Diário (quase) do Giba – 01

Querido Diário,

Hoje foi um dia de trabalho e, ao mesmo tempo, reflexão. Estou cá entrando numa nova fase. Não sei como sairei desta fase. Mas a lenta transformação se faz necessária. São tempos bicudos. São tempos teimosos. São tempos devastadores.

Bom, neste primeiro dia, nem sei o que escrever. Hoje ao trilhar pelas webs vi que uma referência em minha vida, um professor do secundário, que eu não tinha notícias havia um bom tempo, está fazendo RPG, Pilates e Fisioterapia. Precisamos. Preciso.

A sexta chegou num furacão. O mês está quase no término. Dezembro e seus natais aproximam-se. Tempos dificeis.

Novos medicamentos vão entrando em meu cardápio. Novas posturas?

Depois de um longo tempo eu resolvi tirar uma carta do tarô de Marselha. Sim! E a carta tirada veio na assertiva de minhas meditações. O Eremita, a carta do dia, representa o beato ou monge que não tem as certezas e é uma carta muito ligada ao meu signo, Virgem, e remete a tempos de isolamento, reflexões e busca de amadurecimento, Olhando para a lamparina, o Eremita procura o interior. Procuraremos…

Na terminologia junguiana, o Eremita (Fig. 42) representa o Velho Sábio arquetípico. Como Lao-tzu, cujo nome significa “velho”, o frade aqui retratado personifica uma sabedoria que não se encontra em livros. O seu dom é tão elementar e perene quanto o fogo da sua lâmpada. Homem de poucas palavras, vive no silêncio da solidão – o silêncio de antes da criação – somente a partir do qual uma nova palavra pode tomar forma. Não nos traz sermões; oferece-se a nós. Com sua simples presença ilumina pavorosos recessos da alma humana e aquece corações vazios de esperança e significação.

Assim lembrei de uma techo de uma livro que tragao comigo:

De acordo com Jung, uma figura assim personifica “o arquétipo do espírito… o significado preexistente escondido no caos da vida”. [C.G. Jung, The Archetypes and the Conective Inconscious, C. W. Vol. 9, Parte 1, § 74]. À diferença do Papa, esse mongezinho não está entronizado como porta-voz e árbitro de leis gerais; à diferença da Justiça, não segura nenhuma balança com a qual possa pesar os imponderáveis. Parece uma figura muito humana, que pisa o chão comum e carrega apenas sua lampadazinha para alumiar o caminho.

Como o Louco, é um andante; e o seu capuz de monge, protótipo do barrete do Louco, liga os dois como irmãos de espírito. Mas o passo do velho viajante é mais comedido que o do jovem Louco, e ele não olha por cima do ombro. Aparentemente, já não precisa pensar no que fica para trás; assimilou as experiências do passado. Nem lhe é mister esquadrinhar horizontes distantes, procurando potencialidades futuras. Parece contente com o presente imediato. Seus olhos estão bem abertos para recebê-lo – seja lá o que for. Apreendê-lo-á e lidará com ele de acordo com a sua própria iluminação. In Nichols, Salie. JUNG e o TARôT – uma jornada arquetípica – Cultrix: São Paulo, 1997.

Já sonhei demais, já pensei erradamente muitas vezes. A sabedoria não está no outro, está dentro da gente (acho…)

Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, acorda.

Jung

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