ditadura militar brasileira entre 1969 e 1974, encarcerado e torturado no Presídio Tiradentes.

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