Gilberto da Silva
Desde que no ano 2000 fundei a Revista Partes (www.partes.com.br), um espaço destinado para temas sobre educação, cultura e política, pautei minhas publicações pelo respeito à diversidade e a pluralidade de opiniões, sempre deixando claro que em minhas páginas não há espaço para o racismo, para a xenofobia e para discriminação racial. Esta base conceitual levei comigo ao criar, em 1999, o espaço Canal Vitrine do Giba, presente nas redes sociais e, principalmente, no Youtube. Nossa proposta de comunicação é sempre estar aberto para conteúdos não sexistas, não racistas e sempre atento para publicar conteúdos que não firam a integridade das pessoas.
Para mim, ser responsável é sentir-se parte. É sentir-se parceiro. É viver no compartilhamento. É não esperar que alguém faça algo que o outro deveria ter feito. Ser responsável é fazer as coisas e as ações sem esperar aplausos. É fazer e participar orientado para o bem comum. E mais que responsabilidade, precisamos ter a humildade e a sensibilidade para os assuntos sociais, para os dramas humanos que demandam nossa atenção, nosso olhar, nossa escuta e nossa solidariedade.
A temática do migrante ou do deslocamento forçado é um problema secular e que dialoga com as questões políticas e ambientais, questões estas que sempre motivaram minha solidariedade. Eu mesmo pessoalmente sou fruto do deslocamento do meu pai baiano para o sul e do meu deslocamento do norte do Paraná para São Paulo. A fala do Papa Francisco sobre o Dia do Migrante me tocou assim como a sensibilidade que encontrei na campanha das irmãs scalabrinianas. Desta forma, não tinha como passar indiferente ao convite para participar da campanha feito pela Irmã Rosinha Martins, minha colega de mestrado e de grupo de pesquisa na Faculdade Cásper Libero e que nos encantou com sua excelente dissertação Menores estrangeiros não acompanhados: uma análise da representação no fotojornalismo italiano.
Inspiradas na campanha desencadeada pelo Papa Francisco para Dia Mundial do Migrante e do Refugiado (DMMR) “Obrigados, como Jesus Cristo, a fugir. Acolher, proteger, promover e integrar os deslocados internos” a Congregação das Irmãs Scalabrinianas desenvolveu em 2020, uma série de ações voltadas para chamar a atenção da sociedade para a causa dos deslocados. A campanha efetuada pelas Sacalabrinianas deu-se dentro da sua missão de incentivar, proteger, promover a integração e o protagonismo do migrante e refugiado, dos deslocados por vários motivos e no apoio às lutas e buscas destas pessoas.
A Campanha Em Fuga, que juntou religiosos e religiosas, atores e atrizes e demais membros da sociedade civil, proporcionou que a sociedade voltasse seus olhos para as pessoas em deslocamento, dado que a cada segundo, uma pessoa é forçada a abandonar sua casa em algum lugar do planeta. Um olhar para as pessoas que pressionadas deixam suas terras, suas casas, suas histórias, seus enraizamentos para “forçados” deslocaram-se. Um assunto tão contemporâneo e que deixa marcas profundas nas pessoas e em suas relações.
Compartilhei os vídeos e o banners da campanha em nossas redes e promovi no dia 27 de setembro de 2020, no Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, um bate papo com o filósofo e professor Nilo Ribeiro Junior e a Irmã Missionária Leda Aparecida dos Reis. Fiquei emocionado com a participação e carinho de ambos e pela audiência que a live teve.
A temática dramática dos deslocamentos internos -devido a inúmeras causas – em muitos episódios são quase invisíveis, pouco mostrado pelos meios de comunicação e a campanha Em Fuga contribuiu para a união das forças que trabalham em prol dos imigrantes, refugiados, dos povos isolados. Ao dar visibilidade ao tema num cenário tão sofrido a campanha trouxe uma luz para a ressaltar a importância de se olhar mais para as pessoas, para seus sofrimentos paras as suas vidas. Um olhar não moralizante, não preconceituoso. Uma oportunidade de olhar e escutar adultos e crianças sem cidadanias, condenadas a não terem pátrias, estrangeiros, pessoas sem direitos, sem cidadania, muralhadas. Escutar, olhar, acolher eis nosso desafio!
Que possamos transformar esta fuga em transformação, em oportunidades para que as pessoas possam sentir-se acolhidas, queridas e que no encontro do novo a coexistência possa se concretizar sem traumas, sem preconceitos. Que este encontro, quando inevitável, seja realizado na transparência, na troca de experiencias, no compartilhamento social e cultural e que nos modifique, nos transforme em pessoas melhores e menos indiferentes.
A Vitrine do Giba compartilha a ideia de que os melhores momentos são aqueles em que nossas ações cotidianas são recompensadas e que podemos de uma forma ou outra ser útil ao próximo e este sentimento permaneceu comigo durante a campanha. A Vitrine do Giba está aberta para novas e necessárias ações que venham de encontro aos seus princípios de fraternidade, igualdade e justiça social.
Meus agradecimentos às Irmãs Missionárias Scalabrinianas da Congregação das irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo, Scalabrinianas pela campanha exitosa e oportunidade de minimamente contribuir para o sucesso do evento. Coloco a Vitrine do Giba à disposição para novas empreitadas tão relevantes quanto a Em Fuga, pois como falou o Papa Francisco: “Não são números, são pessoas.”
Gilberto da Silva é jornalista e sociólogo aposentado da Prefeitura Municipal de São Paulo. É editor da Revista Partes e do Canal Vitrine do Giba





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